Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Alexandre Rafael Garcia (FAE)

Minicurrículo

    Mestre em Multimeios pela Unicamp e graduado em Cinema pela Faculdade de Artes do Paraná. Professor no Colégio Medianeira e FAE Centro Universitário, em Curitiba. Já dirigiu os curtas-metragens Pastoreio (2009), Intervalo (2010), Memórias do Meu Tio (2011), Sobrenatural (2012) e Pequenos (2012), o média-metragem Dias de Trovão (2015), além de montar e produzir diversos outros. Foi sócio da produtora O Quadro, de 2010 a 2015.

Ficha do Trabalho

Título

    ÉRIC ROHMER: FILMES E TEORIA

Seminário

    Teoria dos Cineastas

Resumo

    Antes de se firmar como cineasta, o francês Éric Rohmer (1920-2010) foi crítico de cinema na revista Cahiers du cinéma, nas décadas de 1950 e 1960. Rohmer se afastou da revista em 1963 e dedicou-se profissionalmente à produção cinematográfica até o ano de sua morte, mas sem nunca abandonar a reflexão teórica sobre o cinema, evidenciada por meio de entrevistas e textos próprios. Este trabalho propõe uma análise das teorias do pensador Éric Rohmer em paralelo com uma análise dos seus filmes.

Resumo expandido

    Éric Rohmer foi um cineasta francês ativo entre 1959 e 2010, ano de sua morte. Ele lançou 23 longas-metragens, sendo boa parte de seus filmes agrupados em três ciclos: “Contos morais”, “Comédias e provérbios” e “Contos das quatro estações”.

    Antes de se notabilizar como diretor, Rohmer consolidou seu nome como crítico de cinema nas páginas da revista “Cahiers du cinéma”, para a qual escreveu de 1951 a 1963, tendo sido editor-chefe entre 1958 e 1963.

    No final da década de 1960, Rohmer se consagra como cineasta com seus “Contos morais”. Tais obras possuem uma abordagem estética realista do espaço, da trama e das atuações, além valorizar a eloquência dos personagens. Todos filmes são concentrados nas questões morais e nas relações sentimentais dos personagens, evidenciando um cinema objetivo e transparente.

    Rohmer deixou como legado teórico (1) seus filmes produzidos; (2) textos na revista “Cahiers du cinéma” e em outras publicações relacionadas; (3) depoimentos e entrevistas sobre a sua produção cinematográfica; (4) uma tese de doutorado, publicado como livro em 1977, sobre o filme “Fausto”, de F.W. Murnau; (5) um romance, “Élisabeth”, publicado em 1946; (6) um livro sobre música, “Ensaio sobre a noção de profundidade na música: Mozart em Beethoven”, publicado em 1996; (7) as peças teatrais “La Petite Catherine de Heilbron”, adaptada de Heinrich von Kleist, que dirigiu em 1979, e “Trio en mi-bémol”, que escreveu e dirigiu em 1987.

    Toda essa produção de Rohmer em diferentes meios de expressão dialoga intelectual e esteticamente com os seus filmes, que são objetos de análise principal nesta apresentação. A partir destas obras, é possível apontar questões fundamentais e gerais no cinema de Éric Rohmer:
    1. Temas: todos os filmes tratam de relações interpessoais. Os dilemas dos personagens partem das relações deles com os outros, envolvendo questões amorosas e morais.
    2. Ausência de grandes artifícios dramáticos: acidentes físicos, mortes, surpresas e reviravoltas narrativas são evitadas. O drama se dá pela relação direta entre os personagens.
    3. Realismo. As atuações são esteticamente próximas à realidade, com personagens lidando com seus problemas a partir da negociação verbal, em situações aparentemente banais. Tudo isso é mostrado em ambientes cotidianos, seja na capital Paris ou em cidades do interior ou no litoral francês. Estes cenários são apresentados de maneira realista, se aproveitando das locações reais e de figurantes que são transeuntes reais.
    4. Narrativa ficcional. A aparente “naturalidade” estética é fruto de rigorosa dedicação ao trabalho da escrita dramatúrgica ficcional – o roteiro –, especialmente pensado para as condições técnicas possíveis.
    5. Loquacidade dos personagens. Rohmer pode ser considerado um dos poucos “cineastas da palavra”, por investir sobremaneira nas minúcias da fala dos seus personagens, que são eloquentes e possuem grande prazer em embates verbais.
    6. Baixo orçamento e pequenas equipes. Rohmer concilia uma limitação financeira e técnica com sua abordagem estética, trabalhando com poucos recursos financeiros, pequenas equipes e poucos equipamentos. Assim, o diretor mantém-se ativo, produzindo ininterruptamente, mesmo sem grandes sucessos de públicos e crítica.
    7. Intimidade com equipe. O diretor sempre que possível repete sua equipe técnica (fotografia, montagem, produção) e muitas vezes trabalha com os mesmos atores, criando uma intimidade exemplar, se assemelhando a um “grupo teatral”.
    8. Relação com outras artes. Literatura, teatro, pintura, música e dança são temas recorrentes nos filmes de Rohmer, seja pela própria interação dos personagens ou por questões meta-estéticas – como determinadas obras que são citadas esteticamente dentro dos filmes.

    Esta apresentação propõe uma abordagem aprofundada de cada um destes pontos, a partir de exemplos teóricos (textos, falas) de Rohmer e de seus filmes.

Bibliografia

    AUMONT, Jacques. A Teoria dos cineastas. Campinas, SP: Papirus, 2004.
    BORDWELL, David. “Figuras traçadas na luz”. Campinas: Papirus, 2008.
    CARDULLO, Bert (Org). Interviews with Eric Rohmer. Londres: Chaplin Books, 2012.
    CRISP, Colin. “Eric Rohmer: Realist and Moralist”. Bloomington: Indiana University Press, 1988.
    HANDYSIDE, Fiona (Org). Eric Rohmer: Interviews. Jackson: University Press of Mississipi, 2012.
    LEIGH, Jacob. “The Cinema of Eric Rohmer: Irony, Imagination, and the Social World”. New York: Continuum, 2012.
    ROHMER, Éric. “Elisabeth”. Madrid: 2007.
    ROHMER, Éric. “Ensaio sobre a noção de profundidade na música”. Rio de Janeiro: Imago, 1997.
    ROHMER, Éric. “L’organisation de l’espace dans le Faust de Murnau”. Paris: Union Générale d’Editions, 1977.
    ROHMER, Éric. “Le Goût de la beauté”. Paris: Flammarion, 1989.
    ROHMER, Eric. The taste for beauty. New York: Cambridge University Press, 1989.
    SCHILLING, Derek. “Eric Rohmer”. Manchester: Manchester University Press, 2007.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Rio de Janeiro, 28 de janeiro de 2016.

 

Carta aberta ao Ministério da Educação e Ministério da Cultura

 

Assunto: Base Nacional Comum Curricular

 

 

A SOCINE (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual) tem acompanhado os esforços de construção da Base Nacional Comum Curricular. Nosso comentário aqui irá se ater à especificidade de nossa área e sua relação com as propostas apresentadas na BNCC.

Dentro do texto preliminar do BNCC o componente curricular ARTE parte de uma grande área chamada linguagens. Dentro desta área as artes foram divididas em quatro grandes eixos: “artes visuais, dança, teatro e música”, conforme as licenciaturas específicas em arte, desconsiderando a Licenciatura em Cinema e Audiovisual (Resolução do CNE n. 10, de 27 de junho de 2006) e excluindo completamente o cinema como uma arte específica.

Foi essa subdivisão que nos trouxe uma primeira preocupação. Junto à todos esses subcomponentes da área de artes nos parece fundamental que esteja também o cinema. Esta atenção e necessidade não existe apenas porque trabalhamos e pesquisamos cinema e estamos atentos aos seus destinos, mas porque o cinema está intensamente presente na escola e na sociedade e, no momento da construção de uma base nacional para o currículo do ensino infantil, médio e fundamental as questões, contribuições e potencias do cinema na escola não podem ser excluídos.

Diversos componentes curriculares lançam mão de filmes de ficção, seriados, documentários para abordarem temas transversais e específicos de diferentes naturezas. O debate teórico que investigamos apontam para uma necessária vivência no âmbito escolar dos dispositivos cinematográficos desde a tenra idade seja para desenvolver a imaginação na Educação Infantil, na elaboração de cenários para o faz de conta, seja para a construção de identidade pessoal e cultural, seja pela singularidade da experiência sensível que o cinema possibilita.

Vale notar alguns fatos que sustentam nossa preocupação. Primeiramente o cinema é hoje obrigatório na escola. Graças à lei 13006/14, há uma obrigação de exibição de pelo menos duas horas de filmes brasileiros nas escolas. Esta lei, em vias de regulamentação, também exigirá que espaços físicos e materiais sejam garantidos nas escolas para sua efetivação, além da necessidade de uma real inclusão do cinema nas questões que tocam o currículo como um todo, transcendendo mesmo as linguagens específicas. Além de oferecer uma ampla versatilidade de conteúdo, a leitura de filmes e a própria produção audiovisual – inclusive com dispositivos móveis de comunicação – permite a professores e estudantes olhar para a realidade para descobri-la e inventá-la – gestos essenciais na produção de conhecimento.

Como bem é lembrado na proposta de BNC, “a formação em Arte acontece em licenciaturas específicas (artes visuais, dança, teatro e música)”, pois, também em licenciaturas de cinema. Embora talvez se presuma que “artes visuais” inclua de algum modo ao cinema, ele tem uma especificidade na formação do professor. Desde 2012 a Universidade Federal Fluminense possui uma licenciatura em cinema e a mobilização de outras universidade no mesmo caminho é evidente. Devemos ainda atentar à intensa contribuição que diversos programas de pós-graduação vêm dando às relações entre cinema e educação, algo que se evidência nos próprios encontros da sociedade que representamos, onde a cada ano temos diversos trabalhos e comunicações dedicados às relações do cinema com a educação.

Além da materialidade legal, de formação e de pesquisa que evidencia a íntima relação entre o cinema e a escola, a Rede Kino: Rede Latinoamericana de Educação, Cinema e Audiovisual, formada por professores e pesquisadores que trabalham na interface entre cinema e educação, vem mapeando projetos e iniciativas que se dedicam à essa interface, desde 2008. Projetos que acontecem em todo o país e que mobilizam centenas de escolas. Por fim, sabemos que o cinema é amplamente presente nas escolas por conta da contribuição que ele traz em tantas áreas, conteúdos e debates, da matemática às ciências, passando pelas histórias, geografias e humanidades em geral. Por todos esses motivos, pela intensa força pedagógica do cinema na escola, nos preocupa que no momento de construção de uma Base Curricular tão pouca atenção tenho sido dada ao cinema.

No nosso entender, a BNC deveria incluir um eixo Cinema e Audiovisual dentro do componente curricular artes, só assim garantiremos uma formação consistente em uma área decisiva da cultura contemporânea, além de uma experiência e uma habilidade em uma dimensão central das linguagens no mundo atual.

 

Atenciosamente

 

 

Cezar Migliorin

Presidente da SOCINE