Ficha do Proponente

Proponente

    Wolfgang Fuhrmann (ECA-USP)

Minicurrículo

    Wolfgang Fuhrmann (Suíça) – Doutor em Cinema pela Universidade de Utrecht, Hollanda. Historiador do cinema do Departamento de Cinema – Universidade de Zurique, Suíça. Professor visitante no Departamento de Cinema, Rádio e Televisão da ECA-USP com bolsa da Swiss National Science Foundation (2015). E autor de Imperial Projection: Screening the German Colonies (Berghahn 2015). Seu novo projeto de pesquisa investiga as relações cinematográficas entre o Brasil e a Alemanha.

Ficha do Trabalho

Título

    Alemanha-Brasil: Uma historiografia do cinema transnacional

Resumo

    A palestra vai discutir a possibilidade de uma historiografia do cinema transnacional tendo como pano de fundo um conflito político-cultural entre o Brasil e a Alemanha. Apesar de diferenças estruturais entre os dois cinemas (p. ex. cronologia ou força econômica) a palestra vai argumentar que escrever uma historiografia de uma perspectiva transnacional permite abrir não só novas áreas da pesquisa históricas do cinema como também entender melhor acontecimentos do cinema e da história nacional.

Resumo expandido

    Com a manchete sensacionalista “Um filme injurioso ao Brasil e à sua civilização” o jornal Diário de Noticias publicou em março de 1931 um artigo sobre um evento escandaloso que aconteceu semanas antes em Berlim. A razão para a indignação foi a exibição do filme DER WEG NACH RIO [conhecido no Brasil como “A caminho do Rio” e “O caminho do Rio”] (Manfred Noa, D 1931) na Alemanha. “Para o jornalista Ildefonso Falcão a história do filme sobre o tráfico de mulheres, anteriormente conhecido como “tráfico de brancas”, que atrai com falsas promessas jovens alemas para o Rio de Janeiro, obrigando-as a se prostituirem quando lá chegaram foi uma humilhação para o povo brasileiro.”

    O artigo de Falcão e a intervenção da Embaixada do Brasil em Berlim contra a exibição do filme levou ao mais grave conflito político-cultural entre o Brasil e a Alemanha e terminou com a proibição das importaçãos de todos os filmes do produtor Lothar Starke e da distribuidora Südfilm GmbH.

    Em contraste com o discurso político, o discurso da indústria cinematográfica foi muito menos exaltado. O jornal Cinearte respondeu ao escândalo apenas um ano depois e A Scena Muda deixou inteiramente de abordar o assunto. Apesar disso, filmes sobre o tráfico de mulheres não eram incomuns no Brasil. Alguns anos antes o filme alemão O TRAFICO DAS BRANCAS (Hans Steinhoff, D 1927) obteve grande sucesso nos cinemas cariocas. A história do filme sobre criminosos, traição, lascividade e erotismo pareceu mais interessante que a locação que, como no DER WEG NACH RIO, era o Rio de Janeiro: A Scena Muda reservou uma página dupla colorida para uma foto das filmagens que mostra senhoras seminuas.

    O incidente diplomático e as histórias de distribução e exibição dos filmes no Brasil e na Alemanha, além da temática central sobre o tráfico das brancas no Brasil e na Alemanha, são apenas dois exemplos de inumeráveis envolvimentos entra a história do cinema brasileiro e a história do cinema alemão nos últimos cem anos (FUHRMANN 2016, 2015). O exemplo mais recente é o filme de Karim Aïnouz PRAIA DO FUTURO (BR/D 2014). A palestra vai discutir a possibilidade, os benefícios e os limites de uma historiografia do cinema transnacional (HIGSON, 2000; SAUNIER, 2003). Apesar de diferencias estruturais entre os dois cinemas (cronologia, força econômica ou sucesso internacional) a palestra vai argumentar que escrever uma historiografia de uma perspectiva transnacional permite abrir não só novas áreas da pesquisa histórica do cinema como também entender melhor acontecimentos do cinema nacional e da história.

Bibliografia

    FUHRMANN, Wolfgang. Cinema Nacional, para quem? Associações, Recepção e Transnacionalismo. Revista História: Debates e Tendências, v. 16, n. 2 (2016) (no prelo).

    FUHRMANN, Wolfgang. The Ufa Universe: German Cinema in Brazil. In: FINGER, Anke; KATHÖFER, Gabi e LARKOSH, Christopher (Org.), KulturConfusão: On German-Brazilian Interculturalities, New York, Berlin: de Gruyter, 2015. p.179-197.

    HIGSON, Andrew. The Limiting Imagination of National Cinema. In: HJORT, Mette e MACKENZIE, Scott (Org.). Cinema and Nation. London, New York: Routledge, 2000. p. 63–74.

    SAUNIER, Pierre-Yves. 2003. Transnational History. Theory and History. Basingstoke: Palgrave Macmillan.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Rio de Janeiro, 28 de janeiro de 2016.

 

Carta aberta ao Ministério da Educação e Ministério da Cultura

 

Assunto: Base Nacional Comum Curricular

 

 

A SOCINE (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual) tem acompanhado os esforços de construção da Base Nacional Comum Curricular. Nosso comentário aqui irá se ater à especificidade de nossa área e sua relação com as propostas apresentadas na BNCC.

Dentro do texto preliminar do BNCC o componente curricular ARTE parte de uma grande área chamada linguagens. Dentro desta área as artes foram divididas em quatro grandes eixos: “artes visuais, dança, teatro e música”, conforme as licenciaturas específicas em arte, desconsiderando a Licenciatura em Cinema e Audiovisual (Resolução do CNE n. 10, de 27 de junho de 2006) e excluindo completamente o cinema como uma arte específica.

Foi essa subdivisão que nos trouxe uma primeira preocupação. Junto à todos esses subcomponentes da área de artes nos parece fundamental que esteja também o cinema. Esta atenção e necessidade não existe apenas porque trabalhamos e pesquisamos cinema e estamos atentos aos seus destinos, mas porque o cinema está intensamente presente na escola e na sociedade e, no momento da construção de uma base nacional para o currículo do ensino infantil, médio e fundamental as questões, contribuições e potencias do cinema na escola não podem ser excluídos.

Diversos componentes curriculares lançam mão de filmes de ficção, seriados, documentários para abordarem temas transversais e específicos de diferentes naturezas. O debate teórico que investigamos apontam para uma necessária vivência no âmbito escolar dos dispositivos cinematográficos desde a tenra idade seja para desenvolver a imaginação na Educação Infantil, na elaboração de cenários para o faz de conta, seja para a construção de identidade pessoal e cultural, seja pela singularidade da experiência sensível que o cinema possibilita.

Vale notar alguns fatos que sustentam nossa preocupação. Primeiramente o cinema é hoje obrigatório na escola. Graças à lei 13006/14, há uma obrigação de exibição de pelo menos duas horas de filmes brasileiros nas escolas. Esta lei, em vias de regulamentação, também exigirá que espaços físicos e materiais sejam garantidos nas escolas para sua efetivação, além da necessidade de uma real inclusão do cinema nas questões que tocam o currículo como um todo, transcendendo mesmo as linguagens específicas. Além de oferecer uma ampla versatilidade de conteúdo, a leitura de filmes e a própria produção audiovisual – inclusive com dispositivos móveis de comunicação – permite a professores e estudantes olhar para a realidade para descobri-la e inventá-la – gestos essenciais na produção de conhecimento.

Como bem é lembrado na proposta de BNC, “a formação em Arte acontece em licenciaturas específicas (artes visuais, dança, teatro e música)”, pois, também em licenciaturas de cinema. Embora talvez se presuma que “artes visuais” inclua de algum modo ao cinema, ele tem uma especificidade na formação do professor. Desde 2012 a Universidade Federal Fluminense possui uma licenciatura em cinema e a mobilização de outras universidade no mesmo caminho é evidente. Devemos ainda atentar à intensa contribuição que diversos programas de pós-graduação vêm dando às relações entre cinema e educação, algo que se evidência nos próprios encontros da sociedade que representamos, onde a cada ano temos diversos trabalhos e comunicações dedicados às relações do cinema com a educação.

Além da materialidade legal, de formação e de pesquisa que evidencia a íntima relação entre o cinema e a escola, a Rede Kino: Rede Latinoamericana de Educação, Cinema e Audiovisual, formada por professores e pesquisadores que trabalham na interface entre cinema e educação, vem mapeando projetos e iniciativas que se dedicam à essa interface, desde 2008. Projetos que acontecem em todo o país e que mobilizam centenas de escolas. Por fim, sabemos que o cinema é amplamente presente nas escolas por conta da contribuição que ele traz em tantas áreas, conteúdos e debates, da matemática às ciências, passando pelas histórias, geografias e humanidades em geral. Por todos esses motivos, pela intensa força pedagógica do cinema na escola, nos preocupa que no momento de construção de uma Base Curricular tão pouca atenção tenho sido dada ao cinema.

No nosso entender, a BNC deveria incluir um eixo Cinema e Audiovisual dentro do componente curricular artes, só assim garantiremos uma formação consistente em uma área decisiva da cultura contemporânea, além de uma experiência e uma habilidade em uma dimensão central das linguagens no mundo atual.

 

Atenciosamente

 

 

Cezar Migliorin

Presidente da SOCINE

  1. Prazo de pagamento da anuidade: de 1 a 24 de março; 
  2. Prazo de submissão de propostas de trabalhos para apresentação [XXI Encontro]: de 5 a 31 de março;
  3. Divulgação de propostas aprovadas para apresentação [XXI SOCINE]: 9 de junho;
  4. Período de pagamento das inscrições [XXI SOCINE]:
      • PRIMEIRO PRAZO: 3 a 13 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
      • SEGUNDO PRAZO: 14 a 24 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
      • TERCEIRO PRAZO: 25 de julho a 1 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00
  5. Chamada de candidaturas [Eleições da SOCINE]: 21 de agosto a 22 de setembro;
  6. Inscrição de ouvintes [XXI SOCINE]: a partir de 11 de setembro;
  7. Divulgação da programação [XXI SOCINE]: 19 de setembro;
  8. Divulgação das candidaturas homologadas [Eleições da SOCINE]: 29 de setembro;
  9. XXI Encontro SOCINE, na UFPB, em João Pessoa: de 17 a 20 de outubro;
  10. Eleições da SOCINE: 18 e 19 de outubro;
  11. Assembleia e posse da nova diretoria: 20 de outubro;
  12. Prazo de envio de trabalhos para os Anais de Textos Completos [XXI SOCINE]: a definir.