Ficha do Proponente

Proponente

    Alexandre Curtiss Alvarenga (UFES)

Minicurrículo

    Graduado em Comunicação Social (UFMG), Mestre em Multimeios (UNICAMP) e Doutor em Comunicação e Cultura (UFRJ), professor do curso de Cinema e Audiovisual (UFES), leciona as disciplinas de Teorias do Documentário, Teorias do Cinema I e Metodologia de Pesquisa.

Ficha do Trabalho

Título

    Documentários políticos contemporâneos: estéticas para a história

Resumo

    Estudo de documentários políticos contemporâneos – brasileiros e portugueses – com o objetivo de analisar modos como a memória e fatos históricos são arranjados em termos fílmicos. Do confronto entre estruturas de conhecimento histórico e as das memórias subjetivas, pretendemos assinalar recursos estéticos documentais de legitimação das narrativas fílmicas. Filmes sob estudo: “70” (BRA/2014), “Retratos de Identificação” (BRA/2015), “48” (PORT/2010) e “Duas histórias de prisão” (PORT/2004).

Resumo expandido

    A criação da Comissão Nacional da Verdade, em 2012, acentuou uma tendência de resgate de fatos da nossa história recente. Surgiram diversas ações destinadas à montagem de um banco de dados a recompor uma memória sobre casos de violação de direitos políticos no período da ditadura militar no Brasil. Parte desse trabalho tem sido feito através de documentários.
    As particularidades dos filmes que abordam o mundo em que vivemos, em contraposição aos que o fazem sobre “um” mundo imaginado, não conseguem eludir a questão crucial de ser “linguagem”. Assim, documentários acabam possuindo suposições sobre seus objetivos, criam relações entre o cineasta e seu tema e inspiram expectativas no público, que são, no geral, aproximáveis, possibilitando a que sejam nomeados, em conjunto, genericamente como tais. Dentro de limites autoassumidos, por lealdade a modos e posicionamentos produtivos específicos, recriam possibilidades diversificadas de serem documentários, muitas vezes delimitadas por estilos, situações, intenções, épocas e valores constituintes do imaginário predominante nos contextos concretos em que são realizados.
    No Brasil, o lento processo político de saída da ditadura, no final dos anos 70, teve seus intérpretes documentaristas em Silvio Tendler, Orlando Senna, Jorge Bodanzky, Renato Tapajós, León Hirzman. Na metade da década de 90, à produção incessante de Eduardo Coutinho, João Moreira Salles, se junta uma geração de novos cineastas como Guilherme Coelho, Jorge Furtado, Maria Augusta Ramos, João Jardim. Em uma década o documentário se projetou como opção cinematográfica, que até tem na televisão um canal frequente de exibição.
    Um contexto histórico de democratização constante viu incrementar a produção de documentários políticos. As obras que surgiram abordam o tema a partir de perspectivas estéticas as mais diversas. O uso de imagens de arquivo tornou-se recurso formal recorrente, a memória, o resgate do passado, através de depoimentos e entrevistas, ocupa um lugar central nesse tipo de proposta. Percebe-se um deslocamento necessário: o fato histórico não se encontra mais disponível como fato bruto, mas como narrativa, como subjetividade objetivada. E será ela que se torna material fílmico primordial. As memórias se apresentam alinhavadas pela pesquisa em arquivos, e na soma refazem um período da história, (re)criam contextos, geram outras perspectivas de compreensão dos fatos passados. Mas também incitam questões: seria a dimensão subjetiva um elemento capaz de criar as condições para o entrelaçamento entre história e memória nessas obras? Quais as vozes centrais nesses documentários? Quais os sujeitos catalisadores de um discurso que lança esse outro olhar sobre o referido período da história?
    Debruçar-se sobre obras documentárias concretas representa um momento necessário para o confronto com o conhecimento. Optamos por certas limitações, certamente arbitrárias. Em termos temáticos, o documentário político; em termos históricos, o documentário contemporâneo; por fim, em termos geográficos, casos brasileiros e portugueses.
    Pretendemos abordar dois documentários brasileiros recentes e o mesmo número de casos portugueses. Filmes cuja estrutura narrativa articula documentos e imagens de arquivo com depoimentos de pessoas que foram presas ou testemunhas vivas da história. A memória ocupa um lugar central, numa constante convergência entre história e memória a compor registros. Analisar-se-á, também, a dimensão estética das obras. O material será analisado com base nas teorias contemporâneas sobre documentários, interpelando as possibilidades desses filmes – e da realidade representada -, evidenciando posições históricas, imaginário e intencionalidades constituintes das condições de produção das obras. Espera-se conseguir estabelecer vínculos entre reflexão audiovisual, discurso estético e ação política: o documentário enquanto “prática social”.

Bibliografia

    BAPTISTA, Tiago; MARTINS, Adriana (Eds.). Atas do IIº Encontro Anual da AIM. AIM, 2013. Disponível em http://aim.org.pt/atas/Atas-IIEncontroAnualAIM.pdf, – acessado em 20 de setembro de 2015.
    BARNOUW, Erik. El documental – historia y estilos. Barcelona: Gedisa, 2005.
    COMOLLI, Jean-Louis. Ver e poder. A inocência perdida: cinema, televisão, ficção, documentário. Belo Horizonte, Editora UFMG, 2008.
    FREIRE, Marcius. Documentário: ética, estética e formas de representação. São Paulo: Annablume, 2011.
    MORETTIN, Eduardo; NAPOLITANO, Marcos; KORNIS, Mônica Almeida (orgs.). História e documentário. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2012.
    RAMOS, Fernão Pessoa. Mas afinal…o que é mesmo documentário? São Paulo: SENAC/SP, 2008.
    ZAN, Vitor; RODOVALHO, Beatriz. “Revolução e cinema: o exemplo português”. Revista Portuguesa da Imagem em Movimento, Aniki vol. 1, n.º 2 (2014): 385 – 392. Em http://aim.org.pt/ojs/index.php/revista/article/view/85/74 – acessado em 23 de setembro de 2015.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Rio de Janeiro, 28 de janeiro de 2016.

 

Carta aberta ao Ministério da Educação e Ministério da Cultura

 

Assunto: Base Nacional Comum Curricular

 

 

A SOCINE (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual) tem acompanhado os esforços de construção da Base Nacional Comum Curricular. Nosso comentário aqui irá se ater à especificidade de nossa área e sua relação com as propostas apresentadas na BNCC.

Dentro do texto preliminar do BNCC o componente curricular ARTE parte de uma grande área chamada linguagens. Dentro desta área as artes foram divididas em quatro grandes eixos: “artes visuais, dança, teatro e música”, conforme as licenciaturas específicas em arte, desconsiderando a Licenciatura em Cinema e Audiovisual (Resolução do CNE n. 10, de 27 de junho de 2006) e excluindo completamente o cinema como uma arte específica.

Foi essa subdivisão que nos trouxe uma primeira preocupação. Junto à todos esses subcomponentes da área de artes nos parece fundamental que esteja também o cinema. Esta atenção e necessidade não existe apenas porque trabalhamos e pesquisamos cinema e estamos atentos aos seus destinos, mas porque o cinema está intensamente presente na escola e na sociedade e, no momento da construção de uma base nacional para o currículo do ensino infantil, médio e fundamental as questões, contribuições e potencias do cinema na escola não podem ser excluídos.

Diversos componentes curriculares lançam mão de filmes de ficção, seriados, documentários para abordarem temas transversais e específicos de diferentes naturezas. O debate teórico que investigamos apontam para uma necessária vivência no âmbito escolar dos dispositivos cinematográficos desde a tenra idade seja para desenvolver a imaginação na Educação Infantil, na elaboração de cenários para o faz de conta, seja para a construção de identidade pessoal e cultural, seja pela singularidade da experiência sensível que o cinema possibilita.

Vale notar alguns fatos que sustentam nossa preocupação. Primeiramente o cinema é hoje obrigatório na escola. Graças à lei 13006/14, há uma obrigação de exibição de pelo menos duas horas de filmes brasileiros nas escolas. Esta lei, em vias de regulamentação, também exigirá que espaços físicos e materiais sejam garantidos nas escolas para sua efetivação, além da necessidade de uma real inclusão do cinema nas questões que tocam o currículo como um todo, transcendendo mesmo as linguagens específicas. Além de oferecer uma ampla versatilidade de conteúdo, a leitura de filmes e a própria produção audiovisual – inclusive com dispositivos móveis de comunicação – permite a professores e estudantes olhar para a realidade para descobri-la e inventá-la – gestos essenciais na produção de conhecimento.

Como bem é lembrado na proposta de BNC, “a formação em Arte acontece em licenciaturas específicas (artes visuais, dança, teatro e música)”, pois, também em licenciaturas de cinema. Embora talvez se presuma que “artes visuais” inclua de algum modo ao cinema, ele tem uma especificidade na formação do professor. Desde 2012 a Universidade Federal Fluminense possui uma licenciatura em cinema e a mobilização de outras universidade no mesmo caminho é evidente. Devemos ainda atentar à intensa contribuição que diversos programas de pós-graduação vêm dando às relações entre cinema e educação, algo que se evidência nos próprios encontros da sociedade que representamos, onde a cada ano temos diversos trabalhos e comunicações dedicados às relações do cinema com a educação.

Além da materialidade legal, de formação e de pesquisa que evidencia a íntima relação entre o cinema e a escola, a Rede Kino: Rede Latinoamericana de Educação, Cinema e Audiovisual, formada por professores e pesquisadores que trabalham na interface entre cinema e educação, vem mapeando projetos e iniciativas que se dedicam à essa interface, desde 2008. Projetos que acontecem em todo o país e que mobilizam centenas de escolas. Por fim, sabemos que o cinema é amplamente presente nas escolas por conta da contribuição que ele traz em tantas áreas, conteúdos e debates, da matemática às ciências, passando pelas histórias, geografias e humanidades em geral. Por todos esses motivos, pela intensa força pedagógica do cinema na escola, nos preocupa que no momento de construção de uma Base Curricular tão pouca atenção tenho sido dada ao cinema.

No nosso entender, a BNC deveria incluir um eixo Cinema e Audiovisual dentro do componente curricular artes, só assim garantiremos uma formação consistente em uma área decisiva da cultura contemporânea, além de uma experiência e uma habilidade em uma dimensão central das linguagens no mundo atual.

 

Atenciosamente

 

 

Cezar Migliorin

Presidente da SOCINE

  1. Prazo de pagamento da anuidade: de 1 a 24 de março; 
  2. Prazo de submissão de propostas de trabalhos para apresentação [XXI Encontro]: de 5 a 31 de março;
  3. Divulgação de propostas aprovadas para apresentação [XXI SOCINE]: 9 de junho;
  4. Período de pagamento das inscrições [XXI SOCINE]:
      • PRIMEIRO PRAZO: 3 a 13 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
      • SEGUNDO PRAZO: 14 a 24 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
      • TERCEIRO PRAZO: 25 de julho a 1 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00
  5. Chamada de candidaturas [Eleições da SOCINE]: 21 de agosto a 22 de setembro;
  6. Inscrição de ouvintes [XXI SOCINE]: a partir de 11 de setembro;
  7. Divulgação da programação [XXI SOCINE]: 19 de setembro;
  8. Divulgação das candidaturas homologadas [Eleições da SOCINE]: 29 de setembro;
  9. XXI Encontro SOCINE, na UFPB, em João Pessoa: de 17 a 20 de outubro;
  10. Eleições da SOCINE: 18 e 19 de outubro;
  11. Assembleia e posse da nova diretoria: 20 de outubro;
  12. Prazo de envio de trabalhos para os Anais de Textos Completos [XXI SOCINE]: a definir.