Ficha do Proponente

Proponente

    Mateus Araujo Silva (ECA-USP)

Minicurrículo

    Mateus Araújo é professor de teoria e história do cinema na ECA-USP, ensaísta e tradutor. Organizou os volumes coletivos Glauber Rocha / Nelson Rodrigues (Magic Cinéma, 2005), Jean Rouch 2009: Retrospectivas e Colóquios no Brasil (Balafon, 2010), Straub-Huillet (CCBB, 2012), Charles Chaplin (Fundação Clóvis Salgado, 2012), Jacques Rivette (CCBB, 2013) e Godard inteiro ou o mundo em pedaços (Heco Produções, 2015). Traduziu Glauber Rocha na França (Le Siècle du Cinéma, Ed. Yellow Now, 2006).

Ficha do Trabalho

Título

    Cristologias heterodoxas em Luis Buñuel e Glauber Rocha

Seminário

    Teoria dos Cineastas

Resumo

    A comunicação discute o lugar de Luis Buñuel na gênese da cristologia de Glauber Rocha. Esta foi se delineando aos poucos nos textos e nos filmes de Glauber, do ensaio “A moral de um novo Cristo” (1966) ao célebre depoimento “O Cristo-Édipo” (1981) sobre Pasolini, da iconografia de Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964) até a dramaturgia de A Idade da Terra (1980), fundada na concepção de um cristianismo do terceiro mundo.

Resumo expandido

    Entre 1962 e 1971, Glauber Rocha aprofunda sua relação com o cinema de Luis Buñuel, que deixa traços fortes em sua visão do cinema mundial e em seu próprio trabalho de artista.
    Depois de se familiarizar com os filmes do espanhol em 1962, ele profere em 1963 uma conferência sobre eles que serve de base a um primeiro ensaio, “Nosso Senhor Buñuel”, publicado no mesmo ano. Em outubro ou novembro de 1964, no México, ele encontra pela primeira vez o cineasta espanhol, em cujo filme Simon del Desierto (1964) faz uma ponta na sequencia final. Dois anos depois, publica um segundo ensaio de fundo, “A moral de um novo Cristo”, no qual o cinema de Buñuel aparece como preparação da figura cinematográfica do Cristo pasoliniano, ambos prefigurando um cinema liberado do terceiro mundo. Terra em Transe propõe logo em seguida, entre outras coisas, um remake muito próximo de La Fièvre monte à El Pao (Buñuel, 1959), pouco antes de um segundo encontro pessoal, bem mais intenso, dos dois cineastas, no Festival de Veneza de 1967, que redundou num terceiro texto de Glauber. A continuação de Terra em Transe em Cabezas Cortadas (1970) traz atores e locações que voltam a remeter diretamente a Buñuel, cuja presença tambem parece forte no segundo grande manifesto teórico de Glauber, “A Estética do Sonho” (1971), que tem como horizonte filosófico um ataque frontal ao caráter opressivo da razão burguesa.
    A presença constante e inequívoca de Buñuel neste trajeto glauberiano acima esquematizado convida a um reexame do seu papel na teoria da cultura do Glauber maduro, cristalizada no vasto painel de A Idade da Terra (1980), com sua dramaturgia baseada em quatro versões de um Cristo brasileiro (índio, negro, militar e guerrilheiro). Nos limites estritos de uma exposição breve, à luz dos textos elencados na bibliografia e também de trechos brevíssimos e/ou de fotogramas dos dois cineastas (de L’Âge d’Or, 1930; Cela s’appelle aurore, 1955; Nazarin, 1958 e La Voie Lactée, 1968 para Buñuel; de Deus e o Diabo, 1964; Terra em Transe, 1967; Vent d’Est [Godard e Gorin, 1969] e A Idade da Terra, 1980, para Glauber), a comunicação procederá a este reexame, concentrando-se na discussão das cristologias heterodoxas que marcam o cinema de ambos, e de duas outras convergências que lhes são solidárias:
    1. A profanação de figuras, ritos e situações religiosas em geral (a partir de uma formação jesuítica em Buñuel, e de uma formação protestante em Glauber)
    2. A valorização de uma dimensão irracional, ou extra-racional, da cultura e da vida social.

Bibliografia

    1. Araújo Silva, Mateus. “Godard, Glauber e o Vento do Leste, alegoria de um desencontro”. Devires, Vol.4,n.1, jan-jun 2007, p.36-63
    2. ____. Glauber crítico: notas sobre O Século do Cinema. Revista da Cinemateca Brasileira, n.1, Set 2012, p.16-33.
    2. Rocha, Glauber. “Os doze mandamentos de Nosso Senhor Buñuel”. In: O Século do Cinema, Reed. Cosac Naify, 2006, p.170-185;
    3. ____. “A Moral de um novo Cristo”. In: O Século do Cinema, Reed. cit., 2006,, p.185-90.
    4. ____. “El”. In: O Século do Cinema, Reed. cit, 2006, p.190-97.
    5. ____. “O Cristo-Édipo”. In: O Século do Cinema. Reed. cit,, 2006, p.283-86.
    6. Stara, Daniela. De la realidad al sueno: incidencias bunuelianas en el cine de Glauber Rocha. Madrid, Universidad Complutense, 2010 (tese de Doutorado).
    7. Torres, Augusto M. Torres. Luis Buñuel et Glauber Rocha: échos d’une conversation”. Cinéma 68, n. 123, février 1968, p.46-53.
    8. Xavier, Ismail. “Prefácio”. in Glauber Rocha, O Século do Cinema, reed. Cosac Naify, 2006, p.9-31

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Rio de Janeiro, 28 de janeiro de 2016.

 

Carta aberta ao Ministério da Educação e Ministério da Cultura

 

Assunto: Base Nacional Comum Curricular

 

 

A SOCINE (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual) tem acompanhado os esforços de construção da Base Nacional Comum Curricular. Nosso comentário aqui irá se ater à especificidade de nossa área e sua relação com as propostas apresentadas na BNCC.

Dentro do texto preliminar do BNCC o componente curricular ARTE parte de uma grande área chamada linguagens. Dentro desta área as artes foram divididas em quatro grandes eixos: “artes visuais, dança, teatro e música”, conforme as licenciaturas específicas em arte, desconsiderando a Licenciatura em Cinema e Audiovisual (Resolução do CNE n. 10, de 27 de junho de 2006) e excluindo completamente o cinema como uma arte específica.

Foi essa subdivisão que nos trouxe uma primeira preocupação. Junto à todos esses subcomponentes da área de artes nos parece fundamental que esteja também o cinema. Esta atenção e necessidade não existe apenas porque trabalhamos e pesquisamos cinema e estamos atentos aos seus destinos, mas porque o cinema está intensamente presente na escola e na sociedade e, no momento da construção de uma base nacional para o currículo do ensino infantil, médio e fundamental as questões, contribuições e potencias do cinema na escola não podem ser excluídos.

Diversos componentes curriculares lançam mão de filmes de ficção, seriados, documentários para abordarem temas transversais e específicos de diferentes naturezas. O debate teórico que investigamos apontam para uma necessária vivência no âmbito escolar dos dispositivos cinematográficos desde a tenra idade seja para desenvolver a imaginação na Educação Infantil, na elaboração de cenários para o faz de conta, seja para a construção de identidade pessoal e cultural, seja pela singularidade da experiência sensível que o cinema possibilita.

Vale notar alguns fatos que sustentam nossa preocupação. Primeiramente o cinema é hoje obrigatório na escola. Graças à lei 13006/14, há uma obrigação de exibição de pelo menos duas horas de filmes brasileiros nas escolas. Esta lei, em vias de regulamentação, também exigirá que espaços físicos e materiais sejam garantidos nas escolas para sua efetivação, além da necessidade de uma real inclusão do cinema nas questões que tocam o currículo como um todo, transcendendo mesmo as linguagens específicas. Além de oferecer uma ampla versatilidade de conteúdo, a leitura de filmes e a própria produção audiovisual – inclusive com dispositivos móveis de comunicação – permite a professores e estudantes olhar para a realidade para descobri-la e inventá-la – gestos essenciais na produção de conhecimento.

Como bem é lembrado na proposta de BNC, “a formação em Arte acontece em licenciaturas específicas (artes visuais, dança, teatro e música)”, pois, também em licenciaturas de cinema. Embora talvez se presuma que “artes visuais” inclua de algum modo ao cinema, ele tem uma especificidade na formação do professor. Desde 2012 a Universidade Federal Fluminense possui uma licenciatura em cinema e a mobilização de outras universidade no mesmo caminho é evidente. Devemos ainda atentar à intensa contribuição que diversos programas de pós-graduação vêm dando às relações entre cinema e educação, algo que se evidência nos próprios encontros da sociedade que representamos, onde a cada ano temos diversos trabalhos e comunicações dedicados às relações do cinema com a educação.

Além da materialidade legal, de formação e de pesquisa que evidencia a íntima relação entre o cinema e a escola, a Rede Kino: Rede Latinoamericana de Educação, Cinema e Audiovisual, formada por professores e pesquisadores que trabalham na interface entre cinema e educação, vem mapeando projetos e iniciativas que se dedicam à essa interface, desde 2008. Projetos que acontecem em todo o país e que mobilizam centenas de escolas. Por fim, sabemos que o cinema é amplamente presente nas escolas por conta da contribuição que ele traz em tantas áreas, conteúdos e debates, da matemática às ciências, passando pelas histórias, geografias e humanidades em geral. Por todos esses motivos, pela intensa força pedagógica do cinema na escola, nos preocupa que no momento de construção de uma Base Curricular tão pouca atenção tenho sido dada ao cinema.

No nosso entender, a BNC deveria incluir um eixo Cinema e Audiovisual dentro do componente curricular artes, só assim garantiremos uma formação consistente em uma área decisiva da cultura contemporânea, além de uma experiência e uma habilidade em uma dimensão central das linguagens no mundo atual.

 

Atenciosamente

 

 

Cezar Migliorin

Presidente da SOCINE

  1. Prazo de pagamento da anuidade: de 1 a 24 de março; 
  2. Prazo de submissão de propostas de trabalhos para apresentação [XXI Encontro]: de 5 a 31 de março;
  3. Divulgação de propostas aprovadas para apresentação [XXI SOCINE]: 9 de junho;
  4. Período de pagamento das inscrições [XXI SOCINE]:
      • PRIMEIRO PRAZO: 3 a 13 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
      • SEGUNDO PRAZO: 14 a 24 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
      • TERCEIRO PRAZO: 25 de julho a 1 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00
  5. Chamada de candidaturas [Eleições da SOCINE]: 21 de agosto a 22 de setembro;
  6. Inscrição de ouvintes [XXI SOCINE]: a partir de 11 de setembro;
  7. Divulgação da programação [XXI SOCINE]: 19 de setembro;
  8. Divulgação das candidaturas homologadas [Eleições da SOCINE]: 29 de setembro;
  9. XXI Encontro SOCINE, na UFPB, em João Pessoa: de 17 a 20 de outubro;
  10. Eleições da SOCINE: 18 e 19 de outubro;
  11. Assembleia e posse da nova diretoria: 20 de outubro;
  12. Prazo de envio de trabalhos para os Anais de Textos Completos [XXI SOCINE]: a definir.