Ficha do Proponente

Proponente

    Mariana Ribeiro da Silva Tavares (UFMG)

Minicurrículo

    Pós-doutoranda no PPGArtes – Programa de Pós Graduação em Artes da Escola de Belas Artes / UFMG (Bolsa PNPD – CAPES) onde desenvolve a pesquisa interdisciplinar 60 Anos de Memória da Escola de Belas Artes da UFMG – Levantamento, Organização e Reflexão. Doutora em Artes pela EBA – UFMG (2011). Sua tese de doutorado deu origem ao livro: Helena Solberg, do Cinema Novo ao Documentário Contemporâneo (2014), Imprensa Oficial do Estado de São Paulo. Mestrado em Artes / Cinema pela EBA – UFMG (2006).

Ficha do Trabalho

Título

    Helena Solberg: Da militância feminista ao documentário contemporâneo

Seminário

    Cinema Queer e Feminista

Resumo

    Este trabalho percorre a filmografia da cineasta brasileira Helena Solberg, que compreende doze documentários realizados no Brasil e nos Estados Unidos nos últimos 50 anos e duas ficções. Identificamos as diferentes fases da cineasta: Cinema Novo; Trilogia da Mulher; fase política; e arte brasileira em sua fase atual. O objetivo é demonstrar que Helena Solberg tem trajetória singular e coerente no contexto da produção documental brasileira e que se mantém fiel ao seu universo autoral.

Resumo expandido

    A cineasta brasileira Helena Solberg tem uma trajetória coerente que parte de questões pessoais para tentar compreender, num primeiro momento, sua identidade enquanto mulher e a decisão entre seguir uma carreira profissional e a vida familiar, questionamento que conduz à realização de seu primeiro filme, o documentário em curta-metragem, A Entrevista, 1966. Depois, sua condição de mulher latino-americana, vivendo e trabalhando nos Estados Unidos, onde permanece por 32 anos. Essa questão se estende para a condição das mulheres latino-americanas no espaço doméstico e no trabalho e a cineasta viaja à América Latina a fim de conhecer a realidade da mulher na região. Essas inquietações levam, na década de 1970 – auge do movimento feminista no mundo –, à uma série de filmes pioneiros sobre temática feminista que denominamos Trilogia da Mulher.
    O cinema de Solberg nasce moderno, uma vez que A Entrevista, 1966, apresenta elementos estilísticos que rompem com a tradição do documentário clássico e estabelece, em sua linguagem, oposição de significados entre as imagens e os sons, elipses temporais, ausência de narração em off, ausência de entrevistas com som, uso da ficção e da reflexividade. Mesmo inserida no contexto do Cinema Novo, a cineasta apresenta, nesse filme, características singulares que conformam seu universo de criação.
    As investigações sobre a condição das mulheres se estendem para as relações políticas entre os Estados Unidos e a América Latina na década de 1980. Identificamos esta Fase Política que compreende seis documentários que foram exibidos em Rede Nacional de Televisão nos Estados Unidos, pela Public Broadcasting Service (Serviço Público de Teledifusão) (PBS): Nicarágua Hoje (1982); Chile, pela razão ou pela força (1983); A Conexão Brasileira, A luta pela democracia (1982-1983); Retrato de Um Terrorista (1985); Berço dos Bravos (1986) e A Terra Proibida (1990).
    No contexto da realidade de produção dos documentaristas latino-americanos, a cineasta teve, nas décadas de 1970/1980, posição privilegiada, com liberdade e condições de filmar difíceis de encontrar entre os cineastas brasileiros e latinos que permaneceram na região. A temática recorrente nessa fase política que questionava as ditaduras e lançava luz na capacidade de mobilização dos civis e grupos políticos (marcas do Cinema Militante), bem como o papel do governo norte-americano na implantação e sustentação desses governos, eram temas polêmicos que dificilmente poderiam ser abordados com transparência, pelos colegas latinos.
    O amadurecimento do olhar de Helena Solberg nas três décadas em que viveu nos Estados Unidos contribuiu para a conformação de um olhar estrangeiro, com perspectiva muito particular. Como ela bem definiu no depoimento à Julianne Burton, um olhar “de dentro” da América Latina para os norte-americanos e para a comunidade latino-americana radicada nos EUA – e poderíamos acrescentar, também, um olhar “de fora” da América Latina. É nessa dialética que está a riqueza de seu cinema, que não se contenta só com um ponto de vista.
    Na fase atual, depois de todo o percurso político e social pela América Latina e suas relações com os Estados Unidos, a cineasta retoma sua formação inicial – Helena Solberg cursou Línguas Neolatinas na PUC do Rio de Janeiro, ao final da década de 1950 – e volta a viver e a trabalhar no Brasil. Em seus longas-metragens recentes (seja na ficção ou no documentário), Solberg coloca, em primeiro plano, a expressão artística brasileira em suas várias manifestações – literatura, música, poesia, teatro e dança – sem perder de vista o contexto político, econômico e social.
    Esta trajetória será abordada visando demonstrar que o estilo e os temas da cineasta se fazem presentes desde os primeiros filmes. A predileção pelas personagens femininas em confronto à realidade social, política e econômica no continente americano conformam uma trajetória única e coerente.

Bibliografia

    Bernadet, Jean-Claude. 2003. Cineastas e imagens do povo, São Paulo: Companhia das Letras.

    Burton, Julianne. 1986. Helena Solberg-Ladd, Cinema and Social Change in Latin America. Austin Texas: University of Texas Press.

    DA-RIN, Sílvio Pirôpo. 2004. Espelho partido: tradição e transformação no documentário. Rio de Janeiro: Azougue.

    Nichols, Bill. 2005. Introdução ao documentário. Traduzido do inglês por Mônica Saddy Martins. Campinas, SP: Papirus.
    Penafria, Manuela.1999. O filme documentário: história, identidade, tecnologia, Lisboa: Cosmos.

    Ramos, Fernão Pessoa. 2008. Mas afinal… O que é mesmo documentário? São Paulo: Senac.

    Tavares, Mariana. 2014. Helena Solberg: do Cinema Novo ao Documentário Contemporâneo, São Paulo: Imprensa Oficial SP.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Rio de Janeiro, 28 de janeiro de 2016.

 

Carta aberta ao Ministério da Educação e Ministério da Cultura

 

Assunto: Base Nacional Comum Curricular

 

 

A SOCINE (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual) tem acompanhado os esforços de construção da Base Nacional Comum Curricular. Nosso comentário aqui irá se ater à especificidade de nossa área e sua relação com as propostas apresentadas na BNCC.

Dentro do texto preliminar do BNCC o componente curricular ARTE parte de uma grande área chamada linguagens. Dentro desta área as artes foram divididas em quatro grandes eixos: “artes visuais, dança, teatro e música”, conforme as licenciaturas específicas em arte, desconsiderando a Licenciatura em Cinema e Audiovisual (Resolução do CNE n. 10, de 27 de junho de 2006) e excluindo completamente o cinema como uma arte específica.

Foi essa subdivisão que nos trouxe uma primeira preocupação. Junto à todos esses subcomponentes da área de artes nos parece fundamental que esteja também o cinema. Esta atenção e necessidade não existe apenas porque trabalhamos e pesquisamos cinema e estamos atentos aos seus destinos, mas porque o cinema está intensamente presente na escola e na sociedade e, no momento da construção de uma base nacional para o currículo do ensino infantil, médio e fundamental as questões, contribuições e potencias do cinema na escola não podem ser excluídos.

Diversos componentes curriculares lançam mão de filmes de ficção, seriados, documentários para abordarem temas transversais e específicos de diferentes naturezas. O debate teórico que investigamos apontam para uma necessária vivência no âmbito escolar dos dispositivos cinematográficos desde a tenra idade seja para desenvolver a imaginação na Educação Infantil, na elaboração de cenários para o faz de conta, seja para a construção de identidade pessoal e cultural, seja pela singularidade da experiência sensível que o cinema possibilita.

Vale notar alguns fatos que sustentam nossa preocupação. Primeiramente o cinema é hoje obrigatório na escola. Graças à lei 13006/14, há uma obrigação de exibição de pelo menos duas horas de filmes brasileiros nas escolas. Esta lei, em vias de regulamentação, também exigirá que espaços físicos e materiais sejam garantidos nas escolas para sua efetivação, além da necessidade de uma real inclusão do cinema nas questões que tocam o currículo como um todo, transcendendo mesmo as linguagens específicas. Além de oferecer uma ampla versatilidade de conteúdo, a leitura de filmes e a própria produção audiovisual – inclusive com dispositivos móveis de comunicação – permite a professores e estudantes olhar para a realidade para descobri-la e inventá-la – gestos essenciais na produção de conhecimento.

Como bem é lembrado na proposta de BNC, “a formação em Arte acontece em licenciaturas específicas (artes visuais, dança, teatro e música)”, pois, também em licenciaturas de cinema. Embora talvez se presuma que “artes visuais” inclua de algum modo ao cinema, ele tem uma especificidade na formação do professor. Desde 2012 a Universidade Federal Fluminense possui uma licenciatura em cinema e a mobilização de outras universidade no mesmo caminho é evidente. Devemos ainda atentar à intensa contribuição que diversos programas de pós-graduação vêm dando às relações entre cinema e educação, algo que se evidência nos próprios encontros da sociedade que representamos, onde a cada ano temos diversos trabalhos e comunicações dedicados às relações do cinema com a educação.

Além da materialidade legal, de formação e de pesquisa que evidencia a íntima relação entre o cinema e a escola, a Rede Kino: Rede Latinoamericana de Educação, Cinema e Audiovisual, formada por professores e pesquisadores que trabalham na interface entre cinema e educação, vem mapeando projetos e iniciativas que se dedicam à essa interface, desde 2008. Projetos que acontecem em todo o país e que mobilizam centenas de escolas. Por fim, sabemos que o cinema é amplamente presente nas escolas por conta da contribuição que ele traz em tantas áreas, conteúdos e debates, da matemática às ciências, passando pelas histórias, geografias e humanidades em geral. Por todos esses motivos, pela intensa força pedagógica do cinema na escola, nos preocupa que no momento de construção de uma Base Curricular tão pouca atenção tenho sido dada ao cinema.

No nosso entender, a BNC deveria incluir um eixo Cinema e Audiovisual dentro do componente curricular artes, só assim garantiremos uma formação consistente em uma área decisiva da cultura contemporânea, além de uma experiência e uma habilidade em uma dimensão central das linguagens no mundo atual.

 

Atenciosamente

 

 

Cezar Migliorin

Presidente da SOCINE

  1. Prazo de pagamento da anuidade: de 1 a 24 de março; 
  2. Prazo de submissão de propostas de trabalhos para apresentação [XXI Encontro]: de 5 a 31 de março;
  3. Divulgação de propostas aprovadas para apresentação [XXI SOCINE]: 9 de junho;
  4. Período de pagamento das inscrições [XXI SOCINE]:
      • PRIMEIRO PRAZO: 3 a 13 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
      • SEGUNDO PRAZO: 14 a 24 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
      • TERCEIRO PRAZO: 25 de julho a 1 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00
  5. Chamada de candidaturas [Eleições da SOCINE]: 21 de agosto a 22 de setembro;
  6. Inscrição de ouvintes [XXI SOCINE]: a partir de 11 de setembro;
  7. Divulgação da programação [XXI SOCINE]: 19 de setembro;
  8. Divulgação das candidaturas homologadas [Eleições da SOCINE]: 29 de setembro;
  9. XXI Encontro SOCINE, na UFPB, em João Pessoa: de 17 a 20 de outubro;
  10. Eleições da SOCINE: 18 e 19 de outubro;
  11. Assembleia e posse da nova diretoria: 20 de outubro;
  12. Prazo de envio de trabalhos para os Anais de Textos Completos [XXI SOCINE]: a definir.