Ficha do Proponente

Proponente

    Carla Simone Doyle Torres (UFRGS)

Minicurrículo

    Jornalista (2006) e mestre (2008) em Comunicação Midiática pela Universidade Federal de Santa Maria. Professora do Curso de Graduação em Jornalismo do Centro Universitário Franciscano desde 2008. Bolsista Capes de doutorado pelo Programa de Pós-graduação em Comunicação e Informação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, de 2012 a 2016, com período de doutorado sanduíche na Université Sorbonne Nouvelle – Paris 3. Estuda a estética televisiva pelo viés da reflexividade.

Ficha do Trabalho

Título

    Reflexividade: diálogos entre Pop Art e televisão no Brasil

Resumo

    Na transição entre a Arte Moderna e a Contemporânea, destaca-se Andy Warhol – que leva a Pop Art à televisão – temos os maiores avanços técnicos para a produção audiovisual. Em comum entre Pop Art e televisão no entorno dos anos 1980, a ênfase à reflexividade. Esta pesquisa objetiva verificar como, a propósito da reflexividade, Pop Art e televisão se encontram em meio à produção televisiva brasileira dos últimos 30 anos.
    Palavras-chave: Televisão, Pop Art, Reflexividade

Resumo expandido

    Ao longo de sua história, a televisão vem manifestando sintomas das condições sociais, políticas e culturais das sociedades em que se insere. A cada momento crítico, a materialização das crises se deu, em grande parte, pela expressão da reflexividade em suas produções. Por outro lado, a reflexividade se revigora também a cada período de crise do campo artístico, mas compreende-se que os períodos em que essa característica se mostrou mais evidente foram o do advento da Arte Moderna no fim do século 19 e, posteriormente, o do – não menos turbulento – início da Arte Contemporânea, no fim do século 20. A proposta deste estudo é compreender de que modo as reflexividades que permeiam os dois campos – o midiático, aqui representado pela televisão, e o artístico – se comunicam e até mesmo manifestam certa ambivalência de características. Para isto, parte-se da ponte entre a Pop Art e a televisão feita a partir das intervenções do artista estaduniense Andy Warho. Além de seu estúdio, a Factory, ele manteve o programa 15 Minutos de Fama na MTV na década de 1980.
    No Brasil, temos inúmeros exemplos de produções de cunho reflexivo que, em nosso contexto, desafiaram os padrões estabelecidos pela Ditadura – entre 1964 e 1985 – para a produção artístico-cultural. Entre essas produções, temos Abertura, programa apresentado por Glauber Rocha e exibido pela TV Tupi entre 1979 e 1980; Ernesto Varela, o Repórter Atrapalhado, criação do coletivo Olhar Eletrônico em meados de 1984 e que tornou-se parte do programa Crig-Rá, veiculado pela TV Gazeta no mesmo ano. Mais tarde, após a abertura política, programas como TV Pirata e Dóris para Maiores, ambos veiculados pela Rede Globo durante a década de 1980, garantiram uma sequência à aura reflexiva e (auto)problematizante lançada por seus antecessores. Ao longo da primeira década dos anos 2000, do espírito questionador e problematizador de si e do mundo, que deu a tônica a produções como aquelas, restou o aprendizado da técnica, que permeou programas que mostraram um grande domínio dos modos de aludir a si mesmos e aos modos de produção, mas não necessariamente problematizar-se ou problematizar o seu entorno. Adentramos em uma época em que – de modo geral – tudo passava a ser tecnicamente melhor e esteticamente mais apurado, em detrimento de uma efetiva crítica aos âmbitos social, econômico, cultural e político.
    Com esta pesquisa, procura-se aprofundar os resultados já alcançados pela tese, intitulada Por uma estética televisiva: um olhar sobre a reflexividade em programas brasileiros, apresentada em março de 2016 ao Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Informação da UFRGS. Naquele trabalho, ao tomar como objeto programas brasileiros produzidos entre as décadas de 1980 e 2000, observou-se como se configuram audiovisualmente os modos de expressão dos processos reflexivos – Métiers e Técnicas, Atualidades e Bastidores, Passado e Promoção de Programas e de Canais e como eles ganham materialidade por meio de características como plasticidade, morfologia, sons, modos de apresentação e intermidialidade. Em meio a essas análises, na observância de traços estéticos frequentes da Pop Art nas produções brasileiras estudadas, objetiva-se verificar mais clara e profundamente como se dá essa relação/ligação estética e o que dela resiste ou o que ela lega às produções reflexivas brasileiras atuais, a exemplo do Programa Tá no Ar: A TV na TV, veiculado pela Rede Globo desde 2015.

Bibliografia

    CALDWELL, John T. Television: Style, Crisis and authority in American television. New Brunswick: Rutgers University Press, 1995.

    DANTO,Arthur. Andy Warhol. New Haven: Yale University Press, 2009.

    FAHLE, Oliver. Estética da televisão: passos rumo a uma teoria da imagem em televisão. In: GUIMARÃES, César; LEAL, Bruno Souza; MENDONÇA, Carlos Camargos (orgs.). Comunicação e experiência estética. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2006.

    FECHINE, Yvana. O vídeo como um projeto utópico de televisão. In: MACHADO, Arlindo (org.). Made in Brasil: Três décadas do vídeo brasileiro. São Paulo: Iluminuras: Itaú cultural, 2007.

    GOMBRICH, E. R. A história da arte. Rio de Janeiro: LTC, 2012.

    MACHADO, Arlindo. A invenção da televisão brasileira. In: FREIRE FILHO, João; BORGES, Gabriela (orgs.). Estudos de Televisão: Diálogos Brasil-Portugal. Porto Alegre: Sulina, 2011.

    SPIES, Virginie. La télévision dans le miroir: Théorie, histoire et analyse des émissions réflexives. Paris: L’Hartmann, 2004.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Rio de Janeiro, 28 de janeiro de 2016.

 

Carta aberta ao Ministério da Educação e Ministério da Cultura

 

Assunto: Base Nacional Comum Curricular

 

 

A SOCINE (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual) tem acompanhado os esforços de construção da Base Nacional Comum Curricular. Nosso comentário aqui irá se ater à especificidade de nossa área e sua relação com as propostas apresentadas na BNCC.

Dentro do texto preliminar do BNCC o componente curricular ARTE parte de uma grande área chamada linguagens. Dentro desta área as artes foram divididas em quatro grandes eixos: “artes visuais, dança, teatro e música”, conforme as licenciaturas específicas em arte, desconsiderando a Licenciatura em Cinema e Audiovisual (Resolução do CNE n. 10, de 27 de junho de 2006) e excluindo completamente o cinema como uma arte específica.

Foi essa subdivisão que nos trouxe uma primeira preocupação. Junto à todos esses subcomponentes da área de artes nos parece fundamental que esteja também o cinema. Esta atenção e necessidade não existe apenas porque trabalhamos e pesquisamos cinema e estamos atentos aos seus destinos, mas porque o cinema está intensamente presente na escola e na sociedade e, no momento da construção de uma base nacional para o currículo do ensino infantil, médio e fundamental as questões, contribuições e potencias do cinema na escola não podem ser excluídos.

Diversos componentes curriculares lançam mão de filmes de ficção, seriados, documentários para abordarem temas transversais e específicos de diferentes naturezas. O debate teórico que investigamos apontam para uma necessária vivência no âmbito escolar dos dispositivos cinematográficos desde a tenra idade seja para desenvolver a imaginação na Educação Infantil, na elaboração de cenários para o faz de conta, seja para a construção de identidade pessoal e cultural, seja pela singularidade da experiência sensível que o cinema possibilita.

Vale notar alguns fatos que sustentam nossa preocupação. Primeiramente o cinema é hoje obrigatório na escola. Graças à lei 13006/14, há uma obrigação de exibição de pelo menos duas horas de filmes brasileiros nas escolas. Esta lei, em vias de regulamentação, também exigirá que espaços físicos e materiais sejam garantidos nas escolas para sua efetivação, além da necessidade de uma real inclusão do cinema nas questões que tocam o currículo como um todo, transcendendo mesmo as linguagens específicas. Além de oferecer uma ampla versatilidade de conteúdo, a leitura de filmes e a própria produção audiovisual – inclusive com dispositivos móveis de comunicação – permite a professores e estudantes olhar para a realidade para descobri-la e inventá-la – gestos essenciais na produção de conhecimento.

Como bem é lembrado na proposta de BNC, “a formação em Arte acontece em licenciaturas específicas (artes visuais, dança, teatro e música)”, pois, também em licenciaturas de cinema. Embora talvez se presuma que “artes visuais” inclua de algum modo ao cinema, ele tem uma especificidade na formação do professor. Desde 2012 a Universidade Federal Fluminense possui uma licenciatura em cinema e a mobilização de outras universidade no mesmo caminho é evidente. Devemos ainda atentar à intensa contribuição que diversos programas de pós-graduação vêm dando às relações entre cinema e educação, algo que se evidência nos próprios encontros da sociedade que representamos, onde a cada ano temos diversos trabalhos e comunicações dedicados às relações do cinema com a educação.

Além da materialidade legal, de formação e de pesquisa que evidencia a íntima relação entre o cinema e a escola, a Rede Kino: Rede Latinoamericana de Educação, Cinema e Audiovisual, formada por professores e pesquisadores que trabalham na interface entre cinema e educação, vem mapeando projetos e iniciativas que se dedicam à essa interface, desde 2008. Projetos que acontecem em todo o país e que mobilizam centenas de escolas. Por fim, sabemos que o cinema é amplamente presente nas escolas por conta da contribuição que ele traz em tantas áreas, conteúdos e debates, da matemática às ciências, passando pelas histórias, geografias e humanidades em geral. Por todos esses motivos, pela intensa força pedagógica do cinema na escola, nos preocupa que no momento de construção de uma Base Curricular tão pouca atenção tenho sido dada ao cinema.

No nosso entender, a BNC deveria incluir um eixo Cinema e Audiovisual dentro do componente curricular artes, só assim garantiremos uma formação consistente em uma área decisiva da cultura contemporânea, além de uma experiência e uma habilidade em uma dimensão central das linguagens no mundo atual.

 

Atenciosamente

 

 

Cezar Migliorin

Presidente da SOCINE

  1. Prazo de pagamento da anuidade: de 1 a 24 de março; 
  2. Prazo de submissão de propostas de trabalhos para apresentação [XXI Encontro]: de 5 a 31 de março;
  3. Divulgação de propostas aprovadas para apresentação [XXI SOCINE]: 9 de junho;
  4. Período de pagamento das inscrições [XXI SOCINE]:
      • PRIMEIRO PRAZO: 3 a 13 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
      • SEGUNDO PRAZO: 14 a 24 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
      • TERCEIRO PRAZO: 25 de julho a 1 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00
  5. Chamada de candidaturas [Eleições da SOCINE]: 21 de agosto a 22 de setembro;
  6. Inscrição de ouvintes [XXI SOCINE]: a partir de 11 de setembro;
  7. Divulgação da programação [XXI SOCINE]: 19 de setembro;
  8. Divulgação das candidaturas homologadas [Eleições da SOCINE]: 29 de setembro;
  9. XXI Encontro SOCINE, na UFPB, em João Pessoa: de 17 a 20 de outubro;
  10. Eleições da SOCINE: 18 e 19 de outubro;
  11. Assembleia e posse da nova diretoria: 20 de outubro;
  12. Prazo de envio de trabalhos para os Anais de Textos Completos [XXI SOCINE]: a definir.