Ficha do Proponente

Proponente

    ANNA KARINNE MARTINS BALLALAI (UFJF)

Minicurrículo

    Anna Karinne Ballalai é pesquisadora, produtora, atriz e roteirista de cinema. Mestre em Psicologia Social pela UERJ, com a dissertação “O ator-em-ato: a dialética ator/personagem em Copacabana Mon Amour”. Formada em Cinema pela UFF. Foi pesquisadora do Projeto Copacabana Mon Amour – Restauro (Petrobras) e da Ocupação Rogério Sganzerla (Instituto Itaú Cultural). Produtora, atriz e roteirista dos longas “Nenhuma fórmula para a contemporânea visão do mundo” (2012) e “Um homem e seu pecado” (2016).

Ficha do Trabalho

Título

    “O TERCEIRO MUNDO VAI EXPLODIR!”: O CINEMA DE SGANZERLA À LUZ DE FANON

Seminário

    Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais

Resumo

    O objetivo deste trabalho é investigar a influência do pensamento do psiquiatra, filósofo e ativista Frantz Fanon no cinema de Rogério Sganzerla. A hipótese é a de que podemos compreender o longa-metragem Copacabana Mon Amour (Sganzerla, 1970) como uma adaptação à realidade brasileira do livro derradeiro de Fanon, “Os condenados da terra”. A influência do pensamento de Fanon também se encontra nos demais filmes da Belair, e em filmes anteriores, como O Bandido da Luz Vermelha (Sganzerla, 1968).

Resumo expandido

    Este trabalho é parte da minha dissertação de mestrado, “O ator-em-ato: a dialética ator/ personagem em Copacabana Mon Amour”. O objetivo é investigar a influência do pensamento do psiquiatra e filósofo antilhano Frantz Fanon (1925-1961) no cinema de Rogério Sganzerla (1946-2004), em especial, no longa-metragem Copacabana Mon Amour (1970), realizado no Rio de Janeiro, pela produtora Belair, no contexto da Ditadura Civil-Militar. Num conjunto de documentos localizados em seu arquivo pessoal, Sganzerla declara à propósito deste filme: “Quis fundir Frantz Fanon com o cinema japonês do início da década de sessenta – partir da constatação de dois deserdados da terra sob a autoridade”.
    Tal proposição remete ao título do livro derradeiro de Fanon, “Os condenados da terra” (Les damnés de la terre), publicado originalmente na França, em 1961, com prefácio de Jean-Paul Sartre. Tal obra teve enorme repercussão nos anos sessenta e setenta pelo seu caráter revolucionário e pela originalidade com que analisa a psicologia do ser colonizado e o papel da violência nos processos de descolonização – violência esta compreendida antes de tudo enquanto linguagem.
    Sem deixar de reconhecer a dimensão inesgotável de referências teóricas, estéticas e temáticas que podem ser verificadas em Copacabana Mon Amour, e de considerar a representação da própria realidade brasileira, em sua complexidade sócio-político-econômico-cultural e geográfica, este trabalho propõe-se a examinar algumas marcas discursivas que nos permitem indicar pontos de intercessão entre o pensamento de Fanon e o referido longa-metragem.
    Nossa hipótese é a de que Copacabana Mon Amour pode ser compreendido como uma espécie de adaptação cinematográfica à realidade brasileira do livro de Fanon “Os condenados da terra”, tal a extensão da influência desta obra na composição do filme. Nossa hipótese secundária é a de que a influência do pensamento de Fanon pode ser verificada nos demais filmes da Belair, dirigidos por Sganzerla e por Julio Bressane, e mesmo em filmes anteriores de Sganzerla, como O Bandido da Luz Vermelha (1968), cujo final remete à metáfora da “explosão do mundo colonial”, sugerida por Fanon em “Os condenados da terra”, mas já apontada em “Pele negra, máscaras brancas” (1959).
    A adaptação do pensamento de Fanon à realidade brasileira em Copacabana Mon Amour se daria a partir de três movimentos: 1º) Compreensão da permanência da situação colonial em países subjugados por regimes ditatoriais e autoritários, como o Brasil, que de 1964-1985 viveu sob um regime antidemocrático. 2º) Verificação da equivalência das relações colonizador/ colonizados nas relações patrão/ empregados (sobretudo nos casos dos empregados domésticos), as quais equivalem, por sua vez, à clássica relação senhor/ escravo que perpassa toda a história da humanidade. No caso do Brasil, a relação patrão/ empregado doméstico, merece ser compreendida como resquício do regime escravocrata e deve ser analisada à luz do tratado de sociologia “Casa-Grande & Senzala”, de Gilberto Freyre. 3º) Defesa da idéia de “descolonização do ser”, isto é, de que a descolonização deve ocorrer também no âmbito da consciência individual, ou seja, a descolonização de mentes e de sujeitos – tese de Fanon em “Os Condenados da terra”.
    A influência fanoniana no filme de Sganzerla pode ser verificada em diversos níveis de análise: tema, tese e trama. Assim, no tema da descolonização e do subdesenvolvimento; na investigação da psiquê e do comportamento do colonizado nas relações colonizador/colonizados, e dos colonizados entre si, recriadas na composição das personagens e nas situações encenadas; no teor de certos diálogos; na análise do papel da violência no processo de descolonização; na análise do papel da religião na contenção da violência; na tese defendida, como vimos, da “descolonização do ser”, e que é verificada no monólogo final de Sônia Silk, expressando uma nova consciência “liberta na e pela violência”. (FANON, 2005)

Bibliografia

    BALLALAI, Anna Karinne. O ator-em-ato: a dialética ator/ personagem em Copacabana Mon Amour. Dissertação de mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: 2014.
    FANON, Frantz. Os condenados da terra. Juiz de Fora: Editora da UFJF, 2005.
    FREYRE, Gilberto. Casa-grande & senzala: Formação da Família Brasileira sob o regime da Economia Patriarcal. Petrópolis: Vozes, 1984.
    SGANZERLA, Rogério. Dossiê de documentos originais de arquivo, manuscritos e datilografados, localizados no arquivo pessoal do cineasta. S/d. S/l. Data atribuída: [1969-1979]. 21 p.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Rio de Janeiro, 28 de janeiro de 2016.

 

Carta aberta ao Ministério da Educação e Ministério da Cultura

 

Assunto: Base Nacional Comum Curricular

 

 

A SOCINE (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual) tem acompanhado os esforços de construção da Base Nacional Comum Curricular. Nosso comentário aqui irá se ater à especificidade de nossa área e sua relação com as propostas apresentadas na BNCC.

Dentro do texto preliminar do BNCC o componente curricular ARTE parte de uma grande área chamada linguagens. Dentro desta área as artes foram divididas em quatro grandes eixos: “artes visuais, dança, teatro e música”, conforme as licenciaturas específicas em arte, desconsiderando a Licenciatura em Cinema e Audiovisual (Resolução do CNE n. 10, de 27 de junho de 2006) e excluindo completamente o cinema como uma arte específica.

Foi essa subdivisão que nos trouxe uma primeira preocupação. Junto à todos esses subcomponentes da área de artes nos parece fundamental que esteja também o cinema. Esta atenção e necessidade não existe apenas porque trabalhamos e pesquisamos cinema e estamos atentos aos seus destinos, mas porque o cinema está intensamente presente na escola e na sociedade e, no momento da construção de uma base nacional para o currículo do ensino infantil, médio e fundamental as questões, contribuições e potencias do cinema na escola não podem ser excluídos.

Diversos componentes curriculares lançam mão de filmes de ficção, seriados, documentários para abordarem temas transversais e específicos de diferentes naturezas. O debate teórico que investigamos apontam para uma necessária vivência no âmbito escolar dos dispositivos cinematográficos desde a tenra idade seja para desenvolver a imaginação na Educação Infantil, na elaboração de cenários para o faz de conta, seja para a construção de identidade pessoal e cultural, seja pela singularidade da experiência sensível que o cinema possibilita.

Vale notar alguns fatos que sustentam nossa preocupação. Primeiramente o cinema é hoje obrigatório na escola. Graças à lei 13006/14, há uma obrigação de exibição de pelo menos duas horas de filmes brasileiros nas escolas. Esta lei, em vias de regulamentação, também exigirá que espaços físicos e materiais sejam garantidos nas escolas para sua efetivação, além da necessidade de uma real inclusão do cinema nas questões que tocam o currículo como um todo, transcendendo mesmo as linguagens específicas. Além de oferecer uma ampla versatilidade de conteúdo, a leitura de filmes e a própria produção audiovisual – inclusive com dispositivos móveis de comunicação – permite a professores e estudantes olhar para a realidade para descobri-la e inventá-la – gestos essenciais na produção de conhecimento.

Como bem é lembrado na proposta de BNC, “a formação em Arte acontece em licenciaturas específicas (artes visuais, dança, teatro e música)”, pois, também em licenciaturas de cinema. Embora talvez se presuma que “artes visuais” inclua de algum modo ao cinema, ele tem uma especificidade na formação do professor. Desde 2012 a Universidade Federal Fluminense possui uma licenciatura em cinema e a mobilização de outras universidade no mesmo caminho é evidente. Devemos ainda atentar à intensa contribuição que diversos programas de pós-graduação vêm dando às relações entre cinema e educação, algo que se evidência nos próprios encontros da sociedade que representamos, onde a cada ano temos diversos trabalhos e comunicações dedicados às relações do cinema com a educação.

Além da materialidade legal, de formação e de pesquisa que evidencia a íntima relação entre o cinema e a escola, a Rede Kino: Rede Latinoamericana de Educação, Cinema e Audiovisual, formada por professores e pesquisadores que trabalham na interface entre cinema e educação, vem mapeando projetos e iniciativas que se dedicam à essa interface, desde 2008. Projetos que acontecem em todo o país e que mobilizam centenas de escolas. Por fim, sabemos que o cinema é amplamente presente nas escolas por conta da contribuição que ele traz em tantas áreas, conteúdos e debates, da matemática às ciências, passando pelas histórias, geografias e humanidades em geral. Por todos esses motivos, pela intensa força pedagógica do cinema na escola, nos preocupa que no momento de construção de uma Base Curricular tão pouca atenção tenho sido dada ao cinema.

No nosso entender, a BNC deveria incluir um eixo Cinema e Audiovisual dentro do componente curricular artes, só assim garantiremos uma formação consistente em uma área decisiva da cultura contemporânea, além de uma experiência e uma habilidade em uma dimensão central das linguagens no mundo atual.

 

Atenciosamente

 

 

Cezar Migliorin

Presidente da SOCINE

  1. Prazo de pagamento da anuidade: de 1 a 24 de março; 
  2. Prazo de submissão de propostas de trabalhos para apresentação [XXI Encontro]: de 5 a 31 de março;
  3. Divulgação de propostas aprovadas para apresentação [XXI SOCINE]: 9 de junho;
  4. Período de pagamento das inscrições [XXI SOCINE]:
      • PRIMEIRO PRAZO: 3 a 13 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
      • SEGUNDO PRAZO: 14 a 24 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
      • TERCEIRO PRAZO: 25 de julho a 1 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00
  5. Chamada de candidaturas [Eleições da SOCINE]: 21 de agosto a 22 de setembro;
  6. Inscrição de ouvintes [XXI SOCINE]: a partir de 11 de setembro;
  7. Divulgação da programação [XXI SOCINE]: 19 de setembro;
  8. Divulgação das candidaturas homologadas [Eleições da SOCINE]: 29 de setembro;
  9. XXI Encontro SOCINE, na UFPB, em João Pessoa: de 17 a 20 de outubro;
  10. Eleições da SOCINE: 18 e 19 de outubro;
  11. Assembleia e posse da nova diretoria: 20 de outubro;
  12. Prazo de envio de trabalhos para os Anais de Textos Completos [XXI SOCINE]: a definir.