Ficha do Proponente

Proponente

    Milena Leite Paiva (UNICAMP)

Minicurrículo

    Milena Leite Paiva é designer visual, figurinista e diretora de arte. Graduada em Desenho Industrial com Habilitação em Programação Visual pela Universidade do Estado da Bahia (2006) e Mestra em Multimeios pela Universidade Estadual de Campinas (2015), desenvolve uma pesquisa focada no papel da direção de arte na construção da visualidade no audiovisual.

Coautor

    Dorotea Souza Bastos (UFRB)

Ficha do Trabalho

Título

    Nos cursos visuais do Velho Chico: direção de arte e imagem mítica

Resumo

    Este trabalho apresenta uma análise da visualidade construída na novela Velho Chico (2016), escrita por Benedito Ruy Barbosa e dirigida por Luiz Fernando Carvalho. Com base nas teorias de Aumont (1993; 2004) e de Flusser (2011) acerca da imagem e nas escolhas estéticas do aspecto visual da obra, busca-se apontar as interferências da arte na estruturação dos planos e definir uma relação simbólica entre visualidade e narrativa alinhada a um imaginário nacional acerca do Nordeste e da baianidade.

Resumo expandido

    Escrita por Benedito Ruy Barbosa e dirigida por Luiz Fernando Carvalho, a telenovela Velho Chico (Rede Globo, 2016) é uma obra audiovisual marcada por uma visualidade mítica. Do trânsito nas águas do Rio São Francisco às nuances sociais, culturais e religiosas do povo baiano, as suas cenas traçam, por contornos intimistas, os recortes visuais de espaços, luzes e cores do nordeste brasileiro, em um arranjo sensorial entre a materialidade cênica e o desenho da luz. Na obra, a composição dos planos aponta para um cuidadoso trabalho de arte e de fotografia direcionado a uma experimentação da linguagem televisiva e por proposições cênicas que transitam entre a poesia visual, o anacronismo, a ludicidade, a caricatura e a ironia visual – traços estéticos recorrentes nas produções de Luiz Fernando Carvalho.

    Na diegese construída em Velho Chico, a Bahia, contexto social e geográfico da trama, é transcriada visualmente por elementos ficcionais baseados em aspectos estéticos oriundos tanto dos costumes e expressões populares quanto das paisagens, visualidades e materialidades do contexto social retratado. Mas, de qual Bahia falam essas imagens? É interessante pontuar que os espaços e as personagens diegéticas da novela mesclam tanto referências de elementos característicos da região do semiárido baiano até de figuras, cores e arquiteturas típicas da região do recôncavo, o que se evidencia na escolha das locações, dos figurinos, dos objetos cênicos e da caracterização. Entende-se que há, portanto, uma proposta cênica de traçar uma representação do sertão nordestino e da sua cultura visual alinhada a uma imagem mítica da Bahia – a Bahia do coronelismo, da cultura negra, do samba de roda e do sincretismo religioso. Todo o universo diegético da obra é assim concebido de forma a alimentar um imaginário nacional acerca do Nordeste e da baianidade, estando os elementos da arte alinhados conceitualmente a esta proposta da encenação.

    Neste sentido, este trabalho pretende, a partir de uma investigação sobre as escolhas estéticas do aspecto visual de Velho Chico, realizar uma análise das imagens da novela para definir nas narrativas particulares dos elementos da arte uma relação simbólica entre visualidade e narrativa, e apontar as suas interferências estéticas na estruturação dos planos. Com base nos estudos de Aumont (1993; 2004) e Flusser (2011) acerca das especificidades da imagem e partindo do entendimento do “lugar” da direção de arte na construção do estilo do diretor Luiz Fernando Carvalho, esta análise é um desdobramento de um projeto de pesquisa dedicado a um estudo sobre o papel da direção de arte na construção da visualidade no audiovisual, com foco nas projeções estéticas e discursivas da função na composição da imagem e na sua relação formal com a estrutura dramática do texto. A pesquisa tem como corpus o conjunto da obra do diretor Luiz Fernando Carvalho – em suas particularidades conceituais e produtivas -, cujo processo criativo aponta para a valorização e a potencialização expressiva dos elementos da arte, manipulando-os como vetores de significados na superfície da visualidade da cena.

    Entendemos neste trabalho que o perfeccionismo e a perspectiva autoral das obras do referido diretor seja determinante na concepção do projeto de arte e das minúcias compositivas das imagens. Trabalhando com diretores de arte ou atuando diretamente na coordenação da equipe de arte, o fato é que nas suas produções o pensamento da arte se define como um fluxo narrativo essencial no audiovisual. Em Velho Chico não há uma creditação à direção de arte. Nesta produção, Carvalho assina tanto a direção quanto a direção artística, o que abre espaço para uma discussão acerca das suas perspectivas projetuais no contexto da indústria televisiva brasileira.

Bibliografia

    AUMONT, Jacques. A imagem. Campinas, SP: Papirus, 1993.
    _____________. O olho interminável: cinema e pintura. Cosac e Naify: São Paulo, 2004.
    BLOCK, Bruce A. A narrativa visual: criando a estrutura visual para cinema, TV e mídias digitais. Tradução: Cláudia Mello Belhassof. São Paulo: Elsevier, 2010.
    BUTRUCE, Débora Lúcia Viera. A Direção de arte e imagem cinematográfica. Sua inserção no processo de criação no cinema brasileiro dos anos 1990. 2005. 227f. Dissertação (Mestrado em Comunicação) – Programa de Pós-Graduação em Comunicação, Imagem e Informação, Universidade Federal Fluminense, Niterói, 2005.
    CARDOSO, João Batista Freitas. Cenário televisivo: linguagens múltiplas fragmentadas. São Paulo: Annablume; Fapesp, 2009.
    FLUSSER, Vilém. Filosofia da caixa preta. Ensaios para uma futura filosofia da fotografia. São Paulo: Annablume, 2011.
    HAMBURGER, Vera. Arte em cena: a direção de arte no cinema brasileiro. São Paulo: Editora Senac São Paulo; Edições Sesc São Paulo, 2014.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Rio de Janeiro, 28 de janeiro de 2016.

 

Carta aberta ao Ministério da Educação e Ministério da Cultura

 

Assunto: Base Nacional Comum Curricular

 

 

A SOCINE (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual) tem acompanhado os esforços de construção da Base Nacional Comum Curricular. Nosso comentário aqui irá se ater à especificidade de nossa área e sua relação com as propostas apresentadas na BNCC.

Dentro do texto preliminar do BNCC o componente curricular ARTE parte de uma grande área chamada linguagens. Dentro desta área as artes foram divididas em quatro grandes eixos: “artes visuais, dança, teatro e música”, conforme as licenciaturas específicas em arte, desconsiderando a Licenciatura em Cinema e Audiovisual (Resolução do CNE n. 10, de 27 de junho de 2006) e excluindo completamente o cinema como uma arte específica.

Foi essa subdivisão que nos trouxe uma primeira preocupação. Junto à todos esses subcomponentes da área de artes nos parece fundamental que esteja também o cinema. Esta atenção e necessidade não existe apenas porque trabalhamos e pesquisamos cinema e estamos atentos aos seus destinos, mas porque o cinema está intensamente presente na escola e na sociedade e, no momento da construção de uma base nacional para o currículo do ensino infantil, médio e fundamental as questões, contribuições e potencias do cinema na escola não podem ser excluídos.

Diversos componentes curriculares lançam mão de filmes de ficção, seriados, documentários para abordarem temas transversais e específicos de diferentes naturezas. O debate teórico que investigamos apontam para uma necessária vivência no âmbito escolar dos dispositivos cinematográficos desde a tenra idade seja para desenvolver a imaginação na Educação Infantil, na elaboração de cenários para o faz de conta, seja para a construção de identidade pessoal e cultural, seja pela singularidade da experiência sensível que o cinema possibilita.

Vale notar alguns fatos que sustentam nossa preocupação. Primeiramente o cinema é hoje obrigatório na escola. Graças à lei 13006/14, há uma obrigação de exibição de pelo menos duas horas de filmes brasileiros nas escolas. Esta lei, em vias de regulamentação, também exigirá que espaços físicos e materiais sejam garantidos nas escolas para sua efetivação, além da necessidade de uma real inclusão do cinema nas questões que tocam o currículo como um todo, transcendendo mesmo as linguagens específicas. Além de oferecer uma ampla versatilidade de conteúdo, a leitura de filmes e a própria produção audiovisual – inclusive com dispositivos móveis de comunicação – permite a professores e estudantes olhar para a realidade para descobri-la e inventá-la – gestos essenciais na produção de conhecimento.

Como bem é lembrado na proposta de BNC, “a formação em Arte acontece em licenciaturas específicas (artes visuais, dança, teatro e música)”, pois, também em licenciaturas de cinema. Embora talvez se presuma que “artes visuais” inclua de algum modo ao cinema, ele tem uma especificidade na formação do professor. Desde 2012 a Universidade Federal Fluminense possui uma licenciatura em cinema e a mobilização de outras universidade no mesmo caminho é evidente. Devemos ainda atentar à intensa contribuição que diversos programas de pós-graduação vêm dando às relações entre cinema e educação, algo que se evidência nos próprios encontros da sociedade que representamos, onde a cada ano temos diversos trabalhos e comunicações dedicados às relações do cinema com a educação.

Além da materialidade legal, de formação e de pesquisa que evidencia a íntima relação entre o cinema e a escola, a Rede Kino: Rede Latinoamericana de Educação, Cinema e Audiovisual, formada por professores e pesquisadores que trabalham na interface entre cinema e educação, vem mapeando projetos e iniciativas que se dedicam à essa interface, desde 2008. Projetos que acontecem em todo o país e que mobilizam centenas de escolas. Por fim, sabemos que o cinema é amplamente presente nas escolas por conta da contribuição que ele traz em tantas áreas, conteúdos e debates, da matemática às ciências, passando pelas histórias, geografias e humanidades em geral. Por todos esses motivos, pela intensa força pedagógica do cinema na escola, nos preocupa que no momento de construção de uma Base Curricular tão pouca atenção tenho sido dada ao cinema.

No nosso entender, a BNC deveria incluir um eixo Cinema e Audiovisual dentro do componente curricular artes, só assim garantiremos uma formação consistente em uma área decisiva da cultura contemporânea, além de uma experiência e uma habilidade em uma dimensão central das linguagens no mundo atual.

 

Atenciosamente

 

 

Cezar Migliorin

Presidente da SOCINE

  1. Prazo de pagamento da anuidade: de 1 a 24 de março; 
  2. Prazo de submissão de propostas de trabalhos para apresentação [XXI Encontro]: de 5 a 31 de março;
  3. Divulgação de propostas aprovadas para apresentação [XXI SOCINE]: 9 de junho;
  4. Período de pagamento das inscrições [XXI SOCINE]:
      • PRIMEIRO PRAZO: 3 a 13 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
      • SEGUNDO PRAZO: 14 a 24 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
      • TERCEIRO PRAZO: 25 de julho a 1 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00
  5. Chamada de candidaturas [Eleições da SOCINE]: 21 de agosto a 22 de setembro;
  6. Inscrição de ouvintes [XXI SOCINE]: a partir de 11 de setembro;
  7. Divulgação da programação [XXI SOCINE]: 19 de setembro;
  8. Divulgação das candidaturas homologadas [Eleições da SOCINE]: 29 de setembro;
  9. XXI Encontro SOCINE, na UFPB, em João Pessoa: de 17 a 20 de outubro;
  10. Eleições da SOCINE: 18 e 19 de outubro;
  11. Assembleia e posse da nova diretoria: 20 de outubro;
  12. Prazo de envio de trabalhos para os Anais de Textos Completos [XXI SOCINE]: a definir.