Ficha do Proponente

Proponente

    Pedro Henrique Ghoneim (Unicamp)

Minicurrículo

    Mestrando em Música (IA/UNICAMP) na área de trilhas sonoras e graduando em Composição (IA/UNICAMP). Possui graduação em Música Popular (2015) pela mesma instituição.

Ficha do Trabalho

Título

    A orquestração como componente da teoria de gêneros cinematográficos

Resumo

    Com base na teoria de estilo musical de Leonard Meyer e nas teorias de gênero cinematográfico de Rick Altman e Steve Neale, discutirei as relações entre estilos orquestrais de trilha musical específicos com certos gêneros cinematográficos. Para tanto, será utilizado o referencial metodológico de Mark Brownrigg, que faz a ligação entre música e gênero, acrescentando uma abordagem analítica orquestral de partituras, além de discussões histórico-culturais.

Resumo expandido

    Em meio à extensa produção acadêmica no campo das teorias de gênero, podemos constatar que, apesar da história milenar, teóricos ainda não alcançaram um consenso. Contudo, permeia, de forma abrangente, os argumentos dos principais autores a ideia de que o gênero é marcado por “restrições” (“convenções”, “regras”). No campo da literatura, o filósofo Horácio já afirmava, na Roma Antiga, que cada gênero literário possuía suas próprias regras e procedimentos pré-estabelecidos. Para o pensador, formas de verso trágico não deveriam ser utilizadas em situações cômicas (ALTMAN, 1999, p. 3). A respeito do cinema de Hollywood, Steve Neale, ao conceituar o termo “verossimilhança” (elementos que permitem o reconhecimento dos gêneros por parte do pùblico), infere que existem “regimes de verosimilhança”; tais regimes possuiriam “regras, normas e leis” (NEALE, 2000, p. 32). No âmbito da música, Leonard B. Meyer, apesar de chamar de “estilo” aquilo que comumente é tratado como “gênero” nos estudos de cinema e literatura, reafirma a tendência das teorias de gênero ao apontar que o estilo depende de determinadas “restrições” para ser reconhecido. Em sequência, Meyer expande sua teoria e estabelece que as restrições estão estreitamente relacionadas a escolhas dos autores (MEYER, 1989, p.3-8).
    A definição dada por Meyer diz que o estilo se configura pela replicação de padrões resultante de escolhas tomadas dentro de certas restrições, seja o objeto um comportamento humano ou um produto deste (MEYER, 1989, p. 3). Partindo de uma abordagem cognitivista, o autor afirma que mesmo as ações humanas automatizadas (como levantar da cama, dirigir, tomar banho) envolvem o processo de decisão. Isso ocorre porque, mesmo que estas ações não passem por um processo de escolha consciente das alternativas, elas não são involuntárias.
    Assim como a concepção de uma melodia ou a escolha de um acorde são recursos criativos e poéticos para um compositor, a organização e atribuição destes elementos a certos instrumentos, ou combinações destes, também podem se dispor ao pensamento artístico do autor da obra. A orquestração, portanto, não diz respeito apenas ao estudo técnico das características acústicas e ergonômicas dos instrumentos musicais, mas envolve também as escolhas do compositor, decisões guiadas por parâmetros estéticos conscientes ou inconscientes. Desta forma, partindo do pressuposto de que a música é um elemento paradigmático dos gêneros (BROWNRIGG, 2003), e que a orquestração é um recurso musical amplamente utilizado nas trilhas musicais desde o advento do cinema sonoro (TÁPIA, 2012), pretendo discutir como a configuração de estilos orquestrais, consolidados através de decisões conscientes ou não dos compositores, são parte estrutural da sistematização genérica no cinema.
    Para Mark Brownrigg (2003), o compositor da trilha musical, assim como o roteirista, o fotógrafo ou o figurinista, possui consciência das convenções musicais pertencentes a determinados gêneros fílmicos. Assim, não seria comum que uma música repleta de convenções do gênero western fosse introduzida em um filme de terror (a menos que a intenção fosse de quebra de expectativa). O autor aborda diversos gêneros de cinema, tendo como foco as convenções musicais que permeiam a filmografia de cada um deles, a fim de sistematizar os elementos estruturais destas músicas. Contudo, apesar de abordar em alguns momentos o recurso da orquestração, este é tratado sem profundidade, tendo em vista a abordagem panorâmica do trabalho.
    Apresentarei então um estudo dos estilos orquestrais em relação a determinados gêneros cinematográficos, adotando como base teórica a obra de Meyer no âmbito da música, e as obras de Altman e Neale no âmbito do cinema. Como referencial metodológico, utilizarei a tese de Brownrigg, pela abordagem da relação entre música e cinema. Serão feitas análises orquestrais de partituras e discussões histórico-culturais acerca das relações entre trilha musical e música de concerto.

Bibliografia

    ALTMAN, R. Film//Genre. Londres: British Film Institute. 1999
    BROWNRIGG, M. Film music and film genre. 2003. 308 f. Tese de doutorado –
    University of Stirling. Abr 2003.
    MEYER, L. B. Style and music: theory, history and ideology. Filadélfia: University of Pennsylvania Press. 1989.
    NEALE, S. Genre and Hollywood. Londres: Routledge, 2000.
    TÁPIA, D. A orquestra sinfônica do cinema norte-americano: o exemplo de Bernard
    Hermann. Dissertação de mestrado. Campinas: IA/UNICAMP, 2012

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Rio de Janeiro, 28 de janeiro de 2016.

 

Carta aberta ao Ministério da Educação e Ministério da Cultura

 

Assunto: Base Nacional Comum Curricular

 

 

A SOCINE (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual) tem acompanhado os esforços de construção da Base Nacional Comum Curricular. Nosso comentário aqui irá se ater à especificidade de nossa área e sua relação com as propostas apresentadas na BNCC.

Dentro do texto preliminar do BNCC o componente curricular ARTE parte de uma grande área chamada linguagens. Dentro desta área as artes foram divididas em quatro grandes eixos: “artes visuais, dança, teatro e música”, conforme as licenciaturas específicas em arte, desconsiderando a Licenciatura em Cinema e Audiovisual (Resolução do CNE n. 10, de 27 de junho de 2006) e excluindo completamente o cinema como uma arte específica.

Foi essa subdivisão que nos trouxe uma primeira preocupação. Junto à todos esses subcomponentes da área de artes nos parece fundamental que esteja também o cinema. Esta atenção e necessidade não existe apenas porque trabalhamos e pesquisamos cinema e estamos atentos aos seus destinos, mas porque o cinema está intensamente presente na escola e na sociedade e, no momento da construção de uma base nacional para o currículo do ensino infantil, médio e fundamental as questões, contribuições e potencias do cinema na escola não podem ser excluídos.

Diversos componentes curriculares lançam mão de filmes de ficção, seriados, documentários para abordarem temas transversais e específicos de diferentes naturezas. O debate teórico que investigamos apontam para uma necessária vivência no âmbito escolar dos dispositivos cinematográficos desde a tenra idade seja para desenvolver a imaginação na Educação Infantil, na elaboração de cenários para o faz de conta, seja para a construção de identidade pessoal e cultural, seja pela singularidade da experiência sensível que o cinema possibilita.

Vale notar alguns fatos que sustentam nossa preocupação. Primeiramente o cinema é hoje obrigatório na escola. Graças à lei 13006/14, há uma obrigação de exibição de pelo menos duas horas de filmes brasileiros nas escolas. Esta lei, em vias de regulamentação, também exigirá que espaços físicos e materiais sejam garantidos nas escolas para sua efetivação, além da necessidade de uma real inclusão do cinema nas questões que tocam o currículo como um todo, transcendendo mesmo as linguagens específicas. Além de oferecer uma ampla versatilidade de conteúdo, a leitura de filmes e a própria produção audiovisual – inclusive com dispositivos móveis de comunicação – permite a professores e estudantes olhar para a realidade para descobri-la e inventá-la – gestos essenciais na produção de conhecimento.

Como bem é lembrado na proposta de BNC, “a formação em Arte acontece em licenciaturas específicas (artes visuais, dança, teatro e música)”, pois, também em licenciaturas de cinema. Embora talvez se presuma que “artes visuais” inclua de algum modo ao cinema, ele tem uma especificidade na formação do professor. Desde 2012 a Universidade Federal Fluminense possui uma licenciatura em cinema e a mobilização de outras universidade no mesmo caminho é evidente. Devemos ainda atentar à intensa contribuição que diversos programas de pós-graduação vêm dando às relações entre cinema e educação, algo que se evidência nos próprios encontros da sociedade que representamos, onde a cada ano temos diversos trabalhos e comunicações dedicados às relações do cinema com a educação.

Além da materialidade legal, de formação e de pesquisa que evidencia a íntima relação entre o cinema e a escola, a Rede Kino: Rede Latinoamericana de Educação, Cinema e Audiovisual, formada por professores e pesquisadores que trabalham na interface entre cinema e educação, vem mapeando projetos e iniciativas que se dedicam à essa interface, desde 2008. Projetos que acontecem em todo o país e que mobilizam centenas de escolas. Por fim, sabemos que o cinema é amplamente presente nas escolas por conta da contribuição que ele traz em tantas áreas, conteúdos e debates, da matemática às ciências, passando pelas histórias, geografias e humanidades em geral. Por todos esses motivos, pela intensa força pedagógica do cinema na escola, nos preocupa que no momento de construção de uma Base Curricular tão pouca atenção tenho sido dada ao cinema.

No nosso entender, a BNC deveria incluir um eixo Cinema e Audiovisual dentro do componente curricular artes, só assim garantiremos uma formação consistente em uma área decisiva da cultura contemporânea, além de uma experiência e uma habilidade em uma dimensão central das linguagens no mundo atual.

 

Atenciosamente

 

 

Cezar Migliorin

Presidente da SOCINE

  1. Prazo de pagamento da anuidade: de 1 a 24 de março; 
  2. Prazo de submissão de propostas de trabalhos para apresentação [XXI Encontro]: de 5 a 31 de março;
  3. Divulgação de propostas aprovadas para apresentação [XXI SOCINE]: 9 de junho;
  4. Período de pagamento das inscrições [XXI SOCINE]:
      • PRIMEIRO PRAZO: 3 a 13 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
      • SEGUNDO PRAZO: 14 a 24 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
      • TERCEIRO PRAZO: 25 de julho a 1 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00
  5. Chamada de candidaturas [Eleições da SOCINE]: 21 de agosto a 22 de setembro;
  6. Inscrição de ouvintes [XXI SOCINE]: a partir de 11 de setembro;
  7. Divulgação da programação [XXI SOCINE]: 19 de setembro;
  8. Divulgação das candidaturas homologadas [Eleições da SOCINE]: 29 de setembro;
  9. XXI Encontro SOCINE, na UFPB, em João Pessoa: de 17 a 20 de outubro;
  10. Eleições da SOCINE: 18 e 19 de outubro;
  11. Assembleia e posse da nova diretoria: 20 de outubro;
  12. Prazo de envio de trabalhos para os Anais de Textos Completos [XXI SOCINE]: a definir.