Ficha do Proponente

Proponente

    Marina da Costa Campos (USP)

Minicurrículo

    Doutoranda em Meios e Processos Audiovisuais pela ECA/USP, com pesquisa sobre super8 no Brasil e México na década de 1970. Mestre em Imagem e Som pela UFSCar e graduada em Comunicação Social pela UFG. Integrante do GECILAVA – Grupo de Estudos de Cinema da América Latina e Vanguardas Artísticas; e do Grupo de História e Crítica do Cinema Experimental, sob orientação do Profº.Drº Rubens Machado Jr.

Ficha do Trabalho

Título

    Suspensões do tempo: o super8 no Brasil e México na década de 1970

Seminário

    Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais

Resumo

    Esta exposição visa apresentar as aproximações entre a produção superoitista do Brasil e do México na década de 1970, a partir da articulação entre pesquisa histórica e análise fílmica. Aqui, focaremos na discussão de dois filmes: Exposed (Edgard Navarro, 1978) e La segunda primera matriz (Alfredo Gurrola, 1972). O intuito é refletir de que maneira esses filmes utilizam o experimentalismo para abordar questões latentes de sua época, no caso a repressão e a ditadura.

Resumo expandido

    Esta comunicação é parte do projeto de pesquisa que está sendo desenvolvido no doutorado, que estuda as aproximações entre a produção superoitista do Brasil e do México na década de 1970, a partir da articulação entre pesquisa histórica e análise fílmica. Para esta exposição, trabalha-se com o estudo de dois curtas-metragens Exposed (Edgard Navarro, 1978), La segunda primera matriz (Alfredo Gurrola, 1972) para refletir de que maneira esses filmes utilizam o experimentalismo para abordar questões latentes de sua época. As obras aqui escolhidas tratam, direta e indiretamente, as reverberações da década de 1960, em especial o ano de 1968: a implementação do Ato Institucional nº5, AI-5, no Brasil, o massacre de estudantes na Plaza Tlatelolco no México e as manifestações do movimento estudantil na França. No caso das obras aqui escolhidas, Exposed apresenta-se como uma concatenação de diferentes imagens que se constituem como um registro autobiográfico. Exibe-se a fotografia da mãe do diretor; imagens das ruas; brasas e fogo; copas de árvores; uma mulher amolando uma faca; um homem; um canhão; trilhos de trem; pontes; um muro onde está pixado “Deus condena a prostituição” que se alterna para “a prostituição condena Deus”; imagens na tv de líderes nacionais (Geisel) e mundiais (Hitler), ícones da cultura (Che Guevara, The Beatles), da religião (Cristo) e do cinema (Chaplin); o homem que olha duas mulheres numa praça, aproxima-se delas e abre a braguilha da calça; o canhão, descrito em suas dimensões pela voz do narrador. Tais imagens intercalam-se formando uma poética da montagem que traz a tona memórias pessoais com um contexto repressor tanto das ideias quanto do corpo, sob a trilha sonora diversa que vai do local (Vicente Celestino) ao global (The Beatles). O filme traz como provocação a sensação de impotência impressa no corpo, a constelação de líderes culturais e políticos colocados no mesmo patamar do instantâneo da tv (não impresso nos fugazes pontos eletrônicos, mas na instância da memória) de fantasmas da revolução e/ou destruição e o canhão que sela naquele momento a paralisia de uma reação.
    La segunda primera matriz é inspirado em um poema de Tomas Segovia elaborado durante o próprio ato da filmagem, faz um retrospecto da façanha humana, desde sua origem na obscuridade (primeira matriz) até seu retorno a este ponto com o desenvolvimento das pesquisas do homem no espaço. Para tal recorre ao jogo de luzes e aos corpos de um casal pintados imitando animais. Tem-se um jogo de repetições com imagens de um parto e uma câmera que passeia pelos corpos, onde se projetam imagens de outros corpos alternados com as de tanques militares. Ao final observa-se uma mulher que sangra entre as pernas e, do caminho deste sangue, em seus pés surge um tanque de guerra vermelho. Aqui o experimentalismo traz como questão o sentido do homem em direção às contradições de uma evolução técnica que o impulsiona para novos lugares ao mesmo tempo em que destrói o seu próprio nicho. Reforça-se uma visão pessimista do futuro com a cartela “pero se puede también parir nada”.
    A pesquisa não tem a intenção de dar conta de uma totalidade de aspectos que aproximam os dois países, mas esboça uma preocupação de pensar uma tendência do superoitismo na América Latina como um local onde a crise política, cultural e artística está problematizada por meio da ironia, da metáfora e de um discurso experimental que não aponta para soluções fáceis e sim intensifica a dúvida. Este trabalho, portanto, pretende pensar estas produções superoitistas como regimes de representações que tensionam as contradições sociais, culturais e políticas de sua época. Desta maneira, a comunicação sustenta-se na ideia de que tais trabalhos experimentais atuam como registros de visualidade histórica de uma suspensão do tempo presente.

Bibliografia

    AMANCIO, Tunico; TEDESCO, Marina (Org). Brasil-México: aproximações cinematográficas. Niterói: EdUFF, 2011.
    Lefebvre, H. (et al) A irrupção: a revolta dos jovens na sociedade industrial. São Paulo: Documentos, 1968.
    MACHADO JR, R. A experiência cinematográfica superoitista no Brasil: espontaneidade e ironia como resistência à modernização conservadora em tempos de ditadura. AMORIM, Laura Santos de; FALCONE, Fernando Trevas (Orgs). Cinema e memória: o super-8 na Paraíba nos anos 1970 e 1980. João Pessoa: Editora da UFPB, 2013, p.34-55.
    MANTECÓN, A. El cine súper 8 em México 1970-1989. México: Filmoteca UNAM, 2012.
    PRADO, M. Repensando a História Comparada da América Latina. In: Revista de História. São Paulo: nº153, vol.2, 2005, p.11-33.
    TRONCOSO, A. Memória y representación: la fotografia y el movimento estudantil de 1968 en México. Cidade do México: UNAM, 2011.
    Roszak, Theodore. A contracultura. (1968) tr. Donaldson M. Garschagen, 2ª ed., Petrópolis: Vozes, 1972.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Rio de Janeiro, 28 de janeiro de 2016.

 

Carta aberta ao Ministério da Educação e Ministério da Cultura

 

Assunto: Base Nacional Comum Curricular

 

 

A SOCINE (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual) tem acompanhado os esforços de construção da Base Nacional Comum Curricular. Nosso comentário aqui irá se ater à especificidade de nossa área e sua relação com as propostas apresentadas na BNCC.

Dentro do texto preliminar do BNCC o componente curricular ARTE parte de uma grande área chamada linguagens. Dentro desta área as artes foram divididas em quatro grandes eixos: “artes visuais, dança, teatro e música”, conforme as licenciaturas específicas em arte, desconsiderando a Licenciatura em Cinema e Audiovisual (Resolução do CNE n. 10, de 27 de junho de 2006) e excluindo completamente o cinema como uma arte específica.

Foi essa subdivisão que nos trouxe uma primeira preocupação. Junto à todos esses subcomponentes da área de artes nos parece fundamental que esteja também o cinema. Esta atenção e necessidade não existe apenas porque trabalhamos e pesquisamos cinema e estamos atentos aos seus destinos, mas porque o cinema está intensamente presente na escola e na sociedade e, no momento da construção de uma base nacional para o currículo do ensino infantil, médio e fundamental as questões, contribuições e potencias do cinema na escola não podem ser excluídos.

Diversos componentes curriculares lançam mão de filmes de ficção, seriados, documentários para abordarem temas transversais e específicos de diferentes naturezas. O debate teórico que investigamos apontam para uma necessária vivência no âmbito escolar dos dispositivos cinematográficos desde a tenra idade seja para desenvolver a imaginação na Educação Infantil, na elaboração de cenários para o faz de conta, seja para a construção de identidade pessoal e cultural, seja pela singularidade da experiência sensível que o cinema possibilita.

Vale notar alguns fatos que sustentam nossa preocupação. Primeiramente o cinema é hoje obrigatório na escola. Graças à lei 13006/14, há uma obrigação de exibição de pelo menos duas horas de filmes brasileiros nas escolas. Esta lei, em vias de regulamentação, também exigirá que espaços físicos e materiais sejam garantidos nas escolas para sua efetivação, além da necessidade de uma real inclusão do cinema nas questões que tocam o currículo como um todo, transcendendo mesmo as linguagens específicas. Além de oferecer uma ampla versatilidade de conteúdo, a leitura de filmes e a própria produção audiovisual – inclusive com dispositivos móveis de comunicação – permite a professores e estudantes olhar para a realidade para descobri-la e inventá-la – gestos essenciais na produção de conhecimento.

Como bem é lembrado na proposta de BNC, “a formação em Arte acontece em licenciaturas específicas (artes visuais, dança, teatro e música)”, pois, também em licenciaturas de cinema. Embora talvez se presuma que “artes visuais” inclua de algum modo ao cinema, ele tem uma especificidade na formação do professor. Desde 2012 a Universidade Federal Fluminense possui uma licenciatura em cinema e a mobilização de outras universidade no mesmo caminho é evidente. Devemos ainda atentar à intensa contribuição que diversos programas de pós-graduação vêm dando às relações entre cinema e educação, algo que se evidência nos próprios encontros da sociedade que representamos, onde a cada ano temos diversos trabalhos e comunicações dedicados às relações do cinema com a educação.

Além da materialidade legal, de formação e de pesquisa que evidencia a íntima relação entre o cinema e a escola, a Rede Kino: Rede Latinoamericana de Educação, Cinema e Audiovisual, formada por professores e pesquisadores que trabalham na interface entre cinema e educação, vem mapeando projetos e iniciativas que se dedicam à essa interface, desde 2008. Projetos que acontecem em todo o país e que mobilizam centenas de escolas. Por fim, sabemos que o cinema é amplamente presente nas escolas por conta da contribuição que ele traz em tantas áreas, conteúdos e debates, da matemática às ciências, passando pelas histórias, geografias e humanidades em geral. Por todos esses motivos, pela intensa força pedagógica do cinema na escola, nos preocupa que no momento de construção de uma Base Curricular tão pouca atenção tenho sido dada ao cinema.

No nosso entender, a BNC deveria incluir um eixo Cinema e Audiovisual dentro do componente curricular artes, só assim garantiremos uma formação consistente em uma área decisiva da cultura contemporânea, além de uma experiência e uma habilidade em uma dimensão central das linguagens no mundo atual.

 

Atenciosamente

 

 

Cezar Migliorin

Presidente da SOCINE

  1. Prazo de pagamento da anuidade: de 1 a 24 de março; 
  2. Prazo de submissão de propostas de trabalhos para apresentação [XXI Encontro]: de 5 a 31 de março;
  3. Divulgação de propostas aprovadas para apresentação [XXI SOCINE]: 9 de junho;
  4. Período de pagamento das inscrições [XXI SOCINE]:
      • PRIMEIRO PRAZO: 3 a 13 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
      • SEGUNDO PRAZO: 14 a 24 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
      • TERCEIRO PRAZO: 25 de julho a 1 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00
  5. Chamada de candidaturas [Eleições da SOCINE]: 21 de agosto a 22 de setembro;
  6. Inscrição de ouvintes [XXI SOCINE]: a partir de 11 de setembro;
  7. Divulgação da programação [XXI SOCINE]: 19 de setembro;
  8. Divulgação das candidaturas homologadas [Eleições da SOCINE]: 29 de setembro;
  9. XXI Encontro SOCINE, na UFPB, em João Pessoa: de 17 a 20 de outubro;
  10. Eleições da SOCINE: 18 e 19 de outubro;
  11. Assembleia e posse da nova diretoria: 20 de outubro;
  12. Prazo de envio de trabalhos para os Anais de Textos Completos [XXI SOCINE]: a definir.