Ficha do Proponente

Proponente

    TAINA XAVIER PEREIRA HUHOLD (UNILA)

Minicurrículo

    Tainá Xavier é graduada em cinema pela Universidade Federal Fluminense e mestre em Artes Visuais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Professora de direção de arte no curso de cinema da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA), atualmente desenvolve pesquisa sobre o ensino da direção de arte na América Latina. Atua nas áreas de direção e produção de arte desde 1996 em TV, cinema e teatro.

Ficha do Trabalho

Título

    Presença da direção de arte nos cursos de cinema e audiovisual latina

Mesa

    As pesquisas em direção de arte no cinema contemporâneo

Resumo

    Este artigo apresenta uma proposta de mapeamento do ensino de direção de arte nos cursos superiores de cinema e/ou audiovisual da América Latina. Partimos do reconhecimento dos avanços da pesquisa acadêmica nesse campo para questionar se é verificável alguma repercussão de tais discussões junto ao pensamento-criação audiovisual no âmbito dos espaços de formação superior em cinema e/ou audiovisual latino-americanos.

Resumo expandido

    Na sua “Carta aos jovens cineastas”, o cineasta, crítico e professor Maurice Capovilla faz uma pergunta que ressoa nesse projeto de pesquisa: “Para que servem as escolas de cinema no Brasil?”. O presente trabalho se propõe a investigar a inserção da direção de arte no ensino de cinema na América Latina. Ainda assim a resposta do cineasta segue válida: “é na escola que alunos e professores aprendem a aprender… a fazer e viver o cinema” (CAPOVILLA in MARQUES et alii, 2015). Com a inclusão da habilidade de cenografia e figurino nas novas diretrizes do MEC para o ensino de audiovisual, alguns cursos superiores brasileiros instituem componentes curriculares para atender a essa demanda em suas matrizes. Nesse processo, criam-se inéditas oportunidades de formação de professores/pensadores, investigação de referenciais teóricos, metodologias e processos pedagógicos de abordagem da direção de arte no conjunto da formação audiovisual.
    A direção de arte se consolida como um campo autônomo dentro da equipe audiovisual atendendo às necessidades de divisão industrial do trabalho, especialmente na consolidação dos estúdios de Hollywood. Na América Latina, ao longo da primeira metade do século XX, em diferentes épocas e contextos, México, Argentina e Brasil veem surgir e desenvolver-se, com maior ou menor regularidade, inciativas de produção cinematográfica em modelos industriais, cujos cenários e figurinos eram criados profissionais estrangeiros e locais, muitas vezes egressos do teatro, das escolas de belas artes ou da arquitetura. É a partir dos anos 1960 que um pensamento compartilhado a respeito da razão de ser do cinema abaixo dos Estados Unidos se articula. Em 1967, no Festival de Viña del Mar, discutem-se aspectos abrangentes da realização cinematográfica latino-americana, questiona-se o modelo de produção industrial e buscam-se iniciativas de fortalecimento e articulação das cinematografias nacionais que se oponham à situação de dominação colonial econômica e cultural, cujos os mercados eram totalmente ocupados pelo filme estadunidense. A formação aparece nesse contexto como um desafio a ser enfrentado. Desde o surgimento da primeira escola de cinema na Argentina em 1956 até o aumento no número de instituições que se verifica a partir dos anos 1990, a formação em cinema e audiovisual na América Latina lida com a vulnerabilidade da produção audiovisual em escala industrial nesta região.
    Por oferecer espaços de diálogo e experimentação em diversas áreas de atuação na produção da obra audiovisual, seriam as instituições superiores de ensino, em geral um espaço fértil para essas investigações? A escolha de um território de pesquisa que contemple todo o subcontinente latino-americano tem por objetivo investigar diferentes propostas pedagógicas e seus diálogos com maiores ou menores graus de industrialização da produção audiovisual.
    Para efetivação de tal tarefa lidaremos com as dificuldades de uma abordagem transnacional diante da diversidade intrínseca à ideia de América Latina. Um olhar atento à grande diversidade de projetos educacionais, de perfis de cursos e de mercados audiovisual permeará toda a pesquisa.
    Acreditamos que o presente projeto de pesquisa possa verificar que a inclusão obrigatória de componentes curriculares do campo da direção de arte em cursos superiores de cinema e/ou audiovisual amplia o repertório de procedimentos estéticos a serem mobilizados na criação da obra audiovisual. Esse processo se dá através da valorização das possibilidades significativas da linguagem visual na estruturação do profílmico por todas as equipes envolvidas, de forma a tais possiblidades serem exploradas desde o roteiro até a finalização.

Bibliografia

    AFFRON, Charles; AFFRON, Mirela Jona. Sets in motion. Art direction and film narrative. New Jersey: Rutgers University Press, 1995.
    CAIRO, Heriberto; DE SIERRA, Gerónimo. América Latina, una y diversa: Metodos para su análisis. Costa Rica: Alma Mater, 2008.
    GETINO, Octavio. Cine Iberoamericano: los desafios del nuevo siglo. Buenos Aires: Fundación Centro Integral Comunicación, Cultua y Sociedad, 2007.
    PARANAGUÁ, Paulo. Tradición y modernidad en el cine de América Latina. Madrid: Fondo de Cultura Econômica de España, 2003.
    TAMAYO, Augusto; HENDRICKX, Nathalie. La dirección de arte en el cine peruano. Lima: Universidad de Lima, Fondo editorial, 2015.
    Periódicos
    MARQUES, Aída; RODRIGUES, Luciana (Eds.). Cadernos do FORCINE. Fórum Brasileiro de Ensino do Cinema e Audiovisual. 2014
    MARQUES, Aída et alii. (Eds.). Cadernos do FORCINE. Fórum Brasileiro de Ensino do Cinema e Audiovisual. 2015

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Rio de Janeiro, 28 de janeiro de 2016.

 

Carta aberta ao Ministério da Educação e Ministério da Cultura

 

Assunto: Base Nacional Comum Curricular

 

 

A SOCINE (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual) tem acompanhado os esforços de construção da Base Nacional Comum Curricular. Nosso comentário aqui irá se ater à especificidade de nossa área e sua relação com as propostas apresentadas na BNCC.

Dentro do texto preliminar do BNCC o componente curricular ARTE parte de uma grande área chamada linguagens. Dentro desta área as artes foram divididas em quatro grandes eixos: “artes visuais, dança, teatro e música”, conforme as licenciaturas específicas em arte, desconsiderando a Licenciatura em Cinema e Audiovisual (Resolução do CNE n. 10, de 27 de junho de 2006) e excluindo completamente o cinema como uma arte específica.

Foi essa subdivisão que nos trouxe uma primeira preocupação. Junto à todos esses subcomponentes da área de artes nos parece fundamental que esteja também o cinema. Esta atenção e necessidade não existe apenas porque trabalhamos e pesquisamos cinema e estamos atentos aos seus destinos, mas porque o cinema está intensamente presente na escola e na sociedade e, no momento da construção de uma base nacional para o currículo do ensino infantil, médio e fundamental as questões, contribuições e potencias do cinema na escola não podem ser excluídos.

Diversos componentes curriculares lançam mão de filmes de ficção, seriados, documentários para abordarem temas transversais e específicos de diferentes naturezas. O debate teórico que investigamos apontam para uma necessária vivência no âmbito escolar dos dispositivos cinematográficos desde a tenra idade seja para desenvolver a imaginação na Educação Infantil, na elaboração de cenários para o faz de conta, seja para a construção de identidade pessoal e cultural, seja pela singularidade da experiência sensível que o cinema possibilita.

Vale notar alguns fatos que sustentam nossa preocupação. Primeiramente o cinema é hoje obrigatório na escola. Graças à lei 13006/14, há uma obrigação de exibição de pelo menos duas horas de filmes brasileiros nas escolas. Esta lei, em vias de regulamentação, também exigirá que espaços físicos e materiais sejam garantidos nas escolas para sua efetivação, além da necessidade de uma real inclusão do cinema nas questões que tocam o currículo como um todo, transcendendo mesmo as linguagens específicas. Além de oferecer uma ampla versatilidade de conteúdo, a leitura de filmes e a própria produção audiovisual – inclusive com dispositivos móveis de comunicação – permite a professores e estudantes olhar para a realidade para descobri-la e inventá-la – gestos essenciais na produção de conhecimento.

Como bem é lembrado na proposta de BNC, “a formação em Arte acontece em licenciaturas específicas (artes visuais, dança, teatro e música)”, pois, também em licenciaturas de cinema. Embora talvez se presuma que “artes visuais” inclua de algum modo ao cinema, ele tem uma especificidade na formação do professor. Desde 2012 a Universidade Federal Fluminense possui uma licenciatura em cinema e a mobilização de outras universidade no mesmo caminho é evidente. Devemos ainda atentar à intensa contribuição que diversos programas de pós-graduação vêm dando às relações entre cinema e educação, algo que se evidência nos próprios encontros da sociedade que representamos, onde a cada ano temos diversos trabalhos e comunicações dedicados às relações do cinema com a educação.

Além da materialidade legal, de formação e de pesquisa que evidencia a íntima relação entre o cinema e a escola, a Rede Kino: Rede Latinoamericana de Educação, Cinema e Audiovisual, formada por professores e pesquisadores que trabalham na interface entre cinema e educação, vem mapeando projetos e iniciativas que se dedicam à essa interface, desde 2008. Projetos que acontecem em todo o país e que mobilizam centenas de escolas. Por fim, sabemos que o cinema é amplamente presente nas escolas por conta da contribuição que ele traz em tantas áreas, conteúdos e debates, da matemática às ciências, passando pelas histórias, geografias e humanidades em geral. Por todos esses motivos, pela intensa força pedagógica do cinema na escola, nos preocupa que no momento de construção de uma Base Curricular tão pouca atenção tenho sido dada ao cinema.

No nosso entender, a BNC deveria incluir um eixo Cinema e Audiovisual dentro do componente curricular artes, só assim garantiremos uma formação consistente em uma área decisiva da cultura contemporânea, além de uma experiência e uma habilidade em uma dimensão central das linguagens no mundo atual.

 

Atenciosamente

 

 

Cezar Migliorin

Presidente da SOCINE

  1. Prazo de pagamento da anuidade: de 1 a 24 de março; 
  2. Prazo de submissão de propostas de trabalhos para apresentação [XXI Encontro]: de 5 a 31 de março;
  3. Divulgação de propostas aprovadas para apresentação [XXI SOCINE]: 9 de junho;
  4. Período de pagamento das inscrições [XXI SOCINE]:
      • PRIMEIRO PRAZO: 3 a 13 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
      • SEGUNDO PRAZO: 14 a 24 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
      • TERCEIRO PRAZO: 25 de julho a 1 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00
  5. Chamada de candidaturas [Eleições da SOCINE]: 21 de agosto a 22 de setembro;
  6. Inscrição de ouvintes [XXI SOCINE]: a partir de 11 de setembro;
  7. Divulgação da programação [XXI SOCINE]: 19 de setembro;
  8. Divulgação das candidaturas homologadas [Eleições da SOCINE]: 29 de setembro;
  9. XXI Encontro SOCINE, na UFPB, em João Pessoa: de 17 a 20 de outubro;
  10. Eleições da SOCINE: 18 e 19 de outubro;
  11. Assembleia e posse da nova diretoria: 20 de outubro;
  12. Prazo de envio de trabalhos para os Anais de Textos Completos [XXI SOCINE]: a definir.