Ficha do Proponente

Proponente

    Tiago de Castro Machado Gomes (UFF)

Minicurrículo

    Graduado em Cinema e Audiovisual pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e Mestre em Comunicação pela mesma instituição. Atua na área de pesquisa para filmes e programas televisivos e na área de preservação audiovisual, com passagem pelo Centro Técnico Audiovisual (CTAv), Museu de Imagem e do Som do Rio de Janeiro (MIS-RJ) e Cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.

Ficha do Trabalho

Título

    Cinema colonial na África Britânica: aspectos positivos e negativos

Resumo

    Na África colonial, os britânicos implementaram unidades cinematográficas (film units) responsáveis por produzir e difundir filmes pensados em termos formais e de conteúdo especialmente para os súditos coloniais. Tendo o Bantu Educational Kinema Experiment (1935-1936) e a Colonial Film Unit (1939-1955) como objetos de estudo, determinaremos alguns dos aspectos positivos e negativos da empreitada cinematográfica colonial britânica no continente africano.

Resumo expandido

    A partir da década de 1930, a Grã-Bretanha investiu em unidades de produção e difusão cinematográfica, tendo por público-alvo preponderante a população que vivia nas colônias subsaarianas na África. O Bantu Educational Kinema Experiment (1935-1936) e a Colonial Film Unit (1939-1955) são os melhores exemplos de tal empreitada devido ao pioneirismo do primeiro e a duração e volume de produção do segundo.
    Entre os aspectos positivos dessas unidades cinematográficas podemos destacar a difusão do cinema pelo interior das colônias africanas através do uso das chamadas “vans de cinema móvel”. É possível afirmar que tal disseminação pelo interior desses territórios só foi possível pela existência de projetos como o BEKE e a CFU, os quais não eram de caráter comercial. O desinteresse do mercado exibidor para além das grandes zonas urbanas era tão marcante que cerca de 90-95% dos espectadores dos filmes do BEKE, entre 1935 e 1936, afirmaram nunca terem visto um filme antes. Nos anos 1940 e 1950, os funcionários da Colonial Film Unit testemunharam um quadro similar.
    Outro relevante avanço foi a promoção do bem estar social através do cinema, com a produção de filmes educativos aliados a campanhas de educação e saúde. Mesmo que muitos desses títulos perpetuassem uma ideia de subdesenvolvimento, miséria e atraso da África e fossem vistos às vezes com desconfiança e indiferença por uma plateia pouco disposta a repensar suas tradições, eles cooperaram na redução da fome, do analfabetismo e das taxas de mortalidade, entre outros progressos sociais da época.
    Os últimos aspectos positivos que levantamos são a formação técnica e a assimilação de africanos enquanto parte das equipes de produção e a posterior incorporação pelos governos africanos pós-coloniais da estrutura montada pelos britânicos, mesmo que bastante simplória em alguns territórios.
    Já os aspectos e impactos negativos do colonialismo e das unidades cinematográficas são não somente mais numerosos, como também mais profundos e complexos. Primeiramente, a dominação colonial não permitiu o florescimento das indústrias cinematográficas locais. Os únicos campos passíveis de exploração econômica, a distribuição e a exibição, rapidamente foram ocupados por profissionais e empresas provenientes da Europa e dos Estados Unidos da América.
    Em segundo lugar, a empreitada cinematográfica colonial foi responsável por contribuir para a noção de “atraso” e incultura dos povos africanos. Acreditava-se tanto no poder de persuasão do cinema sobre tais populações “pouco sofisticadas” e “ingênuas”, como na inabilidade dessas em compreender corretamente a linguagem cinematográfica já em curso no mundo ocidental. O rígido controle de censura de filmes, o pequeno número de salas de cinema fora das zonas urbanas e outros fatores instituíram uma experiência particular frente ao cinema que talvez tenha impacto até hoje. Em uma sociedade dominada pelo eurocentrismo, a imagem foi por extensão contaminada por esse modo de enxergar, julgar e viver no mundo.
    As consequências desse cenário racista para a “alma”/psiquê dos africanos tem sido analisada há décadas em diversas áreas do conhecimento. Frantz Fanon (2008), por exemplo, a partir de sua formação psiquiátrica, colocou a esfera psicológica da dominação colonial no centro de suas pesquisas. Sendo o racismo o elemento estrutural do dualismo entre colonizador e colonizado, afetaria esse último por instigar nele uma negação de si mesmo e o desejo de “ocupar o lugar do outro”. Culpabilidade e inferioridade são, segundo Fanon, apenas uma das consequências dessas dialética.
    Seria o cinema portanto tão colonizador quanto o próprio colonialismo? Visto que a empreitada eurocêntrica e racista continua a todo vapor presente nos meios de comunicação, é possível afirmar que sim. A descolonização da mente, que Ngugi Wa Thiong’O (2007) invocou como fator central da superação colonial continua inalcançada, afetando negativamente a África e os africanos.

Bibliografia

    BURNS, James. Cinema and Society in the British Empire, 1895-1940. Basingstoke: Palgrave Macmillan, 2013.

    FANON, Frantz. Pele negra, máscaras brancas. Salvador: EDUFBA, 2008.

    GOMES, Tiago de Castro Machado. “Para Africano Ver” – Cinema na África Colonial Britânica. Dissertação (Mestrado) – Programa de Pós-Graduação em Comunicação, Universidade Federal Fluminense, Niterói, 2016.

    GRIEVESON, Lee; MACCABE, Colin (org.). Empire and Film. Londres: British Film Institute, 2011a.

    ______. Film and the End of Empire. Londres: British Film Institute, 2011b.

    NOTCUTT, L.A.; LATHAM, G.C. The African and the Cinema: An Account of the Work of the Bantu Educational Kinema Experiment. Londres: Edinburgh House Press, 1937.

    THIONG’O, Ngugi Wa. A descolonização da mente é um pré-requisito para a prática criativa do cinema africano? In: MELEIRO, Alessandra (Org.). Cinema no mundo: indústria, política e mercado: África. São Paulo: Escrituras Editora, 2007.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Rio de Janeiro, 28 de janeiro de 2016.

 

Carta aberta ao Ministério da Educação e Ministério da Cultura

 

Assunto: Base Nacional Comum Curricular

 

 

A SOCINE (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual) tem acompanhado os esforços de construção da Base Nacional Comum Curricular. Nosso comentário aqui irá se ater à especificidade de nossa área e sua relação com as propostas apresentadas na BNCC.

Dentro do texto preliminar do BNCC o componente curricular ARTE parte de uma grande área chamada linguagens. Dentro desta área as artes foram divididas em quatro grandes eixos: “artes visuais, dança, teatro e música”, conforme as licenciaturas específicas em arte, desconsiderando a Licenciatura em Cinema e Audiovisual (Resolução do CNE n. 10, de 27 de junho de 2006) e excluindo completamente o cinema como uma arte específica.

Foi essa subdivisão que nos trouxe uma primeira preocupação. Junto à todos esses subcomponentes da área de artes nos parece fundamental que esteja também o cinema. Esta atenção e necessidade não existe apenas porque trabalhamos e pesquisamos cinema e estamos atentos aos seus destinos, mas porque o cinema está intensamente presente na escola e na sociedade e, no momento da construção de uma base nacional para o currículo do ensino infantil, médio e fundamental as questões, contribuições e potencias do cinema na escola não podem ser excluídos.

Diversos componentes curriculares lançam mão de filmes de ficção, seriados, documentários para abordarem temas transversais e específicos de diferentes naturezas. O debate teórico que investigamos apontam para uma necessária vivência no âmbito escolar dos dispositivos cinematográficos desde a tenra idade seja para desenvolver a imaginação na Educação Infantil, na elaboração de cenários para o faz de conta, seja para a construção de identidade pessoal e cultural, seja pela singularidade da experiência sensível que o cinema possibilita.

Vale notar alguns fatos que sustentam nossa preocupação. Primeiramente o cinema é hoje obrigatório na escola. Graças à lei 13006/14, há uma obrigação de exibição de pelo menos duas horas de filmes brasileiros nas escolas. Esta lei, em vias de regulamentação, também exigirá que espaços físicos e materiais sejam garantidos nas escolas para sua efetivação, além da necessidade de uma real inclusão do cinema nas questões que tocam o currículo como um todo, transcendendo mesmo as linguagens específicas. Além de oferecer uma ampla versatilidade de conteúdo, a leitura de filmes e a própria produção audiovisual – inclusive com dispositivos móveis de comunicação – permite a professores e estudantes olhar para a realidade para descobri-la e inventá-la – gestos essenciais na produção de conhecimento.

Como bem é lembrado na proposta de BNC, “a formação em Arte acontece em licenciaturas específicas (artes visuais, dança, teatro e música)”, pois, também em licenciaturas de cinema. Embora talvez se presuma que “artes visuais” inclua de algum modo ao cinema, ele tem uma especificidade na formação do professor. Desde 2012 a Universidade Federal Fluminense possui uma licenciatura em cinema e a mobilização de outras universidade no mesmo caminho é evidente. Devemos ainda atentar à intensa contribuição que diversos programas de pós-graduação vêm dando às relações entre cinema e educação, algo que se evidência nos próprios encontros da sociedade que representamos, onde a cada ano temos diversos trabalhos e comunicações dedicados às relações do cinema com a educação.

Além da materialidade legal, de formação e de pesquisa que evidencia a íntima relação entre o cinema e a escola, a Rede Kino: Rede Latinoamericana de Educação, Cinema e Audiovisual, formada por professores e pesquisadores que trabalham na interface entre cinema e educação, vem mapeando projetos e iniciativas que se dedicam à essa interface, desde 2008. Projetos que acontecem em todo o país e que mobilizam centenas de escolas. Por fim, sabemos que o cinema é amplamente presente nas escolas por conta da contribuição que ele traz em tantas áreas, conteúdos e debates, da matemática às ciências, passando pelas histórias, geografias e humanidades em geral. Por todos esses motivos, pela intensa força pedagógica do cinema na escola, nos preocupa que no momento de construção de uma Base Curricular tão pouca atenção tenho sido dada ao cinema.

No nosso entender, a BNC deveria incluir um eixo Cinema e Audiovisual dentro do componente curricular artes, só assim garantiremos uma formação consistente em uma área decisiva da cultura contemporânea, além de uma experiência e uma habilidade em uma dimensão central das linguagens no mundo atual.

 

Atenciosamente

 

 

Cezar Migliorin

Presidente da SOCINE

  1. Prazo de pagamento da anuidade: de 1 a 24 de março; 
  2. Prazo de submissão de propostas de trabalhos para apresentação [XXI Encontro]: de 5 a 31 de março;
  3. Divulgação de propostas aprovadas para apresentação [XXI SOCINE]: 9 de junho;
  4. Período de pagamento das inscrições [XXI SOCINE]:
      • PRIMEIRO PRAZO: 3 a 13 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
      • SEGUNDO PRAZO: 14 a 24 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
      • TERCEIRO PRAZO: 25 de julho a 1 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00
  5. Chamada de candidaturas [Eleições da SOCINE]: 21 de agosto a 22 de setembro;
  6. Inscrição de ouvintes [XXI SOCINE]: a partir de 11 de setembro;
  7. Divulgação da programação [XXI SOCINE]: 19 de setembro;
  8. Divulgação das candidaturas homologadas [Eleições da SOCINE]: 29 de setembro;
  9. XXI Encontro SOCINE, na UFPB, em João Pessoa: de 17 a 20 de outubro;
  10. Eleições da SOCINE: 18 e 19 de outubro;
  11. Assembleia e posse da nova diretoria: 20 de outubro;
  12. Prazo de envio de trabalhos para os Anais de Textos Completos [XXI SOCINE]: a definir.