Ficha do Proponente

Proponente

    Paula Kimo (UFMG)

Minicurrículo

    Mestranda em Comunicação Social pela linha de pesquisa Pragmáticas da Imagem do PPGCOM-UFMG onde integra o grupo de pesquisa Poéticas da Experiência e desenvolve a dissertação Imagens de Junho: tomadas do acontecimento e a presença do sujeito-câmera. Especialista em Imagens e Culturas Midiáticas pela UFMG. Graduada em Comunicação Social pela PUC-Minas. Educadora e produtora de cinema. Atua em movimentos sociais autogestionados pela ocupação dos espaços públicos.

Ficha do Trabalho

Título

    O antecampo militante na disputa do visível

Seminário

    O comum e o cinema

Resumo

    Para discutir o “antecampo militante” nas imagens de manifestações partimos da noção de antecampo formulada por André Brasil e encontramos nela algumas provocações. Para o autor a exposição do antecampo é movida por duas demandas: o dialogismo e a reflexividade crítica. Entretanto, nas imagens de manifestações, essas demandas podem ser reposicionadas. Ademais, nos propomos a pensar a exposição do “antecampo militante” como um traço do ser-em-comum no cinema.

Resumo expandido

    Discutir a relação entre o documentarista e o acontecimento a partir de imagens de manifestações populares, tal como as jornadas de junho 2013, nos leva necessariamente à visitar os caminhos e analisar as forças que operam no momento em que as imagens foram produzidas. É olhar para a “circunstância de mundo” que incide na gênese das imagens documentais, termo definido por Fernão Ramos (1997); é olhar para as operações engendradas entre campo e fora-de-campo e que também engendram esses dois espaços. No ato fundador das imagens, independente de seus usos numa escritura fílmica ou não, há algo em comum: um sujeito que filma a partir do seu envolvimento direto na cena, uma câmera afetada pela instabilidade e pela tensão da tomada. Campo e fora-de-campo permeáveis, indissolúveis e por vezes indiscerníveis.
    Nas imagens das manifestações populares, olhar para o antecampo é, em alguma medida, analisar o que está em disputa no ato mesmo de produção das imagens, é dizer da relação entre quem filma e o que é filmado, das circunstâncias que produzem imagens e são nelas percebidas, daquilo que dali transborda para o campo. É também um gesto politicamente interessado – uma vez que o sujeito no antecampo é o manifestante que foi para o embate nas ruas e lá permaneceu, filmando, resistindo à opressão policial, indo ao encontro da pluralidade da multidão. A exposição do antecampo nas imagens das manifestações, que aqui chamamos “antecampo militante”, institui uma esfera de disputas e rupturas, e com ela, todo um campo de visibilidade. Esse gesto que se configura no acontecimento – não apenas de conflito, de separação, mas também de compartilhamento – funda o comum. Nesse sentido nos propomos a pensar a exposição deste antecampo como um traço do ser-em-comum no cinema.
    Para discutir o “antecampo militante” e entender tais relações encontramos no conceito de antecampo formulado por André Brasil (2013) algumas provocações. Para Brasil, o antecampo no cinema documentário “será um lugar, – marginal, mas constituinte – de permeabilidade entre o real e a representação” (BRASIL, 2013, p.579). Remetendo ao regime performativo das imagens a exposição do antecampo revela “um espaço ético que não deixa de ser recurso estilístico e recurso estilístico que não deixa de ser espaço ético” (BRASIL, 2013, p.578). A partir de análises do antecampo no cinema indígena e no documentário contemporâneo brasileiro, Brasil (2013) afirma que a exposição do antecampo é movida por duas demandas: o dialogismo e a reflexividade crítica.
    Na primeira, uma disposição ao diálogo torna-se constituinte do filme. Na segunda há uma estratégia crítica e política de exposição da linguagem, do dispositivo fílmico, “seu avesso anti-ilusionista”, nas palavras de Brasil (2013). Pensando nas condições de “temperatura e pressão” às quais são submetidos os corpos que filmam uma manifestação, que filmam a repressão policial do lado dos manifestantes, as demandas de dialogismo e reflexividade crítica podem ser reposicionadas. Nas análises de Brasil (2013) tais demandas configuram estratégias constituintes do filme. No caso das imagens das manifestações são outras forças que levam o antecampo a se expor.
    Para analisar os modos de exposição do “antecampo militante” iremos percorrer trechos de imagens exibidas na mostra Os Brutos. Realizada em Belo Horizonte pelo cineasta e midialivrista Daniel Carneiro a mostra começa em um chamado aberto nas redes sociais para envio de material filmado sem corte, sem edição e sem tratamento. A chamada de 2013 convocou imagens sobre as jornadas de junho, a de 2015 reuniu imagens a partir do tema mobilidade. Com o material recebido foram organizadas mostras das imagens na ordem cronológica dos acontecimentos filmados. Trazendo para a análise fílmica imagens das mostras Os Brutos de 2013 e 2015 pretendemos observar um tipo de fora-de-campo que está imiscuído no campo, exposto às forças que movem o acontecimento e incidem na gênese das imagens documentais.

Bibliografia

    AUMONT, Jacques. O olho interminável: cinema e pintura. São Paulo: Cosac Naify, 1993.
    BRASIL, André. Formas de antecampo: performatividade no documentário brasileiro contemporâneo. In: Revista Famecos. Porto Alegre, vol.15, n.3, p.578-602, 2013.
    _______________. Mise-en-abyme da cultura: a exposição do “antecampo” em Pi’õnhitsi e Mokoi Tekoá Petei Jeguatá. In: Significação. São Paulo, vol.40, n.40, p. 245-267, 2013.
    MONDZAIN, Marie-José. “A arte das imagens como poder de transformação”. In: SILVA, Rodrigo; NAZARÉ, Leonor (org). A república por vir. Lisboa: Calouste Gulbenkian, 2011.
    RANCIÈRE, Jacques. Povo ou multidões?” In: Urdimento – Revista de Estudos em Artes Cênicas / UDESC. Vol. 1, n.15, Out. 2010.
    RAMOS, Fernão Pessoa. Mas afinal…o que é mesmo documentário? São Paulo: Editora Senac, 2008.
    ________________________. A imagem-câmera. Campinas: Papirus, 2012.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Rio de Janeiro, 28 de janeiro de 2016.

 

Carta aberta ao Ministério da Educação e Ministério da Cultura

 

Assunto: Base Nacional Comum Curricular

 

 

A SOCINE (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual) tem acompanhado os esforços de construção da Base Nacional Comum Curricular. Nosso comentário aqui irá se ater à especificidade de nossa área e sua relação com as propostas apresentadas na BNCC.

Dentro do texto preliminar do BNCC o componente curricular ARTE parte de uma grande área chamada linguagens. Dentro desta área as artes foram divididas em quatro grandes eixos: “artes visuais, dança, teatro e música”, conforme as licenciaturas específicas em arte, desconsiderando a Licenciatura em Cinema e Audiovisual (Resolução do CNE n. 10, de 27 de junho de 2006) e excluindo completamente o cinema como uma arte específica.

Foi essa subdivisão que nos trouxe uma primeira preocupação. Junto à todos esses subcomponentes da área de artes nos parece fundamental que esteja também o cinema. Esta atenção e necessidade não existe apenas porque trabalhamos e pesquisamos cinema e estamos atentos aos seus destinos, mas porque o cinema está intensamente presente na escola e na sociedade e, no momento da construção de uma base nacional para o currículo do ensino infantil, médio e fundamental as questões, contribuições e potencias do cinema na escola não podem ser excluídos.

Diversos componentes curriculares lançam mão de filmes de ficção, seriados, documentários para abordarem temas transversais e específicos de diferentes naturezas. O debate teórico que investigamos apontam para uma necessária vivência no âmbito escolar dos dispositivos cinematográficos desde a tenra idade seja para desenvolver a imaginação na Educação Infantil, na elaboração de cenários para o faz de conta, seja para a construção de identidade pessoal e cultural, seja pela singularidade da experiência sensível que o cinema possibilita.

Vale notar alguns fatos que sustentam nossa preocupação. Primeiramente o cinema é hoje obrigatório na escola. Graças à lei 13006/14, há uma obrigação de exibição de pelo menos duas horas de filmes brasileiros nas escolas. Esta lei, em vias de regulamentação, também exigirá que espaços físicos e materiais sejam garantidos nas escolas para sua efetivação, além da necessidade de uma real inclusão do cinema nas questões que tocam o currículo como um todo, transcendendo mesmo as linguagens específicas. Além de oferecer uma ampla versatilidade de conteúdo, a leitura de filmes e a própria produção audiovisual – inclusive com dispositivos móveis de comunicação – permite a professores e estudantes olhar para a realidade para descobri-la e inventá-la – gestos essenciais na produção de conhecimento.

Como bem é lembrado na proposta de BNC, “a formação em Arte acontece em licenciaturas específicas (artes visuais, dança, teatro e música)”, pois, também em licenciaturas de cinema. Embora talvez se presuma que “artes visuais” inclua de algum modo ao cinema, ele tem uma especificidade na formação do professor. Desde 2012 a Universidade Federal Fluminense possui uma licenciatura em cinema e a mobilização de outras universidade no mesmo caminho é evidente. Devemos ainda atentar à intensa contribuição que diversos programas de pós-graduação vêm dando às relações entre cinema e educação, algo que se evidência nos próprios encontros da sociedade que representamos, onde a cada ano temos diversos trabalhos e comunicações dedicados às relações do cinema com a educação.

Além da materialidade legal, de formação e de pesquisa que evidencia a íntima relação entre o cinema e a escola, a Rede Kino: Rede Latinoamericana de Educação, Cinema e Audiovisual, formada por professores e pesquisadores que trabalham na interface entre cinema e educação, vem mapeando projetos e iniciativas que se dedicam à essa interface, desde 2008. Projetos que acontecem em todo o país e que mobilizam centenas de escolas. Por fim, sabemos que o cinema é amplamente presente nas escolas por conta da contribuição que ele traz em tantas áreas, conteúdos e debates, da matemática às ciências, passando pelas histórias, geografias e humanidades em geral. Por todos esses motivos, pela intensa força pedagógica do cinema na escola, nos preocupa que no momento de construção de uma Base Curricular tão pouca atenção tenho sido dada ao cinema.

No nosso entender, a BNC deveria incluir um eixo Cinema e Audiovisual dentro do componente curricular artes, só assim garantiremos uma formação consistente em uma área decisiva da cultura contemporânea, além de uma experiência e uma habilidade em uma dimensão central das linguagens no mundo atual.

 

Atenciosamente

 

 

Cezar Migliorin

Presidente da SOCINE

  1. Prazo de pagamento da anuidade: de 1 a 24 de março; 
  2. Prazo de submissão de propostas de trabalhos para apresentação [XXI Encontro]: de 5 a 31 de março;
  3. Divulgação de propostas aprovadas para apresentação [XXI SOCINE]: 9 de junho;
  4. Período de pagamento das inscrições [XXI SOCINE]:
      • PRIMEIRO PRAZO: 3 a 13 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
      • SEGUNDO PRAZO: 14 a 24 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
      • TERCEIRO PRAZO: 25 de julho a 1 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00
  5. Chamada de candidaturas [Eleições da SOCINE]: 21 de agosto a 22 de setembro;
  6. Inscrição de ouvintes [XXI SOCINE]: a partir de 11 de setembro;
  7. Divulgação da programação [XXI SOCINE]: 19 de setembro;
  8. Divulgação das candidaturas homologadas [Eleições da SOCINE]: 29 de setembro;
  9. XXI Encontro SOCINE, na UFPB, em João Pessoa: de 17 a 20 de outubro;
  10. Eleições da SOCINE: 18 e 19 de outubro;
  11. Assembleia e posse da nova diretoria: 20 de outubro;
  12. Prazo de envio de trabalhos para os Anais de Textos Completos [XXI SOCINE]: a definir.