Ficha do Proponente

Proponente

    Marcius Freire (UNICAMP)

Minicurrículo

    Professor Associado (Livre-docente) do Dept. de Cinema e do PPG em Multimeios da UNICAMP. Autor de Documentário. Ética, estética e formas de representação, além de inúmeros artigos e capítulos de livros sobre o campo fílmico. Organizou com Philippe Lourdou, Université de Paris X–Nanterre, o livro Descrever o Visível. Cinema documentário e antropologia fílmica; coedita com Manuela Penafria, Universidade da Beira Interior-Portugal, o periódico Doc on-line. Revista Digital de Cinema Documentário.

Ficha do Trabalho

Título

    Documentário e guerra fria. Chris Marker e a série “On vous parle de”

Seminário

    Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos

Resumo

    Pioneiro do filme-ensaio, militante engajado nos movimentos sociais e revolucionários no auge da guerra fria, Chris Marker coordenou, logo após os eventos de 1968, a realização de uma série de documentários de contrainformação intitulada “On vous parle de”. Dois deles se debruçaram sobre a ditadura militar brasileira: “On vous parle du Brésil: tortures” e “On vous parle du Brésil: Marighella”.A partir desses filmes examinaremos o papel do documentário nos anos de chumbo de nossa história recente

Resumo expandido

    O cinema sempre esteve presente nos grandes momentos da história, desde o seu nascimento até hoje, em suas formas e suportes os mais diversos. Segundo Christian Zimmer, em seu livro “Cinéma et politique” (1974), já em 1896, um ano apenas após o registro de sua certidão de nascimento, a Biograph roda um filme sobre a campanha do candidato William McKinley à presidência dos Estados Unidos, que venceu as eleições e vem a ser assassinado em 1901. Em 1899 Méliès e a Pathé fazem filmes sobre o “affaire Dreyfus”. Méliès queria convencer o espectador da inocência de Dreyfus e o filme foi proibido na França até 1950. Os ingleses, em 1899, tentam mobilizar a opinião pública com um filme contra o inimigo sul-africano. Um certo Cecil Hepworth realiza então “Soldados ingleses arrancam a bandeira boer”. No mesmo diapasão, os americanos exploram a guerra contra a Espanha em “Combate naval em Cuba” (1888). Vê-se, a partir desses poucos exemplos, que os políticos, governos e forças armadas, identificaram de imediato o poder de persuasão que o novo instrumento de registrar o mundo histórico abrigava. Nascia então o filme de propaganda. A partir de então, o cinema seria mais uma arma nos processos de convulsão social que eclodiram todo ao longo do século XX. A revolução russa de 1917 foi pródiga na utilização dessa arma e seus mais exímios portadores dispensam apresentações. No outro extremo do espectro ideológico, o regime nazista não foi menos prolífico no manejo do aparato cinematográfico. O uso que um e outro regimes faziam deste último tinha muitas semelhanças. Uma amostragem emblemática: a União Soviética colocou nos trilhos o trem de Medvekin; a Alemanha Nacional Socialista pôs em marcha uma série de ônibus que percorriam as autoestradas do país cortando-o em todos os quadrantes. Em comum? Ambos os engenhos possuíam equipamentos de registro, revelação e projeção de artefatos audiovisuais que faziam a alegria das populações com as quais cruzavam em seus estudados percursos. Essa afinidade em suas estratégias de propaganda levou o historiador Marc Ferro a afirmar que o cinema tinha sido acaparado por regimes “degenerados”, uma vez que as democracias burguesas eram preconceituosas em relação a ele.
    No entanto, da mesma forma que alguns poderes estabelecidos lançavam mão da máquina cinematográfica para modelar corações e mentes, grupos organizados se formavam e buscavam se servir das mesmas armas imagéticas para praticar procedimentos de contrainformação e, assim, divulgar suas ideias e denunciar as exações daqueles poderes.
    Durante a guerra fria, muitas regiões do planeta estavam sob o domínio de ditaduras, na maioria militares. A América Latina era uma dessas regiões. Aqui, movimentos de reação ao totalitarismo proliferaram, muitos deles armados, com vistas à derrubada dos tiranos e a implantação do socialismo. O cinema desempenhou o seu papel de instrumento de contrainformação e denúncia das condições sociais e políticas impostas por tais regimes. São numeras as realizações que hoje se tornaram clássicos do filme militante, como era chamado à época. Nosso objetivo nesta comunicação é explorar alguns desses filmes prospectando o papel que representaram no processo de reação à ditadura militar no Brasil. Ênfase será dada à série “On vous parle de”, realizada pelo coletivo SLON – “Société pour le lancement des œuvres nouvelles”, criado e coordenado por Chris Marker.

Bibliografia

    Avelar, José Carlos, “Seeing, Hearing, Filming: Notes on the Brazilian Documentary”, in: Johnson, Randal & Stam, Robert, Brazilian Cinema, Austin: University of Texas Press, 1982, pp. 328-339.
    Burton, Julianne (Ed.), The Social Documentary in Latin America, Pittsburgh: Latin America Series, 1990.
    Chanan, Michael, The Politics of Documentary, London: BFI, 2007.
    Guzman, Patrício. “Los desafíos de la realidad: Una entrevista con Patricio Guzmán” por Andrés e Santiago Rubín de Cellis. In Doc On-line 2008 – número 8/2010. Disponível em http://www.doc.ubi.pt/08/doc08.pdf
    Lupton, Catherine. Chris Marker. Memories of the Future, London: Reaction Books, 2006.
    Hennebelle, Guy, Gumucio-Dragon, Alfonso (Orgs), Les cinemas de l’Amérique Latine, Paris: Lherminier, 1981.
    Medvedkin, Alexander, El cine como propaganda política. 294 días sobre ruedas, Buenos Aires: Siglo Veintiuno Editores, 1973.
    Nichols, Bill. Engaging Cinema. Un Introduction do Film Studies, New York: W. W. Norton & Company, 2010.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Rio de Janeiro, 28 de janeiro de 2016.

 

Carta aberta ao Ministério da Educação e Ministério da Cultura

 

Assunto: Base Nacional Comum Curricular

 

 

A SOCINE (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual) tem acompanhado os esforços de construção da Base Nacional Comum Curricular. Nosso comentário aqui irá se ater à especificidade de nossa área e sua relação com as propostas apresentadas na BNCC.

Dentro do texto preliminar do BNCC o componente curricular ARTE parte de uma grande área chamada linguagens. Dentro desta área as artes foram divididas em quatro grandes eixos: “artes visuais, dança, teatro e música”, conforme as licenciaturas específicas em arte, desconsiderando a Licenciatura em Cinema e Audiovisual (Resolução do CNE n. 10, de 27 de junho de 2006) e excluindo completamente o cinema como uma arte específica.

Foi essa subdivisão que nos trouxe uma primeira preocupação. Junto à todos esses subcomponentes da área de artes nos parece fundamental que esteja também o cinema. Esta atenção e necessidade não existe apenas porque trabalhamos e pesquisamos cinema e estamos atentos aos seus destinos, mas porque o cinema está intensamente presente na escola e na sociedade e, no momento da construção de uma base nacional para o currículo do ensino infantil, médio e fundamental as questões, contribuições e potencias do cinema na escola não podem ser excluídos.

Diversos componentes curriculares lançam mão de filmes de ficção, seriados, documentários para abordarem temas transversais e específicos de diferentes naturezas. O debate teórico que investigamos apontam para uma necessária vivência no âmbito escolar dos dispositivos cinematográficos desde a tenra idade seja para desenvolver a imaginação na Educação Infantil, na elaboração de cenários para o faz de conta, seja para a construção de identidade pessoal e cultural, seja pela singularidade da experiência sensível que o cinema possibilita.

Vale notar alguns fatos que sustentam nossa preocupação. Primeiramente o cinema é hoje obrigatório na escola. Graças à lei 13006/14, há uma obrigação de exibição de pelo menos duas horas de filmes brasileiros nas escolas. Esta lei, em vias de regulamentação, também exigirá que espaços físicos e materiais sejam garantidos nas escolas para sua efetivação, além da necessidade de uma real inclusão do cinema nas questões que tocam o currículo como um todo, transcendendo mesmo as linguagens específicas. Além de oferecer uma ampla versatilidade de conteúdo, a leitura de filmes e a própria produção audiovisual – inclusive com dispositivos móveis de comunicação – permite a professores e estudantes olhar para a realidade para descobri-la e inventá-la – gestos essenciais na produção de conhecimento.

Como bem é lembrado na proposta de BNC, “a formação em Arte acontece em licenciaturas específicas (artes visuais, dança, teatro e música)”, pois, também em licenciaturas de cinema. Embora talvez se presuma que “artes visuais” inclua de algum modo ao cinema, ele tem uma especificidade na formação do professor. Desde 2012 a Universidade Federal Fluminense possui uma licenciatura em cinema e a mobilização de outras universidade no mesmo caminho é evidente. Devemos ainda atentar à intensa contribuição que diversos programas de pós-graduação vêm dando às relações entre cinema e educação, algo que se evidência nos próprios encontros da sociedade que representamos, onde a cada ano temos diversos trabalhos e comunicações dedicados às relações do cinema com a educação.

Além da materialidade legal, de formação e de pesquisa que evidencia a íntima relação entre o cinema e a escola, a Rede Kino: Rede Latinoamericana de Educação, Cinema e Audiovisual, formada por professores e pesquisadores que trabalham na interface entre cinema e educação, vem mapeando projetos e iniciativas que se dedicam à essa interface, desde 2008. Projetos que acontecem em todo o país e que mobilizam centenas de escolas. Por fim, sabemos que o cinema é amplamente presente nas escolas por conta da contribuição que ele traz em tantas áreas, conteúdos e debates, da matemática às ciências, passando pelas histórias, geografias e humanidades em geral. Por todos esses motivos, pela intensa força pedagógica do cinema na escola, nos preocupa que no momento de construção de uma Base Curricular tão pouca atenção tenho sido dada ao cinema.

No nosso entender, a BNC deveria incluir um eixo Cinema e Audiovisual dentro do componente curricular artes, só assim garantiremos uma formação consistente em uma área decisiva da cultura contemporânea, além de uma experiência e uma habilidade em uma dimensão central das linguagens no mundo atual.

 

Atenciosamente

 

 

Cezar Migliorin

Presidente da SOCINE

  1. Prazo de pagamento da anuidade: de 1 a 24 de março; 
  2. Prazo de submissão de propostas de trabalhos para apresentação [XXI Encontro]: de 5 a 31 de março;
  3. Divulgação de propostas aprovadas para apresentação [XXI SOCINE]: 9 de junho;
  4. Período de pagamento das inscrições [XXI SOCINE]:
      • PRIMEIRO PRAZO: 3 a 13 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
      • SEGUNDO PRAZO: 14 a 24 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
      • TERCEIRO PRAZO: 25 de julho a 1 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00
  5. Chamada de candidaturas [Eleições da SOCINE]: 21 de agosto a 22 de setembro;
  6. Inscrição de ouvintes [XXI SOCINE]: a partir de 11 de setembro;
  7. Divulgação da programação [XXI SOCINE]: 19 de setembro;
  8. Divulgação das candidaturas homologadas [Eleições da SOCINE]: 29 de setembro;
  9. XXI Encontro SOCINE, na UFPB, em João Pessoa: de 17 a 20 de outubro;
  10. Eleições da SOCINE: 18 e 19 de outubro;
  11. Assembleia e posse da nova diretoria: 20 de outubro;
  12. Prazo de envio de trabalhos para os Anais de Textos Completos [XXI SOCINE]: a definir.