Ficha do Proponente

Proponente

    Sabrina Barros Ximenes (UFC)

Minicurrículo

    Mestranda em Comunicação pela Universidade Federal do Ceará. Formada em Psicologia pela Universidade de Fortaleza. Com interesse nas áreas de cinema, psicanálise, literatura e arte.

Ficha do Trabalho

Título

    Som off e imagem no filme Viajo porque preciso, volto porque te amo

Resumo

    Esse trabalho visa explorar a questão da voz off presente no universo do filme Viajo porque preciso, volto porque te amo, de Karim Ainouz, categorizando-o como um filme-carta. O filme é todo composto por uma narrativa pessoal, ensaística, constituído por várias cartas e anotações pessoais do personagem José Renato. Pensando a relação da voz off e dos filmes-cartas e de uma perspectiva um tanto experimental nesse filme em questão, que passeia por diversos dispositivos do cinema como referências.

Resumo expandido

    Esse trabalho visa explorar a questão da voz off presente no universo do filme Viajo porque preciso, volto porque te amo, de Karim Ainouz, categorizando-o como um filme-carta. O filme é todo composto por uma narrativa pessoal, ensaística, constituído por várias cartas e anotações pessoais do personagem José Renato, geólogo. O que de início pode parecer uma grande carta de amor à esposa que ficou e para quem ele logo anseia por retornar, durante a metade do filme percebe-se que, o que talvez fosse uma carta, é um movimento de várias catarses do personagem que sai de casa para esquecer que já não há mais casamento. A própria filmagem em road movie e as imagens de seca, sertão e isolamento traçam um comparativo entre a construção do personagem na trama com aquilo que se vê nas imagens.

    O over remete à sobreposição as imagens de vozes externas, alheias à cena, enquanto o off diz respeito as vozes que estão fora de quadro, mas pertencem ao universo sonoro da cena em questão. LINS, Consuelo. 2011, p.18

    A todo momento da narrativa, a voz é apenas a do personagem que narra, com interrupções de alguns sons externos: carro, caminhão, buzina. Não há outro personagem que narre o filme. Porém, em um momento da trama, um outro personagem aparece, através de um diálogo com o personagem principal. Esse outro que irrompe em cena é Patrícia, uma garota de 22 anos, ela é interpelada por José Renato. Faz programa para sobreviver, tem uma filha e deseja uma vida melhor para as duas, uma vida-lazer como ela própria denomina. E nesse momento, o personagem que já havia aceitado finalmente que sua história com Joana, sua esposa, já não existia, se pega questionando o quanto essa vida-lazer é algo do qual ele também deseja novamente. A narrativa então ganha um novo contorno através desse relato, ele continua sua viagem, sua catarse, mas o movimento da própria câmera para as paisagens e o novo texto é de recomeço.

    A voz não se confunde simplesmente com a fala veiculada à palavra. Já a fala encadeia os significantes em uma significação, tem um endereçamento, pois quem fala quer ser escutado e compreendido. GUIMARÃES, Dinara Machado, 2004. p. 30

    É depois desse encontro entre Patrícia e José Renato que o personagem vai ressurgindo com um novo discurso amoroso, a filmagem volta a ser como de início, a partir apenas da sua perspectiva, sem diálogos. Esse momento de fissura do filme, que nem é o exato momento de virada da história e nem o fim, assinala a própria voz off como deslocada, pois ela nem está sobreposta a imagem sem correlação com ela, e nem é uma “fala livre”, como em um documentário, mas é uma imagem de voz externa, alheia ao quadro, ao mesmo tempo que interna, pois antecipa na pergunta aquilo que será respondido por quem está dentro de cena. Funciona como um resgate da memória do José Renato, imagem e som dialogando mutuamente.

    O filme-carta, fortemente associado ao ensaio, parte do diálogo entre dimensões subjetivas e objetivas da imagem, da reflexividade intrínseca à carta, demandando uma relação direta dos cineastas com as imagens, além da liberdade de lidar com materiais heterogêneos e incorporar fluxos de imagens e consciência. MIGLIORIN, Cezar. 2014, p. 10

    Assim, o que antes só acontecia no âmbito do subjetivo do personagem, sofre interferência. Como a voz off, que segura toda a trama até então precisou dessa quebra e, acima de tudo, demonstraria talvez uma fragilidade, um buraco nesse tipo de filmagem? Pensando a questão do filme-carta e do discorrer dessa trama, em particular, o conteúdo dessa cena parece fazer parte da história pelo simples motivo do dito “vida-lazer”, já que esse puxa o fio condutor final. Seria isso possível sem essa quebra? Voz off e filme-carta andam juntos, a narrativa transcorre a partir desse fluxo interno de pensamento, mas esse terceiro personagem que irrompe em cena quebra o mesmo. É essa quebra, fundamental na trama, que diz de uma experimentação de conteúdos diversos nesse filme.

Bibliografia

    MIGLIORIN, Cezar. O ensino de cinema e a experiência do filme-carta. E-compós, Brasília, v. 17, n. 1, p. 1-16, 2014. Disponível em: . Acesso em: 10 maio de 2016.

    LINS, Consuelo. Filmar o real – Sobre o documentário brasileiro contemporâneo. Rio de Janeiro: Zahar, 2011.

    GUIMARÃES, Dinara Machado. Voz na luz. Rio de Janeiro: Garamond, 2004.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Rio de Janeiro, 28 de janeiro de 2016.

 

Carta aberta ao Ministério da Educação e Ministério da Cultura

 

Assunto: Base Nacional Comum Curricular

 

 

A SOCINE (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual) tem acompanhado os esforços de construção da Base Nacional Comum Curricular. Nosso comentário aqui irá se ater à especificidade de nossa área e sua relação com as propostas apresentadas na BNCC.

Dentro do texto preliminar do BNCC o componente curricular ARTE parte de uma grande área chamada linguagens. Dentro desta área as artes foram divididas em quatro grandes eixos: “artes visuais, dança, teatro e música”, conforme as licenciaturas específicas em arte, desconsiderando a Licenciatura em Cinema e Audiovisual (Resolução do CNE n. 10, de 27 de junho de 2006) e excluindo completamente o cinema como uma arte específica.

Foi essa subdivisão que nos trouxe uma primeira preocupação. Junto à todos esses subcomponentes da área de artes nos parece fundamental que esteja também o cinema. Esta atenção e necessidade não existe apenas porque trabalhamos e pesquisamos cinema e estamos atentos aos seus destinos, mas porque o cinema está intensamente presente na escola e na sociedade e, no momento da construção de uma base nacional para o currículo do ensino infantil, médio e fundamental as questões, contribuições e potencias do cinema na escola não podem ser excluídos.

Diversos componentes curriculares lançam mão de filmes de ficção, seriados, documentários para abordarem temas transversais e específicos de diferentes naturezas. O debate teórico que investigamos apontam para uma necessária vivência no âmbito escolar dos dispositivos cinematográficos desde a tenra idade seja para desenvolver a imaginação na Educação Infantil, na elaboração de cenários para o faz de conta, seja para a construção de identidade pessoal e cultural, seja pela singularidade da experiência sensível que o cinema possibilita.

Vale notar alguns fatos que sustentam nossa preocupação. Primeiramente o cinema é hoje obrigatório na escola. Graças à lei 13006/14, há uma obrigação de exibição de pelo menos duas horas de filmes brasileiros nas escolas. Esta lei, em vias de regulamentação, também exigirá que espaços físicos e materiais sejam garantidos nas escolas para sua efetivação, além da necessidade de uma real inclusão do cinema nas questões que tocam o currículo como um todo, transcendendo mesmo as linguagens específicas. Além de oferecer uma ampla versatilidade de conteúdo, a leitura de filmes e a própria produção audiovisual – inclusive com dispositivos móveis de comunicação – permite a professores e estudantes olhar para a realidade para descobri-la e inventá-la – gestos essenciais na produção de conhecimento.

Como bem é lembrado na proposta de BNC, “a formação em Arte acontece em licenciaturas específicas (artes visuais, dança, teatro e música)”, pois, também em licenciaturas de cinema. Embora talvez se presuma que “artes visuais” inclua de algum modo ao cinema, ele tem uma especificidade na formação do professor. Desde 2012 a Universidade Federal Fluminense possui uma licenciatura em cinema e a mobilização de outras universidade no mesmo caminho é evidente. Devemos ainda atentar à intensa contribuição que diversos programas de pós-graduação vêm dando às relações entre cinema e educação, algo que se evidência nos próprios encontros da sociedade que representamos, onde a cada ano temos diversos trabalhos e comunicações dedicados às relações do cinema com a educação.

Além da materialidade legal, de formação e de pesquisa que evidencia a íntima relação entre o cinema e a escola, a Rede Kino: Rede Latinoamericana de Educação, Cinema e Audiovisual, formada por professores e pesquisadores que trabalham na interface entre cinema e educação, vem mapeando projetos e iniciativas que se dedicam à essa interface, desde 2008. Projetos que acontecem em todo o país e que mobilizam centenas de escolas. Por fim, sabemos que o cinema é amplamente presente nas escolas por conta da contribuição que ele traz em tantas áreas, conteúdos e debates, da matemática às ciências, passando pelas histórias, geografias e humanidades em geral. Por todos esses motivos, pela intensa força pedagógica do cinema na escola, nos preocupa que no momento de construção de uma Base Curricular tão pouca atenção tenho sido dada ao cinema.

No nosso entender, a BNC deveria incluir um eixo Cinema e Audiovisual dentro do componente curricular artes, só assim garantiremos uma formação consistente em uma área decisiva da cultura contemporânea, além de uma experiência e uma habilidade em uma dimensão central das linguagens no mundo atual.

 

Atenciosamente

 

 

Cezar Migliorin

Presidente da SOCINE

  1. Prazo de pagamento da anuidade: de 1 a 24 de março; 
  2. Prazo de submissão de propostas de trabalhos para apresentação [XXI Encontro]: de 5 a 31 de março;
  3. Divulgação de propostas aprovadas para apresentação [XXI SOCINE]: 9 de junho;
  4. Período de pagamento das inscrições [XXI SOCINE]:
      • PRIMEIRO PRAZO: 3 a 13 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
      • SEGUNDO PRAZO: 14 a 24 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
      • TERCEIRO PRAZO: 25 de julho a 1 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00
  5. Chamada de candidaturas [Eleições da SOCINE]: 21 de agosto a 22 de setembro;
  6. Inscrição de ouvintes [XXI SOCINE]: a partir de 11 de setembro;
  7. Divulgação da programação [XXI SOCINE]: 19 de setembro;
  8. Divulgação das candidaturas homologadas [Eleições da SOCINE]: 29 de setembro;
  9. XXI Encontro SOCINE, na UFPB, em João Pessoa: de 17 a 20 de outubro;
  10. Eleições da SOCINE: 18 e 19 de outubro;
  11. Assembleia e posse da nova diretoria: 20 de outubro;
  12. Prazo de envio de trabalhos para os Anais de Textos Completos [XXI SOCINE]: a definir.