Ficha do Proponente

Proponente

    Heitor Benjamim Campos (UENF)

Minicurrículo

    Doutorando em Sociologia Política pelo Programa de Pós-Graduação em Sociologia Política da Universidade Estadual do Norte Fluminense, Mestre em Sociologia Política e graduado em Ciências Sociais pela Universidade Federal Fluminense. Tem experiência na área de Sociologia, atuando principalmente nos seguintes temas: gosto cinematográfico, movimentos culturais e envelhecimento. É integrante do grupo de pesquisa Cidades, Espaços Públicos e Periferias (CEP28/UFF) coordenado pela profª Jussara Freire.

Ficha do Trabalho

Título

    O cinema à prova da opinião

Seminário

    Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos

Resumo

    É objetivo desta comunicação compreender a dinâmica da relação dos atores sociais com seus públicos na situação homem-cinema. Como metodologia, grupos de setenta e duas pessoas estão a assistir e a opinar diversas obras cinematográficas. A partir de suas críticas é que tecemos possíveis conexões entre as formas de qualificação do gosto cinematográfico e os regimes de envolvimento da ação que fundamentam essa mesma qualificação.

Resumo expandido

    André Bazin foi categórico ao mencionar o comportamento do público após a exibição do filme Le Mystère Picasso de Henri-Georges Clouzot: “os admiradores adoram ainda mais e os que não gostam de Picasso confirmam seu desprezo” (BAZIN, 1985:178). E assim, o teórico francês vai tecendo sua crítica a partir dessas diferentes opiniões a respeito de uma mesma obra cinematográfica: de um lado, talvez os defensores de um realismo clássico da arte figurativa; e de outro, quem sabe, aqueles que se deleitam entre as sinuosas formas e diversas geometrias da arte cubista.
    Encontramo-nos diante da seguinte situação: espectadores estão a qualificar o filme como bom ou ruim a partir de uma opinião que os mesmos tem a respeito da arte cubista; e que não fosse esse o parâmetro em questão: em setenta e oito minutos de filme, é possível encontrarmos diversos outros elementos em Le Mystère Picasso que irão compor a nossa apreciação estética. Mas serão mesmo apenas elementos estéticos que estão em jogo em nosso gosto cinematográfico?
    Será que o simples fato de eu emitir uma opinião a respeito do estilo artístico desenvolvido pelo protagonista do filme eu estaria também utilizando de outros juízos além do puramente estético? Segundo Deleuze (2001), dificilmente encontraríamos uma resposta para isso. O gosto nada mais é que uma composição de diversos julgamentos. Encontramos em nosso cotidiano diversas situações em que essa análise deleuziana faria muito sentido: é possível uma pessoa declaradamente homofóbica emitir um juízo estético a respeito de Brokeback Mountain do Ang Lee isento de qualquer julgamento moral? Ou mesmo um racista ser imparcial e apreciar esteticamente Mississippi Burning do Alan Parker? Acredito ser possível, sim, que qualifiquem o filme como bom, mas impossível que isso aconteça sem que arranjos morais sejam construídos entre o ator social e a obra cinematográfica.
    Uma cena de um filme, portanto, é estética, ela tem tão logo uma disposição moral; ela assim assume essa postura de acordo com os elementos e comportamentos transmitidos no contexto da imagem e de como, então, esses mesmos serão percebidos e sentidos pelo espectador. A partir do momento em que este emite a sua opinião, ele exprime uma atitude, ele apresenta uma conduta. Assim sendo, o comportamento humano é um ato de engajamento em uma determinada moralidade. São as escolhas e julgamentos dos atores sociais que lhes situam moralmente no mundo social.
    Alguns desdobramentos são possíveis de nos fazer pensar: será que existe algo a mais que faz com que muitas pessoas concordem ou não numa apreciação estética? Será possível estabelecermos algum tipo de padrão frente a diversidade de opiniões emitidas de uma mesma obra cinematográfica? Existe alguma força de atração para que diferentes pessoas comunguem de uma mesma opinião?
    Para tentar responder essas indagações será necessário dar uma nova conotação para esta que está sendo o fio condutor de minhas análises: a opinião. Será necessário deixarmos o campo da estética e da crítica pelo da socialização. O objeto de estudo não é mais, em última instância, a opinião, mas sim a opinião pública, a opinião partilhada. “Esta cessa de ser uma especulação filosófica e transfere-se para as ciências sociais, do mesmo modo que abandona a individualidade pelo coletivo por um processo ao mesmo tempo epistemológico e social, em que a quantificação adquire um papel decisivo” (TARDE, 1992:21).

Bibliografia

    BAZIN, Andre. O cinema – ensaios. São Paulo: Editora Brasiliense, 1985.
    DELEUZE, Gilles. Empirismo e subjetividade. São Paulo: 34, 2001.
    TARDE, Gabriel. A opinião e as massas. São Paulo: Martins Fontes, 1992.
    THÉVENOT, Laurent. Les investissements de forme. In: THÉVENOT, L. Conventions économiques, Paris: Presses Universitaires de France, 1986.
    WRIGHT MILLS, Charles. Situated Actions and Vocabularies of Motive. American Sociological Review, v. 5, n. 6, 2006.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Rio de Janeiro, 28 de janeiro de 2016.

 

Carta aberta ao Ministério da Educação e Ministério da Cultura

 

Assunto: Base Nacional Comum Curricular

 

 

A SOCINE (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual) tem acompanhado os esforços de construção da Base Nacional Comum Curricular. Nosso comentário aqui irá se ater à especificidade de nossa área e sua relação com as propostas apresentadas na BNCC.

Dentro do texto preliminar do BNCC o componente curricular ARTE parte de uma grande área chamada linguagens. Dentro desta área as artes foram divididas em quatro grandes eixos: “artes visuais, dança, teatro e música”, conforme as licenciaturas específicas em arte, desconsiderando a Licenciatura em Cinema e Audiovisual (Resolução do CNE n. 10, de 27 de junho de 2006) e excluindo completamente o cinema como uma arte específica.

Foi essa subdivisão que nos trouxe uma primeira preocupação. Junto à todos esses subcomponentes da área de artes nos parece fundamental que esteja também o cinema. Esta atenção e necessidade não existe apenas porque trabalhamos e pesquisamos cinema e estamos atentos aos seus destinos, mas porque o cinema está intensamente presente na escola e na sociedade e, no momento da construção de uma base nacional para o currículo do ensino infantil, médio e fundamental as questões, contribuições e potencias do cinema na escola não podem ser excluídos.

Diversos componentes curriculares lançam mão de filmes de ficção, seriados, documentários para abordarem temas transversais e específicos de diferentes naturezas. O debate teórico que investigamos apontam para uma necessária vivência no âmbito escolar dos dispositivos cinematográficos desde a tenra idade seja para desenvolver a imaginação na Educação Infantil, na elaboração de cenários para o faz de conta, seja para a construção de identidade pessoal e cultural, seja pela singularidade da experiência sensível que o cinema possibilita.

Vale notar alguns fatos que sustentam nossa preocupação. Primeiramente o cinema é hoje obrigatório na escola. Graças à lei 13006/14, há uma obrigação de exibição de pelo menos duas horas de filmes brasileiros nas escolas. Esta lei, em vias de regulamentação, também exigirá que espaços físicos e materiais sejam garantidos nas escolas para sua efetivação, além da necessidade de uma real inclusão do cinema nas questões que tocam o currículo como um todo, transcendendo mesmo as linguagens específicas. Além de oferecer uma ampla versatilidade de conteúdo, a leitura de filmes e a própria produção audiovisual – inclusive com dispositivos móveis de comunicação – permite a professores e estudantes olhar para a realidade para descobri-la e inventá-la – gestos essenciais na produção de conhecimento.

Como bem é lembrado na proposta de BNC, “a formação em Arte acontece em licenciaturas específicas (artes visuais, dança, teatro e música)”, pois, também em licenciaturas de cinema. Embora talvez se presuma que “artes visuais” inclua de algum modo ao cinema, ele tem uma especificidade na formação do professor. Desde 2012 a Universidade Federal Fluminense possui uma licenciatura em cinema e a mobilização de outras universidade no mesmo caminho é evidente. Devemos ainda atentar à intensa contribuição que diversos programas de pós-graduação vêm dando às relações entre cinema e educação, algo que se evidência nos próprios encontros da sociedade que representamos, onde a cada ano temos diversos trabalhos e comunicações dedicados às relações do cinema com a educação.

Além da materialidade legal, de formação e de pesquisa que evidencia a íntima relação entre o cinema e a escola, a Rede Kino: Rede Latinoamericana de Educação, Cinema e Audiovisual, formada por professores e pesquisadores que trabalham na interface entre cinema e educação, vem mapeando projetos e iniciativas que se dedicam à essa interface, desde 2008. Projetos que acontecem em todo o país e que mobilizam centenas de escolas. Por fim, sabemos que o cinema é amplamente presente nas escolas por conta da contribuição que ele traz em tantas áreas, conteúdos e debates, da matemática às ciências, passando pelas histórias, geografias e humanidades em geral. Por todos esses motivos, pela intensa força pedagógica do cinema na escola, nos preocupa que no momento de construção de uma Base Curricular tão pouca atenção tenho sido dada ao cinema.

No nosso entender, a BNC deveria incluir um eixo Cinema e Audiovisual dentro do componente curricular artes, só assim garantiremos uma formação consistente em uma área decisiva da cultura contemporânea, além de uma experiência e uma habilidade em uma dimensão central das linguagens no mundo atual.

 

Atenciosamente

 

 

Cezar Migliorin

Presidente da SOCINE

  1. Prazo de pagamento da anuidade: de 1 a 24 de março; 
  2. Prazo de submissão de propostas de trabalhos para apresentação [XXI Encontro]: de 5 a 31 de março;
  3. Divulgação de propostas aprovadas para apresentação [XXI SOCINE]: 9 de junho;
  4. Período de pagamento das inscrições [XXI SOCINE]:
      • PRIMEIRO PRAZO: 3 a 13 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
      • SEGUNDO PRAZO: 14 a 24 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
      • TERCEIRO PRAZO: 25 de julho a 1 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00
  5. Chamada de candidaturas [Eleições da SOCINE]: 21 de agosto a 22 de setembro;
  6. Inscrição de ouvintes [XXI SOCINE]: a partir de 11 de setembro;
  7. Divulgação da programação [XXI SOCINE]: 19 de setembro;
  8. Divulgação das candidaturas homologadas [Eleições da SOCINE]: 29 de setembro;
  9. XXI Encontro SOCINE, na UFPB, em João Pessoa: de 17 a 20 de outubro;
  10. Eleições da SOCINE: 18 e 19 de outubro;
  11. Assembleia e posse da nova diretoria: 20 de outubro;
  12. Prazo de envio de trabalhos para os Anais de Textos Completos [XXI SOCINE]: a definir.