Ficha do Proponente

Proponente

    Victor Ribeiro Guimarães (UFMG)

Minicurrículo

    Doutorando em Comunicação Social pela UFMG. Crítico na revista Cinética desde 2012, foi professor do curso de Cinema e Audiovisual do Centro Universitário UNA, um dos coordenadores de programação do Festival Internacional de Curtas de Belo Horizonte (2014) e integrante das comissões de seleção do forumdoc.bh (desde 2012). Tem críticas e ensaios publicados em revistas como Lumière (Espanha), Senses of Cinema (Austrália), Desistfilm (Peru) e La Furia Umana (Itália).

Ficha do Trabalho

Título

    Esboços de uma teoria do documentário em Aloysio Raulino

Seminário

    Teoria dos Cineastas

Resumo

    O trabalho pretende extrair reflexões de natureza teórica sobre o cinema documentário a partir da análise imanente de O Tigre e a Gazela (1976), filme em que Aloysio Raulino investiga, de forma metacinematográfica, as relações entre o artista e o povo. Aproximando-o de alguns ensaios canônicos sobre o documentário brasileiro, pretendemos tratar o filme como um ato teórico singular, que tem o potencial de oferecer insights sobre a tradição e contribuições para o pensamento contemporâneo.

Resumo expandido

    Em O Tigre e a Gazela, curta-metragem fotografado, montado e dirigido por Aloysio Raulino em 1976, as imagens documentais – especialmente aquelas forjadas no encontro com sujeitos marginalizados no espaço urbano – são constantemente intercaladas com um conjunto de fragmentos literários, provenientes (sobretudo, mas não exclusivamente) da obra de Frantz Fanon. As conexões e os atritos produzidos entre as imagens, o texto e a música (de Luiz Melodia a Milton Nascimento, passando por hinos patrióticos brasileiros) são da ordem da fricção, e resultam não apenas em um belíssimo poema dedicado aos moradores de rua, aos loucos e aos foliões que povoam a cidade, mas em um “ato teórico” (AUMONT, 2008) que busca investigar as relações – tensas, intrincadas, conflituosas – entre o artista e o povo.
    Esse binômio, tão crucial para o pensamento sobre o documentário no Brasil – tradição que tantas vezes buscou interrogar a linguagem “como o palco de conflitos ideológicos e estéticos dos cineastas na sua relação com a temática popular” –, como escreveu Jean-Claude Bernardet (2003, p. 9) –, está presente em toda a obra de Raulino, mas é encampado de forma explícita e tratado como reflexão metacinematográfica em O Tigre e a Gazela. É curioso, nesse sentido, que o filme tenha escapado à filmografia de Cineastas e imagens do povo, uma vez que sua envergadura teórica é tão evidente quanto a de Congo (1972), de Arthur Omar. Um dos objetivos do trabalho é justamente contribuir para saldar essa dívida histórica, que vem sendo reconhecida pelo próprio Bernardet em intervenções recentes.
    Diferentemente de Congo, no entanto, O Tigre e a Gazela não foi acompanhado à época de um manifesto publicado pelo autor, como é o caso de “O anti-documentário, provisoriamente” (OMAR, 1978). Essa ausência de um texto reflexivo também é um fator que nos compele à análise imanente, que busca extrair da obra uma elaboração de natureza conceitual. Partimos da necessidade, enunciada por Nicole Brenez, de “colocar sempre confiança no filme, assumindo sempre que um filme pode pensar tão bem quanto um texto teórico” (BRENEZ, 2010, p. 70).
    Logo no início, sobre a imagem da limpeza de um par de óculos, a narração enuncia: “O cálculo, os silêncios insólitos, as segundas intenções, o espírito subterrâneo, o segredo, tudo isso o intelectual vai abandonando à medida que imerge no povo”. O desnudamento e a entrega preconizados por Fanon serão encampados materialmente pela câmera 16mm, que imerge na multidão pedestre de forma epidérmica. A encenação rechaça tanto a distância observacional quanto a entrevista, e se entrega peremptoriamente a um embate campal com os corpos, em uma proximidade visceral que atinge a granulação e o desfoque na figuração tátil da pele negra pela fotografia em preto e branco, altamente contrastada.
    De um lado, há um investimento em traduzir formalmente, em termos cinematográficos, as ideias de Fanon (intelectual importante para toda uma geração do cinema latino-americano, de Glauber Rocha a Fernando Solanas), como na acentuação do contraste que esbranquiça a negritude e remonta às teses de Pele negra, máscaras brancas (FANON, 2008). De outro, o filme excede largamente a circunscrição fanoniana e formula uma reflexão própria, que conjuga o ímpeto documental às intervenções ensaísticas da montagem vertical. Na encenação da frontalidade singular dos olhares dos transeuntes, há tanto a fulguração do encontro quanto a reflexividade proporcionada pelo atrito com os excertos musicais e literários.
    O olhar-câmera, figura-chave da obra de Raulino, aparece aqui em sua elaboração mais reflexiva, tomado como um laboratório constante para investigar, a cada plano, as tensões entre quem é filmado, quem filma e quem olha. O Tigre e a Gazela vislumbra o cinema documentário como um mergulho sensível na espessura das distâncias, uma dança vertiginosa sobre a superfície das cisões, um salto de corpo inteiro no abismo entre os cineastas, o povo e o espectador.

Bibliografia

    AUMONT, Jacques. “Pode um filme ser um ato de teoria?”. In: Revista Educação e Realidade, nº 33 (1), jan/jun 2008, PP. 21-34.
    BERNARDET, Jean-Claude. Cineastas e Imagens do Povo. São Paulo: Companhia das Letras, 2003.
    ______________________. “A discreta revolução de Aloysio Raulino”. In: CARDOSO VALE, Glaura (org.). Catálogo do 17º Forum.doc BH. Belo Horizonte: Associação Filmes de Quintal, 2013.
    BRENEZ, Nicole. “Paris, 18 de agosto de 1997”. In: ROSENBAUM, Jonathan & MARTIN, Adrian (coord.). Mutaciones del cine contemporáneo. Madrid: Errata Naturae, 2010, pp. 77-86.
    FANON, Frantz. Os condenados da terra. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1968.
    _____________. Pele negra, máscaras brancas. Salvador: EDUFBA, 2008.
    OMAR, Arthur. “O antidocumentário, provisoriamente”. In: Revista de Cultura Vozes nº 6, ano 72, 1978, p. 405-418.
    TEIXEIRA, Francisco Elinaldo. Documentário no Brasil: tradição e transformação. São Paulo: Summus, 2004.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Rio de Janeiro, 28 de janeiro de 2016.

 

Carta aberta ao Ministério da Educação e Ministério da Cultura

 

Assunto: Base Nacional Comum Curricular

 

 

A SOCINE (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual) tem acompanhado os esforços de construção da Base Nacional Comum Curricular. Nosso comentário aqui irá se ater à especificidade de nossa área e sua relação com as propostas apresentadas na BNCC.

Dentro do texto preliminar do BNCC o componente curricular ARTE parte de uma grande área chamada linguagens. Dentro desta área as artes foram divididas em quatro grandes eixos: “artes visuais, dança, teatro e música”, conforme as licenciaturas específicas em arte, desconsiderando a Licenciatura em Cinema e Audiovisual (Resolução do CNE n. 10, de 27 de junho de 2006) e excluindo completamente o cinema como uma arte específica.

Foi essa subdivisão que nos trouxe uma primeira preocupação. Junto à todos esses subcomponentes da área de artes nos parece fundamental que esteja também o cinema. Esta atenção e necessidade não existe apenas porque trabalhamos e pesquisamos cinema e estamos atentos aos seus destinos, mas porque o cinema está intensamente presente na escola e na sociedade e, no momento da construção de uma base nacional para o currículo do ensino infantil, médio e fundamental as questões, contribuições e potencias do cinema na escola não podem ser excluídos.

Diversos componentes curriculares lançam mão de filmes de ficção, seriados, documentários para abordarem temas transversais e específicos de diferentes naturezas. O debate teórico que investigamos apontam para uma necessária vivência no âmbito escolar dos dispositivos cinematográficos desde a tenra idade seja para desenvolver a imaginação na Educação Infantil, na elaboração de cenários para o faz de conta, seja para a construção de identidade pessoal e cultural, seja pela singularidade da experiência sensível que o cinema possibilita.

Vale notar alguns fatos que sustentam nossa preocupação. Primeiramente o cinema é hoje obrigatório na escola. Graças à lei 13006/14, há uma obrigação de exibição de pelo menos duas horas de filmes brasileiros nas escolas. Esta lei, em vias de regulamentação, também exigirá que espaços físicos e materiais sejam garantidos nas escolas para sua efetivação, além da necessidade de uma real inclusão do cinema nas questões que tocam o currículo como um todo, transcendendo mesmo as linguagens específicas. Além de oferecer uma ampla versatilidade de conteúdo, a leitura de filmes e a própria produção audiovisual – inclusive com dispositivos móveis de comunicação – permite a professores e estudantes olhar para a realidade para descobri-la e inventá-la – gestos essenciais na produção de conhecimento.

Como bem é lembrado na proposta de BNC, “a formação em Arte acontece em licenciaturas específicas (artes visuais, dança, teatro e música)”, pois, também em licenciaturas de cinema. Embora talvez se presuma que “artes visuais” inclua de algum modo ao cinema, ele tem uma especificidade na formação do professor. Desde 2012 a Universidade Federal Fluminense possui uma licenciatura em cinema e a mobilização de outras universidade no mesmo caminho é evidente. Devemos ainda atentar à intensa contribuição que diversos programas de pós-graduação vêm dando às relações entre cinema e educação, algo que se evidência nos próprios encontros da sociedade que representamos, onde a cada ano temos diversos trabalhos e comunicações dedicados às relações do cinema com a educação.

Além da materialidade legal, de formação e de pesquisa que evidencia a íntima relação entre o cinema e a escola, a Rede Kino: Rede Latinoamericana de Educação, Cinema e Audiovisual, formada por professores e pesquisadores que trabalham na interface entre cinema e educação, vem mapeando projetos e iniciativas que se dedicam à essa interface, desde 2008. Projetos que acontecem em todo o país e que mobilizam centenas de escolas. Por fim, sabemos que o cinema é amplamente presente nas escolas por conta da contribuição que ele traz em tantas áreas, conteúdos e debates, da matemática às ciências, passando pelas histórias, geografias e humanidades em geral. Por todos esses motivos, pela intensa força pedagógica do cinema na escola, nos preocupa que no momento de construção de uma Base Curricular tão pouca atenção tenho sido dada ao cinema.

No nosso entender, a BNC deveria incluir um eixo Cinema e Audiovisual dentro do componente curricular artes, só assim garantiremos uma formação consistente em uma área decisiva da cultura contemporânea, além de uma experiência e uma habilidade em uma dimensão central das linguagens no mundo atual.

 

Atenciosamente

 

 

Cezar Migliorin

Presidente da SOCINE

  1. Prazo de pagamento da anuidade: de 1 a 24 de março; 
  2. Prazo de submissão de propostas de trabalhos para apresentação [XXI Encontro]: de 5 a 31 de março;
  3. Divulgação de propostas aprovadas para apresentação [XXI SOCINE]: 9 de junho;
  4. Período de pagamento das inscrições [XXI SOCINE]:
      • PRIMEIRO PRAZO: 3 a 13 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
      • SEGUNDO PRAZO: 14 a 24 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
      • TERCEIRO PRAZO: 25 de julho a 1 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00
  5. Chamada de candidaturas [Eleições da SOCINE]: 21 de agosto a 22 de setembro;
  6. Inscrição de ouvintes [XXI SOCINE]: a partir de 11 de setembro;
  7. Divulgação da programação [XXI SOCINE]: 19 de setembro;
  8. Divulgação das candidaturas homologadas [Eleições da SOCINE]: 29 de setembro;
  9. XXI Encontro SOCINE, na UFPB, em João Pessoa: de 17 a 20 de outubro;
  10. Eleições da SOCINE: 18 e 19 de outubro;
  11. Assembleia e posse da nova diretoria: 20 de outubro;
  12. Prazo de envio de trabalhos para os Anais de Textos Completos [XXI SOCINE]: a definir.