Ficha do Proponente

Proponente

    Dinaldo Sepúlveda Almendra Filho (UNILA)

Minicurrículo

    Doutor em Sociologia (IESP-UERJ) e Mestre em Comunicação Social (PUC-Rio). Professor da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA), no Curso de Cinema e Audiovisual e no Mestrado em Literatura Comparada. Líder do Núcleo de Estudos em Estética e Política dos Imaginários (NEPI), grupo do CNPq com a pesquisa “Imaginários urbanos latino-americanos: cinemas e cidades nas margens da modernidade tardia”. Autor do livro “Os mistérios do Carandiru: cárcere, massacre e cultura de massas”.

Ficha do Trabalho

Título

    Figurações da justiça no “cine de la marginalidad”

Seminário

    Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais

Resumo

    Este texto analisa as figurações da justiça no cinema dos anos 1990 e 2000, relacionando a ficção produzida no regime estético definido por Christian León como “el cine de la marginalidad” com o conceito de “justiça como lealdade ampliada” no discurso político de Richard Rorty. Como resultado, reconhece as oscilações dos sensos do justo nas ações e na moralidade dos personagens típicos da “estética do desencanto” ou da “dramaturgia do desamparo” associadas aos espaços urbanos latino-americanos.

Resumo expandido

    Este texto analisa as figurações da justiça no cinema dos anos 1990 e 2000, relacionando a ficção produzida pelo “cine de la marginalidad” (León, 2005) com o conceito de “justiça como lealdade ampliada” no discurso político de Richard Rorty (2005). Observa, assim, as oscilações dos sensos do justo nas ações e na moralidade de personagens da “estética do desencanto” ou da “dramaturgia do desamparo”, associadas aos espaços urbanos das cidades latino-americanas.

    Na virada do século, o cinema político deslocou a sua atenção das lutas nacionais para as redes globais de cidades periféricas. A ficção privilegiou a encenação dos espaços urbanos problemáticos e violentos, habitados por personagens que protagonizam histórias de marginalidade social atualizadas em um regime estético “pós-utópico”. Rodrigo D No futuro (Victor Gaviria, 1990), Pizza, Birra, Faso (Adrián Caetano e Bruno Stagnaro, 1998), Ratas, ratones e rateros (Sebastián Cordero, 1999), Cidade de Deus (Fernando Meirelles, 2002), El oso rojo (Adrian Caetano, 2002) ou La Playa DC (Juan Andres Arango, 2012), dentre outros, desligaram-se ou colocaram em perspectiva os conceitos do discurso político moderno que embasavam os enunciados visuais do Nuevo Cine Latinoamericano (NCL): “revolução”, “povo” e “nação” (León, 2005, p. 22). Estes são conceitos cujos horizontes políticos delinearam um forte senso de justiça de obrigação moral universal, ligado à construção dos imaginários cinematográficos dos problemas sociais e culturais da América Latina. O cinema deveria ser, em um sentido heroico, porta voz do povo e de um destino coletivo mais justo.

    O que acontece com o conceito de justiça no discurso ficcional, quando desvinculado de obrigação moral universal? Com o esgotamento do paradigma estético e político de 1970 e após a crise de 1980 (Avellar, 1995; Ruffinelli, 2013; del Río, 2013), os filmes que tematizam as cidades em 1990 e 2000 não deixaram de evocar as heranças do NCL e do neorrealismo italiano ao mesmo tempo em que apresentaram novos matizes, rupturas e metamorfoses. Ou, então, hibridizaram-se com gêneros de ação hollywoodianos para criar, no vocabulário da comunidade interpretativa, categorias estéticas instáveis e politicamente problemáticas como “favela effect” (Mennell, 2008) ou “realismo de periferia” (Figueiredo, 2010). Merece destaque “el cine de la marginalidad” ou “realismo sucio”, que enfoca os problemas sociais e culturais “desde la realidad cotidiana y corporal de seres excluidos (…) temáticas menores de los sujetos marginales, la imposibilidad de futuro, la violencia callejera y la cotidianidad en la gran urbe” (León, 2005, p. 30).

    Partindo dos filmes acima mencionados, o texto analisará as figurações da justiça em uma dramaturgia da incerteza e de conflitos sem redenção, caracterizada por personagens errantes e sem destino, cujas ações e dramas cotidianos são regidos pela experiência de risco e pela flutuação dos sensos do justo. O primeiro objetivo é demonstrar quais conceitos de justiça “pós-utópicos” são tornados tangíveis e sensíveis na encenação das cidades a partir de tramas, de ações dramáticas e de escolhas que os personagens fazem diante de dilemas morais contingentes, dissociados dos ideais de “povo” ou “nação”. O segundo objetivo é relacionar o discurso ficcional com o que Rorty (2005) chamou, no discurso político, de “justiça como lealdade ampliada”: conflitos morais caracterizados pela ampliação e inclusão de pessoas nos nossos círculos de pertencimento comum por razões de justiça, ou a restrição e a exclusão de pessoas por sentimentos de lealdade. No “cine de la marginalidad”, as oscilações dos sensos do justo entre “justiça” e “lealdade” revelam-se matéria-prima da ficção urbana latino-americana: a vida de pessoas comuns, dilaceradas moral e emocionalmente por conflitos entre concepções do justo orientadas para o bem comum ou permeadas pelo individualismo, pelo ressentimento e pela vontade de vingança.

Bibliografia

    AVELLAR, José Carlos. A ponte clandestina.Rio de Janeiro/São Paulo: Editora 34, 1995.

    LEÓN, Christian. El cine de la marginalidad: realismo sucio y violencia urbana. Quito: Ediciones Abya-Yala/Universidad Andina Simón Bolívar, 2005.

    MENNEL, Barbara. Cinema and cities. London: Routledge, 2008.

    MILLELIRI, Carole. Le cinéma de banlieue: un genre instable. Mise au point. Cahiers de l’association française des enseignants chercheurs en cinéma et audiovisuel, nº. 3, abr. 2011. Disponível em:

    RÍO, Joel del. Primícias y reciclajes del siglo XXI. In: TORCHIA, Edgar Soberón. Los cines de America Latina y el Caribe. (1970-2010). San Antonio de Los Baños: Ediciones EICTV, 2013.

    RORTY, Richard. A justiça como lealdade ampliada. In: Pragmatismo e política. São Paulo: Martins Fontes, 2005

    RUFFINELLI, Jorge. Los años 90: volver al futuro. In: TORCHIA, Edgar Soberón. Los cines de America Latina y el Caribe. (1970-2010). San Antonio de Los Baños: Ediciones EICTV,

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Rio de Janeiro, 28 de janeiro de 2016.

 

Carta aberta ao Ministério da Educação e Ministério da Cultura

 

Assunto: Base Nacional Comum Curricular

 

 

A SOCINE (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual) tem acompanhado os esforços de construção da Base Nacional Comum Curricular. Nosso comentário aqui irá se ater à especificidade de nossa área e sua relação com as propostas apresentadas na BNCC.

Dentro do texto preliminar do BNCC o componente curricular ARTE parte de uma grande área chamada linguagens. Dentro desta área as artes foram divididas em quatro grandes eixos: “artes visuais, dança, teatro e música”, conforme as licenciaturas específicas em arte, desconsiderando a Licenciatura em Cinema e Audiovisual (Resolução do CNE n. 10, de 27 de junho de 2006) e excluindo completamente o cinema como uma arte específica.

Foi essa subdivisão que nos trouxe uma primeira preocupação. Junto à todos esses subcomponentes da área de artes nos parece fundamental que esteja também o cinema. Esta atenção e necessidade não existe apenas porque trabalhamos e pesquisamos cinema e estamos atentos aos seus destinos, mas porque o cinema está intensamente presente na escola e na sociedade e, no momento da construção de uma base nacional para o currículo do ensino infantil, médio e fundamental as questões, contribuições e potencias do cinema na escola não podem ser excluídos.

Diversos componentes curriculares lançam mão de filmes de ficção, seriados, documentários para abordarem temas transversais e específicos de diferentes naturezas. O debate teórico que investigamos apontam para uma necessária vivência no âmbito escolar dos dispositivos cinematográficos desde a tenra idade seja para desenvolver a imaginação na Educação Infantil, na elaboração de cenários para o faz de conta, seja para a construção de identidade pessoal e cultural, seja pela singularidade da experiência sensível que o cinema possibilita.

Vale notar alguns fatos que sustentam nossa preocupação. Primeiramente o cinema é hoje obrigatório na escola. Graças à lei 13006/14, há uma obrigação de exibição de pelo menos duas horas de filmes brasileiros nas escolas. Esta lei, em vias de regulamentação, também exigirá que espaços físicos e materiais sejam garantidos nas escolas para sua efetivação, além da necessidade de uma real inclusão do cinema nas questões que tocam o currículo como um todo, transcendendo mesmo as linguagens específicas. Além de oferecer uma ampla versatilidade de conteúdo, a leitura de filmes e a própria produção audiovisual – inclusive com dispositivos móveis de comunicação – permite a professores e estudantes olhar para a realidade para descobri-la e inventá-la – gestos essenciais na produção de conhecimento.

Como bem é lembrado na proposta de BNC, “a formação em Arte acontece em licenciaturas específicas (artes visuais, dança, teatro e música)”, pois, também em licenciaturas de cinema. Embora talvez se presuma que “artes visuais” inclua de algum modo ao cinema, ele tem uma especificidade na formação do professor. Desde 2012 a Universidade Federal Fluminense possui uma licenciatura em cinema e a mobilização de outras universidade no mesmo caminho é evidente. Devemos ainda atentar à intensa contribuição que diversos programas de pós-graduação vêm dando às relações entre cinema e educação, algo que se evidência nos próprios encontros da sociedade que representamos, onde a cada ano temos diversos trabalhos e comunicações dedicados às relações do cinema com a educação.

Além da materialidade legal, de formação e de pesquisa que evidencia a íntima relação entre o cinema e a escola, a Rede Kino: Rede Latinoamericana de Educação, Cinema e Audiovisual, formada por professores e pesquisadores que trabalham na interface entre cinema e educação, vem mapeando projetos e iniciativas que se dedicam à essa interface, desde 2008. Projetos que acontecem em todo o país e que mobilizam centenas de escolas. Por fim, sabemos que o cinema é amplamente presente nas escolas por conta da contribuição que ele traz em tantas áreas, conteúdos e debates, da matemática às ciências, passando pelas histórias, geografias e humanidades em geral. Por todos esses motivos, pela intensa força pedagógica do cinema na escola, nos preocupa que no momento de construção de uma Base Curricular tão pouca atenção tenho sido dada ao cinema.

No nosso entender, a BNC deveria incluir um eixo Cinema e Audiovisual dentro do componente curricular artes, só assim garantiremos uma formação consistente em uma área decisiva da cultura contemporânea, além de uma experiência e uma habilidade em uma dimensão central das linguagens no mundo atual.

 

Atenciosamente

 

 

Cezar Migliorin

Presidente da SOCINE

  1. Prazo de pagamento da anuidade: de 1 a 24 de março; 
  2. Prazo de submissão de propostas de trabalhos para apresentação [XXI Encontro]: de 5 a 31 de março;
  3. Divulgação de propostas aprovadas para apresentação [XXI SOCINE]: 9 de junho;
  4. Período de pagamento das inscrições [XXI SOCINE]:
      • PRIMEIRO PRAZO: 3 a 13 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
      • SEGUNDO PRAZO: 14 a 24 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
      • TERCEIRO PRAZO: 25 de julho a 1 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00
  5. Chamada de candidaturas [Eleições da SOCINE]: 21 de agosto a 22 de setembro;
  6. Inscrição de ouvintes [XXI SOCINE]: a partir de 11 de setembro;
  7. Divulgação da programação [XXI SOCINE]: 19 de setembro;
  8. Divulgação das candidaturas homologadas [Eleições da SOCINE]: 29 de setembro;
  9. XXI Encontro SOCINE, na UFPB, em João Pessoa: de 17 a 20 de outubro;
  10. Eleições da SOCINE: 18 e 19 de outubro;
  11. Assembleia e posse da nova diretoria: 20 de outubro;
  12. Prazo de envio de trabalhos para os Anais de Textos Completos [XXI SOCINE]: a definir.