Ficha do Proponente

Proponente

    Cristian Borges (USP)

Minicurrículo

    Professor do Departamento de Cinema, Rádio e Televisão e do Programa de Pós-Graduação em Meios e Processos Audiovisuais da USP, com auxílio à pesquisa da FAPESP. Doutor em Cinema e Audiovisual pela Universidade de Paris 3, fez pós-doutorado com bolsa FAPESP na NYU (2013-14) e Columbia University (2012), foi professor da UFF (2000-03) e professor convidado da Universidad Iberoamericana do México (2013). Cineasta e curador de mostras, é também vice-coordenador do LAICA e coeditor da revista Laika.

Ficha do Trabalho

Título

    Corpos em transe: estudo sobre a lógica do fluido de Jean Epstein

Seminário

    Corpo, gesto, performance e mise en scène

Resumo

    Se as imagens, como os sons, produzem ecos, estes revelam corpos espectrais cujos rastros nos acompanham mesmo após a projeção. Esses corpos que se multiplicam, se atravessam e se espalham pelo fluxo espaço-temporal respondem a um transe provocado não por uma intervenção psíquica ou espiritual, mas puramente imagética, dentro do que Epstein denominou lógica do fluido. Exploraremos essa noção à luz das pesquisas de Marey sobre os fluidos e do curta Retorno à rua Éolo (2013), de Maria Kourkouta.

Resumo expandido

    Jean Epstein, em Bonjour Cinéma, livro de 1921, já conjugava o sujeito do olhar e o objeto fugidio desse mesmo olhar ao elogiar a “dança da paisagem”, que ele considera eminentemente fotogênica, capturada através da janela de um trem, navio, avião ou automóvel em alta velocidade. Mas é somente num texto escrito nos anos 1940 e publicado postumamente, em 1975, que Epstein chegará a uma formulação perfeita para esse caráter intrinsecamente movente dos filmes: a “lógica do fluido”, contrária a toda uma tradição filosófica que teria, desde os gregos, privilegiado os ideais imutáveis (o elemento sólido, a dureza, a força, a constância) em detrimento da fragilidade, da suavidade, da instabilidade e da inconstância. Ele prossegue fazendo o elogio do cinema como a arte, a técnica e o espetáculo que teria, ainda mais que o desenvolvimento industrial e dos meios de transporte, libertado o imaginário humano de seu imobilismo e, por que não dizer, de seu conservadorismo atávicos. Assim, o cinema possuiria um espaço em movimento constante, provocado por “deslocamentos mal definidos de espectros, cuja forma também é mutável, que se comportam como fluidos” (Epstein, 1975).
    Por outro lado, ao propor no mesmo texto uma “lógica de tempo variável”, Epstein afirma que somente o cinema consegue ralentar ou acelerar o mundo mantendo uma efetiva continuidade sensível e revelando maravilhas que o olho nu desconhece – o que explicaria a profusão, inclusive em obras audiovisuais contemporâneas, da manipulação da velocidade da imagem a fim de se atingir efeitos de frenesi ou letargia impressionantes.
    Étienne-Jules Marey, como parte de seu incansável trabalho com os métodos gráficos de registro do movimento, desenvolveu na fase final de sua carreira pesquisas sobre a dinâmica de fluidos, como o sangue, empenhando-se particularmente no estudo dos movimentos do ar, para o qual criaria uma espantosa máquina de fumaça (1899-1901). Trabalhando ao mesmo tempo com “imagens de fluxo e fluxo de imagens”, Marey joga com a beleza movente (que se faz e se desfaz), integrando “à própria imagem aquilo que é fluido e mutável” (Didi-Huberman, 2004).
    Ao articular esses dois trabalhos tão diferentes e complexos – de um lado, a noção teórica apenas esboçada por Epstein, de outro, a prática estético-científica de Marey –, tentaremos compreender como a fluidez das imagens fílmicas afeta os corpos captados pela câmera, a partir da análise pontual de trechos do curta metragem da cineasta grega Maria Kourkouta, Retorno à rua Éolo (2013).
    Entre cronofotografias animadas e found footage manipulado em computador, perceberemos que os corpos fantasmagóricos (no sentido de fantasmagoria, ou seja, a arte de se criar fantasmas numa sala escura com o auxílio de ilusões de óptica) do cinema, que se multiplicam, se atravessam e se espalham pelo fluxo espaço-temporal, ecoando a si próprios, respondem a uma espécie de transe provocado não por uma intervenção psíquica ou espiritual, mas puramente imagética.

Bibliografia

    AUMONT, Jacques (dir.). Jean Epstein: Cinéaste, poète, philosophe. Paris: Cinémathèque Française, 1998.

    DE FONT-RÉAULX, Dominique; LEFEBVRE; Thierry; MANNONI, Laurent (dir.). EJ Marey: Actes du colloque de centenaire. Paris: Arcadia, 2006.

    DIDI-HUBERMAN, Georges; MANNONI, Laurent. Mouvements de l’air: Etienne-Jules Marey, photographe des fluides. Paris: Gallimard, 2004.

    EPSTEIN, Jean. Écrits sur le cinéma. Tomos 1-2. Paris: Seghers, 1974-75.

    GUIDO, Laurent; LUGON, Olivier (dir.). Fixe/ Animé. Croisements de la photographie et du cinéma au XXe siècle. Lausanne: l’Âge d’Homme, 2010.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Rio de Janeiro, 28 de janeiro de 2016.

 

Carta aberta ao Ministério da Educação e Ministério da Cultura

 

Assunto: Base Nacional Comum Curricular

 

 

A SOCINE (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual) tem acompanhado os esforços de construção da Base Nacional Comum Curricular. Nosso comentário aqui irá se ater à especificidade de nossa área e sua relação com as propostas apresentadas na BNCC.

Dentro do texto preliminar do BNCC o componente curricular ARTE parte de uma grande área chamada linguagens. Dentro desta área as artes foram divididas em quatro grandes eixos: “artes visuais, dança, teatro e música”, conforme as licenciaturas específicas em arte, desconsiderando a Licenciatura em Cinema e Audiovisual (Resolução do CNE n. 10, de 27 de junho de 2006) e excluindo completamente o cinema como uma arte específica.

Foi essa subdivisão que nos trouxe uma primeira preocupação. Junto à todos esses subcomponentes da área de artes nos parece fundamental que esteja também o cinema. Esta atenção e necessidade não existe apenas porque trabalhamos e pesquisamos cinema e estamos atentos aos seus destinos, mas porque o cinema está intensamente presente na escola e na sociedade e, no momento da construção de uma base nacional para o currículo do ensino infantil, médio e fundamental as questões, contribuições e potencias do cinema na escola não podem ser excluídos.

Diversos componentes curriculares lançam mão de filmes de ficção, seriados, documentários para abordarem temas transversais e específicos de diferentes naturezas. O debate teórico que investigamos apontam para uma necessária vivência no âmbito escolar dos dispositivos cinematográficos desde a tenra idade seja para desenvolver a imaginação na Educação Infantil, na elaboração de cenários para o faz de conta, seja para a construção de identidade pessoal e cultural, seja pela singularidade da experiência sensível que o cinema possibilita.

Vale notar alguns fatos que sustentam nossa preocupação. Primeiramente o cinema é hoje obrigatório na escola. Graças à lei 13006/14, há uma obrigação de exibição de pelo menos duas horas de filmes brasileiros nas escolas. Esta lei, em vias de regulamentação, também exigirá que espaços físicos e materiais sejam garantidos nas escolas para sua efetivação, além da necessidade de uma real inclusão do cinema nas questões que tocam o currículo como um todo, transcendendo mesmo as linguagens específicas. Além de oferecer uma ampla versatilidade de conteúdo, a leitura de filmes e a própria produção audiovisual – inclusive com dispositivos móveis de comunicação – permite a professores e estudantes olhar para a realidade para descobri-la e inventá-la – gestos essenciais na produção de conhecimento.

Como bem é lembrado na proposta de BNC, “a formação em Arte acontece em licenciaturas específicas (artes visuais, dança, teatro e música)”, pois, também em licenciaturas de cinema. Embora talvez se presuma que “artes visuais” inclua de algum modo ao cinema, ele tem uma especificidade na formação do professor. Desde 2012 a Universidade Federal Fluminense possui uma licenciatura em cinema e a mobilização de outras universidade no mesmo caminho é evidente. Devemos ainda atentar à intensa contribuição que diversos programas de pós-graduação vêm dando às relações entre cinema e educação, algo que se evidência nos próprios encontros da sociedade que representamos, onde a cada ano temos diversos trabalhos e comunicações dedicados às relações do cinema com a educação.

Além da materialidade legal, de formação e de pesquisa que evidencia a íntima relação entre o cinema e a escola, a Rede Kino: Rede Latinoamericana de Educação, Cinema e Audiovisual, formada por professores e pesquisadores que trabalham na interface entre cinema e educação, vem mapeando projetos e iniciativas que se dedicam à essa interface, desde 2008. Projetos que acontecem em todo o país e que mobilizam centenas de escolas. Por fim, sabemos que o cinema é amplamente presente nas escolas por conta da contribuição que ele traz em tantas áreas, conteúdos e debates, da matemática às ciências, passando pelas histórias, geografias e humanidades em geral. Por todos esses motivos, pela intensa força pedagógica do cinema na escola, nos preocupa que no momento de construção de uma Base Curricular tão pouca atenção tenho sido dada ao cinema.

No nosso entender, a BNC deveria incluir um eixo Cinema e Audiovisual dentro do componente curricular artes, só assim garantiremos uma formação consistente em uma área decisiva da cultura contemporânea, além de uma experiência e uma habilidade em uma dimensão central das linguagens no mundo atual.

 

Atenciosamente

 

 

Cezar Migliorin

Presidente da SOCINE

  1. Prazo de pagamento da anuidade: de 1 a 24 de março; 
  2. Prazo de submissão de propostas de trabalhos para apresentação [XXI Encontro]: de 5 a 31 de março;
  3. Divulgação de propostas aprovadas para apresentação [XXI SOCINE]: 9 de junho;
  4. Período de pagamento das inscrições [XXI SOCINE]:
      • PRIMEIRO PRAZO: 3 a 13 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
      • SEGUNDO PRAZO: 14 a 24 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
      • TERCEIRO PRAZO: 25 de julho a 1 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00
  5. Chamada de candidaturas [Eleições da SOCINE]: 21 de agosto a 22 de setembro;
  6. Inscrição de ouvintes [XXI SOCINE]: a partir de 11 de setembro;
  7. Divulgação da programação [XXI SOCINE]: 19 de setembro;
  8. Divulgação das candidaturas homologadas [Eleições da SOCINE]: 29 de setembro;
  9. XXI Encontro SOCINE, na UFPB, em João Pessoa: de 17 a 20 de outubro;
  10. Eleições da SOCINE: 18 e 19 de outubro;
  11. Assembleia e posse da nova diretoria: 20 de outubro;
  12. Prazo de envio de trabalhos para os Anais de Textos Completos [XXI SOCINE]: a definir.