Ficha do Proponente

Proponente

    Letizia Osorio Nicoli (UNICAMP)

Minicurrículo

    Letizia Osorio Nicoli é jornalista, graduada pela PUCRS, mestre em Multimeios pela UNICAMP, e atualmente desenvolve sua pesquisa de doutorado pelo mesmo programa, sob a orientação do Prof. Dr. Marcius Freire. Atuou como diretora de imagens, editora e montadora em televisão, vídeo e cinema. Dedica-se ao estudo de cinema documentário, representações sociais e a criança no cinema.

Ficha do Trabalho

Título

    O menor no documentário: influências da televisão e do Vídeo Popular

Resumo

    A comunicação propõe uma análise da representação da figura do menor no documentário brasileiro contemporâneo, identificando sua inserção em uma tradição do audiovisual de não-ficção no país voltada a essa temática. Centramos nosso estudo em títulos de longa-metragem lançados na última década e, para esta comunicação, focaremo-nos em dois exemplos: Falcão, meninos do tráfico (2006), de MV Bill e Celso Athayde, e Juízo (2008), de Maria Augusta Ramos.

Resumo expandido

    A partir de nossa pesquisa de doutorado sobre a representação da infância no documentário brasileiro no século XXI, propomos esta comunicação, que configura um excerto focado na representação do menor. A partir da análise de filmes que têm como temática a chamada “questão do menor”, identificamos fortes traços já presentes em experiências audiovisuais anteriores a tais filmes.
    Mais especificamente, interessa-nos demonstrar aqui a influência, presente nesses documentários, de duas experiências pontuais: o programa televisivo Globo Shell/Globo Repórter, da década de 1970, e o Vídeo Popular, das décadas de 1980 e 1990. Trata-se de dois momentos marcantes no audiovisual de não-ficção no Brasil, que seguiam uma tradição de crítica e denúncia de problemas sociais.
    No entanto, o mais importante desses dois exemplos para nossa pesquisa é o fato de ambos terem produzido títulos dedicados à temática do menor. Dentre eles, destacamos A escola de 40 mil ruas (1974) e Wilsinho Galiléia (1979), de João Batista de Andrade, e Febem – o começo do fim (1990), de Rita Moreira. Uma análise comparativa entre essas empreitadas e os documentários desta última década (exemplificados, nesta comunicação, pelos filmes Falcão, meninos do tráfico e Juízo) sugere três pontos de aproximação entre os títulos contemporâneos e seus antecessores, que buscaremos explorar mais detidamente na comunicação.
    Em primeiro lugar, a construção da enunciação em todos esses filmes busca valorizar a expressão do(s) menor(es) como sujeitos-enunciadores. Tal valorização teve um importante papel nos filmes de João Batista de Andrade, como o próprio diretor afirmou em entrevista (SOBRINHO, 2012). Tal ideia se coaduna com as discussões propostas por Nichols (2005) quando defende a realização documental como o ato de “dar voz a”. Buscaremos desenvolver as particularidades dessas relações de subjetificação, alteridade e representação em relação ao sujeito “menor”.
    Outro aspecto que queremos discutir são os procedimentos estéticos adotados por esses documentários, que refletem as peculiaridades de se realizar filmes com sujeitos regidos por uma legislação específica. Aqui cabe salientar que os filmes Falcão (…) e Juízo, ao contrário de seus antecessores, estão submetidos às determinações do Estatuto da Criança e do Adolescente, o que significou a necessidade de proteger a identidade de seus sujeitos. Por outro lado, os documentários de João Batista de Andrade para a televisão tiveram de enfrentar as limitações da censura. Nossa intenção é verificar como procedimentos estéticos marcantes nesses filmes, como a manipulação de imagens e a encenação, relacionam-se diretamente com sua temática e sua abordagem, além de levarem adiante escolhas de seus antecessores, estabelecendo uma espécie de tradição.
    Por último, é importante verificar como o modo de realização dos filmes da última década (e, mais notadamente, de Falcão, meninos do tráfico) se inspira no modelo de produção do Vídeo Popular, sobretudo no que diz respeito às relações institucionais e à inspiração na tradição de coletivos.
    É importante ainda ressaltar as relações entre esses documentários e seus contextos históricos, para conjecturarmos as origens das semelhanças apontadas. Retomaremos brevemente o repertório imagético acerca do menor, criado pela imprensa e pelas fontes históricas desde o princípio do período republicano brasileiro, para demonstrar como todos os audiovisuais aqui mencionados buscam romper com tal repertório. Tal rompimento pode ser percebido em todos os três aspectos em que nossa análise se detém. Com isso, reforça-se a estreita relação entre estética e modos de produção e o caráter político de um significativo ramo do documentário brasileiro.

Bibliografia

    FRONTANA, Isabel C. R. da Cunha. Crianças e adolescentes nas ruas de São Paulo. São Paulo: Edições Loyola, 1999.
    NICHOLS, Bill. Introdução ao Documentário. Campinas: Papirus, 2016.
    RIBEIRO, Ivete; BARBOSA, Mª de Lourdes (org.). Menor e sociedade brasileira. São Paulo: Edições Loyola, 1987.
    SMITH, Debbie James. Big-eyed, wide-eyed, sad-eyed children: constructing the humanitarian space in social justice documentaries. In: Studies in documentary films. Vol. 3, no. 2, 2009.
    SOBRINHO, Gilberto Alexandre. João Batista de Andrade e o moderno documentário brasileiro: intervenção, ruptura e reflexão. In: Rebeca – Revista Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual, ano I, nº2, 2012.
    __________. João Batista de Andrade, o cinema de intervenção e a voz política: corpos, dramatização e encenação do real. In: JULIANO, Dilma Beatriz Rocha; SOBRINHO, Gilberto Alexandre; ROSSINI, Miriam de Souza (org.). Televisão: formas audiovisuais de ficção e documentário. Palhoça: Editora Unisul, 2013.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Rio de Janeiro, 28 de janeiro de 2016.

 

Carta aberta ao Ministério da Educação e Ministério da Cultura

 

Assunto: Base Nacional Comum Curricular

 

 

A SOCINE (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual) tem acompanhado os esforços de construção da Base Nacional Comum Curricular. Nosso comentário aqui irá se ater à especificidade de nossa área e sua relação com as propostas apresentadas na BNCC.

Dentro do texto preliminar do BNCC o componente curricular ARTE parte de uma grande área chamada linguagens. Dentro desta área as artes foram divididas em quatro grandes eixos: “artes visuais, dança, teatro e música”, conforme as licenciaturas específicas em arte, desconsiderando a Licenciatura em Cinema e Audiovisual (Resolução do CNE n. 10, de 27 de junho de 2006) e excluindo completamente o cinema como uma arte específica.

Foi essa subdivisão que nos trouxe uma primeira preocupação. Junto à todos esses subcomponentes da área de artes nos parece fundamental que esteja também o cinema. Esta atenção e necessidade não existe apenas porque trabalhamos e pesquisamos cinema e estamos atentos aos seus destinos, mas porque o cinema está intensamente presente na escola e na sociedade e, no momento da construção de uma base nacional para o currículo do ensino infantil, médio e fundamental as questões, contribuições e potencias do cinema na escola não podem ser excluídos.

Diversos componentes curriculares lançam mão de filmes de ficção, seriados, documentários para abordarem temas transversais e específicos de diferentes naturezas. O debate teórico que investigamos apontam para uma necessária vivência no âmbito escolar dos dispositivos cinematográficos desde a tenra idade seja para desenvolver a imaginação na Educação Infantil, na elaboração de cenários para o faz de conta, seja para a construção de identidade pessoal e cultural, seja pela singularidade da experiência sensível que o cinema possibilita.

Vale notar alguns fatos que sustentam nossa preocupação. Primeiramente o cinema é hoje obrigatório na escola. Graças à lei 13006/14, há uma obrigação de exibição de pelo menos duas horas de filmes brasileiros nas escolas. Esta lei, em vias de regulamentação, também exigirá que espaços físicos e materiais sejam garantidos nas escolas para sua efetivação, além da necessidade de uma real inclusão do cinema nas questões que tocam o currículo como um todo, transcendendo mesmo as linguagens específicas. Além de oferecer uma ampla versatilidade de conteúdo, a leitura de filmes e a própria produção audiovisual – inclusive com dispositivos móveis de comunicação – permite a professores e estudantes olhar para a realidade para descobri-la e inventá-la – gestos essenciais na produção de conhecimento.

Como bem é lembrado na proposta de BNC, “a formação em Arte acontece em licenciaturas específicas (artes visuais, dança, teatro e música)”, pois, também em licenciaturas de cinema. Embora talvez se presuma que “artes visuais” inclua de algum modo ao cinema, ele tem uma especificidade na formação do professor. Desde 2012 a Universidade Federal Fluminense possui uma licenciatura em cinema e a mobilização de outras universidade no mesmo caminho é evidente. Devemos ainda atentar à intensa contribuição que diversos programas de pós-graduação vêm dando às relações entre cinema e educação, algo que se evidência nos próprios encontros da sociedade que representamos, onde a cada ano temos diversos trabalhos e comunicações dedicados às relações do cinema com a educação.

Além da materialidade legal, de formação e de pesquisa que evidencia a íntima relação entre o cinema e a escola, a Rede Kino: Rede Latinoamericana de Educação, Cinema e Audiovisual, formada por professores e pesquisadores que trabalham na interface entre cinema e educação, vem mapeando projetos e iniciativas que se dedicam à essa interface, desde 2008. Projetos que acontecem em todo o país e que mobilizam centenas de escolas. Por fim, sabemos que o cinema é amplamente presente nas escolas por conta da contribuição que ele traz em tantas áreas, conteúdos e debates, da matemática às ciências, passando pelas histórias, geografias e humanidades em geral. Por todos esses motivos, pela intensa força pedagógica do cinema na escola, nos preocupa que no momento de construção de uma Base Curricular tão pouca atenção tenho sido dada ao cinema.

No nosso entender, a BNC deveria incluir um eixo Cinema e Audiovisual dentro do componente curricular artes, só assim garantiremos uma formação consistente em uma área decisiva da cultura contemporânea, além de uma experiência e uma habilidade em uma dimensão central das linguagens no mundo atual.

 

Atenciosamente

 

 

Cezar Migliorin

Presidente da SOCINE

  1. Prazo de pagamento da anuidade: de 1 a 24 de março; 
  2. Prazo de submissão de propostas de trabalhos para apresentação [XXI Encontro]: de 5 a 31 de março;
  3. Divulgação de propostas aprovadas para apresentação [XXI SOCINE]: 9 de junho;
  4. Período de pagamento das inscrições [XXI SOCINE]:
      • PRIMEIRO PRAZO: 3 a 13 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
      • SEGUNDO PRAZO: 14 a 24 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
      • TERCEIRO PRAZO: 25 de julho a 1 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00
  5. Chamada de candidaturas [Eleições da SOCINE]: 21 de agosto a 22 de setembro;
  6. Inscrição de ouvintes [XXI SOCINE]: a partir de 11 de setembro;
  7. Divulgação da programação [XXI SOCINE]: 19 de setembro;
  8. Divulgação das candidaturas homologadas [Eleições da SOCINE]: 29 de setembro;
  9. XXI Encontro SOCINE, na UFPB, em João Pessoa: de 17 a 20 de outubro;
  10. Eleições da SOCINE: 18 e 19 de outubro;
  11. Assembleia e posse da nova diretoria: 20 de outubro;
  12. Prazo de envio de trabalhos para os Anais de Textos Completos [XXI SOCINE]: a definir.