Ficha do Proponente

Proponente

    Daiane Freitas Guimarães Gonçalves (Unicamp)

Minicurrículo

    Graduação em Letras habilitação em Português/ Francês pela Unesp de Araraquara. Mestranda do programa de pós-graduação em Multimeios da Universidade Estadual de Campinas. Atua como professora de Língua Portuguesa no Centro Paula Souza e da Prefeitura Municipal de Barueri e desenvolve projeto de Cinema na escola no Centro Paula Souza. Projeto de pesquisa em desenvolvimento com foco nos estudos atorais em especial na atuação do ator britânico Daniel Day Lewis.

Ficha do Trabalho

Título

    Da história ao mito: os biopics de Henry Fonda e Daniel Day Lewis

Seminário

    Corpo, gesto, performance e mise en scène

Resumo

    Pretende-se neste estudo fazer uma breve apresentação de análise atoral em filmes considerados biopics. O objeto de estudo será os trabalhos de atuação desenvolvidos por Henry Fonda em “Young Mr. Lincoln” (1939), com direção de John Ford, e Daniel Day-Lewis, em “Lincoln” (2012) de Steven Spilberg, ambos como Abraham Lincoln. Usando como parâmetro os conceitos abordados por Christophe Damour na análise do jogo atoral, irá se analisar a criação de um Lincoln histórico contrário ao mito Lincoln.

Resumo expandido

    No estudo sobre o ator cinematográfico ainda há discussões carentes de análises, como é o caso do estudo sobre atuações em filmes considerados biopics, mesmo sendo um gênero muito utilizado nas grandes indústrias cinematográficas, ele ainda é uma categoria pouco explorada pelos estudos cinematográficos, pois segundo afirmações de Belén Vidal (2014) os filmes biopics não são bem vistos quanto a sua estética e que os classificam como fórmulas prontas de premiações, como exemplo, o Oscar.
    Dessa forma, os estudos voltados a atuação biopic, acabam por se tornar escassos, por isso esse trabalho tentará visualizar os pontos principais que envolvem a caracterização do jogo atoral biopic. Levando em consideração a afirmação de Vidal “The actor is the cornerstone to the biopic’s edifice of historical allusion”, o ator é quem dá a força para a narrativa biográfica. Nesse sentido, será feita uma análise quanto o gestual de atores que interpretaram o mesmo personagem real o ex-presidente norte-americano, Abraham Lincoln. No caso, os atores Henry Fonda e Daniel Day Lewis, nos filmes Young Mr. Lincoln (1939) e Lincoln (2012), respectivamente.
    Nesse contexto, pretende-se analisar o conceito de construção realista do personagem, já que para um biopic parte-se do pressuposto que o ator construirá seu personagem com elementos mais próximos possíveis da realidade, para que haja a verossimilhança com o ser biografado, no entanto, o caso de estudo, aqui expresso, leva em consideração a personagem viva que foi biografada, pois o presidente Lincoln sendo um indivíduo da primeira metade do século XIX, a construção que se tem desse personagem centra-se em relatos históricos e algumas imagens, não sabemos o seu comportamento real, seu tom de voz, ou seja, suas características efetivas físicas, sociais e psicológicas. Mas na afirmação de Belén Vidal é o ator que vai construir todo esse imaginário, a veracidade necessária para que o expectador acredite que Abraham Lincoln era daquela forma tal qual o filme evidencia, criando assim a memória social coletiva.
    Em Lincoln de Spilberg, Day-Lewis deu vida ao que supostamente foi criado no imaginário do expectador, a semelhança física foi muito próximo à imagem que conhecemos do ex-presidente norte-americano Abraham Lincoln. No entanto, o que a história não consegue nos dá efetivamente Lewis construiu, através de formas corporais, expressões e tom de voz, que criou uma memória social coletiva a respeito de Lincoln, pode-se dizer que a representação de Lewis consolida o mito Lincoln. Já em outra linha temos o ator Henry Fonda que dará vida a um Lincoln na juventude. E esse contexto foi explorado no filme de Ford, para representar a transição do jovem Lincoln histórico para o Lincoln mito. Percebe-se em sua atuação registros mais contidos, seguindo uma outra linha do que foi abordado por Lewis.
    A partir dessas reflexões serão feitas análises atorais de comparação entre Henry Fonda e Daniel Day Lewis na construção da figura do Lincoln. Tendo como base as análises do gestual desenvolvidas por Christophe Damour, em especial do artigo “Paon ou caméléon ? L’acteur face à l’incarnation du personnage réel” presente na coletânea Biopics: de la realité à la fiction. Dessa forma, será levantada uma abordagem de discussão ainda pouco desenvolvida sobre a atuação biopic, em especial com o que condiz na importância das escolhas do ator para categorizar o filme como biopic.

Bibliografia

    BROWN, Tom; VIDAL, Bélen. The biopic in contemporany film culture. New York and London: Taylor & Francis Group, 2014.
    CHESHIRE, Ellen. Bio-pics: a life in pictures. United States of America: Columbia University Press, 2015
    CUSTEN, George F. Bio/Pics: How Hollywood Constructed Public History. United States of American: Library of Congress, 1992.
    DAMOUR, Christophe Damour. Al Pacino: le denier tragédien. Collection Jeux d’acteurs. France: Scope Editions, 2009.
    FONTANEL, Rémi. Biopic: de la realité à la fiction. CinémAction. v. 139, 2011.
    LINCOLN. Direção: Steven Spilberg. [S.I.]: Touchstone Pictures, 2012. (2h 30 min).
    SICINSKI, Michael. Truthiness is strangerthan fictition: the “New Biopic”. In: The Wiley-Blackwell History of American Film, First Edition, 2012.
    SMYTH, J. E. Hollywood as historian, 1929 – 1945. In: The Wiley-Blackwell History of American Film, First Edition, 2012.
    YOUNG Mr. Lincoln. Direção: John Ford. [S.I]: Twentieth Century Fox Film Corporation. 1939 (1h 40 min).

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Rio de Janeiro, 28 de janeiro de 2016.

 

Carta aberta ao Ministério da Educação e Ministério da Cultura

 

Assunto: Base Nacional Comum Curricular

 

 

A SOCINE (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual) tem acompanhado os esforços de construção da Base Nacional Comum Curricular. Nosso comentário aqui irá se ater à especificidade de nossa área e sua relação com as propostas apresentadas na BNCC.

Dentro do texto preliminar do BNCC o componente curricular ARTE parte de uma grande área chamada linguagens. Dentro desta área as artes foram divididas em quatro grandes eixos: “artes visuais, dança, teatro e música”, conforme as licenciaturas específicas em arte, desconsiderando a Licenciatura em Cinema e Audiovisual (Resolução do CNE n. 10, de 27 de junho de 2006) e excluindo completamente o cinema como uma arte específica.

Foi essa subdivisão que nos trouxe uma primeira preocupação. Junto à todos esses subcomponentes da área de artes nos parece fundamental que esteja também o cinema. Esta atenção e necessidade não existe apenas porque trabalhamos e pesquisamos cinema e estamos atentos aos seus destinos, mas porque o cinema está intensamente presente na escola e na sociedade e, no momento da construção de uma base nacional para o currículo do ensino infantil, médio e fundamental as questões, contribuições e potencias do cinema na escola não podem ser excluídos.

Diversos componentes curriculares lançam mão de filmes de ficção, seriados, documentários para abordarem temas transversais e específicos de diferentes naturezas. O debate teórico que investigamos apontam para uma necessária vivência no âmbito escolar dos dispositivos cinematográficos desde a tenra idade seja para desenvolver a imaginação na Educação Infantil, na elaboração de cenários para o faz de conta, seja para a construção de identidade pessoal e cultural, seja pela singularidade da experiência sensível que o cinema possibilita.

Vale notar alguns fatos que sustentam nossa preocupação. Primeiramente o cinema é hoje obrigatório na escola. Graças à lei 13006/14, há uma obrigação de exibição de pelo menos duas horas de filmes brasileiros nas escolas. Esta lei, em vias de regulamentação, também exigirá que espaços físicos e materiais sejam garantidos nas escolas para sua efetivação, além da necessidade de uma real inclusão do cinema nas questões que tocam o currículo como um todo, transcendendo mesmo as linguagens específicas. Além de oferecer uma ampla versatilidade de conteúdo, a leitura de filmes e a própria produção audiovisual – inclusive com dispositivos móveis de comunicação – permite a professores e estudantes olhar para a realidade para descobri-la e inventá-la – gestos essenciais na produção de conhecimento.

Como bem é lembrado na proposta de BNC, “a formação em Arte acontece em licenciaturas específicas (artes visuais, dança, teatro e música)”, pois, também em licenciaturas de cinema. Embora talvez se presuma que “artes visuais” inclua de algum modo ao cinema, ele tem uma especificidade na formação do professor. Desde 2012 a Universidade Federal Fluminense possui uma licenciatura em cinema e a mobilização de outras universidade no mesmo caminho é evidente. Devemos ainda atentar à intensa contribuição que diversos programas de pós-graduação vêm dando às relações entre cinema e educação, algo que se evidência nos próprios encontros da sociedade que representamos, onde a cada ano temos diversos trabalhos e comunicações dedicados às relações do cinema com a educação.

Além da materialidade legal, de formação e de pesquisa que evidencia a íntima relação entre o cinema e a escola, a Rede Kino: Rede Latinoamericana de Educação, Cinema e Audiovisual, formada por professores e pesquisadores que trabalham na interface entre cinema e educação, vem mapeando projetos e iniciativas que se dedicam à essa interface, desde 2008. Projetos que acontecem em todo o país e que mobilizam centenas de escolas. Por fim, sabemos que o cinema é amplamente presente nas escolas por conta da contribuição que ele traz em tantas áreas, conteúdos e debates, da matemática às ciências, passando pelas histórias, geografias e humanidades em geral. Por todos esses motivos, pela intensa força pedagógica do cinema na escola, nos preocupa que no momento de construção de uma Base Curricular tão pouca atenção tenho sido dada ao cinema.

No nosso entender, a BNC deveria incluir um eixo Cinema e Audiovisual dentro do componente curricular artes, só assim garantiremos uma formação consistente em uma área decisiva da cultura contemporânea, além de uma experiência e uma habilidade em uma dimensão central das linguagens no mundo atual.

 

Atenciosamente

 

 

Cezar Migliorin

Presidente da SOCINE

  1. Prazo de pagamento da anuidade: de 1 a 24 de março; 
  2. Prazo de submissão de propostas de trabalhos para apresentação [XXI Encontro]: de 5 a 31 de março;
  3. Divulgação de propostas aprovadas para apresentação [XXI SOCINE]: 9 de junho;
  4. Período de pagamento das inscrições [XXI SOCINE]:
      • PRIMEIRO PRAZO: 3 a 13 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
      • SEGUNDO PRAZO: 14 a 24 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
      • TERCEIRO PRAZO: 25 de julho a 1 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00
  5. Chamada de candidaturas [Eleições da SOCINE]: 21 de agosto a 22 de setembro;
  6. Inscrição de ouvintes [XXI SOCINE]: a partir de 11 de setembro;
  7. Divulgação da programação [XXI SOCINE]: 19 de setembro;
  8. Divulgação das candidaturas homologadas [Eleições da SOCINE]: 29 de setembro;
  9. XXI Encontro SOCINE, na UFPB, em João Pessoa: de 17 a 20 de outubro;
  10. Eleições da SOCINE: 18 e 19 de outubro;
  11. Assembleia e posse da nova diretoria: 20 de outubro;
  12. Prazo de envio de trabalhos para os Anais de Textos Completos [XXI SOCINE]: a definir.