Ficha do Proponente

Proponente

    Clarisse Maria Castro de Alvarenga (UFMG)

Minicurrículo

    Doutora em Comunicação Social (UFMG) e mestre em Multimeios (Unicamp). É professora adjunta da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais. Tem interesse nos seguintes temas: cinema brasileiro, cinema documentário, vídeo popular, audiovisual comunitário e cinema e educação. Seu trabalho envolve um foco especial em filmes feitos sobre/com/por grupos indígenas. Integra o corpo editorial da revista Devires Cinema e Humanidades.

Ficha do Trabalho

Título

    Por uma pedagogia das imagens com os Mbya Guarani

Seminário

    Cinema e educação

Resumo

    Neste trabalho abordo os filmes Desterro Guarani (2011), Duas aldeias, uma caminhada (2008) e Bicicletas de Nhanderú (2011), realizados dentro do contexto do projeto Vídeo nas Aldeias. Acredito que no conjunto esses três filmes, tanto do ponto de vista dos seus procedimentos constitutivos quanto da forma fílmica, indicam a possibilidade de uma singular pedagogia das imagens que questiona a maneira como a sociedade ocidental produz conhecimentos e representações.

Resumo expandido

    Pretendo relacionar três das experiências que integram a filmografia Mbya Guarani: os filmes Desterro Guarani, (2011); Duas aldeias, uma caminhada (2008) e Bicicletas de Nhanderú (2011). Todos os três são documentários realizados a partir de oficinas de vídeo ministradas dentro do contexto do projeto Vídeo nas Aldeias. Acredito que, para além de uma metodologia de ensino do cinema a povos nativos, essa experiência explicita em sua escritura uma pedagogia que questiona a maneira como a sociedade ocidental produz conhecimentos e representações. Ao tomar contato com diversas representações deles realizadas pela sociedade brasileira, os Mbya Guarani se reposicionam em relação ao olhar que a sociedade lança sobre eles historicamente e nos dias de hoje. Sugiro que esse reposicionamento seja entendido como uma pedagogia que não apenas permite aos indígenas aprender a realizar um filme, mas permite também que tanto a sociedade não-indígena quanto os indígenas alterem suas relações uns com os outros e com os mundos que eles identificam. Alguns dos filmes realizados atualmente por cineastas indígenas, para além do Vídeo nas Aldeias, expressam de forma contundente o modo como as várias etnias elaboram o contato com o mundo ocidental e se debatem reversamente diante do modo como os brancos lhes dirigem o olhar, enquadrando-os em seu imaginário.
    O crítico Serge Daney (2007) atribuiu aos cinemas de Jean-Luc Godard e Jean-Marie Straub uma pedagogia: “Pedagogia godardiana” e “Pedagogia straubiana”. Para Daney, o auto-didatismo da cinefilia, formada nas seções da cinemateca francesa, é também uma crença no cinema como escola, um “bom lugar” onde se vai para aprender sobre o mundo. No caso de Godard, Daney indica que dois gestos estariam na base dessa pedagogia: “reter” as imagens, “guardá-las” (DANEY, 2007, p. 112), e, em seguida, “restituí-las” ao espectador como forma de “reparação” (DANEY, 2007, p. 114), não sem antes colocá-las em perspectiva, comentá-las, criticá-las. A pedagogia straubiana estaría baseada numa “prática generalizada da disjunção” (DANEY, 2007, p. 100) que, entre outros aspectos, envolve a possibilidade de “remarcar no aparelho uma enunciação que o aparelho despossui a priori” (DANEY, 2007, p. 101), além de outras aproximações entre elementos heterogêneos como as vozes e as imagens, para citar uma delas.
    A exemplo daquilo que Daney observa em Godard e Straub, acredito que o cinema dos Mbya Guarani aponta para a possibilidade de uma pedagogia Mbya Guarani. Entre os procedimentos privilegiados está a explicitação das diferentes perspectivas (VIVEIROS DE CASTRO, 2002) inerente ao encontro entre mundos. Não apenas formas diferentes de olhar para a mesma imagem ou para o mesmo mundo, mas a possibilidade de uma imagem expressar a diferença entre os mundos na mesma medida em que os relaciona, o que torna-se evidente nos equívocos que surgem a partir dessa aproximação. Por isso, olhar para esses filmes nos permite elaborar em outros termos a relação entre os povos e deles com os mundos por meio da imagem.

Bibliografia

    BOSI, Alfredo. Fenomenologia do olhar. In: ADAUTO, Novaes (org.). O olhar. São Paulo: Companhia das Letras, 1988, p. 65-87.
    COMOLLI, Jean-Louis. Sob o risco do real. In: Catálogo do 5º Festival do Filme Documentário e Etnográfico – Fórum de Antropologia, cinema e vídeo. Belo Horizonte: Associação Filmes de Quintal, 2001, p. 99-108.
    DANEY, Serge. A rampa. Cahiers du cinema 1970-1982. São Paulo: Cosac Naify, 2007.
    SECIN, Viviam Kazue Andó Vianna. A visão binocular dos Guarani Mbya: ortóptica, oralidade e letramento. Curitiba: Appris, 2016.
    VIVEIROS DE CASTRO, Eduardo. Perspectival anthropology and the method of controlled equivocation. In: Tipití: Journal of the Society for the Anthropology of Lowland South America. v. 2, Issue 1. EUA: Berkeley Electronic Press, 2004.
    VIVEIROS DE CASTRO, Eduardo. A inconstância da alma selvagem. São Paulo: Cosac Naify, 2002.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Rio de Janeiro, 28 de janeiro de 2016.

 

Carta aberta ao Ministério da Educação e Ministério da Cultura

 

Assunto: Base Nacional Comum Curricular

 

 

A SOCINE (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual) tem acompanhado os esforços de construção da Base Nacional Comum Curricular. Nosso comentário aqui irá se ater à especificidade de nossa área e sua relação com as propostas apresentadas na BNCC.

Dentro do texto preliminar do BNCC o componente curricular ARTE parte de uma grande área chamada linguagens. Dentro desta área as artes foram divididas em quatro grandes eixos: “artes visuais, dança, teatro e música”, conforme as licenciaturas específicas em arte, desconsiderando a Licenciatura em Cinema e Audiovisual (Resolução do CNE n. 10, de 27 de junho de 2006) e excluindo completamente o cinema como uma arte específica.

Foi essa subdivisão que nos trouxe uma primeira preocupação. Junto à todos esses subcomponentes da área de artes nos parece fundamental que esteja também o cinema. Esta atenção e necessidade não existe apenas porque trabalhamos e pesquisamos cinema e estamos atentos aos seus destinos, mas porque o cinema está intensamente presente na escola e na sociedade e, no momento da construção de uma base nacional para o currículo do ensino infantil, médio e fundamental as questões, contribuições e potencias do cinema na escola não podem ser excluídos.

Diversos componentes curriculares lançam mão de filmes de ficção, seriados, documentários para abordarem temas transversais e específicos de diferentes naturezas. O debate teórico que investigamos apontam para uma necessária vivência no âmbito escolar dos dispositivos cinematográficos desde a tenra idade seja para desenvolver a imaginação na Educação Infantil, na elaboração de cenários para o faz de conta, seja para a construção de identidade pessoal e cultural, seja pela singularidade da experiência sensível que o cinema possibilita.

Vale notar alguns fatos que sustentam nossa preocupação. Primeiramente o cinema é hoje obrigatório na escola. Graças à lei 13006/14, há uma obrigação de exibição de pelo menos duas horas de filmes brasileiros nas escolas. Esta lei, em vias de regulamentação, também exigirá que espaços físicos e materiais sejam garantidos nas escolas para sua efetivação, além da necessidade de uma real inclusão do cinema nas questões que tocam o currículo como um todo, transcendendo mesmo as linguagens específicas. Além de oferecer uma ampla versatilidade de conteúdo, a leitura de filmes e a própria produção audiovisual – inclusive com dispositivos móveis de comunicação – permite a professores e estudantes olhar para a realidade para descobri-la e inventá-la – gestos essenciais na produção de conhecimento.

Como bem é lembrado na proposta de BNC, “a formação em Arte acontece em licenciaturas específicas (artes visuais, dança, teatro e música)”, pois, também em licenciaturas de cinema. Embora talvez se presuma que “artes visuais” inclua de algum modo ao cinema, ele tem uma especificidade na formação do professor. Desde 2012 a Universidade Federal Fluminense possui uma licenciatura em cinema e a mobilização de outras universidade no mesmo caminho é evidente. Devemos ainda atentar à intensa contribuição que diversos programas de pós-graduação vêm dando às relações entre cinema e educação, algo que se evidência nos próprios encontros da sociedade que representamos, onde a cada ano temos diversos trabalhos e comunicações dedicados às relações do cinema com a educação.

Além da materialidade legal, de formação e de pesquisa que evidencia a íntima relação entre o cinema e a escola, a Rede Kino: Rede Latinoamericana de Educação, Cinema e Audiovisual, formada por professores e pesquisadores que trabalham na interface entre cinema e educação, vem mapeando projetos e iniciativas que se dedicam à essa interface, desde 2008. Projetos que acontecem em todo o país e que mobilizam centenas de escolas. Por fim, sabemos que o cinema é amplamente presente nas escolas por conta da contribuição que ele traz em tantas áreas, conteúdos e debates, da matemática às ciências, passando pelas histórias, geografias e humanidades em geral. Por todos esses motivos, pela intensa força pedagógica do cinema na escola, nos preocupa que no momento de construção de uma Base Curricular tão pouca atenção tenho sido dada ao cinema.

No nosso entender, a BNC deveria incluir um eixo Cinema e Audiovisual dentro do componente curricular artes, só assim garantiremos uma formação consistente em uma área decisiva da cultura contemporânea, além de uma experiência e uma habilidade em uma dimensão central das linguagens no mundo atual.

 

Atenciosamente

 

 

Cezar Migliorin

Presidente da SOCINE

  1. Prazo de pagamento da anuidade: de 1 a 24 de março; 
  2. Prazo de submissão de propostas de trabalhos para apresentação [XXI Encontro]: de 5 a 31 de março;
  3. Divulgação de propostas aprovadas para apresentação [XXI SOCINE]: 9 de junho;
  4. Período de pagamento das inscrições [XXI SOCINE]:
      • PRIMEIRO PRAZO: 3 a 13 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
      • SEGUNDO PRAZO: 14 a 24 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
      • TERCEIRO PRAZO: 25 de julho a 1 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00
  5. Chamada de candidaturas [Eleições da SOCINE]: 21 de agosto a 22 de setembro;
  6. Inscrição de ouvintes [XXI SOCINE]: a partir de 11 de setembro;
  7. Divulgação da programação [XXI SOCINE]: 19 de setembro;
  8. Divulgação das candidaturas homologadas [Eleições da SOCINE]: 29 de setembro;
  9. XXI Encontro SOCINE, na UFPB, em João Pessoa: de 17 a 20 de outubro;
  10. Eleições da SOCINE: 18 e 19 de outubro;
  11. Assembleia e posse da nova diretoria: 20 de outubro;
  12. Prazo de envio de trabalhos para os Anais de Textos Completos [XXI SOCINE]: a definir.