Ficha do Proponente

Proponente

    Pedro Figueiredo Veras (UFMG)

Minicurrículo

    Graduado em Comunicação Social pela Universidade Federal de Minas Gerais (2012), atua também como pesquisador de cinema, ensaísta e tradutor. Atualmente é mestrando do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da Universidade Federal de Minas Gerais, pela linha Pragmáticas da Imagem. Membro do Grupo de Pesquisa Poéticas da Experiência.

Ficha do Trabalho

Título

    A presença do figurante como estremecimento da imagem no Cinema Novo

Resumo

    Este trabalho pretende explorar a presença dos figurantes, dos povos locais filmados em sua condição real, em filmes de ficção do início do Cinema Novo. Tais obras procuraram mesclar a atuação de atrizes e atores profissionais a imagens de habitantes apreendidos em sua realidade cotidiana, em registros que beiram o documental. O objetivo é analisar o potencial crítico dos corpos, gestos e olhares desses “sem-nome” que surgem de maneira disruptiva na materialidade fílmica.

Resumo expandido

    O Cinema Novo brasileiro é tema de incontáveis pesquisas acadêmicas. Inspirados pelas experiências neorrealistas que deslocaram as câmeras para as ruas, os cinemanovistas se lançaram nos espaços precários e de extrema pobreza do Brasil no intuito de compreenderem a realidade do país. Dessa forma, nas telas não aparecem apenas os corpos, gestos e vozes de atores e atrizes profissionais, protagonistas, regidos por roteiros pré-elaborados e uma mise-en-scène bem orquestrada. Eles compartilham o espaço fílmico com outras figuras significativas para a compreensão do caráter político buscado pelos realizadores: os figurantes. Como exemplos, podemos elencar algumas sequências marcantes: as de “Bahia de todos os santos” (Trigueirinho Neto, 1961) com rodas de capoeira e de samba; a sequência em “Porto das caixas” (Paulo César Saraceni, 1962) em que a personagem de Irma Alvarez vai à feira e a câmera passeia pelos rostos, fisionomias e gestos da população local de Itaboraí; ou ainda as pregações de Sebastião (Lídio Silva) em “Deus e o diabo na terra do sol” (Glauber Rocha, 1964), em que vemos figurantes que o observam atentos, enquanto alguns outros interagem com a câmera de forma singular.
    Tendo essas imagens em vista, indagamos: como são apresentados, na materialidade fílmica, os figurantes desse cinema que esteve tão engajado nas questões sócio-políticas de seu tempo? Que espaço lhes é concedido em cada enquadramento e como se põem em cena as suas experiências históricas? Por meio de uma longa análise sobre os figurantes na história da arte, em “Peuples exposés, peuples figurants” (2012), o filósofo Georges Didi-Huberman, entende que eles estão na constante espera por serem reconhecidos e nomeados. São “sem-nome”. Enfrentam um paradoxo por terem rostos, corpos e gestos próprios, que no entanto são negados por uma mise-en-scène que os quer estereotipados, compondo uma multidão. Nesse sentido, o autor lança uma exigência político-estética: como as artes das imagens podem expor esses “sem-nome” a si próprios e não ao seu desaparecimento? Como fazer com que suas singularidades se sobressaiam e deixem a ver “parcelas de humanidade”?
    O presente trabalho pretende percorrer algumas obras-chave da fase inicial do Cinema Novo, sob uma ótica voltada para os figurantes, propondo uma reflexão a respeito do potencial crítico das imagens construídas por alguns desses filmes. As aparições de seus corpos, seus gestos, seus olhares seriam capazes de dar a ver suas singularidades, suas “parcelas de humanidade”? A ideia é restringir o arco temporal dos filmes analisados ao período entre os anos de 1958 e 1966, demarcado por “Brasil em tempo de cinema” (2007) de Jean-Claude Bernardet, quando observa-se uma forte pregnância das influências neorrealistas na estética do Cinema Novo (as câmeras nas ruas filmando o povo em sua condição real, planos longos, fotografia em preto e branco, escassez de recursos). Além dos filmes já citados, propomos examinar “Rio, zona norte” (Nelson Pereira dos Santos, 1958), “A grande feira” (Roberto Pires, 1962), “Os fuzis” (Ruy Guerra, 1964) e “O padre e a moça” (Joaquim Pedro de Andrade, 1965). O corpus é extenso, mas vale frisar que a análise irá se deter sobre as imagens dos figurantes, que são elaboradas segundo lógicas muito diversas em cada filme, procurando estabelecer relações, diálogos e dissonâncias entre as obras, numa perspectiva comparada, a fim de explorar a complexidade estética e política do Cinema Novo.

Bibliografia

    AUMONT, Jacques. Du visage au cinéma. Paris: Editions de l’Etoile / Cahiers du cinéma, 1992.
    BERNARDET, Jean-Claude. Brasil em tempo de cinema: ensaio sobre o cinema brasileiro de 1958 a 1966. São Paulo, Ed. Companhia das Letras, 2007.
    BRENEZ, Nicole. De la figure en general, du corps en particulier. Bruxelas: De Boeck, 1998.
    DIDI-HUBERMAN, Georges. Peuples exposés, peuples figurants. Paris: Les Éditions de Minuit, 2012.
    ____. Falenas. Lisboa: KKYM, 2015.
    GOMES, Paulo Emílio Salles. Cinema: trajetória no subdesenvolvimento. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1980.
    MIRANDA, José A. Bragança de. Corpo e imagem. Lisboa: Nova Vega, 2012.
    RANCIÈRE, Jacques. Nas margens do político. Lisboa: KKYM, 2014.
    ROCHA, Glauber. Revisão crítica do cinema brasileiro. São Paulo: Cosac Naify, 2003.
    XAVIER, Ismail. “Iracema: o cinema – verdade vai ao teatro”. In: Devires (Belo Horizonte), Minas Gerais, v. 1, p. 70-85, 2004.
    ____. Sertão mar: Glauber Rocha e a estética da fome. São Paulo: Cosac Naify, 2007.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Rio de Janeiro, 28 de janeiro de 2016.

 

Carta aberta ao Ministério da Educação e Ministério da Cultura

 

Assunto: Base Nacional Comum Curricular

 

 

A SOCINE (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual) tem acompanhado os esforços de construção da Base Nacional Comum Curricular. Nosso comentário aqui irá se ater à especificidade de nossa área e sua relação com as propostas apresentadas na BNCC.

Dentro do texto preliminar do BNCC o componente curricular ARTE parte de uma grande área chamada linguagens. Dentro desta área as artes foram divididas em quatro grandes eixos: “artes visuais, dança, teatro e música”, conforme as licenciaturas específicas em arte, desconsiderando a Licenciatura em Cinema e Audiovisual (Resolução do CNE n. 10, de 27 de junho de 2006) e excluindo completamente o cinema como uma arte específica.

Foi essa subdivisão que nos trouxe uma primeira preocupação. Junto à todos esses subcomponentes da área de artes nos parece fundamental que esteja também o cinema. Esta atenção e necessidade não existe apenas porque trabalhamos e pesquisamos cinema e estamos atentos aos seus destinos, mas porque o cinema está intensamente presente na escola e na sociedade e, no momento da construção de uma base nacional para o currículo do ensino infantil, médio e fundamental as questões, contribuições e potencias do cinema na escola não podem ser excluídos.

Diversos componentes curriculares lançam mão de filmes de ficção, seriados, documentários para abordarem temas transversais e específicos de diferentes naturezas. O debate teórico que investigamos apontam para uma necessária vivência no âmbito escolar dos dispositivos cinematográficos desde a tenra idade seja para desenvolver a imaginação na Educação Infantil, na elaboração de cenários para o faz de conta, seja para a construção de identidade pessoal e cultural, seja pela singularidade da experiência sensível que o cinema possibilita.

Vale notar alguns fatos que sustentam nossa preocupação. Primeiramente o cinema é hoje obrigatório na escola. Graças à lei 13006/14, há uma obrigação de exibição de pelo menos duas horas de filmes brasileiros nas escolas. Esta lei, em vias de regulamentação, também exigirá que espaços físicos e materiais sejam garantidos nas escolas para sua efetivação, além da necessidade de uma real inclusão do cinema nas questões que tocam o currículo como um todo, transcendendo mesmo as linguagens específicas. Além de oferecer uma ampla versatilidade de conteúdo, a leitura de filmes e a própria produção audiovisual – inclusive com dispositivos móveis de comunicação – permite a professores e estudantes olhar para a realidade para descobri-la e inventá-la – gestos essenciais na produção de conhecimento.

Como bem é lembrado na proposta de BNC, “a formação em Arte acontece em licenciaturas específicas (artes visuais, dança, teatro e música)”, pois, também em licenciaturas de cinema. Embora talvez se presuma que “artes visuais” inclua de algum modo ao cinema, ele tem uma especificidade na formação do professor. Desde 2012 a Universidade Federal Fluminense possui uma licenciatura em cinema e a mobilização de outras universidade no mesmo caminho é evidente. Devemos ainda atentar à intensa contribuição que diversos programas de pós-graduação vêm dando às relações entre cinema e educação, algo que se evidência nos próprios encontros da sociedade que representamos, onde a cada ano temos diversos trabalhos e comunicações dedicados às relações do cinema com a educação.

Além da materialidade legal, de formação e de pesquisa que evidencia a íntima relação entre o cinema e a escola, a Rede Kino: Rede Latinoamericana de Educação, Cinema e Audiovisual, formada por professores e pesquisadores que trabalham na interface entre cinema e educação, vem mapeando projetos e iniciativas que se dedicam à essa interface, desde 2008. Projetos que acontecem em todo o país e que mobilizam centenas de escolas. Por fim, sabemos que o cinema é amplamente presente nas escolas por conta da contribuição que ele traz em tantas áreas, conteúdos e debates, da matemática às ciências, passando pelas histórias, geografias e humanidades em geral. Por todos esses motivos, pela intensa força pedagógica do cinema na escola, nos preocupa que no momento de construção de uma Base Curricular tão pouca atenção tenho sido dada ao cinema.

No nosso entender, a BNC deveria incluir um eixo Cinema e Audiovisual dentro do componente curricular artes, só assim garantiremos uma formação consistente em uma área decisiva da cultura contemporânea, além de uma experiência e uma habilidade em uma dimensão central das linguagens no mundo atual.

 

Atenciosamente

 

 

Cezar Migliorin

Presidente da SOCINE

  1. Prazo de pagamento da anuidade: de 1 a 24 de março; 
  2. Prazo de submissão de propostas de trabalhos para apresentação [XXI Encontro]: de 5 a 31 de março;
  3. Divulgação de propostas aprovadas para apresentação [XXI SOCINE]: 9 de junho;
  4. Período de pagamento das inscrições [XXI SOCINE]:
      • PRIMEIRO PRAZO: 3 a 13 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
      • SEGUNDO PRAZO: 14 a 24 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
      • TERCEIRO PRAZO: 25 de julho a 1 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00
  5. Chamada de candidaturas [Eleições da SOCINE]: 21 de agosto a 22 de setembro;
  6. Inscrição de ouvintes [XXI SOCINE]: a partir de 11 de setembro;
  7. Divulgação da programação [XXI SOCINE]: 19 de setembro;
  8. Divulgação das candidaturas homologadas [Eleições da SOCINE]: 29 de setembro;
  9. XXI Encontro SOCINE, na UFPB, em João Pessoa: de 17 a 20 de outubro;
  10. Eleições da SOCINE: 18 e 19 de outubro;
  11. Assembleia e posse da nova diretoria: 20 de outubro;
  12. Prazo de envio de trabalhos para os Anais de Textos Completos [XXI SOCINE]: a definir.