Ficha do Proponente

Proponente

    Mauricio Monteiro (UAM)

Minicurrículo

    Maurício Monteiro possui Doutorado (2001) em História Social pela Universidade de São Paulo (2001). É professor do Programa de Pós-Graduação em Comunicação, dos cursos de Cinema e Rádio e TV da Universidade Anhembi Morumbi. Foi professor do Conservatório Musical do Brooklin Paulista, da PUC/SP e colaborador da UFOP. Foi pesquisador convidado e palestrante da École des Hautes Études en Sciences Sociales, Paris. É professor convidado do Instituto de Artes da Unicamp, seção midialogia.

Ficha do Trabalho

Título

    Imaginação e Realidade: O País de São Saruê e O Fabliaux de Cocagne

Resumo

    Essa proposta procura observar e compreender o filme de Valdimir e carvalho, “O Pais de São Saruê” através da temática do poema de Manuel Camilo dos Santos, cujas similaridades com o poema Fabliaux de Cocagne reforçam a permanencia dos resquicios medievais na região nordeste do Brasil. Trata-se de um estudo entre a utopia – inspiradora dos trovadores medievais e do cordelista e violeiro Manuel Camilo – e a realidade, descritas na sua mais pura dor e melancolia na obra de Vladimir de Carvalho.

Resumo expandido

    No século XIII, na Alta Idade Media europeia, um grupo de clerigos errantes, autodenominados goliardos, escreveu uma série de poemas e canções de temáticas variadas, predominatemente de contestação da ordem estamental e moral. Essa série de poemas foram classificados no que se denominou de codex burana, ou ainda carmina burana. Entretanto, mesmo com as menções a remeter para a Baviera, os manuscritos denominados como Carmina Burana reúnem poemas e canções de uma geografia mais extensa da Europa medieval, a alcançar as regiões da Occitânia, França, Inglaterra, Escócia, Aragão, Castela e do Sacro Império. Tratava-se, consequentemente, de um movimento de contestação da ordem estamental e moral da Idade Média e do desejo da abundância, da fartura e da vida tranquila. Havia ainda um princípio que era o de contrapor o temporal e o espiritual. Dentre os poemas desses goliardos, o chamado Fabliaux de Cocagne é particularmente instigante, pois discorre sobre um lugar imaginário, onde tudo que existe e para a felicidade dos homens.
    Nos séculos XII e XIII desenvolveu-se na Europa uma atividade lítero-musical muito forte, presente nos trovadores Catalães, Galego-portugueses, nos Trovatori italianos, nos Minnesänger e nos Meistersäng onde hoje é a Alemanha. No espaço geográfico que hoje forma a França, as atividades dos Troubadours e dos Trouvères deixaram ao Ocidente o testemunho de uma lírica e de uma musicalidade típica, resultado de uma sociedade que sabia da necessidade dos monstros, das vitórias do demônio e do juízo de Deus. Afinal, as sociedades só criam códigos que elas mesmas podem decodificar e, por isso mesmo, veneraram a um deus único através de suas poesias e de suas músicas, para que ele, na benevolência que lhe foi atribuída, combatesse, em nome dos homens, os demônios, os monstros, as almas, as bruxas, os hereges, os bárbaros e tudo mais que atormentasse a vida medieval.
    Nos séculos seguintes foram encontrados poemas similares em varios países da Europa, entretanto, o que mais se assemelha ao original da Idade Media, foi encontado em Campina Grande, no nordeste Brasileiro, com data de 1929. Aqui nesses trópicos, tomou o nome de A Viagem ao Pais de São Saruê, de autoria de Manuel Camilo dos Santos. Com os mesmo teores do original, o poema de Manuel Camilo dos Santos criou uma realidade desejada em uma regiao esquecida e abandonada pelos poderes publicos, constantemente assolada pela miséria e pela seca. Essa foi a inspiracao de Vladimir de Carvalho que, ao contrário da fartura desejada tanto no poema europeu quanto no brasileiro, retratou o sofrimento e o isolamento do povo nordestino. Lancado em 1971, foi censurado pela ditadura militar e condenado ao silencio, tanto no Brasil quanto no exterior. Asssim como o poema original, o filme trata da relacao do homem com a terra em uma oposicao entre os dias de reconstrucao e os momentos de penuria, a mais real e constante situacao do nordestino. Entretanto, entram nesse mundo de dor e sobrevivência outros fatores de juizo de um homem sobre o outro, tais como o patriarcalismo e o colonialismo. Essa é a vertente do filme de Vladimir de Carvalho, uma demonstração da realidade oposta ao que Hilario Franco Junior chamou de “imaginario da perfeição social”.
    Além dos poemas e depoimentos rechedos de realidade e dor, a sonoridades remontam a um nordeste que ainda preservava características medievais, como a música modal, predominatemente mixolídia. Nesse aspecto, não seria exagero comparar os cordelistas, poetas e violeiros aos trovadores europeus, sobretudo, aos da Península Ibérica, cujo legado cultural estabeleceu-se no processo de exploração e ocupação da primeira região brasileira a manter contatos com os europeus. Essas caracterisiticas todas podem ser observadas no filme de Vladimir de Carvalho; na música, particularmente, os sons do sertão vêm do pernabucano Luiz Gonzaga, dos paraibanos José Siqueira e Marcus Vinicius, e do carioca Ernesto Nazareth.

Bibliografia

    LE GOFF, Jacques. Os intelectuais na Idade Média.(4º edição), São Paulo: Brasiliense, 1995.
    MACHABEY, A. Remarques sur les melodies goliardiques. IN: Cahiers de Civilisation Médiévale – Xº – XIIº siècles. Poitiers, Juillet/septembre, 1964:(257-72
    MARROU, Henri-Iriné. Les troubadours. Paris: Editions du Seuil, 1971.
    NATIEZ, Jean-Jacques et alii. Semiologia da música. Lisboa: Vega Universidade, s/d.
    PRADO, Germán. El Canto Gregoriano. Barcelona: Editorial Labor, 1945.
    SAULNIER, V.L. La Litterature française du Moyen Age. Paris: PUF, 1967.
    SPINA, Segismundo. A lírica trovadoresca. São Paulo: EdUSP, 1996.
    PAZ, Emerlinda. O Modalismo na musica brasileira. Brasilia: Musimed, 2002.
    FRANCO JR, Hilario. Cocanha – a historia de um pais imaginario. São Paulo: Cia das Letras, 1999.
    LINS, Consuelo. O Documentário de Eduardo Coutinho. Rio de Janeiro: Zahar, 2004.
    VASCONCELOS, Mario Cesariny de. Horta de literatura de cordel. Lisboa: ASSIRIO & ALVIM, 1983.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Rio de Janeiro, 28 de janeiro de 2016.

 

Carta aberta ao Ministério da Educação e Ministério da Cultura

 

Assunto: Base Nacional Comum Curricular

 

 

A SOCINE (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual) tem acompanhado os esforços de construção da Base Nacional Comum Curricular. Nosso comentário aqui irá se ater à especificidade de nossa área e sua relação com as propostas apresentadas na BNCC.

Dentro do texto preliminar do BNCC o componente curricular ARTE parte de uma grande área chamada linguagens. Dentro desta área as artes foram divididas em quatro grandes eixos: “artes visuais, dança, teatro e música”, conforme as licenciaturas específicas em arte, desconsiderando a Licenciatura em Cinema e Audiovisual (Resolução do CNE n. 10, de 27 de junho de 2006) e excluindo completamente o cinema como uma arte específica.

Foi essa subdivisão que nos trouxe uma primeira preocupação. Junto à todos esses subcomponentes da área de artes nos parece fundamental que esteja também o cinema. Esta atenção e necessidade não existe apenas porque trabalhamos e pesquisamos cinema e estamos atentos aos seus destinos, mas porque o cinema está intensamente presente na escola e na sociedade e, no momento da construção de uma base nacional para o currículo do ensino infantil, médio e fundamental as questões, contribuições e potencias do cinema na escola não podem ser excluídos.

Diversos componentes curriculares lançam mão de filmes de ficção, seriados, documentários para abordarem temas transversais e específicos de diferentes naturezas. O debate teórico que investigamos apontam para uma necessária vivência no âmbito escolar dos dispositivos cinematográficos desde a tenra idade seja para desenvolver a imaginação na Educação Infantil, na elaboração de cenários para o faz de conta, seja para a construção de identidade pessoal e cultural, seja pela singularidade da experiência sensível que o cinema possibilita.

Vale notar alguns fatos que sustentam nossa preocupação. Primeiramente o cinema é hoje obrigatório na escola. Graças à lei 13006/14, há uma obrigação de exibição de pelo menos duas horas de filmes brasileiros nas escolas. Esta lei, em vias de regulamentação, também exigirá que espaços físicos e materiais sejam garantidos nas escolas para sua efetivação, além da necessidade de uma real inclusão do cinema nas questões que tocam o currículo como um todo, transcendendo mesmo as linguagens específicas. Além de oferecer uma ampla versatilidade de conteúdo, a leitura de filmes e a própria produção audiovisual – inclusive com dispositivos móveis de comunicação – permite a professores e estudantes olhar para a realidade para descobri-la e inventá-la – gestos essenciais na produção de conhecimento.

Como bem é lembrado na proposta de BNC, “a formação em Arte acontece em licenciaturas específicas (artes visuais, dança, teatro e música)”, pois, também em licenciaturas de cinema. Embora talvez se presuma que “artes visuais” inclua de algum modo ao cinema, ele tem uma especificidade na formação do professor. Desde 2012 a Universidade Federal Fluminense possui uma licenciatura em cinema e a mobilização de outras universidade no mesmo caminho é evidente. Devemos ainda atentar à intensa contribuição que diversos programas de pós-graduação vêm dando às relações entre cinema e educação, algo que se evidência nos próprios encontros da sociedade que representamos, onde a cada ano temos diversos trabalhos e comunicações dedicados às relações do cinema com a educação.

Além da materialidade legal, de formação e de pesquisa que evidencia a íntima relação entre o cinema e a escola, a Rede Kino: Rede Latinoamericana de Educação, Cinema e Audiovisual, formada por professores e pesquisadores que trabalham na interface entre cinema e educação, vem mapeando projetos e iniciativas que se dedicam à essa interface, desde 2008. Projetos que acontecem em todo o país e que mobilizam centenas de escolas. Por fim, sabemos que o cinema é amplamente presente nas escolas por conta da contribuição que ele traz em tantas áreas, conteúdos e debates, da matemática às ciências, passando pelas histórias, geografias e humanidades em geral. Por todos esses motivos, pela intensa força pedagógica do cinema na escola, nos preocupa que no momento de construção de uma Base Curricular tão pouca atenção tenho sido dada ao cinema.

No nosso entender, a BNC deveria incluir um eixo Cinema e Audiovisual dentro do componente curricular artes, só assim garantiremos uma formação consistente em uma área decisiva da cultura contemporânea, além de uma experiência e uma habilidade em uma dimensão central das linguagens no mundo atual.

 

Atenciosamente

 

 

Cezar Migliorin

Presidente da SOCINE

  1. Prazo de pagamento da anuidade: de 1 a 24 de março; 
  2. Prazo de submissão de propostas de trabalhos para apresentação [XXI Encontro]: de 5 a 31 de março;
  3. Divulgação de propostas aprovadas para apresentação [XXI SOCINE]: 9 de junho;
  4. Período de pagamento das inscrições [XXI SOCINE]:
      • PRIMEIRO PRAZO: 3 a 13 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
      • SEGUNDO PRAZO: 14 a 24 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
      • TERCEIRO PRAZO: 25 de julho a 1 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00
  5. Chamada de candidaturas [Eleições da SOCINE]: 21 de agosto a 22 de setembro;
  6. Inscrição de ouvintes [XXI SOCINE]: a partir de 11 de setembro;
  7. Divulgação da programação [XXI SOCINE]: 19 de setembro;
  8. Divulgação das candidaturas homologadas [Eleições da SOCINE]: 29 de setembro;
  9. XXI Encontro SOCINE, na UFPB, em João Pessoa: de 17 a 20 de outubro;
  10. Eleições da SOCINE: 18 e 19 de outubro;
  11. Assembleia e posse da nova diretoria: 20 de outubro;
  12. Prazo de envio de trabalhos para os Anais de Textos Completos [XXI SOCINE]: a definir.