Ficha do Proponente

Proponente

    Fabio Luciano Francener Pinheiro (UNESPAR)

Minicurrículo

    Doutorando em História, Teoria e Crítica pelo Programa de Meios e Processos Audiovisuais (ECA-USP). Mestre em Ciências da Comunicação (ECA-USP). Possui Especialização em Produção Independente em Cinema e Vídeo pela UNESPAR e em Administração pelo unifae . É graduado em Comunicação Social pela PUC-PR. Cursou Letras na UFPR. Professor Assistente da Graduação em Cinema da UNESPAR/FAPR, onde desenvolve pesquisa sobre Audiovisual, História e Narração.

Ficha do Trabalho

Título

    O biopic (biografia cinematográfica): o clássico e a desconstrução

Resumo

    Biopics, ou biografias cinematográficas, são parte importante da produção contemporânea, porém a reflexão sobre o gênero é limitada. Custen (1992) aborda “grande homem” no biopic clássico dos estúdios. Bingham (2010) descreve as mudanças no perfil de biopics sobre homens e mulheres. A partir destas perspectivas, propomos uma reflexão sobre as estratégias de representação em Lincoln (2012), um biopic clássico melodramático e American Splendor (2003), uma desconstrução da ideia de biografia.

Resumo expandido

    Biopics, ou biografias cinematográficas, são parte importante da produção contemporânea. Filmes como Lamarca (Sergio Rezende, 1994), Gonzaga – De pai para filho (Breno Silveira, 2012), Lula, Filho do Brasil (Fabio Barreto, 2010) W. (Oliver Stone, 2008), Marie Antoinette (Sofia Coppola, 2006) atraem a atenção do público e da crítica. Muitas vezes são veículos para o reconhecimento do trabalho de atores e atrizes que interpretam os biografados.
    Apesar desta popularidade, há pouca reflexão sobre o gênero. Primeiro, porque o biopic traz em sua essência uma natureza híbrida, que cruza com outros gêneros. Uma biografia pode ser um melodrama, uma comédia ou um drama de guerra. Segundo, porque costuma-se pensar no biopic com certa desconfiança, como uma estrutura narrativa que tende a omitir ou exagerar acontecimentos sobre a existência do biografado. Estas indefinições levam ainda a questionamentos sobre quais seriam os códigos inerentes ao biopic como gênero e se efetivamente estes códigos não pertenceriam a outros gêneros mais facilmente identificáveis.
    CUSTEN (1992), autor da primeira reflexão sistemática sobre o biopic, aborda o gênero em sua consolidação durante a era de ouro dos estúdios, de 1927 a 1960. Neste período, o biopic celebra o que o autor chama de “grande homem” – na maioria das vezes homem, excluindo mulheres, em filmes sobre reis, políticos, militares, inventores e personagens próximos dos ambientes de poder e influência sobre a sociedade e os rumos de sua época. São traços deste biopic clássico: letreiros informativos na abertura, voz over, sequencias de montagem, cenas de julgamento, flashbacks, fotografias do biografado ao final, a presença de obstáculos como pretexto para evidenciar um dom especial, o apoio ou oposição da família, o confronto com a sociedade em que vive, ideias e atitudes inovadoras.
    BINGHAM (2010), em uma perspectiva mais aberta, faz um levantamento de diversos biopics em duas grandes frentes, a dos filmes sobre homens e as biografias sobre mulheres, que o autor associa a características como sofrimento e vitimização – ao menos em filmes até a década de 1960. O autor defende que o biopic, como gênero autônomo, filia-se a uma tradição e que passa pelas mesmas transformações que outros gêneros, cumprindo o percurso de surgimento, consolidação e decadência. O biopic entra em crise na década de 1960, quando as narrativas sobre o “grande homem” são solapadas pela desconfiança do público e pela influência da modernidade europeia no cinema de estúdio. O gênero praticamente desaparece na década de 1970, no momento mais criativo do cinema americano, com a Nova Hollywood e ressurge nos anos 1980, com uma abordagem mais autoral, aberto a questionamentos e desconstruções.
    A partir deste breve quadro teórico e de contribuições similares, propomos uma reflexão sobre dois biopics contemporâneos e suas distintas estratégias de representação: Lincoln (Steven Spielberg, 2012) e Anti-herói Americano (American Splendor, 2003, Robert Pulcini e Shari Berman).
    O filme de Spielberg concentra-se nos últimos meses de vida do presidente e em seus esforços para a aprovação da Nona Emenda, que garantiria a libertação dos escravos e o fim do conflito com os estados confederados. O filme revela os bastidores da aprovação da emenda, com negociações envolvendo distribuição de cargos e compra de votos entre os congressistas do Partido Democrata. Neste biopic clássico-melodramático, Lincoln é retratado como um político hábil, carismático, experiente, virtuoso, humanista e generoso.
    American Splendor, mais que um biopic, é a desconstrução da própria noção de biografia. Ao abordar a vida do funcionário público Harvey Pekar, criador de narrativas sobre o seu próprio cotidiano, ilustradas por quadrinistas como Robert Crumb, o filme reúne depoimentos do próprio Pekar com a encenação construída por atores. Acompanhamos então diversas situações ordinárias que inspiram o escritor a criar suas histórias, explicitamente autobiográficas

Bibliografia

    ALTMANN, Rick. Los gêneros cinematográficos. Barcelona: Paidos, 2000.
    BINGHAM, Dennis. Whose lives are they anyway? The Biopic as Contemporary Film Genre. New Jersey: Rutgers, 2010
    BORDWELL, D., STAIGER, J., THOMPSON, K. The Hollywood Classical Cinema – Film Style and mode of production to 1960. New York: Columbia UP, 1985.
    BROOKS, Peter. The Melodramatic Imagination – Balzac, Henry James, Melodrama and the Mode of Excess. New Haven: Yale UP, 1976.
    CUSTEN George. Bio/Pics: How Hollywood Constructed Public History. New Jersey: Rutgers, 1992.
    FUKELMAN, Clarisse (org.). Eu assino embaixo. Biografia, memória e cultura. Rio de Janeiro: EdUERJ, 2014.
    SCHATZ, Thomas. Hollywood Genres : Formulas, Filmmaking and the Studio System. New
    York: Random, 1981
    GOODWIN, Doris Kearns. Team of Rivals – The Political Genius of Abraham Lincoln. New York: Simon & Schuster, 2006.
    REINHART, Mark. Abraham Lincoln on Screen – Fictional and Documentary Portrayals on Film and Television. Jefferson: McFarland,

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Rio de Janeiro, 28 de janeiro de 2016.

 

Carta aberta ao Ministério da Educação e Ministério da Cultura

 

Assunto: Base Nacional Comum Curricular

 

 

A SOCINE (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual) tem acompanhado os esforços de construção da Base Nacional Comum Curricular. Nosso comentário aqui irá se ater à especificidade de nossa área e sua relação com as propostas apresentadas na BNCC.

Dentro do texto preliminar do BNCC o componente curricular ARTE parte de uma grande área chamada linguagens. Dentro desta área as artes foram divididas em quatro grandes eixos: “artes visuais, dança, teatro e música”, conforme as licenciaturas específicas em arte, desconsiderando a Licenciatura em Cinema e Audiovisual (Resolução do CNE n. 10, de 27 de junho de 2006) e excluindo completamente o cinema como uma arte específica.

Foi essa subdivisão que nos trouxe uma primeira preocupação. Junto à todos esses subcomponentes da área de artes nos parece fundamental que esteja também o cinema. Esta atenção e necessidade não existe apenas porque trabalhamos e pesquisamos cinema e estamos atentos aos seus destinos, mas porque o cinema está intensamente presente na escola e na sociedade e, no momento da construção de uma base nacional para o currículo do ensino infantil, médio e fundamental as questões, contribuições e potencias do cinema na escola não podem ser excluídos.

Diversos componentes curriculares lançam mão de filmes de ficção, seriados, documentários para abordarem temas transversais e específicos de diferentes naturezas. O debate teórico que investigamos apontam para uma necessária vivência no âmbito escolar dos dispositivos cinematográficos desde a tenra idade seja para desenvolver a imaginação na Educação Infantil, na elaboração de cenários para o faz de conta, seja para a construção de identidade pessoal e cultural, seja pela singularidade da experiência sensível que o cinema possibilita.

Vale notar alguns fatos que sustentam nossa preocupação. Primeiramente o cinema é hoje obrigatório na escola. Graças à lei 13006/14, há uma obrigação de exibição de pelo menos duas horas de filmes brasileiros nas escolas. Esta lei, em vias de regulamentação, também exigirá que espaços físicos e materiais sejam garantidos nas escolas para sua efetivação, além da necessidade de uma real inclusão do cinema nas questões que tocam o currículo como um todo, transcendendo mesmo as linguagens específicas. Além de oferecer uma ampla versatilidade de conteúdo, a leitura de filmes e a própria produção audiovisual – inclusive com dispositivos móveis de comunicação – permite a professores e estudantes olhar para a realidade para descobri-la e inventá-la – gestos essenciais na produção de conhecimento.

Como bem é lembrado na proposta de BNC, “a formação em Arte acontece em licenciaturas específicas (artes visuais, dança, teatro e música)”, pois, também em licenciaturas de cinema. Embora talvez se presuma que “artes visuais” inclua de algum modo ao cinema, ele tem uma especificidade na formação do professor. Desde 2012 a Universidade Federal Fluminense possui uma licenciatura em cinema e a mobilização de outras universidade no mesmo caminho é evidente. Devemos ainda atentar à intensa contribuição que diversos programas de pós-graduação vêm dando às relações entre cinema e educação, algo que se evidência nos próprios encontros da sociedade que representamos, onde a cada ano temos diversos trabalhos e comunicações dedicados às relações do cinema com a educação.

Além da materialidade legal, de formação e de pesquisa que evidencia a íntima relação entre o cinema e a escola, a Rede Kino: Rede Latinoamericana de Educação, Cinema e Audiovisual, formada por professores e pesquisadores que trabalham na interface entre cinema e educação, vem mapeando projetos e iniciativas que se dedicam à essa interface, desde 2008. Projetos que acontecem em todo o país e que mobilizam centenas de escolas. Por fim, sabemos que o cinema é amplamente presente nas escolas por conta da contribuição que ele traz em tantas áreas, conteúdos e debates, da matemática às ciências, passando pelas histórias, geografias e humanidades em geral. Por todos esses motivos, pela intensa força pedagógica do cinema na escola, nos preocupa que no momento de construção de uma Base Curricular tão pouca atenção tenho sido dada ao cinema.

No nosso entender, a BNC deveria incluir um eixo Cinema e Audiovisual dentro do componente curricular artes, só assim garantiremos uma formação consistente em uma área decisiva da cultura contemporânea, além de uma experiência e uma habilidade em uma dimensão central das linguagens no mundo atual.

 

Atenciosamente

 

 

Cezar Migliorin

Presidente da SOCINE

  1. Prazo de pagamento da anuidade: de 1 a 24 de março; 
  2. Prazo de submissão de propostas de trabalhos para apresentação [XXI Encontro]: de 5 a 31 de março;
  3. Divulgação de propostas aprovadas para apresentação [XXI SOCINE]: 9 de junho;
  4. Período de pagamento das inscrições [XXI SOCINE]:
      • PRIMEIRO PRAZO: 3 a 13 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
      • SEGUNDO PRAZO: 14 a 24 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
      • TERCEIRO PRAZO: 25 de julho a 1 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00
  5. Chamada de candidaturas [Eleições da SOCINE]: 21 de agosto a 22 de setembro;
  6. Inscrição de ouvintes [XXI SOCINE]: a partir de 11 de setembro;
  7. Divulgação da programação [XXI SOCINE]: 19 de setembro;
  8. Divulgação das candidaturas homologadas [Eleições da SOCINE]: 29 de setembro;
  9. XXI Encontro SOCINE, na UFPB, em João Pessoa: de 17 a 20 de outubro;
  10. Eleições da SOCINE: 18 e 19 de outubro;
  11. Assembleia e posse da nova diretoria: 20 de outubro;
  12. Prazo de envio de trabalhos para os Anais de Textos Completos [XXI SOCINE]: a definir.