Ficha do Proponente

Proponente

    Susana Amaral (UFRJ)

Minicurrículo

    Susana Costa Amaral é artista-pesquisadora e cineasta. Formada em Comunicação Social pela Escola de Comunicação da UFRJ, é mestre em Artes da Cena pela mesma instituição. Ganhou o prêmio de melhor vídeo-cenografia no 27° FITUB pela peça “Cavalos e Baias”, em parceria com a cia teatral Miúda. Roteirizou, dirigiu e montou o curta “Uma Noite e Meia”, menção honrosa na Festival Primeiro Plano 2015.

Ficha do Trabalho

Título

    A encenação performativa em Ela Volta na Quinta

Resumo

    A partir dos estudos da performance, este trabalho busca apontar as diferentes maneiras pelas quais o desinvestimento na dicotomia real/ficção presente na encenação de Ela volta na quinta, de André Novais, tensiona certa reivindicação contemporânea de realidade, ao mesmo tempo em que colabora para o redimensionamento do corpo em cena como principal vetor de intensidade e presença, dando forma à uma complexa relação de intimidade entre câmera e personagem e entre espectador e filme.

Resumo expandido

    No universo que compõe a filmografia do cineasta mineiro André Novais, se de um lado há o realismo urbano, tão explorado pela cinematografia brasileira, de outro, e é deste lado que André localiza suas imagens, há a delicadeza dos universos íntimos e sensíveis que apostam na procura da epifania através de histórias inspiradas no cotidiano. No filme Ela volta na quinta, primeiro longa metragem do realizador, a mãe, o pai, o irmão, a namorada do irmão, os amigos do irmão, assim como ele próprio e a namorada Élida Slipe compõem o quadro de personagens do filme. Diante do desafio de filmar sua própria rede de afetos, Novais volta-se para a vida em suas miudezas, em suas repetições. Atento à complexidade das relações humanas em toda a sua fragilidade e, mais importante, em toda a sua banalidade, o filme se dá pela emergência do extraordinário no ordinário do cotidiano. Apesar do forte índice de realidade que carrega, não restam dúvidas quanto à ficcionalidade da narrativa, muito embora seja justamente esta relação de ambiguidade que o filme estabelece com o espectador o seu principal vetor de força. Em Ela volta na quinta, a dramaturgia se constrói pelas vias da memória, da intimidade e da dilatação do tempo, produzindo camadas de realidade e presença (GUMBRECHT, 2010) que impregnam a imagem do próprio estofo material da vida cotidiana, biográfica.
    Nesta construção, Novais opta em mostrar seus personagens em rituais do dia a dia, pontuando o passar das horas a partir da repetição de eventos rotineiros como deitar-se para dormir, sentar-se para comer, etc. A cotidianidade é estabelecida no âmbito da encenação a partir da execução de pequenas ações, como estender a roupa, varrer a casa, preparar o jantar – o que Richard Schechner definiu como twice-behaved behavior -, e no âmbito cinematográfico, a partir da repetição de enquadramentos e ambientes, principalmente nos planos onde vemos os personagens na cama, no quarto de dormir. Dessa maneira, o cotidiano é trabalhado a partir de sua inserção no tecido social do núcleo de uma família da periferia de Contagem, cidade do estado de Minas Gerais. Da sequência inicial onde vemos as fotografias da família, ao minimalismo narrativo e cenográfico, às modalidades de voz de cada personagem. A construção da trama narrativa preenchida do contexto histórico-geográfico da vida do próprio realizador corresponde à concretude do espaço e do tempo penosamente real, intersubjetivo e social da experiência vivida. Tanto a dramaturgia, quanto a encenação proposta pelo diretor trabalham de maneiras extremamente óticas, sem muitas intervenções da técnica cinematográfica, o que permitem ao espectador ver além da redundância cotidiana das imagens em cena, ao mesmo tempo em que privilegia os pequenos gestos e expressões dos corpos em cena. O que enxergamos de forma sensitiva é a experiência vivida, corporalmente, do tempo e do espaço familiar que dribla as imposições miméticas e representativas.
    Em Ela volta na quinta importa menos o caráter realista ou autêntico das imagem, e mais sua capacidade reflexiva acerca do real em sua dimensão material, social e performativa. Nesse sentido, ganha importância a escolha do realizador de filmar a si mesmo e a sua própria família como personagens de uma história fictícia, inventada, mas que vai se sustentar dramaturgicamente através de vestígios do real, evidências do vivido. O que pretende-se demonstrar a partir dessa análise é de que maneiras o desinvestimento na dicotomia real/ficção a partir da encenação em Ela volta na quinta tensiona certa reinvindicação contemporânea de realidade a partir de um regime do visível, ao mesmo tempo em que colabora para o redimensionamento do corpo em cena como principal vetor de intensidade e presença, dando forma à uma complexa relação de intimidade entre câmera e personagem e entre espectador e filme analisada aqui pela lente metodológica dos estudos da performance.

Bibliografia

    DEL RIO, Elena. Powers of Affection: Deleuze and the Cinemas of Performance. Edinburgh, Edinburgh University Press, 1998.
    GUMBRECHT, Hans Ulrich. Produção de Presença: o que o sentido não consegue transmitir. Rio de Janeiro: Contraponto: Ed. PUC-Rio, 2010.
    LEHMANN, Hans-Thies. “Performance” e “Corpo”. In: Teatro Pós-Dramático. São Paulo: Cosac Naify, 2007
    MASSUMI, Brian. Parables for the Virtual: Movement, Affect, Sensation. Durham: Duke University Press, 2002.
    SCHECHNER, Richard. 2006. “O que é performance?”, em Performance studies: an introduccion, second edition. New York & London: Routledge, p. 28-51.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Rio de Janeiro, 28 de janeiro de 2016.

 

Carta aberta ao Ministério da Educação e Ministério da Cultura

 

Assunto: Base Nacional Comum Curricular

 

 

A SOCINE (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual) tem acompanhado os esforços de construção da Base Nacional Comum Curricular. Nosso comentário aqui irá se ater à especificidade de nossa área e sua relação com as propostas apresentadas na BNCC.

Dentro do texto preliminar do BNCC o componente curricular ARTE parte de uma grande área chamada linguagens. Dentro desta área as artes foram divididas em quatro grandes eixos: “artes visuais, dança, teatro e música”, conforme as licenciaturas específicas em arte, desconsiderando a Licenciatura em Cinema e Audiovisual (Resolução do CNE n. 10, de 27 de junho de 2006) e excluindo completamente o cinema como uma arte específica.

Foi essa subdivisão que nos trouxe uma primeira preocupação. Junto à todos esses subcomponentes da área de artes nos parece fundamental que esteja também o cinema. Esta atenção e necessidade não existe apenas porque trabalhamos e pesquisamos cinema e estamos atentos aos seus destinos, mas porque o cinema está intensamente presente na escola e na sociedade e, no momento da construção de uma base nacional para o currículo do ensino infantil, médio e fundamental as questões, contribuições e potencias do cinema na escola não podem ser excluídos.

Diversos componentes curriculares lançam mão de filmes de ficção, seriados, documentários para abordarem temas transversais e específicos de diferentes naturezas. O debate teórico que investigamos apontam para uma necessária vivência no âmbito escolar dos dispositivos cinematográficos desde a tenra idade seja para desenvolver a imaginação na Educação Infantil, na elaboração de cenários para o faz de conta, seja para a construção de identidade pessoal e cultural, seja pela singularidade da experiência sensível que o cinema possibilita.

Vale notar alguns fatos que sustentam nossa preocupação. Primeiramente o cinema é hoje obrigatório na escola. Graças à lei 13006/14, há uma obrigação de exibição de pelo menos duas horas de filmes brasileiros nas escolas. Esta lei, em vias de regulamentação, também exigirá que espaços físicos e materiais sejam garantidos nas escolas para sua efetivação, além da necessidade de uma real inclusão do cinema nas questões que tocam o currículo como um todo, transcendendo mesmo as linguagens específicas. Além de oferecer uma ampla versatilidade de conteúdo, a leitura de filmes e a própria produção audiovisual – inclusive com dispositivos móveis de comunicação – permite a professores e estudantes olhar para a realidade para descobri-la e inventá-la – gestos essenciais na produção de conhecimento.

Como bem é lembrado na proposta de BNC, “a formação em Arte acontece em licenciaturas específicas (artes visuais, dança, teatro e música)”, pois, também em licenciaturas de cinema. Embora talvez se presuma que “artes visuais” inclua de algum modo ao cinema, ele tem uma especificidade na formação do professor. Desde 2012 a Universidade Federal Fluminense possui uma licenciatura em cinema e a mobilização de outras universidade no mesmo caminho é evidente. Devemos ainda atentar à intensa contribuição que diversos programas de pós-graduação vêm dando às relações entre cinema e educação, algo que se evidência nos próprios encontros da sociedade que representamos, onde a cada ano temos diversos trabalhos e comunicações dedicados às relações do cinema com a educação.

Além da materialidade legal, de formação e de pesquisa que evidencia a íntima relação entre o cinema e a escola, a Rede Kino: Rede Latinoamericana de Educação, Cinema e Audiovisual, formada por professores e pesquisadores que trabalham na interface entre cinema e educação, vem mapeando projetos e iniciativas que se dedicam à essa interface, desde 2008. Projetos que acontecem em todo o país e que mobilizam centenas de escolas. Por fim, sabemos que o cinema é amplamente presente nas escolas por conta da contribuição que ele traz em tantas áreas, conteúdos e debates, da matemática às ciências, passando pelas histórias, geografias e humanidades em geral. Por todos esses motivos, pela intensa força pedagógica do cinema na escola, nos preocupa que no momento de construção de uma Base Curricular tão pouca atenção tenho sido dada ao cinema.

No nosso entender, a BNC deveria incluir um eixo Cinema e Audiovisual dentro do componente curricular artes, só assim garantiremos uma formação consistente em uma área decisiva da cultura contemporânea, além de uma experiência e uma habilidade em uma dimensão central das linguagens no mundo atual.

 

Atenciosamente

 

 

Cezar Migliorin

Presidente da SOCINE

  1. Prazo de pagamento da anuidade: de 1 a 24 de março; 
  2. Prazo de submissão de propostas de trabalhos para apresentação [XXI Encontro]: de 5 a 31 de março;
  3. Divulgação de propostas aprovadas para apresentação [XXI SOCINE]: 9 de junho;
  4. Período de pagamento das inscrições [XXI SOCINE]:
      • PRIMEIRO PRAZO: 3 a 13 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
      • SEGUNDO PRAZO: 14 a 24 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
      • TERCEIRO PRAZO: 25 de julho a 1 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00
  5. Chamada de candidaturas [Eleições da SOCINE]: 21 de agosto a 22 de setembro;
  6. Inscrição de ouvintes [XXI SOCINE]: a partir de 11 de setembro;
  7. Divulgação da programação [XXI SOCINE]: 19 de setembro;
  8. Divulgação das candidaturas homologadas [Eleições da SOCINE]: 29 de setembro;
  9. XXI Encontro SOCINE, na UFPB, em João Pessoa: de 17 a 20 de outubro;
  10. Eleições da SOCINE: 18 e 19 de outubro;
  11. Assembleia e posse da nova diretoria: 20 de outubro;
  12. Prazo de envio de trabalhos para os Anais de Textos Completos [XXI SOCINE]: a definir.