Ficha do Proponente

Proponente

    Gabriela Semensato Ferreira (UFRGS)

Minicurrículo

    Mestra e Doutoranda em Letras pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, na linha de pesquisa Teoria, Crítica e Comparatismo, vinculada aos Estudos Literários. Desenvolve pesquisa sobre obras híbridas contemporâneas, que apresentam traços autobiográficas e autoficcionais, além de explorar as diferentes linguagens artísticas, como a literária e a cinematográfica.

Ficha do Trabalho

Título

    Tensões/torções entre corpo, palavra e imagem em obras contemporâneas

Seminário

    Cinema e literatura, palavra e imagem

Resumo

    Neste trabalho discute-se a tensão e a torção geradas por possíveis relações entre corpo, palavra e imagem em duas obras: Jogo Duplo, (2007), de Sophie Calle, e Elena (2012), filme dirigido por Petra Costa. Investigam-se as duplicidades, ou multiplicidades, propostas nesses textos, a partir do uso de nomes próprios, da presença/ausência de personagens, e dos traços autobiográficos, mas potencialmente autoficcionais, que esses jogos artísticos engendram.

Resumo expandido

    Há obras que parecem clamar pela atenção de um espectador ou leitor atento, numa espécie de sedução por meio do olhar. Trata-se, nesses casos, de um desejar ver e ser visto, de uma leitura que é ao mesmo tempo investigação, ou voyeurismo. Provoca-se essa atenção tanto pelo que se dá a ver, como pelas lacunas deixadas pelo corpo, seja este o corpo do texto, da palavra, o corpo em performance, ou corpos estranhos, que não parecem pertencer ali, como o que ocupa a posição de autor.
    Em obras como “Elena” (2012), da diretora e roteirista Petra Costa, essa relação entre o que se vê e o que se diz é colocada em tensão. O desejo de descoberta pode ser envolto em certo temor de descobrir, de retirar o véu que protege nossa imaginação do que é a morte. É justamente a morte, porém, que, para Blanchot (1997), dá vida à palavra. No referido filme, Elena, a irmã de Petra, entra e sai de cena, mas, em certo sentido, não se pode dizer que alguma vez esteja realmente presente. Isso porque, talvez, o real, aquele dito “pré-existente”, só entra em jogo, nessa obra, como uma referência. As imagens de Elena são misturadas a sua voz em gravações e filmagens de um tempo passado, mas também se confundem com impressões suas justapostas ao presente da narrativa fílmica. O borrar dos limites de sua presença/ausência, no entanto, só ocorre, potencialmente, com a interação de Petra, que a todo momento conversa com a irmã, mas nunca obtém respostas. Pelo modo como é construído, esse monólogo em off é mais próximo de um discurso poético do que de uma narração. A fala de Petra surge quando sua face está encoberta ou fora de campo. Ela não narra, no sentido de discorrer sobre uma sequência de eventos, mas conversa com a irmã, num diálogo que supõe um lugar de fala que, entretanto, parece vazio. Elena só fala a partir de um passado que se faz de alguma forma presente na obra.
    Assim, pode-se pensar no surgimento de tensões, a partir dessas relações entre palavra, corpo e imagem, entre ausências e presenças, ou (in)visibilidades que são colocadas em jogo nessa obra. Onde, por um lado, parecem haver duplicidades, percebem-se, por outro, triangulações ou mesmo multiplicações. Duplicidade, ambiguidade, fingimento, talvez, em “Elena”, mas também em outras obras, já que a arte pós-modernista (apesar da polêmica nomenclatura), consegue por vezes fazer dialogar o “real” e o ficcional, ou ver a “verdade” de uma invenção, sem perder de vista as potências do falso.
    Essas duplicidades podem começar, ainda, pelos nomes dos personagens, mas também da expectativa de aproximação entre esses nomes e o do autor ou autora, em obras com traços autobiográficos, por exemplo, ou documentários. Esse é o caso de “Jogo Duplo” (2007), de Sophie Calle, em colaboração com Paul Auster, uma publicação que não se pode dizer nem apenas literária, nem apenas visual. Trata-se da criação de uma personagem baseada na artista, e da criação de obras baseadas na personagem. É um ir e vir composto por experimentos com comida, fotografia, strip-tease e até um cemitério. Um ir e vir, ou aqui e lá, parecido com o “fort-da”, ou jogo de carretel observado por Freud (1920).
    Nesse sentido, os jogos duplos de que se fala, nesses casos, não se contentam com a escolha entre isso e aquilo, entre ficção e verdade, ou ficção e realidade, mas operam no entrelugar. Não são opostos. Encontram-se, possivelmente, em uma cadeia, uma sequência que incita o questionamento, mais uma vez, do que constitui uma representação. Sua relação implica tensão, e mesmo torção, como o percurso da linha em torno do carretel. Esses duplos, portanto, são triplos, múltiplos. Da artista Sophie à personagem Maria, à personagem de Jogo Duplo, “incorporada”, ou encarnada, até certo ponto, por Sophie. Onde se veem duas mulheres, revelam-se muitas, como em uma das cenas finais de Elena em que elas flutuam na água como Ofélia, de Shakespeare.

Bibliografia

    AUSTER, Paul. Leviathan. New York: Penguin Books, 1993.
    BLANCHOT, Maurice. A parte do fogo. Tradução de Ana Maria Scherer. Rio de Janeiro: Rocco, 1997.
    CALLE, Sophie. Double Game. England: Violette Limited, 2007.
    COSTA, Petra. Elena. Direção: Petra Costa. Roteiro: Petra Costa e Carolina Ziskind. Estúdio Busca Vida Filmes. Brasil, 2012. DVD: 80 min.
    DELEUZE, Gilles. A Imagem-Tempo. Cinema 2. São Paulo: Brasiliense, 2005.
    DERRIDA, Jacques. Escritura e Diferença. São Paulo: Perspectiva, 1995.
    FOUCAULT, Michel. As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas. São Paulo: Martins Fontes, 2000.
    FREUD, Sigmund. Além do princípio de prazer, 1920. Rio de Janeiro: Imago, 1996.
    MARTELO, Rosa Maria. O cinema da poesia. Lisboa: Documenta, 2012.
    WILLS, David. Prosthesis. California: Stanford University Press, 1995.
    MAST, Gerald. Literature and Film. In: Interrelations of Literature. New York: The Modern Language Association of America, 1982.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Rio de Janeiro, 28 de janeiro de 2016.

 

Carta aberta ao Ministério da Educação e Ministério da Cultura

 

Assunto: Base Nacional Comum Curricular

 

 

A SOCINE (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual) tem acompanhado os esforços de construção da Base Nacional Comum Curricular. Nosso comentário aqui irá se ater à especificidade de nossa área e sua relação com as propostas apresentadas na BNCC.

Dentro do texto preliminar do BNCC o componente curricular ARTE parte de uma grande área chamada linguagens. Dentro desta área as artes foram divididas em quatro grandes eixos: “artes visuais, dança, teatro e música”, conforme as licenciaturas específicas em arte, desconsiderando a Licenciatura em Cinema e Audiovisual (Resolução do CNE n. 10, de 27 de junho de 2006) e excluindo completamente o cinema como uma arte específica.

Foi essa subdivisão que nos trouxe uma primeira preocupação. Junto à todos esses subcomponentes da área de artes nos parece fundamental que esteja também o cinema. Esta atenção e necessidade não existe apenas porque trabalhamos e pesquisamos cinema e estamos atentos aos seus destinos, mas porque o cinema está intensamente presente na escola e na sociedade e, no momento da construção de uma base nacional para o currículo do ensino infantil, médio e fundamental as questões, contribuições e potencias do cinema na escola não podem ser excluídos.

Diversos componentes curriculares lançam mão de filmes de ficção, seriados, documentários para abordarem temas transversais e específicos de diferentes naturezas. O debate teórico que investigamos apontam para uma necessária vivência no âmbito escolar dos dispositivos cinematográficos desde a tenra idade seja para desenvolver a imaginação na Educação Infantil, na elaboração de cenários para o faz de conta, seja para a construção de identidade pessoal e cultural, seja pela singularidade da experiência sensível que o cinema possibilita.

Vale notar alguns fatos que sustentam nossa preocupação. Primeiramente o cinema é hoje obrigatório na escola. Graças à lei 13006/14, há uma obrigação de exibição de pelo menos duas horas de filmes brasileiros nas escolas. Esta lei, em vias de regulamentação, também exigirá que espaços físicos e materiais sejam garantidos nas escolas para sua efetivação, além da necessidade de uma real inclusão do cinema nas questões que tocam o currículo como um todo, transcendendo mesmo as linguagens específicas. Além de oferecer uma ampla versatilidade de conteúdo, a leitura de filmes e a própria produção audiovisual – inclusive com dispositivos móveis de comunicação – permite a professores e estudantes olhar para a realidade para descobri-la e inventá-la – gestos essenciais na produção de conhecimento.

Como bem é lembrado na proposta de BNC, “a formação em Arte acontece em licenciaturas específicas (artes visuais, dança, teatro e música)”, pois, também em licenciaturas de cinema. Embora talvez se presuma que “artes visuais” inclua de algum modo ao cinema, ele tem uma especificidade na formação do professor. Desde 2012 a Universidade Federal Fluminense possui uma licenciatura em cinema e a mobilização de outras universidade no mesmo caminho é evidente. Devemos ainda atentar à intensa contribuição que diversos programas de pós-graduação vêm dando às relações entre cinema e educação, algo que se evidência nos próprios encontros da sociedade que representamos, onde a cada ano temos diversos trabalhos e comunicações dedicados às relações do cinema com a educação.

Além da materialidade legal, de formação e de pesquisa que evidencia a íntima relação entre o cinema e a escola, a Rede Kino: Rede Latinoamericana de Educação, Cinema e Audiovisual, formada por professores e pesquisadores que trabalham na interface entre cinema e educação, vem mapeando projetos e iniciativas que se dedicam à essa interface, desde 2008. Projetos que acontecem em todo o país e que mobilizam centenas de escolas. Por fim, sabemos que o cinema é amplamente presente nas escolas por conta da contribuição que ele traz em tantas áreas, conteúdos e debates, da matemática às ciências, passando pelas histórias, geografias e humanidades em geral. Por todos esses motivos, pela intensa força pedagógica do cinema na escola, nos preocupa que no momento de construção de uma Base Curricular tão pouca atenção tenho sido dada ao cinema.

No nosso entender, a BNC deveria incluir um eixo Cinema e Audiovisual dentro do componente curricular artes, só assim garantiremos uma formação consistente em uma área decisiva da cultura contemporânea, além de uma experiência e uma habilidade em uma dimensão central das linguagens no mundo atual.

 

Atenciosamente

 

 

Cezar Migliorin

Presidente da SOCINE

  1. Prazo de pagamento da anuidade: de 1 a 24 de março; 
  2. Prazo de submissão de propostas de trabalhos para apresentação [XXI Encontro]: de 5 a 31 de março;
  3. Divulgação de propostas aprovadas para apresentação [XXI SOCINE]: 9 de junho;
  4. Período de pagamento das inscrições [XXI SOCINE]:
      • PRIMEIRO PRAZO: 3 a 13 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
      • SEGUNDO PRAZO: 14 a 24 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
      • TERCEIRO PRAZO: 25 de julho a 1 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00
  5. Chamada de candidaturas [Eleições da SOCINE]: 21 de agosto a 22 de setembro;
  6. Inscrição de ouvintes [XXI SOCINE]: a partir de 11 de setembro;
  7. Divulgação da programação [XXI SOCINE]: 19 de setembro;
  8. Divulgação das candidaturas homologadas [Eleições da SOCINE]: 29 de setembro;
  9. XXI Encontro SOCINE, na UFPB, em João Pessoa: de 17 a 20 de outubro;
  10. Eleições da SOCINE: 18 e 19 de outubro;
  11. Assembleia e posse da nova diretoria: 20 de outubro;
  12. Prazo de envio de trabalhos para os Anais de Textos Completos [XXI SOCINE]: a definir.