Ficha do Proponente

Proponente

    LUIZ GUSTAVO VILELA TEIXEIRA (UTP)

Minicurrículo

    Crítico de Cinema e Jornalista formado na PUC-MG (2006). Mestrando em Comunicação e Linguagens (UTP) e especialista em Comunicação e Cultura (UTFPR). É redator, editor e idealizador do site Cronico de Cinema (cronicodecinema.com). Colunista semanal na Rádio CBN Curitiba e Transamérica Light sobre Cinema e Audiovisual.

Ficha do Trabalho

Título

    A violência em Tarantino: uma abordagem pela Teoria dos Cineastas

Seminário

    Teoria dos Cineastas

Resumo

    O cinema de Quentin Tarantino é marcado pela exploração estética da violência. Seus personagens não apenas vivem em um mundo violento, como a praticam para resolver seus problemas. A violência é em si uma forma de expressão. Mas o que ele próprio vê de violência em seus filmes? A proposta deste painel é explorar o uso da violência de Tarantino partindo de sua própria visão sobre o assunto. A Teoria dos Cineastas, de Jacques Aumont, servirá como fio condutor teórico para as considerações.

Resumo expandido

    Logo nos primeiros parágrafos da introdução de seu livro As Teorias dos Cineastas, Jacques Aumont lança a definição que norteará seu estudo: “o cineasta é um homem que não pode evitar a consciência de sua arte, a reflexão sobre seu ofício e suas finalidades, e, em suma, o pensamento” (AUMONT, 2002, p. 7). No parágrafo seguinte, o pensador sistematiza o que considera “reflexão” e “pensamento” ao justificar o foco dado pelo livro.

    Isso significa que ele [o livro] privilegia os cineastas que tiveram a ambição senão a mais elevada, pelo menos a mais profunda e a mais consequente: para teorizar, para simplesmente refletir, é preferível aprofundar opiniões estáveis do que mudá-las o tempo todo ou permanecer na superfície. (AUMONT, 2002, p. 7).

    A noção de manutenção das ideias ao longo do tempo nos coloca em direção ao cinema de Quentin Tarantino e, principalmente, ao pensamento sobre sua arte. Mais notadamente em relação a uma declaração sua em uma entrevista de divulgação para a promoção de Django Livre (2012). Depois de dizer que seu uso de violência era duplo no filme – operando no nível da representação e no da catarse –, o entrevistador, Krishnan Guru-Murthy, insistiu em questionar a relação entre violência real e violência cinematográfica. A resposta do diretor é tão exemplar de sua personalidade quanto do nosso primeiro passo em direção à Teoria dos Autores.

    Eu recuso sua questão. Não sou seu escravo e você não é meu mestre. Você não pode me fazer dançar para sua música. Não sou um macaco (…) A razão pela qual não respondo isso é porque eu já disse tudo o que tinha para dizer sobre isso. Se alguém se importar com o que tenho para dizer sobre isso, podem procurar no Google. E eles podem ver 20 anos sobre o que tenho a dizer. Não mudei minha opinião nem um pouco. (TARANTINO, 2013).

    Para a sorte deste trabalho, o The Wire, site de notícias de entretenimento, à época da entrevista, fez uma coletânea das declarações de Tarantino sobre como o cineasta usa a violência em seus filmes. Algumas são exemplares, como esta de 1994, em uma coletiva de imprensa para o lançamento de Pulp Fiction (1994):

    Violência é apenas uma das muitas formas de fazer cinema. As pessoas me perguntam, ‘de onde vem toda esta violência em seus filmes?’ e eu respondo, ‘de onde vem toda a dança dos filmes de Stanley Donen?’ se você me pergunta como eu me sinto em relação à violência na vida real, bem, tenho muitos sentimentos sobre isso. É um dos piores aspectos da América. Nos filmes violência é legal. Eu gosto. (TARANTINO apud ZUCKERMAN, 2016, s/p).

    Ou esta para o Chicago Tribune, de 1993, sobre a violência em Cães de Aluguel (1992), quando diz que “ainda é um filme. No limite eu não sou responsável pelo que uma pessoa faz depois de ver um filme. Tenho uma responsabilidade. Minha responsabilidade é em criar personagens os mais verdadeiros que eu possa” (TARANTINO apud ZUCKERMAN, 2016, s/p).

    Vinte anos depois ele, de fato, seguiu dizendo as mesmas coisas, como mostra esta declaração de 2013, depois do lançamento de DJANGO LIVRE, para o site Fresh Air:

    Eu assistiria um filme de Kung Fu três dias depois do massacre de Sandy Hook? Eu assistiria um filme de Kung Fu? Talvez, porque eles não tem nada a ver um com o outro (…) Sim. Fico muito incomodado [com este tipo de pergunta]. Acho que é um desrespeito com a memória deles, na verdade (…) Com a memória das pessoas que morreram ao relacionar com filmes [suas mortes]. Acho que é totalmente desrespeitoso para sua memória. Óbviamente a questão é controle na venda de armas e saúde mental. (TARANTINO apud ZUCKERMAN, 2016, s/p).

    Fica claro, então, que Tarantino não é um cineasta que usa a violência como forma de encantar o público. Sua preocupação está no uso dela como recurso visual e narrativo: a catarse mencionada na entrevista à Guru-Murthy. Para ele a violência do mundo real não pode e não deve se relacionar com a da ficção, sempre contextualizada e caricatural.

Bibliografia

    AUMONT, Jacques. As Teorias dos Cineastas. Campinas, SP. Papirus, 2004.

    TARANTINO, Quentin in ZUCKERMAN, Esther. Everything Quentin Tarantino Really Thinks About Violence and the Movies. The Wire. Disponível em Acesso em 18 de maio de 2016.

    Filmes

    CÃES de Aluguel. Direção: Quentin Tarantino. Fotografia: Andrzej Sekula. TVSBT Canal 04 de São Paulo S/A./Columbia Tristar, 1992. 1 DVD (98 min), NTSC, color. Título original: Reservoir Dogs.

    DJANGO Livre. Direção: Quentin Tarantino. Fotografia: Robert Richardson. Columbia Tristar Buena Vista Films of Brasil Ltda., 2012. 1 DVD (145 min), NTSC, color. Título original: Django Unchained.

    PULP Fiction: Tempo de Violência. Direção Quentin Tarantino. Fotografia: Andrzej Sekula. Buena Vista Home Entertainment, Inc. / Videolar S/A, 1994. 1 DVD (154 min), NTSC, color. Título original: Pulp Fiction.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Rio de Janeiro, 28 de janeiro de 2016.

 

Carta aberta ao Ministério da Educação e Ministério da Cultura

 

Assunto: Base Nacional Comum Curricular

 

 

A SOCINE (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual) tem acompanhado os esforços de construção da Base Nacional Comum Curricular. Nosso comentário aqui irá se ater à especificidade de nossa área e sua relação com as propostas apresentadas na BNCC.

Dentro do texto preliminar do BNCC o componente curricular ARTE parte de uma grande área chamada linguagens. Dentro desta área as artes foram divididas em quatro grandes eixos: “artes visuais, dança, teatro e música”, conforme as licenciaturas específicas em arte, desconsiderando a Licenciatura em Cinema e Audiovisual (Resolução do CNE n. 10, de 27 de junho de 2006) e excluindo completamente o cinema como uma arte específica.

Foi essa subdivisão que nos trouxe uma primeira preocupação. Junto à todos esses subcomponentes da área de artes nos parece fundamental que esteja também o cinema. Esta atenção e necessidade não existe apenas porque trabalhamos e pesquisamos cinema e estamos atentos aos seus destinos, mas porque o cinema está intensamente presente na escola e na sociedade e, no momento da construção de uma base nacional para o currículo do ensino infantil, médio e fundamental as questões, contribuições e potencias do cinema na escola não podem ser excluídos.

Diversos componentes curriculares lançam mão de filmes de ficção, seriados, documentários para abordarem temas transversais e específicos de diferentes naturezas. O debate teórico que investigamos apontam para uma necessária vivência no âmbito escolar dos dispositivos cinematográficos desde a tenra idade seja para desenvolver a imaginação na Educação Infantil, na elaboração de cenários para o faz de conta, seja para a construção de identidade pessoal e cultural, seja pela singularidade da experiência sensível que o cinema possibilita.

Vale notar alguns fatos que sustentam nossa preocupação. Primeiramente o cinema é hoje obrigatório na escola. Graças à lei 13006/14, há uma obrigação de exibição de pelo menos duas horas de filmes brasileiros nas escolas. Esta lei, em vias de regulamentação, também exigirá que espaços físicos e materiais sejam garantidos nas escolas para sua efetivação, além da necessidade de uma real inclusão do cinema nas questões que tocam o currículo como um todo, transcendendo mesmo as linguagens específicas. Além de oferecer uma ampla versatilidade de conteúdo, a leitura de filmes e a própria produção audiovisual – inclusive com dispositivos móveis de comunicação – permite a professores e estudantes olhar para a realidade para descobri-la e inventá-la – gestos essenciais na produção de conhecimento.

Como bem é lembrado na proposta de BNC, “a formação em Arte acontece em licenciaturas específicas (artes visuais, dança, teatro e música)”, pois, também em licenciaturas de cinema. Embora talvez se presuma que “artes visuais” inclua de algum modo ao cinema, ele tem uma especificidade na formação do professor. Desde 2012 a Universidade Federal Fluminense possui uma licenciatura em cinema e a mobilização de outras universidade no mesmo caminho é evidente. Devemos ainda atentar à intensa contribuição que diversos programas de pós-graduação vêm dando às relações entre cinema e educação, algo que se evidência nos próprios encontros da sociedade que representamos, onde a cada ano temos diversos trabalhos e comunicações dedicados às relações do cinema com a educação.

Além da materialidade legal, de formação e de pesquisa que evidencia a íntima relação entre o cinema e a escola, a Rede Kino: Rede Latinoamericana de Educação, Cinema e Audiovisual, formada por professores e pesquisadores que trabalham na interface entre cinema e educação, vem mapeando projetos e iniciativas que se dedicam à essa interface, desde 2008. Projetos que acontecem em todo o país e que mobilizam centenas de escolas. Por fim, sabemos que o cinema é amplamente presente nas escolas por conta da contribuição que ele traz em tantas áreas, conteúdos e debates, da matemática às ciências, passando pelas histórias, geografias e humanidades em geral. Por todos esses motivos, pela intensa força pedagógica do cinema na escola, nos preocupa que no momento de construção de uma Base Curricular tão pouca atenção tenho sido dada ao cinema.

No nosso entender, a BNC deveria incluir um eixo Cinema e Audiovisual dentro do componente curricular artes, só assim garantiremos uma formação consistente em uma área decisiva da cultura contemporânea, além de uma experiência e uma habilidade em uma dimensão central das linguagens no mundo atual.

 

Atenciosamente

 

 

Cezar Migliorin

Presidente da SOCINE

  1. Prazo de pagamento da anuidade: de 1 a 24 de março; 
  2. Prazo de submissão de propostas de trabalhos para apresentação [XXI Encontro]: de 5 a 31 de março;
  3. Divulgação de propostas aprovadas para apresentação [XXI SOCINE]: 9 de junho;
  4. Período de pagamento das inscrições [XXI SOCINE]:
      • PRIMEIRO PRAZO: 3 a 13 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
      • SEGUNDO PRAZO: 14 a 24 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
      • TERCEIRO PRAZO: 25 de julho a 1 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00
  5. Chamada de candidaturas [Eleições da SOCINE]: 21 de agosto a 22 de setembro;
  6. Inscrição de ouvintes [XXI SOCINE]: a partir de 11 de setembro;
  7. Divulgação da programação [XXI SOCINE]: 19 de setembro;
  8. Divulgação das candidaturas homologadas [Eleições da SOCINE]: 29 de setembro;
  9. XXI Encontro SOCINE, na UFPB, em João Pessoa: de 17 a 20 de outubro;
  10. Eleições da SOCINE: 18 e 19 de outubro;
  11. Assembleia e posse da nova diretoria: 20 de outubro;
  12. Prazo de envio de trabalhos para os Anais de Textos Completos [XXI SOCINE]: a definir.