Ficha do Proponente

Proponente

    Christine Pires Nelson de Mello (PUC-SP)

Minicurrículo

    Christine Mello é pesquisadora em comunicação e arte, crítica e curadora. Autora de Extremidades do vídeo (Senac, 2008) e coautora de Tékhne (MAB, 2010). Professora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Semiótica e do Curso Artes do Corpo da PUC-SP, assim como do Curso de Artes Visuais, e da Pós-Graduação Lato Sensu em Fotografia da FAAP. Possui pós-doutorado pela ECA-USP, sendo doutora e mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP.

Ficha do Trabalho

Título

    Doug Aitken, narrativas multiplataformas, performance e audiovisual

Seminário

    Interseções Cinema e Arte

Resumo

    Com o objetivo de promover aproximações críticas com as práticas pós-mídia que relacionam narrativas multiplataformas, performance e audiovisual, a presente comunicação busca refletir o trabalho Black Mirror (2010) de Doug Aitken. Estas novas estruturas narrativas organizam-se a partir de processos coletivos, permitindo a ativação de comunidades ligadas em rede.

Resumo expandido

    Numa revisão crítica empreendida às práticas artísticas em 1999, Rosalind Krauss chama a atenção sobre o quanto as mídias se encontram profundamente contaminadas e ideologizadas na nossa cultura, a ponto de necessitarem de uma redefinição e expansão em seus conceitos, na medida em que não há mais condição de observá-las em seus segmentos ou em suas especificidades. Para ela, só é possível pensar a estética contemporânea considerando a mídia como fator agregador, tanto na sociedade quanto no campo geral da criação artística. Para tanto, afirma ser necessário expandir o espaço das produções significantes e abandonar a análise de cada uma das obras em separado ou a análise de cada uma das mídias em seus contextos específicos de linguagem.
    À ampla profusão, disseminação e contaminação das mídias nas práticas sociais, culturais e artísticas, Krauss denomina condição pós-mídia. Para ela, a crítica às práticas artísticas só fará sentido tomando-se em conta a noção de mídia para além das convenções de seus códigos e de suas propriedades particulares.
    A presente comunicação pretende refletir sobre práticas pós-midiáticas por meio dos deslocamentos, passagens e contaminações entre as multiplicidades do cinema e das artes em um panorama de agenciamentos estéticos e tecnológicos. Nesse contexto, nas últimas décadas, é possível observar a multiplicidade das intersecções entre cinema e arte a partir de experiências promovidas pelas narrativas multiplataformas, que interconectam múltiplas plataformas comunicacionais às instalações audiovisuais, à performance e à mobilidade. Estas novas estruturas narrativas organizam-se a partir de processos coletivos, permitindo a ativação de comunidades ligadas em rede.
    Com o objetivo de promover aproximações críticas com as práticas pós-mídia que relacionam narrativas multiplataformas, performance e audiovisual, a presente comunicação busca refletir o trabalho Black Mirror (2010) de Doug Aitken. Com ele, observamos tensões e experiências constituídas nas dobras entre ficção e realidade, entre global e local, entre arquivo e memória, entre espaços físicos e virtuais – os chamados espaços intersticiais – nos trânsitos entre o cinema contemporâneo, a instalação audiovisual, o live cinema, as plataformas digitais em rede, internet, blog, mobilidade, arquivos, bancos de dados, livro de artista, dança, música e ações performáticas na esfera pública.
    O trabalho aborda problemas de ordem narrativa, relacionados a redes sociais, ações performáticas e arquivos audiovisuais, organizados por meio de situações nômades e dispersas, em incessantes processos de desconstrução, contaminação e compartilhamento.
    Esses agenciamentos entre plataformas entrecruzadas de comunicação instigam não apenas um debate sobre novos modos de pensar e constituir narrativas, mas também instrumentais próprios de leitura para a abordagem de poéticas emergentes. Trata-se de observar narrativas que se constroem nas extremidades, nas linhas fronteiriças entre organização vital e múltiplas linguagens, entre condições de vida, forma estética e experiência social.
    Abordada como arte, as narrativas multiplataformas em suas relações com a performance e o audiovisual são aqui compreendidas não apenas em seus aspectos não-lineares e colaborativos mas também como uma forma de ficcionalização do real. Tais problemas são enfatizados em torno da experiência cotidiana, trazendo, com isso, dimensões de sociabilidade, indeterminação e incerteza.
    Black Mirror de Doug Aitken incita, portanto, ao modo de Rosalind Krauss, a análise de trabalhos sob a forma de uma especificidade diferenciada, como um modo de reinventar e rearticular as intersecções entre arte e cinema já em um novo ciclo cultural.
    Como força que atravessa, o presente estudo tem como interesse tirar o foco do “específico” de cada uma das ações e linguagens envolvidas em torno da construção narrativa, problematizando na ativação de comunidades os seus principais aspectos poéticos.

Bibliografia

    AITKEN, Doug. Black Mirror. Atenas/Nova Iorque: Deste/Artbook, 2011.
    CAIRES, Carlos. A narrativa fílmica interativa: estratégias para a participação do público. Disponível em: https://artes.porto.ucp.pt/sites/default/files/programa_final_coloquio_narrativa_media_cognicao.pdf. Acesso: 18.05.16.
    COSTA, Luiz Claudio da. A gravidade da imagem: arte e memória na contemporaneidade. Rio de Janeiro: Quartet/FAPERJ, 2014.
    CVEJIC, Bojana; VUJANOVIC, Ana. Public sphere by performance. Berlim: B_book, 2015
    FOSTER, Hal. O retorno do real. São Paulo: Cosac Naify, 2014.
    KRAUSS, Rosalind. A voyage on the North Sea: Art in the age of post-medium condition. Thames & Hudson, Londres, 1999.
    MELLO, Christine. Extremidades do vídeo. São Paulo: Senac, 2008.
    MICHAUD, Philippe-Alain. Filme: por uma teoria expandida do cinema. Rio de Janeiro: Contraponto, 2014.
    PARENTE, André (org.). Cinema/Deleuze. Campinas: Papirus, 2013.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Rio de Janeiro, 28 de janeiro de 2016.

 

Carta aberta ao Ministério da Educação e Ministério da Cultura

 

Assunto: Base Nacional Comum Curricular

 

 

A SOCINE (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual) tem acompanhado os esforços de construção da Base Nacional Comum Curricular. Nosso comentário aqui irá se ater à especificidade de nossa área e sua relação com as propostas apresentadas na BNCC.

Dentro do texto preliminar do BNCC o componente curricular ARTE parte de uma grande área chamada linguagens. Dentro desta área as artes foram divididas em quatro grandes eixos: “artes visuais, dança, teatro e música”, conforme as licenciaturas específicas em arte, desconsiderando a Licenciatura em Cinema e Audiovisual (Resolução do CNE n. 10, de 27 de junho de 2006) e excluindo completamente o cinema como uma arte específica.

Foi essa subdivisão que nos trouxe uma primeira preocupação. Junto à todos esses subcomponentes da área de artes nos parece fundamental que esteja também o cinema. Esta atenção e necessidade não existe apenas porque trabalhamos e pesquisamos cinema e estamos atentos aos seus destinos, mas porque o cinema está intensamente presente na escola e na sociedade e, no momento da construção de uma base nacional para o currículo do ensino infantil, médio e fundamental as questões, contribuições e potencias do cinema na escola não podem ser excluídos.

Diversos componentes curriculares lançam mão de filmes de ficção, seriados, documentários para abordarem temas transversais e específicos de diferentes naturezas. O debate teórico que investigamos apontam para uma necessária vivência no âmbito escolar dos dispositivos cinematográficos desde a tenra idade seja para desenvolver a imaginação na Educação Infantil, na elaboração de cenários para o faz de conta, seja para a construção de identidade pessoal e cultural, seja pela singularidade da experiência sensível que o cinema possibilita.

Vale notar alguns fatos que sustentam nossa preocupação. Primeiramente o cinema é hoje obrigatório na escola. Graças à lei 13006/14, há uma obrigação de exibição de pelo menos duas horas de filmes brasileiros nas escolas. Esta lei, em vias de regulamentação, também exigirá que espaços físicos e materiais sejam garantidos nas escolas para sua efetivação, além da necessidade de uma real inclusão do cinema nas questões que tocam o currículo como um todo, transcendendo mesmo as linguagens específicas. Além de oferecer uma ampla versatilidade de conteúdo, a leitura de filmes e a própria produção audiovisual – inclusive com dispositivos móveis de comunicação – permite a professores e estudantes olhar para a realidade para descobri-la e inventá-la – gestos essenciais na produção de conhecimento.

Como bem é lembrado na proposta de BNC, “a formação em Arte acontece em licenciaturas específicas (artes visuais, dança, teatro e música)”, pois, também em licenciaturas de cinema. Embora talvez se presuma que “artes visuais” inclua de algum modo ao cinema, ele tem uma especificidade na formação do professor. Desde 2012 a Universidade Federal Fluminense possui uma licenciatura em cinema e a mobilização de outras universidade no mesmo caminho é evidente. Devemos ainda atentar à intensa contribuição que diversos programas de pós-graduação vêm dando às relações entre cinema e educação, algo que se evidência nos próprios encontros da sociedade que representamos, onde a cada ano temos diversos trabalhos e comunicações dedicados às relações do cinema com a educação.

Além da materialidade legal, de formação e de pesquisa que evidencia a íntima relação entre o cinema e a escola, a Rede Kino: Rede Latinoamericana de Educação, Cinema e Audiovisual, formada por professores e pesquisadores que trabalham na interface entre cinema e educação, vem mapeando projetos e iniciativas que se dedicam à essa interface, desde 2008. Projetos que acontecem em todo o país e que mobilizam centenas de escolas. Por fim, sabemos que o cinema é amplamente presente nas escolas por conta da contribuição que ele traz em tantas áreas, conteúdos e debates, da matemática às ciências, passando pelas histórias, geografias e humanidades em geral. Por todos esses motivos, pela intensa força pedagógica do cinema na escola, nos preocupa que no momento de construção de uma Base Curricular tão pouca atenção tenho sido dada ao cinema.

No nosso entender, a BNC deveria incluir um eixo Cinema e Audiovisual dentro do componente curricular artes, só assim garantiremos uma formação consistente em uma área decisiva da cultura contemporânea, além de uma experiência e uma habilidade em uma dimensão central das linguagens no mundo atual.

 

Atenciosamente

 

 

Cezar Migliorin

Presidente da SOCINE

  1. Prazo de pagamento da anuidade: de 1 a 24 de março; 
  2. Prazo de submissão de propostas de trabalhos para apresentação [XXI Encontro]: de 5 a 31 de março;
  3. Divulgação de propostas aprovadas para apresentação [XXI SOCINE]: 9 de junho;
  4. Período de pagamento das inscrições [XXI SOCINE]:
      • PRIMEIRO PRAZO: 3 a 13 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
      • SEGUNDO PRAZO: 14 a 24 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
      • TERCEIRO PRAZO: 25 de julho a 1 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00
  5. Chamada de candidaturas [Eleições da SOCINE]: 21 de agosto a 22 de setembro;
  6. Inscrição de ouvintes [XXI SOCINE]: a partir de 11 de setembro;
  7. Divulgação da programação [XXI SOCINE]: 19 de setembro;
  8. Divulgação das candidaturas homologadas [Eleições da SOCINE]: 29 de setembro;
  9. XXI Encontro SOCINE, na UFPB, em João Pessoa: de 17 a 20 de outubro;
  10. Eleições da SOCINE: 18 e 19 de outubro;
  11. Assembleia e posse da nova diretoria: 20 de outubro;
  12. Prazo de envio de trabalhos para os Anais de Textos Completos [XXI SOCINE]: a definir.