Ficha do Proponente

Proponente

    Andressa Gordya Lopes dos Santos (UNICAMP)

Minicurrículo

    Andressa Gordya Lopes dos Santos é mestranda do PPG em Multimeios do Instituto de Artes da UNICAMP, graduada em Cinema e Vídeo pela Universidade Estadual do Paraná – UNESPAR/FAP e cursou Filosofia na UFPR. É membra da Associação Paranaense de Imprensa, cronista no site de jornalismo literário Parágrafo 2, cobriu o Olhar de Cinema – Curitiba Int’l Film Festival para o portal de cultura A Escotilha e foi co-fundadora da Organização Universo Racionalista.

Ficha do Trabalho

Título

    Mad Max: Masculinidades em crise e nuances homoeróticas em Wasteland

Resumo

    Uma ode à masculinidade e, ao mesmo tempo, uma crítica, a saga Mad Max de George Miller é a obra do clássico herói que simultaneamente mostra-se anti-herói. Sua relação com os carros, com a potência quase erótica do ronco dos motores ovaciona a imprudência masculina. Como um ícone da modernidade convincente, o carro encapsula a impaciência e a irracionalidade da masculinidade contemporânea. Porém, ao mesmo tempo em que a virilidade se afirma, sutilmente há elementos que a desconstroem.

Resumo expandido

    Este artigo é uma extensão de minha monografia feita como trabalho de conclusão da graduação em Cinema e Vídeo da UNESPAR/FAP, intitulada “A desconstrução das relações de gênero, as relações de poder e a potência da maternidade no universo Mad Max” que esteve focada, porém, nas questões que envolviam a representação do feminino no último filme da saga, Estrada da Fúria (2015). Contudo, devido ao contexto social atual em que as constantes discussões acerca das representações de gênero e sexualidades marginalizadas não permitem mais o domínio das representações de um gênero em detrimento de outro, a representação da masculinidade viril começa a ser questionada. Tal abertura de caminhos resultou em um incrível aumento de interesse por questões de etnia, masculinidade e sexualidades híbridas no cinema.

    Sendo Mad Max um expoente do puro gênero de estrada, a masculinidade motorizada está localizada dentro das fantasias de violência, liberdade e libertação. Fantasias estas que são realizadas em oposição ao conceito de família, direito e controle, ou seja, longe da histórica colagem linear entre homens e espaço público, mulheres e espaço privado (ABOIM, 2012). A análise funciona como um diagnóstico de escopofilia, psicopatia e as várias manias homicidas que se fundem dentro desse conceito de masculinidade. Lançado primariamente em 1979, a saga Mad Max muito sutilmente apresentou nuances nas representações de gênero de seus personagens, seja pela queda da família tradicional no primeiro filme, pelas relações homoeróticas implícitas e sua proximidade com o sadomasoquismo em A Caçada Continua (1981) ou pela quase ridícula representação da masculinidade alienada em Estrada da Fúria (2015). É interessante citar que a existência de filmes como estes, que compõem a obra de George Miller no contexto industrial ao qual estão inseridos e suas subversões de gênero, trazem questionamentos muito pertinentes devido ao enorme acesso que um filme distribuído para as massas possui. Portanto, é necessário discorrer, a priori, sobre as questões mercadológicas que envolvem o cinema de gênero, no qual Mad Max se enquadra, uma vez que isso influi diretamente no tipo de discurso que é reproduzido no filme.

    Em uma análise mais estrutural do comportamento masculino e de sua reprodução da tela de cinema, podemos encontrar rachaduras nessa masculinidade afirmada que se impõe ao homem. Sergio Gomes da Silva, em seu artigo ‘Masculinidade na história: a construção cultural da diferença entre os sexos’, afirma que o homem estaria sendo colocado em xeque, pois estaria perdendo a noção de sua própria identidade, passando a buscar uma melhor descrição de si. Este fato conjuraria um certo mal estar dos homens acerca de suas atuais faltas (ou excessos) de referências sobre o masculino (SILVA, 2000). Silva atesta também que, a preocupação com uma possível feminilização por parte de alguns homens fez com que investissem e construíssem para si uma série de papéis e traços representativos da sua condição masculina, cultivando mais do que nunca a sua masculinidade e a sua virilidade, caracterizando também a primeira crise de identidade masculina.

    Dito isto, este artigo pretende fazer uma ponte com o pessimismo de Max diante de um mundo em que ele sente não se encaixar, as regras da polícia, os códigos morais vigentes e as regras familiares o frustram e o sufo
    cam, por mais que ame sua esposa e seu filho. As gangues de motos e carros híbridos exibem uma necessidade constante de aprovação do eu masculino cuja imprudência nas estradas é impensada e leva muitos à morte. A proposta, então, é de analisar o conceito de masculinidade construído nos filmes, suas críticas, contradições e idiossincrasias; apontar as dualidades comportamentais que denunciam tal masculinidade como inquestionável e, por fim, questionar sobre como o homoerotismo é construído nos filmes e se ele é apenas um aspecto da narrativa ou um contraponto crítico intencional a essa virilidade compulsória.

Bibliografia

    ALTMAN, R. Los géneros cinematográficos. Barcelona; Buenos Aires; México: Paidós, 2000.
    BADINTER, Elisabeth. XY: sobre a Identidade Masculina. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1993.
    BIBER, Katherine. The Threshold Moment: Masculinity at Home and on the Road in Australian Cinema. Limina 7 (2001), p. 26-46.
    BOURDIEU, Pierre. A Dominação Masculina Revisitada. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil. 1999.
    COHAN. Steve. HARK. Ina Rae. The Road Movie Book. London: Routledge. 1997. 1ª Edição.
    MULVEY, Laura. Prazer Visual e cinema narrativo. Ismail Xavier (org). A experiência do cinema. Graal Embrafilme. Rio de Janeiro – RJ, 1973, p. 437-453.
    PAIVA, Cláudio. Imagens do homoerotismo masculino no cinema: um estudo de gênero, comunicação e sociedade. Bagoas: estudos gays – gêneros e sexualidades. V. 1, n. 1, jul./dez., 2007.
    TURNER, Graeme. National Fictions: Literature, Film and a Construction of Australian Narrative. St. Leonards: Allen & Unwin. 2ª Edição, 1993.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Rio de Janeiro, 28 de janeiro de 2016.

 

Carta aberta ao Ministério da Educação e Ministério da Cultura

 

Assunto: Base Nacional Comum Curricular

 

 

A SOCINE (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual) tem acompanhado os esforços de construção da Base Nacional Comum Curricular. Nosso comentário aqui irá se ater à especificidade de nossa área e sua relação com as propostas apresentadas na BNCC.

Dentro do texto preliminar do BNCC o componente curricular ARTE parte de uma grande área chamada linguagens. Dentro desta área as artes foram divididas em quatro grandes eixos: “artes visuais, dança, teatro e música”, conforme as licenciaturas específicas em arte, desconsiderando a Licenciatura em Cinema e Audiovisual (Resolução do CNE n. 10, de 27 de junho de 2006) e excluindo completamente o cinema como uma arte específica.

Foi essa subdivisão que nos trouxe uma primeira preocupação. Junto à todos esses subcomponentes da área de artes nos parece fundamental que esteja também o cinema. Esta atenção e necessidade não existe apenas porque trabalhamos e pesquisamos cinema e estamos atentos aos seus destinos, mas porque o cinema está intensamente presente na escola e na sociedade e, no momento da construção de uma base nacional para o currículo do ensino infantil, médio e fundamental as questões, contribuições e potencias do cinema na escola não podem ser excluídos.

Diversos componentes curriculares lançam mão de filmes de ficção, seriados, documentários para abordarem temas transversais e específicos de diferentes naturezas. O debate teórico que investigamos apontam para uma necessária vivência no âmbito escolar dos dispositivos cinematográficos desde a tenra idade seja para desenvolver a imaginação na Educação Infantil, na elaboração de cenários para o faz de conta, seja para a construção de identidade pessoal e cultural, seja pela singularidade da experiência sensível que o cinema possibilita.

Vale notar alguns fatos que sustentam nossa preocupação. Primeiramente o cinema é hoje obrigatório na escola. Graças à lei 13006/14, há uma obrigação de exibição de pelo menos duas horas de filmes brasileiros nas escolas. Esta lei, em vias de regulamentação, também exigirá que espaços físicos e materiais sejam garantidos nas escolas para sua efetivação, além da necessidade de uma real inclusão do cinema nas questões que tocam o currículo como um todo, transcendendo mesmo as linguagens específicas. Além de oferecer uma ampla versatilidade de conteúdo, a leitura de filmes e a própria produção audiovisual – inclusive com dispositivos móveis de comunicação – permite a professores e estudantes olhar para a realidade para descobri-la e inventá-la – gestos essenciais na produção de conhecimento.

Como bem é lembrado na proposta de BNC, “a formação em Arte acontece em licenciaturas específicas (artes visuais, dança, teatro e música)”, pois, também em licenciaturas de cinema. Embora talvez se presuma que “artes visuais” inclua de algum modo ao cinema, ele tem uma especificidade na formação do professor. Desde 2012 a Universidade Federal Fluminense possui uma licenciatura em cinema e a mobilização de outras universidade no mesmo caminho é evidente. Devemos ainda atentar à intensa contribuição que diversos programas de pós-graduação vêm dando às relações entre cinema e educação, algo que se evidência nos próprios encontros da sociedade que representamos, onde a cada ano temos diversos trabalhos e comunicações dedicados às relações do cinema com a educação.

Além da materialidade legal, de formação e de pesquisa que evidencia a íntima relação entre o cinema e a escola, a Rede Kino: Rede Latinoamericana de Educação, Cinema e Audiovisual, formada por professores e pesquisadores que trabalham na interface entre cinema e educação, vem mapeando projetos e iniciativas que se dedicam à essa interface, desde 2008. Projetos que acontecem em todo o país e que mobilizam centenas de escolas. Por fim, sabemos que o cinema é amplamente presente nas escolas por conta da contribuição que ele traz em tantas áreas, conteúdos e debates, da matemática às ciências, passando pelas histórias, geografias e humanidades em geral. Por todos esses motivos, pela intensa força pedagógica do cinema na escola, nos preocupa que no momento de construção de uma Base Curricular tão pouca atenção tenho sido dada ao cinema.

No nosso entender, a BNC deveria incluir um eixo Cinema e Audiovisual dentro do componente curricular artes, só assim garantiremos uma formação consistente em uma área decisiva da cultura contemporânea, além de uma experiência e uma habilidade em uma dimensão central das linguagens no mundo atual.

 

Atenciosamente

 

 

Cezar Migliorin

Presidente da SOCINE

  1. Prazo de pagamento da anuidade: de 1 a 24 de março; 
  2. Prazo de submissão de propostas de trabalhos para apresentação [XXI Encontro]: de 5 a 31 de março;
  3. Divulgação de propostas aprovadas para apresentação [XXI SOCINE]: 9 de junho;
  4. Período de pagamento das inscrições [XXI SOCINE]:
      • PRIMEIRO PRAZO: 3 a 13 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
      • SEGUNDO PRAZO: 14 a 24 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
      • TERCEIRO PRAZO: 25 de julho a 1 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00
  5. Chamada de candidaturas [Eleições da SOCINE]: 21 de agosto a 22 de setembro;
  6. Inscrição de ouvintes [XXI SOCINE]: a partir de 11 de setembro;
  7. Divulgação da programação [XXI SOCINE]: 19 de setembro;
  8. Divulgação das candidaturas homologadas [Eleições da SOCINE]: 29 de setembro;
  9. XXI Encontro SOCINE, na UFPB, em João Pessoa: de 17 a 20 de outubro;
  10. Eleições da SOCINE: 18 e 19 de outubro;
  11. Assembleia e posse da nova diretoria: 20 de outubro;
  12. Prazo de envio de trabalhos para os Anais de Textos Completos [XXI SOCINE]: a definir.