Ficha do Proponente

Proponente

    Isabel Paz Sales Ximenes Carmo (UFC)

Minicurrículo

    Isabel Paz é mestranda em Comunicação pela Universidade Federal do Ceará (UFC), com pesquisa em Fotografia e Audiovisual, e graduada em Jornalismo pela mesma universidade. Participa do grupo de estudos e pesquisa “As faces do rosto”, que discute o tema a partir da perspectiva da Semiótica, da Filosofia, da Neurologia e da Psicanálise. É orientada pela Prof. Dra. Gabriela Reinaldo.

Ficha do Trabalho

Título

    ESPAÇO-FORA-DA-TELA E O (DES)APARECER DO ROSTO EM LES YEUX SANS VISAGE

Resumo

    O rosto é a principal parte do corpo pela qual interagimos com o ambiente e com os outros que nos rodeiam (COUTINE E HAROCHE, 1995). Pensando nas rupturas que a ausência do rosto provoca, discutiremos três sequências do filme Os Olhos Sem Rosto (Georges Franju, 1960) a partir do conceito de espaço-fora-da-tela imaginário proposto por Burch (2008), e como as operações fílmicas constroem e fortalecem essa ausência num jogo dialético permanente entre esconder e mostrar.

Resumo expandido

    O rosto proporciona uma dimensão de ligação e de comunicação com os outros que nos rodeiam; nele se revelam nossas emoções, sentimentos e ideias. Por esse motivo, nem sempre é lugar de clareza e entendimento. Pela boca, olhos, testa, fala-se; mas também se silencia. Diz-se, mas por meio de dobras, incoerências e entrelinhas. É um pouco desse ocultismo – algo de fantasmático, sobrenatural e aterrorizante – do rosto que discutiremos, a partir de sua ausência em “Os Olhos sem Rosto” (1960), de Georges Franju.
    Christiane teve o rosto desfigurado após um acidente de carro provocado pelo pai, Dr. Génessier. Culpado, ele tenta restituir o rosto à filha por meio de transplantes de rosto de moças, sequestradas com a ajuda de sua assistente, Louise. Enquanto espera pelo sucesso dos transplantes, Christiane é aprisionada em casa e obrigada a usar uma máscara que esconde sua desfiguração.
    Em “Os Olhos sem rosto” tudo gira em torno de rostos, num constante jogo dialético de mostra/esconde. Três sequências distintas são simbólicas desse jogo, construídas a partir de operações fílmicas que possibilitam essa (des)aparição: o posicionamento dos atores em relação à câmera, o uso de objetos que escondem a face, o jogo entre campo/fora de campo. Nelas são apresentadas as três personagens principais, Louise, Génessier e Christiane, e uma das vítimas, Simone. Louise se encontra atrás de um para-brisa (1ª sequência), Génessier está fora do campo (2ª) e Christiane, deitada em uma longue chaise, esconde o rosto em almofadas (3ª). Esses quatro rostos ocupam, a um primeiro momento, o espaço-fora-da-tela, de que fala Noel Burch (2008), sobre o qual o autor propõe duas formas de pensar e categorizar. Primeiro, em relação à orientação do espectador quanto ao espaço no filme (os quatro cantos da tela, atrás do cenário e atrás da câmera). A segunda é uma separação entre o espaço-fora-da-tela “concreto” – que é mostrado posteriormente, como no campo e contracampo, em que é possível reconhecer a continuidade daquele espaço – e imaginário. O espaço-fora-da-tela de Burch abrange não só um fora de campo que pode se tornar visível, mas também aquele espaço que em nenhum momento é mostrado, mas do qual conhecemos uma suposta existência que para nós passa a ser totalmente imaginária.
    No início da sequência (1), em que surgem Louise e o cadáver de Simone, não vemos diretamente o corpo morto (está fora de campo), pois é reflexo de um espelho. Depois, o contracampo afinal nos é mostrado; aí, um chapéu obstrui nossa visão. O rosto está dentro do campo, mas fora do quadro: invisível. Na palestra de Génessier (2), o som de sua voz é indício de uma presença física ainda não revelada, anunciada no plano anterior. No quarto (3), estão presentes o corpo inteiro de Christiane, vivo, visível, e uma voz a ele associada (portanto pertencente ao campo), mas seu rosto é negado ao espectador (como foi o de Simone).
    Estes quatro rostos são limitados a existir, por diferentes períodos, nesse espaço-fora-de-tela imaginário, que trabalha no preenchimento desse vazio de imagem. Descobrimos os rostos de Louise e de Génessier. Do cadáver, saberemos apenas o nome, Simone. Já o rosto de Christiane, a quem pertencem os “olhos sem rosto”, é um elemento de angústia, pois se trata de um rosto desfigurado. Essa ausência permanente se fortalece na montagem dos planos, como se a ausência se presentificasse, pois “como uma parte importante da personagem permanece em off, o espaço-fora-da-tela torna-se mais presente do que se a personagem entrasse em cena de corpo inteiro.” (BURCH, 2008, p. 41). Aqui falamos de uma ansiedade sentida pelo espectador, ansiedade por um rosto ao qual relacionar Christiane, mas que nunca será satisfeita: daí a inquietante sensação que a máscara nos provoca. Nosso intuito é discutir e problematizar o espaço-fora-de-tela em relação a esses rostos que não se deixam ver, pensando na dialética entre visível e invisível, presença e ausência.

Bibliografia

    AGAMBEN, G. O rosto. In:______. Meios sem fim: notas sobre a política. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2015.
    BURCH, N. Práxis do cinema. São Paulo: Perspectiva, 2008.
    COURTINE, J. J; HAROCHE, C. História do rosto: Exprimir e calar as suas emoções. Lisboa: Editorial Teorema, 1995.
    FREUD, S. O inquietante. In: ______. Sigmund Freud: obras completas, vol. 14. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.
    LE BRETON, D. Les passions ordinaires: Anthropologie des émotions. Paris: Armand Colin/Masson, 1998.
    OS OLHOS sem rosto. Direção: Georges Franju. Produção: Jules Borkon. Paris /Roma: Champs-Elysées Productions, Lux Film. 1960. 1 filme (88 min), 35 mm, p&b.
    REINALDO, Gabriela. Caras em profusão – o que nos dizem as imagens do rosto? In Carlos Gerbase, Eduardo Campos Pellanda, Juliana Tonin (orgs.). Meios e mensagens na aldeia virtual. 1ª ed. Porto Alegre: Sulina, 2012, v. 1, p. 89-108.
    RISTERUCCI, P. Les Yeux sans visage de Georges Franju. Liège: Éditions Yellow Now, 2011.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Rio de Janeiro, 28 de janeiro de 2016.

 

Carta aberta ao Ministério da Educação e Ministério da Cultura

 

Assunto: Base Nacional Comum Curricular

 

 

A SOCINE (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual) tem acompanhado os esforços de construção da Base Nacional Comum Curricular. Nosso comentário aqui irá se ater à especificidade de nossa área e sua relação com as propostas apresentadas na BNCC.

Dentro do texto preliminar do BNCC o componente curricular ARTE parte de uma grande área chamada linguagens. Dentro desta área as artes foram divididas em quatro grandes eixos: “artes visuais, dança, teatro e música”, conforme as licenciaturas específicas em arte, desconsiderando a Licenciatura em Cinema e Audiovisual (Resolução do CNE n. 10, de 27 de junho de 2006) e excluindo completamente o cinema como uma arte específica.

Foi essa subdivisão que nos trouxe uma primeira preocupação. Junto à todos esses subcomponentes da área de artes nos parece fundamental que esteja também o cinema. Esta atenção e necessidade não existe apenas porque trabalhamos e pesquisamos cinema e estamos atentos aos seus destinos, mas porque o cinema está intensamente presente na escola e na sociedade e, no momento da construção de uma base nacional para o currículo do ensino infantil, médio e fundamental as questões, contribuições e potencias do cinema na escola não podem ser excluídos.

Diversos componentes curriculares lançam mão de filmes de ficção, seriados, documentários para abordarem temas transversais e específicos de diferentes naturezas. O debate teórico que investigamos apontam para uma necessária vivência no âmbito escolar dos dispositivos cinematográficos desde a tenra idade seja para desenvolver a imaginação na Educação Infantil, na elaboração de cenários para o faz de conta, seja para a construção de identidade pessoal e cultural, seja pela singularidade da experiência sensível que o cinema possibilita.

Vale notar alguns fatos que sustentam nossa preocupação. Primeiramente o cinema é hoje obrigatório na escola. Graças à lei 13006/14, há uma obrigação de exibição de pelo menos duas horas de filmes brasileiros nas escolas. Esta lei, em vias de regulamentação, também exigirá que espaços físicos e materiais sejam garantidos nas escolas para sua efetivação, além da necessidade de uma real inclusão do cinema nas questões que tocam o currículo como um todo, transcendendo mesmo as linguagens específicas. Além de oferecer uma ampla versatilidade de conteúdo, a leitura de filmes e a própria produção audiovisual – inclusive com dispositivos móveis de comunicação – permite a professores e estudantes olhar para a realidade para descobri-la e inventá-la – gestos essenciais na produção de conhecimento.

Como bem é lembrado na proposta de BNC, “a formação em Arte acontece em licenciaturas específicas (artes visuais, dança, teatro e música)”, pois, também em licenciaturas de cinema. Embora talvez se presuma que “artes visuais” inclua de algum modo ao cinema, ele tem uma especificidade na formação do professor. Desde 2012 a Universidade Federal Fluminense possui uma licenciatura em cinema e a mobilização de outras universidade no mesmo caminho é evidente. Devemos ainda atentar à intensa contribuição que diversos programas de pós-graduação vêm dando às relações entre cinema e educação, algo que se evidência nos próprios encontros da sociedade que representamos, onde a cada ano temos diversos trabalhos e comunicações dedicados às relações do cinema com a educação.

Além da materialidade legal, de formação e de pesquisa que evidencia a íntima relação entre o cinema e a escola, a Rede Kino: Rede Latinoamericana de Educação, Cinema e Audiovisual, formada por professores e pesquisadores que trabalham na interface entre cinema e educação, vem mapeando projetos e iniciativas que se dedicam à essa interface, desde 2008. Projetos que acontecem em todo o país e que mobilizam centenas de escolas. Por fim, sabemos que o cinema é amplamente presente nas escolas por conta da contribuição que ele traz em tantas áreas, conteúdos e debates, da matemática às ciências, passando pelas histórias, geografias e humanidades em geral. Por todos esses motivos, pela intensa força pedagógica do cinema na escola, nos preocupa que no momento de construção de uma Base Curricular tão pouca atenção tenho sido dada ao cinema.

No nosso entender, a BNC deveria incluir um eixo Cinema e Audiovisual dentro do componente curricular artes, só assim garantiremos uma formação consistente em uma área decisiva da cultura contemporânea, além de uma experiência e uma habilidade em uma dimensão central das linguagens no mundo atual.

 

Atenciosamente

 

 

Cezar Migliorin

Presidente da SOCINE

  1. Prazo de pagamento da anuidade: de 1 a 24 de março; 
  2. Prazo de submissão de propostas de trabalhos para apresentação [XXI Encontro]: de 5 a 31 de março;
  3. Divulgação de propostas aprovadas para apresentação [XXI SOCINE]: 9 de junho;
  4. Período de pagamento das inscrições [XXI SOCINE]:
      • PRIMEIRO PRAZO: 3 a 13 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
      • SEGUNDO PRAZO: 14 a 24 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
      • TERCEIRO PRAZO: 25 de julho a 1 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00
  5. Chamada de candidaturas [Eleições da SOCINE]: 21 de agosto a 22 de setembro;
  6. Inscrição de ouvintes [XXI SOCINE]: a partir de 11 de setembro;
  7. Divulgação da programação [XXI SOCINE]: 19 de setembro;
  8. Divulgação das candidaturas homologadas [Eleições da SOCINE]: 29 de setembro;
  9. XXI Encontro SOCINE, na UFPB, em João Pessoa: de 17 a 20 de outubro;
  10. Eleições da SOCINE: 18 e 19 de outubro;
  11. Assembleia e posse da nova diretoria: 20 de outubro;
  12. Prazo de envio de trabalhos para os Anais de Textos Completos [XXI SOCINE]: a definir.