Ficha do Proponente

Proponente

    Filipa Raposo do Amaral Ribeiro do Rosário (CEC-FLUL)

Minicurrículo

    Investigadora de Pós-Doutoramento do Centro de Estudos Comparatistas da Universidade de Lisboa, onde desenvolve o projeto “Paisagens no Cinema Português dos últimos 50 anos”. Coordena no mesmo Centro um projeto sobre Cinema e Espaço, é Professora Convidada no Instituto Politécnico de Tomar. É doutorada em Estudos Artísticos – Estudos do Cinema e Audiovisual, com a tese “IN A LONELY PLACE – Para uma Leitura do Espaço do Road Movie a partir da Representação da Cidade Norte-americana”.

Ficha do Trabalho

Título

    O social, o histórico e o estético nas paisagens do cinema português

Seminário

    Cinemas em português: aproximações – relações

Resumo

    Nesta comunicação, procurarei apresentar três hipóteses de relação entre personagem e paisagem no cinema português dos últimos 50 anos: a personagem (I) desconhece e descobre a paisagem, (II) habita a paisagem sem lhe pertencer, (III) pertence à paisagem, sem dela conseguir escapar. Serão referidos filmes de Manoel de Oliveira, Paulo Rocha e Pedro Costa, entre outros. Deste modo, compreender-se-á de que forma o social e o histórico são tornados estéticos por via da paisagem no cinema português.

Resumo expandido

    Enquanto construção, o conceito de paisagem pressupõe um sujeito que habita e/ou observa um determinado território geográfico. É ele, ou ela, que, no processo de contemplação, edifica a paisagem a partir daquilo que vê e sempre em função daquilo que reconhece. Isto é, aquele que observa reproduz no espaço observado os seus próprios e apriorísticos esquemas mentais: na exterioridade, ingenuamente admiramos as nossas próprias formas de ver, afirma Anne Cauquelin (2008: 20).
    No cinema, esta projeção inevitável implica, pelo menos, três sujeitos contemplativos: o realizador, a personagem e o espectador, sendo que o olho da câmara poderá partilhar a perspectiva com a personagem, ou não. O espectador, que se encontra do lado de cá do ecrã, apreende sempre esta dinâmica dupla que, por sua vez, irá informar a paisagem que o mesmo espectador edificará.
    Do ponto de vista da narrativa fílmica, a questão da edificação da paisagem a partir do cenário pode ser pensada em termos da autonomia do espaço filmado relativamente à ação. Martin Lefebvre distingue duas formas de atividade por parte do espectador na experiência do visionamento: o modo narrativo e o modo “espetacular”, o primeiro fixa-se na atenção dada à ação do filme, o segundo na contemplação e reação à “visualidade” do filme enquanto espetáculo (2006: 28, 56). Assim, este modo “espetacular” alterna com o modo narrativo no decurso do visionamento e, quando o foco deixa de estar na ação que dinamiza a narrativa, surge então a contemplação. Afirma Lefebre: “a contemplação do espetáculo fílmico depende de um olhar “autonomizador”. É este olhar que possibilita a ideia de paisagem fílmica no cinema de ficção narrativo (e no documentário centrado em eventos)” (29).
    O cinema português está profundamente ligado à sua história social e nacional. Explica Tiago Baptista que apenas muito recentemente deixou o cinema português de assumir como seu desígnio a reflexão sobre a identidade cultural portuguesa, exercício esse que definiu o pensamento cinematográfico nacional até meados dos anos 90 (2010: 5). Desta forma, e generalizando, a paisagem no cinema português tende a (re)produzir um discurso de cariz sociológico e histórico, onde, em todo o caso, as categorias de apreciação estética da paisagem – isto é, o belo, o sublime e o pitoresco (Brooks, 2013: 110) – poderão estar implicados.
    Ainda sobre o cinema português: este, para além de muito pessoal, poético e hermético, é tendencialmente metafórico, por motivos históricos concretos (Costa, 2011: 108). Estes traços distintivos da cinematografia portuguesa testam a arrumação teórica de Lefebvre, no sentido em que, tratando-se de um cinema narrativo, a mesma cinematografia tende a dilatar o tempo, integrar o silêncio, excluir a ação física. Ou seja, mecanismos que potenciam a alteração do olhar do espectador para o modo “espetacular”, estetizante.
    Nesta comunicação, procurarei apresentar três hipóteses de relação entre personagem e paisagem/cenário no panorama do cinema português dos últimos 50 anos: (I) a personagem desconhece e descobre a paisagem, (II) a personagem habita a paisagem sem lhe pertencer, (III) a personagem pertence à paisagem, sem dela conseguir escapar. Serão referidos os seguintes filmes: Acto da Primavera (1963), Vale Abraão (1993), O Estranho Caso de Angélica (2010) de Manoel Oliveira; Verdes Anos (1963) e O Rio do Ouro (1998) de Paulo Rocha; Belarmino (1964) de Fernando Lopes; Veredas (1978) e À Flor do Mar (1986) de João César Monteiro; Trás-os-Montes (1976) de António Reis e Margarida Cordeiro; O Sangue (1989) e Juventude em Marcha (2006) de Pedro Costa; O Fantasma (2000) de João Pedro Rodrigues e Ruínas (2009) de Manuel Mozos. Deste modo, poder-se-á compreender o lugar simbólico da personagem face à paisagem no cinema português e, posteriormente, de que forma o social e o histórico são tornados estéticos por via da paisagem neste contexto fílmico específico.

Bibliografia

    Baptista, T. (2010), ‘Nationally correct: the invention of Portuguese Cinema’, Portuguese Cultural Studies, 3, pp. 3-18.
    Brook, I. (2013), ‘Aesthetic Appreciation of Landscape’, in Howard, P., Thompson, I. and Waterton, E. (eds) The Routledge Companion to Landscape Studies, Londres: Routledge, pp. 108-118.
    Cauquelin, A. (2008), A Invenção da Paisagem, Lisboa: Edições 70.
    Costa, J. M (2011), ‘documentário no pós-abril: os anos 70 na história do cinema português (e seus parêntesis)’, Panorama – 5ª Mostra do Documentário Português, 1 a 10 de Abril, Lisboa: CML/Direcção Municipal de Cultura/Videoteca, APORDOC, pp. 102-111.
    Harper, G. e Rayner, J. (eds). 2010. Cinema and Landscape: Film, Nation and Cultural Geography. Chicago: Intellect, UCPress.
    Lefebvre, M. (ed). (2006). Landscape and Film. Nova Iorque: Routledge.
    Rosário, F. (2014) ‘O lugar da voz na construção do espaço documental português: Morais, Mozos e Tocha’. Cinema: Revista de Filosofia e da Imagem em Movimento – 5, pp 189-205.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Rio de Janeiro, 28 de janeiro de 2016.

 

Carta aberta ao Ministério da Educação e Ministério da Cultura

 

Assunto: Base Nacional Comum Curricular

 

 

A SOCINE (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual) tem acompanhado os esforços de construção da Base Nacional Comum Curricular. Nosso comentário aqui irá se ater à especificidade de nossa área e sua relação com as propostas apresentadas na BNCC.

Dentro do texto preliminar do BNCC o componente curricular ARTE parte de uma grande área chamada linguagens. Dentro desta área as artes foram divididas em quatro grandes eixos: “artes visuais, dança, teatro e música”, conforme as licenciaturas específicas em arte, desconsiderando a Licenciatura em Cinema e Audiovisual (Resolução do CNE n. 10, de 27 de junho de 2006) e excluindo completamente o cinema como uma arte específica.

Foi essa subdivisão que nos trouxe uma primeira preocupação. Junto à todos esses subcomponentes da área de artes nos parece fundamental que esteja também o cinema. Esta atenção e necessidade não existe apenas porque trabalhamos e pesquisamos cinema e estamos atentos aos seus destinos, mas porque o cinema está intensamente presente na escola e na sociedade e, no momento da construção de uma base nacional para o currículo do ensino infantil, médio e fundamental as questões, contribuições e potencias do cinema na escola não podem ser excluídos.

Diversos componentes curriculares lançam mão de filmes de ficção, seriados, documentários para abordarem temas transversais e específicos de diferentes naturezas. O debate teórico que investigamos apontam para uma necessária vivência no âmbito escolar dos dispositivos cinematográficos desde a tenra idade seja para desenvolver a imaginação na Educação Infantil, na elaboração de cenários para o faz de conta, seja para a construção de identidade pessoal e cultural, seja pela singularidade da experiência sensível que o cinema possibilita.

Vale notar alguns fatos que sustentam nossa preocupação. Primeiramente o cinema é hoje obrigatório na escola. Graças à lei 13006/14, há uma obrigação de exibição de pelo menos duas horas de filmes brasileiros nas escolas. Esta lei, em vias de regulamentação, também exigirá que espaços físicos e materiais sejam garantidos nas escolas para sua efetivação, além da necessidade de uma real inclusão do cinema nas questões que tocam o currículo como um todo, transcendendo mesmo as linguagens específicas. Além de oferecer uma ampla versatilidade de conteúdo, a leitura de filmes e a própria produção audiovisual – inclusive com dispositivos móveis de comunicação – permite a professores e estudantes olhar para a realidade para descobri-la e inventá-la – gestos essenciais na produção de conhecimento.

Como bem é lembrado na proposta de BNC, “a formação em Arte acontece em licenciaturas específicas (artes visuais, dança, teatro e música)”, pois, também em licenciaturas de cinema. Embora talvez se presuma que “artes visuais” inclua de algum modo ao cinema, ele tem uma especificidade na formação do professor. Desde 2012 a Universidade Federal Fluminense possui uma licenciatura em cinema e a mobilização de outras universidade no mesmo caminho é evidente. Devemos ainda atentar à intensa contribuição que diversos programas de pós-graduação vêm dando às relações entre cinema e educação, algo que se evidência nos próprios encontros da sociedade que representamos, onde a cada ano temos diversos trabalhos e comunicações dedicados às relações do cinema com a educação.

Além da materialidade legal, de formação e de pesquisa que evidencia a íntima relação entre o cinema e a escola, a Rede Kino: Rede Latinoamericana de Educação, Cinema e Audiovisual, formada por professores e pesquisadores que trabalham na interface entre cinema e educação, vem mapeando projetos e iniciativas que se dedicam à essa interface, desde 2008. Projetos que acontecem em todo o país e que mobilizam centenas de escolas. Por fim, sabemos que o cinema é amplamente presente nas escolas por conta da contribuição que ele traz em tantas áreas, conteúdos e debates, da matemática às ciências, passando pelas histórias, geografias e humanidades em geral. Por todos esses motivos, pela intensa força pedagógica do cinema na escola, nos preocupa que no momento de construção de uma Base Curricular tão pouca atenção tenho sido dada ao cinema.

No nosso entender, a BNC deveria incluir um eixo Cinema e Audiovisual dentro do componente curricular artes, só assim garantiremos uma formação consistente em uma área decisiva da cultura contemporânea, além de uma experiência e uma habilidade em uma dimensão central das linguagens no mundo atual.

 

Atenciosamente

 

 

Cezar Migliorin

Presidente da SOCINE

  1. Prazo de pagamento da anuidade: de 1 a 24 de março; 
  2. Prazo de submissão de propostas de trabalhos para apresentação [XXI Encontro]: de 5 a 31 de março;
  3. Divulgação de propostas aprovadas para apresentação [XXI SOCINE]: 9 de junho;
  4. Período de pagamento das inscrições [XXI SOCINE]:
      • PRIMEIRO PRAZO: 3 a 13 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
      • SEGUNDO PRAZO: 14 a 24 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
      • TERCEIRO PRAZO: 25 de julho a 1 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00
  5. Chamada de candidaturas [Eleições da SOCINE]: 21 de agosto a 22 de setembro;
  6. Inscrição de ouvintes [XXI SOCINE]: a partir de 11 de setembro;
  7. Divulgação da programação [XXI SOCINE]: 19 de setembro;
  8. Divulgação das candidaturas homologadas [Eleições da SOCINE]: 29 de setembro;
  9. XXI Encontro SOCINE, na UFPB, em João Pessoa: de 17 a 20 de outubro;
  10. Eleições da SOCINE: 18 e 19 de outubro;
  11. Assembleia e posse da nova diretoria: 20 de outubro;
  12. Prazo de envio de trabalhos para os Anais de Textos Completos [XXI SOCINE]: a definir.