Ficha do Proponente

Proponente

    Leonardo Esteves (PUC-Rio)

Minicurrículo

    Leonardo Esteves é pesquisador de cinema. Mestre em Artes Visuais pela Escola de Belas Artes da UFRJ (EBA/UFRJ) e doutorando em Comunicação Social pela PUC-Rio com doutorado sanduíche na Université Sorbonne Nouvelle – Paris 3 (bolsa CAPES).

Ficha do Trabalho

Título

    Ciné-tract e o paradoxo do anonimato

Resumo

    Os ciné-tracts são filmes anônimos de curta duração (aprox. 3 minutos) em 16mm, sem som, embalados pela verve militante reintroduzida na França pelo Maio de 68. Uma “paternidade” dos filmetes, se é apropriado atribuir o termo, é convencionalmente atribuída a Chris Marker. Por outro lado, é Godard quem vai dilatar o procedimento de tornar tão improvável a questão do anonimado nos ciné-tracts, os renomeando film-tracts. Propõe-se analisar a questão paradoxal do anonimato nessa breve filmografia.

Resumo expandido

    Maio de 68 inspirou uma filmografia numerosa que se ocupou de repercutir em imagens e palavras o repertório combativo que trafegava em marchas e estampava cartazes e grafites. Entre os filmes que se destacam e os projetos coletivos que os geraram, é patente a questão do anonimato – um tópico importante em uma lista de reivindicações que impõe a distância de um cinema de finalidade mais convencional, a do entretenimento. A tradicional cartela “um filme de”, portanto, se torna improvável; e a distinção do autor (único) resulta em uma medida reprovável.

    Em uma filmografia marcadamente militante e anônima, os ciné-tracts (ou cinétracts) preenchem um espaço muito significativo. Os curtas-metragens silenciosos, feitos com apenas um rolo de 16mm e a partir de fotografias, são criações do período que não apenas originam filmes acabados, mas instituem uma estrutura-prática. Afinal, um panfleto anônimo chega a ser distribuído, explicando o que é e como fazer um ciné-tract (Layerle, 2008, p. 291-92). A prática vai ser disseminada enquanto um exercício em diversos segmentos. A feitura de um ciné-tract é verificável nas atividades dos États Généraux du Cinéma Français e também está expresso no manifesto do Grupo Medvedkine de Besançon.

    Segundo Jean-Luc Godard, o ciné-tract teria sido uma invenção de Chris Marker (Bergala, 1998, p. 332). Ao repensar os filmetes, contextualizando-os na obra do diretor de La jetée (1962) e nas práticas conduzidas por ele, perde-se já um pouco da noção de anonimato que estaria atrelada ao formato. Um “estilo Marker” estaria presente em todos os níveis do ciné-tract (Paci, 2008, p. 173). É, inclusive, o coletivo do cineasta (SLON, posteriormente nomeado ISKRA) que vai dispor de um fundo de fotografias que serão reutilizadas diversas vezes nos filmetes. A repetição sobre o mesmo material, e a consequente ressignificação a partir de diferentes articulações, vai tornar claro o paradoxo em torno do anonimato. Como observa a pesquisadora Viva Paci, “le ciné-tract tout comme um slogan, devient vite une question de style: il porte la marque personnelle du style de l’auteur, mais paradoxalement c’est un genre ‘impersonnel’ ou du moins non-signé “ (“o ciné-tract, assim como um slogan, se torna rapidamente uma questão de estilo: ele traz a marca pessoal do estilo de seu autor, mas, paradoxalmente, trata-se de um gênero ‘impessoal’ ou, ao menos, sem assinatura”) (Paci, 2008, p. 173).

    Em seguida, Godard tornará a questão do anonimato ainda mais problemática. Ao aperfeiçoar traços tão pessoais em suas contribuições, as renomeando film-tracts, o diretor dá prosseguimento aos ciné-tracts. Mas o faz a partir de uma abertura da função poética e não exclusivamente panfletária, expandindo o “regulamento” divulgado em panfleto anônimo.

    Este trabalho pretende analisar os dispositivos que problematizam o ciné-tract enquanto um panfleto-fílmico anônimo, levando em consideração duas abordagens autorais: uma pelo lado de Chris Marker e outra pelo de Godard. Pretende-se investigar também os filmetes enquanto esboço para um cinema materialista dialético (conceito criado por Jean-Paul Fargier na revista Cinéthique). Segundo Fargier e posteriormente Gerard Leblanc (na mesma revista), esse modelo seria colocado em prática pelo Grupo Dziga Vertov (de Godard e Jean-Pierre Gorin), fundado logo após a fabricação dos film-tracts. Um filme materialista dialético resultaria igualmente problemático na abolição de uma assinatura autoral, distinguindo-se fatalmente da busca pelo anonimato e solapando mesmo uma assinatura coletiva.

Bibliografia

    BERGALA, Alain (Org.). Jean-Luc Godard par Jean-Luc Godard [Tome 1, 1950-1984]. Paris: Cahiers du cinéma, 1998.

    FARGIER, Jean-Paul. La parenthèse et le détour. Cinéthique, Paris, nº 5, p. 15-21, set. 1969.

    FAROULT, David. ”Ciné-tracts”. In: ARAÚJO, Mateus; PUPPO, Eugênio. Godard – inteiro ou em pedaços. São Paulo: Heco Produções, 2015, p. 140-142.

    LAYERLE, Sébastien. Caméras en lutte en Mai 68. Paris: Nouveau monde éditions, 2008.

    LEBLANC, Gerard. Quel avant-garde?. Cinéthique, Paris, nº 7-8, p. 72-92, abril 1970.

    MAAREK, Philippe J.. De Mai 68… aux films X. Paris: Éditions Dujarric, 1979.

    PACI, Viva. ”On vous parle de… ciné-tracts”. In: HABIB, André; PACI, Viva. Chris Marker et l’imprimerie du regard. Paris: L’Harmattan, 2008, p. 167-177.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Rio de Janeiro, 28 de janeiro de 2016.

 

Carta aberta ao Ministério da Educação e Ministério da Cultura

 

Assunto: Base Nacional Comum Curricular

 

 

A SOCINE (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual) tem acompanhado os esforços de construção da Base Nacional Comum Curricular. Nosso comentário aqui irá se ater à especificidade de nossa área e sua relação com as propostas apresentadas na BNCC.

Dentro do texto preliminar do BNCC o componente curricular ARTE parte de uma grande área chamada linguagens. Dentro desta área as artes foram divididas em quatro grandes eixos: “artes visuais, dança, teatro e música”, conforme as licenciaturas específicas em arte, desconsiderando a Licenciatura em Cinema e Audiovisual (Resolução do CNE n. 10, de 27 de junho de 2006) e excluindo completamente o cinema como uma arte específica.

Foi essa subdivisão que nos trouxe uma primeira preocupação. Junto à todos esses subcomponentes da área de artes nos parece fundamental que esteja também o cinema. Esta atenção e necessidade não existe apenas porque trabalhamos e pesquisamos cinema e estamos atentos aos seus destinos, mas porque o cinema está intensamente presente na escola e na sociedade e, no momento da construção de uma base nacional para o currículo do ensino infantil, médio e fundamental as questões, contribuições e potencias do cinema na escola não podem ser excluídos.

Diversos componentes curriculares lançam mão de filmes de ficção, seriados, documentários para abordarem temas transversais e específicos de diferentes naturezas. O debate teórico que investigamos apontam para uma necessária vivência no âmbito escolar dos dispositivos cinematográficos desde a tenra idade seja para desenvolver a imaginação na Educação Infantil, na elaboração de cenários para o faz de conta, seja para a construção de identidade pessoal e cultural, seja pela singularidade da experiência sensível que o cinema possibilita.

Vale notar alguns fatos que sustentam nossa preocupação. Primeiramente o cinema é hoje obrigatório na escola. Graças à lei 13006/14, há uma obrigação de exibição de pelo menos duas horas de filmes brasileiros nas escolas. Esta lei, em vias de regulamentação, também exigirá que espaços físicos e materiais sejam garantidos nas escolas para sua efetivação, além da necessidade de uma real inclusão do cinema nas questões que tocam o currículo como um todo, transcendendo mesmo as linguagens específicas. Além de oferecer uma ampla versatilidade de conteúdo, a leitura de filmes e a própria produção audiovisual – inclusive com dispositivos móveis de comunicação – permite a professores e estudantes olhar para a realidade para descobri-la e inventá-la – gestos essenciais na produção de conhecimento.

Como bem é lembrado na proposta de BNC, “a formação em Arte acontece em licenciaturas específicas (artes visuais, dança, teatro e música)”, pois, também em licenciaturas de cinema. Embora talvez se presuma que “artes visuais” inclua de algum modo ao cinema, ele tem uma especificidade na formação do professor. Desde 2012 a Universidade Federal Fluminense possui uma licenciatura em cinema e a mobilização de outras universidade no mesmo caminho é evidente. Devemos ainda atentar à intensa contribuição que diversos programas de pós-graduação vêm dando às relações entre cinema e educação, algo que se evidência nos próprios encontros da sociedade que representamos, onde a cada ano temos diversos trabalhos e comunicações dedicados às relações do cinema com a educação.

Além da materialidade legal, de formação e de pesquisa que evidencia a íntima relação entre o cinema e a escola, a Rede Kino: Rede Latinoamericana de Educação, Cinema e Audiovisual, formada por professores e pesquisadores que trabalham na interface entre cinema e educação, vem mapeando projetos e iniciativas que se dedicam à essa interface, desde 2008. Projetos que acontecem em todo o país e que mobilizam centenas de escolas. Por fim, sabemos que o cinema é amplamente presente nas escolas por conta da contribuição que ele traz em tantas áreas, conteúdos e debates, da matemática às ciências, passando pelas histórias, geografias e humanidades em geral. Por todos esses motivos, pela intensa força pedagógica do cinema na escola, nos preocupa que no momento de construção de uma Base Curricular tão pouca atenção tenho sido dada ao cinema.

No nosso entender, a BNC deveria incluir um eixo Cinema e Audiovisual dentro do componente curricular artes, só assim garantiremos uma formação consistente em uma área decisiva da cultura contemporânea, além de uma experiência e uma habilidade em uma dimensão central das linguagens no mundo atual.

 

Atenciosamente

 

 

Cezar Migliorin

Presidente da SOCINE

  1. Prazo de pagamento da anuidade: de 1 a 24 de março; 
  2. Prazo de submissão de propostas de trabalhos para apresentação [XXI Encontro]: de 5 a 31 de março;
  3. Divulgação de propostas aprovadas para apresentação [XXI SOCINE]: 9 de junho;
  4. Período de pagamento das inscrições [XXI SOCINE]:
      • PRIMEIRO PRAZO: 3 a 13 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
      • SEGUNDO PRAZO: 14 a 24 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
      • TERCEIRO PRAZO: 25 de julho a 1 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00
  5. Chamada de candidaturas [Eleições da SOCINE]: 21 de agosto a 22 de setembro;
  6. Inscrição de ouvintes [XXI SOCINE]: a partir de 11 de setembro;
  7. Divulgação da programação [XXI SOCINE]: 19 de setembro;
  8. Divulgação das candidaturas homologadas [Eleições da SOCINE]: 29 de setembro;
  9. XXI Encontro SOCINE, na UFPB, em João Pessoa: de 17 a 20 de outubro;
  10. Eleições da SOCINE: 18 e 19 de outubro;
  11. Assembleia e posse da nova diretoria: 20 de outubro;
  12. Prazo de envio de trabalhos para os Anais de Textos Completos [XXI SOCINE]: a definir.