Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    AFONSO FELIPE GALDINO LEITE ROMAGNA (UAM)

Minicurrículo

    Mestrando em Comunicação com área de concentração em Audiovisual pela Universidade Anhembi Morumbi. Músico Profissional desde 2001. Possui Especialização em Educação Musical pela Faculdade Paulista de Artes – SP e graduação em Produção Musical pela Universidade Anhembi Morumbi – SP. Estudou Música na Universidade de Évora em Portugal entre os anos de 2008 – 2010 (Incompleto) e possui experiências profissionais como Professor, Produtor Musical e Músico

Ficha do Trabalho

Título

    O filme Cidade Mulher (1936) e o Samba de Noel Rosa

Resumo

    Propomos efetuar um resgate de partes do filme Cidade Mulher (1936), desaparecido em um incêndio, através de seu repertório musical, valorizando seus aspectos sonoros e sua relação com as possíveis imagens, o enredo, a cultura e a sociedade no qual está imerso. O filme foi dirigido por Humberto Mauro e possui trilha sonora original composta em quase sua totalidade pelo sambista Noel Rosa – sendo o único filme musicado por este compositor.

Resumo expandido

    O filme Cidade Mulher (1936), hoje desaparecido, foi produzido pela Brasil Vita Filme, dirigido por Humberto Mauro e possui trilha sonora criada em sua grande parte pelo compositor Noel Rosa. São seis as canções que Noel compôs para o filme: Cidade Mulher; Dama de Cabaré; Na Bahia (Noel Rosa e José Maria de Abreu); Numa noite a beira-mar; Morena Sereia (Noel Rosa e José Maria de Abreu) e Tarzan, o filho de alfaiate (Noel Rosa e Vadico). Além destas músicas, ainda constam no filme uma canção sob o título Boi-Bumbá (Valdemar Henrique), e participações musicais de Assis Valente, Muraro, Raul Roulien e Heckel Tavares. Estas canções foram encomendadas por Carmen Santos, produtora e atriz, especialmente para o filme, sendo as mesmas inéditas até o lançamento da película. (ALMIRANTE, 2013, p. 75). 
    Através da pesquisa documental realizada em jornais da época observamos que Humberto Mauro, diretor da película, buscou realizar um filme-musical em que as canções dialogassem com a ação fílmica. Mauro era conhecedor da cultura popular, e de vários sambistas e suas músicas (SCHVARZMAN, 2004, p. 89), explorou cenas cômicas, mas também sensuais – como em um número musical intitulado Tarzan, o filho do alfaiate, em que diversos atores aparecem de peito nu -, além de cenas filmadas externamente o que não era usual na época.
    Em matérias de jornais, os críticos exaltaram o uso das cenas externas do Rio de Janeiro gravadas por Mauro, o que nos faz presumir que a canção título do filme composta por Noel Rosa, Cidade Mulher – uma típica marcha de carnaval – possa ter sido utilizada pelo diretor como fundo enquanto os espectadores vislumbravam a cidade maravilhosa. A letra desta canção também reflete as transformações estruturais da cidade do Rio de Janeiro que, além de fazerem parte de um projeto de modernização da capital federal, buscavam construir através dela, o imaginário de uma cidade e um país maravilhosos. (SALLES, 2013, p. 10). 
    Outro número musical do filme, a canção de Noel Rosa Tarzan, o filho do alfaiate monstra uma fusão muito maior de estilos musicais comuns à década de 1930, além de uma visão crítica da sociedade carioca. Na letra observamos o tom de ironia tanto em relação às influências que os filmes americanos exerciam na sociedade, quanto também da figura do malandro ressaltando a preguiça e a indolência. A cena, filmada em estúdio com cenário da praia de Copacabana, revela corpos sensuais – comuns na direção de Mauro – e o humor característico das canções do Noel. Nesta música, o poeta do samba tratou de produzir uma harmonia mais elaborada nas estrofes, além do ritmo que é mais cadenciado e muito mais próximo do Samba de Estácio.
    As canções do filme Cidade Mulher e a riqueza de sua trilha sonora nos ajudam a imaginar de que forma esses sons contribuíram para criar as imagens que não podemos conhecer.

Bibliografia

    ALMIRANTE. No tempo de Noel Rosa / Almirante – 3. ed. Rio de Janeiro: Sonora Editora, 2013. 
    CINEMATECA BRASILEIRA. Disponível em: Acesso em: 08 Out. 2014.  
    MÁXIMO, João, DIDIER, Carlos. Noel Rosa: Uma biografia. Brasília: Editora Universidade de Brasília: Linha Gráfica Editora, 1990. 
    SALLES, Michele. A cidade no cinema brasileiro: Rio de Janeiro, ontem e hoje.  Revista Recine. Rio de Janeiro, n. 10, p. 8-17, 2013. 
    SCHVARZMAN, Sheila. Humberto Mauro e as imagens do Brasil. São Paulo: Editora Unesp, 2004. 

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Rio de Janeiro, 28 de janeiro de 2016.

 

Carta aberta ao Ministério da Educação e Ministério da Cultura

 

Assunto: Base Nacional Comum Curricular

 

 

A SOCINE (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual) tem acompanhado os esforços de construção da Base Nacional Comum Curricular. Nosso comentário aqui irá se ater à especificidade de nossa área e sua relação com as propostas apresentadas na BNCC.

Dentro do texto preliminar do BNCC o componente curricular ARTE parte de uma grande área chamada linguagens. Dentro desta área as artes foram divididas em quatro grandes eixos: “artes visuais, dança, teatro e música”, conforme as licenciaturas específicas em arte, desconsiderando a Licenciatura em Cinema e Audiovisual (Resolução do CNE n. 10, de 27 de junho de 2006) e excluindo completamente o cinema como uma arte específica.

Foi essa subdivisão que nos trouxe uma primeira preocupação. Junto à todos esses subcomponentes da área de artes nos parece fundamental que esteja também o cinema. Esta atenção e necessidade não existe apenas porque trabalhamos e pesquisamos cinema e estamos atentos aos seus destinos, mas porque o cinema está intensamente presente na escola e na sociedade e, no momento da construção de uma base nacional para o currículo do ensino infantil, médio e fundamental as questões, contribuições e potencias do cinema na escola não podem ser excluídos.

Diversos componentes curriculares lançam mão de filmes de ficção, seriados, documentários para abordarem temas transversais e específicos de diferentes naturezas. O debate teórico que investigamos apontam para uma necessária vivência no âmbito escolar dos dispositivos cinematográficos desde a tenra idade seja para desenvolver a imaginação na Educação Infantil, na elaboração de cenários para o faz de conta, seja para a construção de identidade pessoal e cultural, seja pela singularidade da experiência sensível que o cinema possibilita.

Vale notar alguns fatos que sustentam nossa preocupação. Primeiramente o cinema é hoje obrigatório na escola. Graças à lei 13006/14, há uma obrigação de exibição de pelo menos duas horas de filmes brasileiros nas escolas. Esta lei, em vias de regulamentação, também exigirá que espaços físicos e materiais sejam garantidos nas escolas para sua efetivação, além da necessidade de uma real inclusão do cinema nas questões que tocam o currículo como um todo, transcendendo mesmo as linguagens específicas. Além de oferecer uma ampla versatilidade de conteúdo, a leitura de filmes e a própria produção audiovisual – inclusive com dispositivos móveis de comunicação – permite a professores e estudantes olhar para a realidade para descobri-la e inventá-la – gestos essenciais na produção de conhecimento.

Como bem é lembrado na proposta de BNC, “a formação em Arte acontece em licenciaturas específicas (artes visuais, dança, teatro e música)”, pois, também em licenciaturas de cinema. Embora talvez se presuma que “artes visuais” inclua de algum modo ao cinema, ele tem uma especificidade na formação do professor. Desde 2012 a Universidade Federal Fluminense possui uma licenciatura em cinema e a mobilização de outras universidade no mesmo caminho é evidente. Devemos ainda atentar à intensa contribuição que diversos programas de pós-graduação vêm dando às relações entre cinema e educação, algo que se evidência nos próprios encontros da sociedade que representamos, onde a cada ano temos diversos trabalhos e comunicações dedicados às relações do cinema com a educação.

Além da materialidade legal, de formação e de pesquisa que evidencia a íntima relação entre o cinema e a escola, a Rede Kino: Rede Latinoamericana de Educação, Cinema e Audiovisual, formada por professores e pesquisadores que trabalham na interface entre cinema e educação, vem mapeando projetos e iniciativas que se dedicam à essa interface, desde 2008. Projetos que acontecem em todo o país e que mobilizam centenas de escolas. Por fim, sabemos que o cinema é amplamente presente nas escolas por conta da contribuição que ele traz em tantas áreas, conteúdos e debates, da matemática às ciências, passando pelas histórias, geografias e humanidades em geral. Por todos esses motivos, pela intensa força pedagógica do cinema na escola, nos preocupa que no momento de construção de uma Base Curricular tão pouca atenção tenho sido dada ao cinema.

No nosso entender, a BNC deveria incluir um eixo Cinema e Audiovisual dentro do componente curricular artes, só assim garantiremos uma formação consistente em uma área decisiva da cultura contemporânea, além de uma experiência e uma habilidade em uma dimensão central das linguagens no mundo atual.

 

Atenciosamente

 

 

Cezar Migliorin

Presidente da SOCINE