Ficha do Proponente

Proponente

    Débora Regina Opolski (UTP)

Minicurrículo

    Professora da UFPR, atua principalmente com edição de som para cinema e televisão. Autora do livro Introdução ao desenho de som, publicado pela editora da UFPB em 2013. Possui graduação e mestrado em Música pela UFPR. Foi bolsista CAPES/Fulbright desenvolvendo projeto de pesquisa sobre edição de diálogo na University of Southern california (08/2015 a 04/2016). Atualmente é doutoranda do programa de Pós Graduação em Comunicação e Linguagens na UTP.

Ficha do Trabalho

Título

    A constituição do estilo da voz falada no cinema de ficção comercial

Seminário

    Teoria e Estética do Som no Audiovisual

Resumo

    O trabalho pretende demonstrar de que forma o estilo da voz falada no cinema se constituiu como uma voz distintiva a partir do verossímil cinematográfico. O estabelecimento de uma norma padrão para a fala foi o início do percurso. Com o passar dos anos, a diversidade da voz falada foi representada seguindo o que Davis (2008) denomina de naturalismo estilizado. Hoje, a voz falada no cinema de ficção comercial é coloquial com características naturalistas como sobreposição de voz e/ou improviso.

Resumo expandido

    O estilo da voz falada no cinema de ficção comercial se modificou, ao longo dos anos, a partir de uma tentativa de aproximação com o que foi estabelecido como verossímil cinematográfico.
    A palavra falada no início do cinema sonoro seguiu os parâmetros já estabelecidos por outras formas de representação sonoras precedentes (ALTMAN, 1992), como o rádio e o teatro, e a partir dessas aproximações, se modificou continuamente, com o objetivo de procurar uma voz distintiva (LEITCH, 2013). O início desse percurso foi marcado pelo estabelecimento de uma norma padrão para a fala, denominada dicção transatlântica (LEITCH, 2013), que tinha o objetivo de unificar a expressão. No final da década de 30, o rádio apareceu como uma forte influência para a fala cinematográfica e a diversidade vocal começou a ser parte integrante das produções. Enquanto os filmes da década de 30 utilizavam expressões, sotaques e dialetos para demarcar personagens desviantes, na década de 40 houve uma descaracterização do padrão clássico instituído para a fala, começando por incluir essas expressões diversificadas. Como conseqüência, na década de 40 tornou-se comum a criação de roteiros de filmes falados a partir da adaptação de romances literários, pois a heteroglossia foi aceita e procurada como uma forma de representação da diversidade da fala. Nas décadas de 60 e 70 os diálogos dos filmes americanos soavam mais naturais devido a uma provável influência dos filmes franceses (KOZLOFF, 2000). Ainda para Kozloff (2000) analisando as diferentes formas de falar do cinema de ficção, é possível notar uma tendência de aproximação da fala do ator com uma espécie de naturalismo, que Davis (2008) denomina de ‘naturalismo seletivo’ pois é um naturalismo estilizado, de forma que no cinema “tudo de fato, serve a um propósito” (DAVIS, 2008).
    Para Berliner (2013, p. 103), “os diálogos dos filmes de Hollywood obedecem os próprios costumes. Nós aceitamos isso de acordo com os termos de Hollywood, não de acordo com a realidade”. A partir dessa afirmação, é possível dizer que as convenções do estilo da voz falada no cinema de ficção comercial são constituídas seguindo o que é aceito como verossímil no contexto cinematográfico. Metz (2007/1968, p. 229) demonstrou que o verossímil “é uma redução do possível”. No século XVII o verossímil foi compreendido como “o que está conforme as regras de um gênero estabelecido” (METZ, 2007/1968, p. 229). Deste modo, as variações, de acordo com a expressão artística e o momento histórico considerados para análise, tendem a alterar as convenções de verossímil compartilhadas por um determinado grupo.
    Parece portanto que o estilo da voz falada do cinema de ficção comercial contemporâneo está relacionado com o verossímil cinematográfico, que mescla alguns padrões estilísticos Hollywoodianos mutáveis, com convenções da linguagem utilizadas no dia a dia do espectador, também mutáveis com o decorrer do tempo. Logo, ao contrário de se aproximar ou de soar como o diálogo do teatro, do rádio ou do romance, as influências dessas expressões artísticas resultaram em uma voz própria para o cinema, em “uma voz distintiva” (LEITCH, 2013, p. 99). O naturalismo estilizado utilizado no cinema de ficção contemporâneo é simbolizado por uma fala coloquial com características naturalistas como sobreposição de voz e/ou improviso.
    Essa comunicação pretende apresentar o percurso histórico da voz falada no audiovisual e demonstrar, a partir de exemplos, de que forma as expressões artísticas precedentes influenciaram a constituição do estilo de voz falada utilizado hoje no cinema de ficção comercial contemporâneo.

Bibliografia

    ALTMAN, Rick. Sound theory sound practice. New York: Routledge, 1992.
    BERLINER, Tood. Killing the writer: movie dialogue conventions and John Cassavetes. In: Jaeckle, Jeff. Film Dialogue. New York: Columbia University Press, 2013
    DAVIS, Ribs. Writing dialogue for scripts. Londres: A&C Black Publishers Limited, 2008
    KOZLOFF, Sarah. Overhearing Film Dialogue. Berkeley and Los Angeles: University of California Press, 2000.
    LEITCH, Thomas. You talk like a character in a book: Dialogue and filme adaptation. In: Jaeckle, Jeff. Film Dialogue. New York: Columbia University Press, 2013.
    METZ, Christian. O dizer e o dito no Cinema: Ocaso de um verossímil? In: A significação no cinema. São Paulo: Perspectiva, 2007.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Rio de Janeiro, 28 de janeiro de 2016.

 

Carta aberta ao Ministério da Educação e Ministério da Cultura

 

Assunto: Base Nacional Comum Curricular

 

 

A SOCINE (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual) tem acompanhado os esforços de construção da Base Nacional Comum Curricular. Nosso comentário aqui irá se ater à especificidade de nossa área e sua relação com as propostas apresentadas na BNCC.

Dentro do texto preliminar do BNCC o componente curricular ARTE parte de uma grande área chamada linguagens. Dentro desta área as artes foram divididas em quatro grandes eixos: “artes visuais, dança, teatro e música”, conforme as licenciaturas específicas em arte, desconsiderando a Licenciatura em Cinema e Audiovisual (Resolução do CNE n. 10, de 27 de junho de 2006) e excluindo completamente o cinema como uma arte específica.

Foi essa subdivisão que nos trouxe uma primeira preocupação. Junto à todos esses subcomponentes da área de artes nos parece fundamental que esteja também o cinema. Esta atenção e necessidade não existe apenas porque trabalhamos e pesquisamos cinema e estamos atentos aos seus destinos, mas porque o cinema está intensamente presente na escola e na sociedade e, no momento da construção de uma base nacional para o currículo do ensino infantil, médio e fundamental as questões, contribuições e potencias do cinema na escola não podem ser excluídos.

Diversos componentes curriculares lançam mão de filmes de ficção, seriados, documentários para abordarem temas transversais e específicos de diferentes naturezas. O debate teórico que investigamos apontam para uma necessária vivência no âmbito escolar dos dispositivos cinematográficos desde a tenra idade seja para desenvolver a imaginação na Educação Infantil, na elaboração de cenários para o faz de conta, seja para a construção de identidade pessoal e cultural, seja pela singularidade da experiência sensível que o cinema possibilita.

Vale notar alguns fatos que sustentam nossa preocupação. Primeiramente o cinema é hoje obrigatório na escola. Graças à lei 13006/14, há uma obrigação de exibição de pelo menos duas horas de filmes brasileiros nas escolas. Esta lei, em vias de regulamentação, também exigirá que espaços físicos e materiais sejam garantidos nas escolas para sua efetivação, além da necessidade de uma real inclusão do cinema nas questões que tocam o currículo como um todo, transcendendo mesmo as linguagens específicas. Além de oferecer uma ampla versatilidade de conteúdo, a leitura de filmes e a própria produção audiovisual – inclusive com dispositivos móveis de comunicação – permite a professores e estudantes olhar para a realidade para descobri-la e inventá-la – gestos essenciais na produção de conhecimento.

Como bem é lembrado na proposta de BNC, “a formação em Arte acontece em licenciaturas específicas (artes visuais, dança, teatro e música)”, pois, também em licenciaturas de cinema. Embora talvez se presuma que “artes visuais” inclua de algum modo ao cinema, ele tem uma especificidade na formação do professor. Desde 2012 a Universidade Federal Fluminense possui uma licenciatura em cinema e a mobilização de outras universidade no mesmo caminho é evidente. Devemos ainda atentar à intensa contribuição que diversos programas de pós-graduação vêm dando às relações entre cinema e educação, algo que se evidência nos próprios encontros da sociedade que representamos, onde a cada ano temos diversos trabalhos e comunicações dedicados às relações do cinema com a educação.

Além da materialidade legal, de formação e de pesquisa que evidencia a íntima relação entre o cinema e a escola, a Rede Kino: Rede Latinoamericana de Educação, Cinema e Audiovisual, formada por professores e pesquisadores que trabalham na interface entre cinema e educação, vem mapeando projetos e iniciativas que se dedicam à essa interface, desde 2008. Projetos que acontecem em todo o país e que mobilizam centenas de escolas. Por fim, sabemos que o cinema é amplamente presente nas escolas por conta da contribuição que ele traz em tantas áreas, conteúdos e debates, da matemática às ciências, passando pelas histórias, geografias e humanidades em geral. Por todos esses motivos, pela intensa força pedagógica do cinema na escola, nos preocupa que no momento de construção de uma Base Curricular tão pouca atenção tenho sido dada ao cinema.

No nosso entender, a BNC deveria incluir um eixo Cinema e Audiovisual dentro do componente curricular artes, só assim garantiremos uma formação consistente em uma área decisiva da cultura contemporânea, além de uma experiência e uma habilidade em uma dimensão central das linguagens no mundo atual.

 

Atenciosamente

 

 

Cezar Migliorin

Presidente da SOCINE

  1. Prazo de pagamento da anuidade: de 1 a 24 de março; 
  2. Prazo de submissão de propostas de trabalhos para apresentação [XXI Encontro]: de 5 a 31 de março;
  3. Divulgação de propostas aprovadas para apresentação [XXI SOCINE]: 9 de junho;
  4. Período de pagamento das inscrições [XXI SOCINE]:
      • PRIMEIRO PRAZO: 3 a 13 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
      • SEGUNDO PRAZO: 14 a 24 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
      • TERCEIRO PRAZO: 25 de julho a 1 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00
  5. Chamada de candidaturas [Eleições da SOCINE]: 21 de agosto a 22 de setembro;
  6. Inscrição de ouvintes [XXI SOCINE]: a partir de 11 de setembro;
  7. Divulgação da programação [XXI SOCINE]: 19 de setembro;
  8. Divulgação das candidaturas homologadas [Eleições da SOCINE]: 29 de setembro;
  9. XXI Encontro SOCINE, na UFPB, em João Pessoa: de 17 a 20 de outubro;
  10. Eleições da SOCINE: 18 e 19 de outubro;
  11. Assembleia e posse da nova diretoria: 20 de outubro;
  12. Prazo de envio de trabalhos para os Anais de Textos Completos [XXI SOCINE]: a definir.