Ficha do Proponente

Proponente

    Nizia Villaça (UFRJ)

Minicurrículo

    Professora Titular Emérita da Escola de Comunicação/UFRJ; pós-doutorado em Antropologia Cultural, Paris V, Sorbonne; pesquisadora do CNPq; coordenadora do Grupo ETHOS: Comunicação, Comportamento e Estratégias Corporais; autora e organizadora entre outros, dos seguintes livros: Em nome do corpo. 2 ed. São Paulo: Estação das Letras e Cores, 2014; A edição do corpo: tecnociência, artes e moda. 2 ed. São Paulo: Estação das Letras e Cores, 2011.

Ficha do Trabalho

Título

    OLHARES SOBRE A DIVERSIDADE PERIFÉRICA

Resumo

    O texto pretende focar a temática da periferia pop tão em voga na Idade midiática por meio de rápida análise de características exemplares presentes no filme “Sonhos roubados”, de Sandra Werneck.
    Grande parte dos relatos da mídia contemporânea sob a influência do imaginário do capitalismo flexível não apresenta um grau de processualidade que permita refletir sobre as interações entre a sociedade e as instituições estatais e/ou privadas que se dedicam a estas áreas.

Resumo expandido

    Diante do esfacelamento da realidade é comum ver a mídia produzir uma espécie de curadoria da cidade, conjugando a narrativa do Rio Maravilha, Rio do turismo e da moda e o Rio violento e marginal. Neste contexto é interessante apontar o aumento da variedade narrativa sobrre a cidade que vai encontrar na periferia protagonistas para uma infindável repaginação. Nesta dinâmica surge tanto a voz das comunidades, quanto a da indústria cultural.
    Carlos Diegues, promotor de “5 X Favela”, filme que vem agora dirigido por cinco habitantes da periferia fala da nova linguagem audiovisual do “cinema de retomada” sobre a periferia: “agora temos um ponto de vista diferente. Um ponto de vista de dentro está levando “5 X Favela” – agora por nós mesmos”. Este novo olhar sobre as favelas é uma constante onde a reurbanização substitui a erradicação e a exposição de abril deste ano no Museu da Casa Brasileira, “Cidades Informais do Século 21”, dá pistas sobre esta mudança.
    A superficialidade dos relatos da mídia parece sugerir o sucesso definitivo das periferias assediadas por diretores de filmes, artistas e turistas. O êxito está presente na manchete “Favelas viram as grandes estrelas”, mostrando que as favelas andam mesmo em alta na indústria cultural made in Rio. Por ocasião do carnaval na Marquês de Sapucaí as Escolas de Samba Portela, Unidos de Vila Isabel e Estação Primeira de Mangueira trouxeram carros alegóricos com representações bem particulares dos morros cariocas. Na Azul e Branco de Madureira, a favela simboliza com o carro “Conquistando a liberdade”, a inclusão digital como forma de contribuir para a paz no Rio. Também as UPPs são apontadas no enredo como solução para a cidade.

    Imagens periféricas
    O cinema hoje abdica em parte do fardo sociológico que carregava no cinema novo preocupando-se mais em captar o estilo pessoal dos atores sociais. Um bom exemplo é o filme “Sonhos roubados”, de Sandra Werneck, em que três amigas vivem o dia-a-dia da favela construindo seus destinos no cruzamento das relações familiares, amorosas e de trabalho. Tudo fazem pelo consumo e pelo “estilo” numa série de escolhas que nos faz pensar em Gilles Lipovetsky e seu O império do efêmero quando fala dos processos de personificação construídos incessantemente. As meninas e seus corpos oscilam numa constelação de valores e escolhas que parecem se equilibrar e equivaler num clima de deriva que, ao final do filme, parece resultar em liberdade prazerosa. São sequências que se sucedem ou se alternam num ritmo que exemplifica o capitalismo flexível a que se refere Sennett. Transar ou não transar, pintar o cabelo ou não, escolher este ou aquele objeto, procurar o pai, fazer festa de quinze anos, ajudar o avô, namorar presidiário etc, etc. Um exemplo perfeito da deriva a que se refere Sennett ao descrever o capitalismo flexível.
    Nossa hipótese é que a mídia no afã de criar novos olhares sobre a periferia continua alternando a demonização deste mundo com a crescente implementação de ficções românticas que se inclinam em variadas direções. No cinema, valores como liberdade de opções, estratégias de resistência e comportamentos estilosos na modelagem sex and the city são exemplos. Discutimos a real possibilidade de intervenção e recriação dos sentidos pelos atores sociais da periferia, as possíveis manipulações da indústria cultural. Grande parte dos relatos da mídia contemporânea não apresenta um grau de processualidade que permita refletir sobre as interações entre a comunidade e as instituições estatais e/ou privadas que se dedicam à criação da sustentabilidade destas áreas que na cidade começam a ser ocupadas/pacificadas pelas UPPs.
    Nosso propósito é tentar refletir como a periferia afirma, negocia ou recusa a imagem disseminada pela mídia, o que está sendo realizado em contatos não sistemáticos com algumas comunidades.

Bibliografia

    BOLLON, Patrice. A moral da máscara. Rio de Janeiro: Rocco, 1997.

    BOURDIEU, P. Distinction: a social critique of the judment of taste. Cambridge: Harvard University Press, 1984.

    CALVINO, Ítalo. Cidades invisíveis. São Paulo: Companhia das Letras, 1990.

    CANEVACCI, Massimo. Culturas eXtremas: mutações juvenis nos corpos das metrópoles; tradução Alba Olmi. Rio de Janeiro: DP&A, 2005.

    DAVIS, Mike. Planeta favela; tradução Beatriz Medina. São Paulo: Boitempo, 2006.

    IANNI, Octavio. A era do globalismo, 2 ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1996.

    LIPOVETSKY, Gilles. O império do efêmero: a moda e seu destino nas sociedades modernas; tradução Maria Lúcia Machado. São Paulo: Companhia das Letras, 1989.

    SENNETT, Richard. A corrosão do caráter: as consequências pessoais do trabalho no novo capitalismo; tradução Marcos Santarrita, 13 ed. Rio de Janeiro: Record, 2008.

    SODRÉ, Muniz. As estratégias sensíveis: afeto, mídia e política. Petrópolis, RJ.: Vozes, 2006.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Rio de Janeiro, 28 de janeiro de 2016.

 

Carta aberta ao Ministério da Educação e Ministério da Cultura

 

Assunto: Base Nacional Comum Curricular

 

 

A SOCINE (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual) tem acompanhado os esforços de construção da Base Nacional Comum Curricular. Nosso comentário aqui irá se ater à especificidade de nossa área e sua relação com as propostas apresentadas na BNCC.

Dentro do texto preliminar do BNCC o componente curricular ARTE parte de uma grande área chamada linguagens. Dentro desta área as artes foram divididas em quatro grandes eixos: “artes visuais, dança, teatro e música”, conforme as licenciaturas específicas em arte, desconsiderando a Licenciatura em Cinema e Audiovisual (Resolução do CNE n. 10, de 27 de junho de 2006) e excluindo completamente o cinema como uma arte específica.

Foi essa subdivisão que nos trouxe uma primeira preocupação. Junto à todos esses subcomponentes da área de artes nos parece fundamental que esteja também o cinema. Esta atenção e necessidade não existe apenas porque trabalhamos e pesquisamos cinema e estamos atentos aos seus destinos, mas porque o cinema está intensamente presente na escola e na sociedade e, no momento da construção de uma base nacional para o currículo do ensino infantil, médio e fundamental as questões, contribuições e potencias do cinema na escola não podem ser excluídos.

Diversos componentes curriculares lançam mão de filmes de ficção, seriados, documentários para abordarem temas transversais e específicos de diferentes naturezas. O debate teórico que investigamos apontam para uma necessária vivência no âmbito escolar dos dispositivos cinematográficos desde a tenra idade seja para desenvolver a imaginação na Educação Infantil, na elaboração de cenários para o faz de conta, seja para a construção de identidade pessoal e cultural, seja pela singularidade da experiência sensível que o cinema possibilita.

Vale notar alguns fatos que sustentam nossa preocupação. Primeiramente o cinema é hoje obrigatório na escola. Graças à lei 13006/14, há uma obrigação de exibição de pelo menos duas horas de filmes brasileiros nas escolas. Esta lei, em vias de regulamentação, também exigirá que espaços físicos e materiais sejam garantidos nas escolas para sua efetivação, além da necessidade de uma real inclusão do cinema nas questões que tocam o currículo como um todo, transcendendo mesmo as linguagens específicas. Além de oferecer uma ampla versatilidade de conteúdo, a leitura de filmes e a própria produção audiovisual – inclusive com dispositivos móveis de comunicação – permite a professores e estudantes olhar para a realidade para descobri-la e inventá-la – gestos essenciais na produção de conhecimento.

Como bem é lembrado na proposta de BNC, “a formação em Arte acontece em licenciaturas específicas (artes visuais, dança, teatro e música)”, pois, também em licenciaturas de cinema. Embora talvez se presuma que “artes visuais” inclua de algum modo ao cinema, ele tem uma especificidade na formação do professor. Desde 2012 a Universidade Federal Fluminense possui uma licenciatura em cinema e a mobilização de outras universidade no mesmo caminho é evidente. Devemos ainda atentar à intensa contribuição que diversos programas de pós-graduação vêm dando às relações entre cinema e educação, algo que se evidência nos próprios encontros da sociedade que representamos, onde a cada ano temos diversos trabalhos e comunicações dedicados às relações do cinema com a educação.

Além da materialidade legal, de formação e de pesquisa que evidencia a íntima relação entre o cinema e a escola, a Rede Kino: Rede Latinoamericana de Educação, Cinema e Audiovisual, formada por professores e pesquisadores que trabalham na interface entre cinema e educação, vem mapeando projetos e iniciativas que se dedicam à essa interface, desde 2008. Projetos que acontecem em todo o país e que mobilizam centenas de escolas. Por fim, sabemos que o cinema é amplamente presente nas escolas por conta da contribuição que ele traz em tantas áreas, conteúdos e debates, da matemática às ciências, passando pelas histórias, geografias e humanidades em geral. Por todos esses motivos, pela intensa força pedagógica do cinema na escola, nos preocupa que no momento de construção de uma Base Curricular tão pouca atenção tenho sido dada ao cinema.

No nosso entender, a BNC deveria incluir um eixo Cinema e Audiovisual dentro do componente curricular artes, só assim garantiremos uma formação consistente em uma área decisiva da cultura contemporânea, além de uma experiência e uma habilidade em uma dimensão central das linguagens no mundo atual.

 

Atenciosamente

 

 

Cezar Migliorin

Presidente da SOCINE

  1. Prazo de pagamento da anuidade: de 1 a 24 de março; 
  2. Prazo de submissão de propostas de trabalhos para apresentação [XXI Encontro]: de 5 a 31 de março;
  3. Divulgação de propostas aprovadas para apresentação [XXI SOCINE]: 9 de junho;
  4. Período de pagamento das inscrições [XXI SOCINE]:
      • PRIMEIRO PRAZO: 3 a 13 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
      • SEGUNDO PRAZO: 14 a 24 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
      • TERCEIRO PRAZO: 25 de julho a 1 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00
  5. Chamada de candidaturas [Eleições da SOCINE]: 21 de agosto a 22 de setembro;
  6. Inscrição de ouvintes [XXI SOCINE]: a partir de 11 de setembro;
  7. Divulgação da programação [XXI SOCINE]: 19 de setembro;
  8. Divulgação das candidaturas homologadas [Eleições da SOCINE]: 29 de setembro;
  9. XXI Encontro SOCINE, na UFPB, em João Pessoa: de 17 a 20 de outubro;
  10. Eleições da SOCINE: 18 e 19 de outubro;
  11. Assembleia e posse da nova diretoria: 20 de outubro;
  12. Prazo de envio de trabalhos para os Anais de Textos Completos [XXI SOCINE]: a definir.