Ficha do Proponente

Proponente

    Marcel Vieira Barreto Silva (UFPB)

Minicurrículo

    Professor Adjunto do curso de Cinema e Audiovisual e do Programa de Pós-graduação em Comunicação da UFPB, de que atualmente é coordenador. Mestre e Doutor em Comunicação pela UFF. Autor de “Adaptação Intercultural: o caso de Shakespeare no cinema brasileiro” (Edufba, 2013), vencedor do prêmio Compós de melhor Tese em 2012. Atualmente, pesquisa a questão das séries televisivas contemporâneas, sobre a qual publicou diversos artigos e capítulos de livros.

Ficha do Trabalho

Título

    A poética intermidiática do roteiro seriado

Resumo

    As séries televisivas tem apresentado, nos últimos anos, diversas inovações estéticas, o que vem mobilizando esforços para a compreensão do contexto atual. Um dos aspectos costumeiramente destacados é o da sofisticação dos modelos narrativos, a partir da emergência da instância criativa autoral do escritor-produtor. Neste trabalho, vamos propor aspectos teóricos e metodológicos para o estudo do roteiro de séries, enfatizando a sua poética intermidiática como elemento determinante.

Resumo expandido

    Os estudos em torno das séries televisivas foram, historicamente, dominados por dois tipos de análise: o primeiro, de fundo sobretudo sociológico, pesquisa as questões temáticas que os programas encenam, como os aspectos político-ideológicos e os modos de representação das identidades de gênero, raça, classe social, etc. O segundo tipo, chamado aqui de econômico, almeja compreender os contextos de produção e consumo televisual, suas mais variadas plataformas de exibição (TV aberta, fechada, VOD, etc.), bem como as diferentes modalidades de relação dos canais com o público e, paralelamente, do público com os canais. Esses dois tipos de análise, devemos destacar, não são exclusivos, e muitas vezes apresentam diferentes níveis de correlação. Sua importância para a construção de um campo específico é, portanto, inegável.
    Nos últimos anos, entretanto, a investigação em torno de uma poética das séries de televisão ganhou força, a partir de estudos mais detidos sobre aspectos estilísticos (BUTLER, 2010; PEACOCK, JACOBS, 2013) e narrativos (MITTELL, 2015; SILVA, 2015). Em termos metodológicos, esses trabalhos recorrem a um ferramental já comum aos estudos de cinema, a partir de uma influência decisiva do neoformalismo analítico (sobretudo David Bordwell e Kristin Thompson) e da narratologia francesa. Com base nisso, são produzidas investigações específicas de programas, temporadas, episódicos, blocos e arcos narrativos dos personagens, lidando quase exclusivamente com a análise detida dos elementos narrativos e audiovisuais utilizados na composição das séries.
    A fim de ampliar o escopo das análises estilístico-narrativas que tem se destacado nos últimos anos, este trabalho busca discutir os métodos de análise dos roteiros de séries contemporâneas, a partir de um caminho metodológico específico, a meio caminho entre a análise textual e estudo comparativo, sempre levando em consideração que o roteiro, como peça dramática-verbal, compõe a sua linguagem a partir de sua natureza expressiva essencialmente intermidiática (RAJEWSKY, 2005).
    Sabemos que se trata de um campo ainda novo, esse da análise expressiva do roteiro. No caso das séries televisivas, um dos argumentos utilizados para justificar a sofisticação das formas narrativas foi precisamente a emergência de uma instância autoral decisória dentro da estrutural industrial da TV: o escritor-produtor. No entanto, ainda que a sua importância seja inescapável, o trabalho particular de criação dos roteiristas – o roteiro propriamente dito – raramente merece atenção acadêmica.
    Um campo de estudos específico do roteiro, além de recente, concentra-se no roteiro de cinema, investigando a sua poética (MACDONALD, 2013) ou a sua história (MARAS, 2009; PRICE, 2010). No caso da roteirização seriada, temos uma profusão de livros de matriz pragmática, manuais que ensinam os modelos e esquemas utilizados na indústria. No entanto, conforme é o argumento que defenderemos aqui, estudar a natureza singular do roteiro seriado pode contribuir sobremaneira para o entendimento das transformações estéticas empreendidas nos últimos anos na produção televisiva seriada. Apontar as suas especificidades e, portanto, as suas categorias de análise, é o objetivo deste trabalho.

Bibliografia

    BUTLER, J. Television Style. New York: Routledge, 2009.
    MACDONALD, I. Screenwriting Poetics and the Screen Idea. London: Palgrave, 2013.
    MARAS, S. Screenwriting: History, Theory and Practice. London: Wallflower Press, 2009.
    MITTELL, Jason. Complex TV: The Poetics of Contemporary Television Storytelling. New York: NYU Press, 2015.
    PEACOCK S., JACOBS, J. Television Aesthetics and Style. London: Bloomsbury Academic, 2013.
    PRICE, S. Screenplay: Authorship, Theory and Criticism. London: Palgrave MacMillan, 2010.
    RAJWESKY, I. Intermediality, Intertextuality, and Remediation: A Literary Perspective on Intermediality. Intermedialiés. n. 06, 2005. p. 43-64
    SILVA, M.V.B. Origem do drama seriado contemporâneo. Matrizes (USP), v. 09, n. 01, 2015. p. 127-143.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Rio de Janeiro, 28 de janeiro de 2016.

 

Carta aberta ao Ministério da Educação e Ministério da Cultura

 

Assunto: Base Nacional Comum Curricular

 

 

A SOCINE (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual) tem acompanhado os esforços de construção da Base Nacional Comum Curricular. Nosso comentário aqui irá se ater à especificidade de nossa área e sua relação com as propostas apresentadas na BNCC.

Dentro do texto preliminar do BNCC o componente curricular ARTE parte de uma grande área chamada linguagens. Dentro desta área as artes foram divididas em quatro grandes eixos: “artes visuais, dança, teatro e música”, conforme as licenciaturas específicas em arte, desconsiderando a Licenciatura em Cinema e Audiovisual (Resolução do CNE n. 10, de 27 de junho de 2006) e excluindo completamente o cinema como uma arte específica.

Foi essa subdivisão que nos trouxe uma primeira preocupação. Junto à todos esses subcomponentes da área de artes nos parece fundamental que esteja também o cinema. Esta atenção e necessidade não existe apenas porque trabalhamos e pesquisamos cinema e estamos atentos aos seus destinos, mas porque o cinema está intensamente presente na escola e na sociedade e, no momento da construção de uma base nacional para o currículo do ensino infantil, médio e fundamental as questões, contribuições e potencias do cinema na escola não podem ser excluídos.

Diversos componentes curriculares lançam mão de filmes de ficção, seriados, documentários para abordarem temas transversais e específicos de diferentes naturezas. O debate teórico que investigamos apontam para uma necessária vivência no âmbito escolar dos dispositivos cinematográficos desde a tenra idade seja para desenvolver a imaginação na Educação Infantil, na elaboração de cenários para o faz de conta, seja para a construção de identidade pessoal e cultural, seja pela singularidade da experiência sensível que o cinema possibilita.

Vale notar alguns fatos que sustentam nossa preocupação. Primeiramente o cinema é hoje obrigatório na escola. Graças à lei 13006/14, há uma obrigação de exibição de pelo menos duas horas de filmes brasileiros nas escolas. Esta lei, em vias de regulamentação, também exigirá que espaços físicos e materiais sejam garantidos nas escolas para sua efetivação, além da necessidade de uma real inclusão do cinema nas questões que tocam o currículo como um todo, transcendendo mesmo as linguagens específicas. Além de oferecer uma ampla versatilidade de conteúdo, a leitura de filmes e a própria produção audiovisual – inclusive com dispositivos móveis de comunicação – permite a professores e estudantes olhar para a realidade para descobri-la e inventá-la – gestos essenciais na produção de conhecimento.

Como bem é lembrado na proposta de BNC, “a formação em Arte acontece em licenciaturas específicas (artes visuais, dança, teatro e música)”, pois, também em licenciaturas de cinema. Embora talvez se presuma que “artes visuais” inclua de algum modo ao cinema, ele tem uma especificidade na formação do professor. Desde 2012 a Universidade Federal Fluminense possui uma licenciatura em cinema e a mobilização de outras universidade no mesmo caminho é evidente. Devemos ainda atentar à intensa contribuição que diversos programas de pós-graduação vêm dando às relações entre cinema e educação, algo que se evidência nos próprios encontros da sociedade que representamos, onde a cada ano temos diversos trabalhos e comunicações dedicados às relações do cinema com a educação.

Além da materialidade legal, de formação e de pesquisa que evidencia a íntima relação entre o cinema e a escola, a Rede Kino: Rede Latinoamericana de Educação, Cinema e Audiovisual, formada por professores e pesquisadores que trabalham na interface entre cinema e educação, vem mapeando projetos e iniciativas que se dedicam à essa interface, desde 2008. Projetos que acontecem em todo o país e que mobilizam centenas de escolas. Por fim, sabemos que o cinema é amplamente presente nas escolas por conta da contribuição que ele traz em tantas áreas, conteúdos e debates, da matemática às ciências, passando pelas histórias, geografias e humanidades em geral. Por todos esses motivos, pela intensa força pedagógica do cinema na escola, nos preocupa que no momento de construção de uma Base Curricular tão pouca atenção tenho sido dada ao cinema.

No nosso entender, a BNC deveria incluir um eixo Cinema e Audiovisual dentro do componente curricular artes, só assim garantiremos uma formação consistente em uma área decisiva da cultura contemporânea, além de uma experiência e uma habilidade em uma dimensão central das linguagens no mundo atual.

 

Atenciosamente

 

 

Cezar Migliorin

Presidente da SOCINE

  1. Prazo de pagamento da anuidade: de 1 a 24 de março; 
  2. Prazo de submissão de propostas de trabalhos para apresentação [XXI Encontro]: de 5 a 31 de março;
  3. Divulgação de propostas aprovadas para apresentação [XXI SOCINE]: 9 de junho;
  4. Período de pagamento das inscrições [XXI SOCINE]:
      • PRIMEIRO PRAZO: 3 a 13 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
      • SEGUNDO PRAZO: 14 a 24 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
      • TERCEIRO PRAZO: 25 de julho a 1 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00
  5. Chamada de candidaturas [Eleições da SOCINE]: 21 de agosto a 22 de setembro;
  6. Inscrição de ouvintes [XXI SOCINE]: a partir de 11 de setembro;
  7. Divulgação da programação [XXI SOCINE]: 19 de setembro;
  8. Divulgação das candidaturas homologadas [Eleições da SOCINE]: 29 de setembro;
  9. XXI Encontro SOCINE, na UFPB, em João Pessoa: de 17 a 20 de outubro;
  10. Eleições da SOCINE: 18 e 19 de outubro;
  11. Assembleia e posse da nova diretoria: 20 de outubro;
  12. Prazo de envio de trabalhos para os Anais de Textos Completos [XXI SOCINE]: a definir.