Ficha do Proponente

Proponente

    Tiago Sarmento (UFRJ)

Minicurrículo

    Doutorando do Programa de Pós-Graduação em Teoria Psicanalítica da Universidade Federal do Rio de Janeiro, mestre em Comunicação Social – Redes, Estética e Tecnocultura e especialista em Psicanálise: Subjetividade e Cultura, ambos pela Universidade Federal de Juiz de Fora, e graduado em Comunicação Social – Publicidade e Propaganda pelo CES/JF. Pesquisa a relação entre sujeito e os heróis, com ênfase nos filmes de super-heróis e sua articulação com o Unheimliche, fantasia e realidade psíquica.

Ficha do Trabalho

Título

    11/9 e os filmes-catástrofe a partir do Unheimliche de Freud

Resumo

    Ancorado nos termos originais em alemão do texto O Estranho de Sigmund Freud (1919), propomos uma discussão acerca da tradução em português do conceito e suas eventuais falhas para com o restante da teoria freudiana junto aos filmes-catástrofe para refletir sobre o que, de fato, estaria em jogo tanto na questão do Unheimliche não estar relacionado apenas ao horror, quanto na vida inconsciente do americano, onde desejo, fantasia e recalque entram em xeque junto aos atentados de 11 de setembro

Resumo expandido

    Em 2016, “celebramos” 15 anos dos atentados de 11 de setembro, considerado por muitos o marco simbólico da virada do milênio. O estatuto fantástico dos ataques às Torres Gêmeas acabou por se tornar mais “valioso” que os próprios danos materiais causados pelos terroristas. Entre identificações, empatias, angústias, traumas e uma constante sensação de vigia, o “fascínio” por este evento pode ser datado até mesmo de antes de sua ocorrência.

    A utilização de termos como celebração, valor e fascínio não é a toa. Valores e afetos podem ser intensos em igualdade, independente se positivos ou negativos; a celebração é um significante ligado a honrar algum evento ou pessoa, seja viva ou morta; e o fascínio, como veremos, pode ser engatilhado pelo belo ou pelo horrível.

    É calcado neste jogo de sentidos opostos que trazemos O Estranho de Sigmund Freud (1919/1990) para uma reavaliação teórica em diálogo com os filmes-catástrofe de destruição da cidade de Nova Iorque. Sendo um conceito muito utilizado para análises estéticas de obras de ficção, seja da literatura ou do cinema, o Unheimliche muitas vezes sofre distorções em sua interpretação devido às edições em português serem traduzidas do inglês – e não diretamente do alemão, – tendo, assim, termos importantes para o campo da psicanálise traduzidos de forma parcial e não muito esclarecida. Além disso, observa-se uma tendência de autores que buscam utilizar o ensaio de Freud em isolar o Unheimliche do resto da teoria psicanalítica, excluindo sua importantes conexões com outros conceitos – assim como a tradução também acaba por excluir.

    O Unheimliche vai além do que se associa apenas ao horror e ao que causa medo; nos primeiros parágrafos da obra em alemão, se confrontado com as edições em português e inglês, vemos como um simples termo – angst, traduzido como ansiedade pela língua inglesa – pode se tornar duvidoso. No entanto, para uma melhor compreensão do Unheimliche, nos sentimos compelidos a buscar essas significações em outros textos-chave da obra do autor, como Além do Princípio do Prazer (1920/1990) ou Inibições, Sintomas e Ansiedade (1926/1990), onde uma pertinente discussão se abre: seria angst um termo corretamente traduzido por ansiedade? Estaria a frase no terceiro parágrafo de O Estranho, “relaciona-se indubitavelmente com o que é assustador – com o que provoca medo e horror” (FREUD, 1919/1990, p. 275-6) correta? Por que os autores interessados no tema tendem, então, a ignorar a frase seguinte do contexto, “certamente, também, a palavra nem sempre é usada num sentido claramente definível, de modo que tende a coincidir com aquilo que desperta o medo em geral” (Idem)? Qual a relação entre o Unheimliche e a ficção – sempre ancorada em fantasias?

    É tendo este panorama em vista que buscamos um diálogo entre os blockbusters Independence Day (EMMERICH, 1996) e Os Vingadores (WHEDON, 2012) e a inquietante estranheza proveniente do Unheimliche freudiano com os atentados de 11 de setembro. O fascínio do público pela constante destruição da cidade de Nova Iorque – e a sua suposta certeza de que aquilo era parte apenas da ficção –, ao entrar em desacordo com a chocante realidade dos atentados, pôs em xeque essa realidade. Se Freud nos diz que bastaria um momento de dúvida sobre a possibilidade real de determinado evento acontecer para que o Unheimliche se instaure (FREUD, 1919/1990, p. 308), poderíamos encontrar nesta relação proposta um material de análise para aprofundarmos nos estudos acerca do Unheimliche e da própria noção de trauma social?

    Apoiados nas discussões sobre os filmes pós-11/9 (POLLARD, 2011), do cinema das narrativas clássicas (BORDWELL, 1985; THOMPSON, 1999; WYATT, 1994) e dos conceitos de trauma, angústia, estranheza e realidade psíquica da teoria psicanalítica, buscamos compreender melhor o porquê deste inquietante fascínio por catástrofes de escala global que levam milhões às salas de cinema e quais as suas relações com o psiquismo do sujeito contemporâneo.

Bibliografia

    BORDWELL, David. Narration in fiction film. New York: Routledge, 1985.

    FREUD, Sigmund. (1900). A Interpretação dos Sonhos. Edição Standart Brasileira das Obras Psicológicas Completas, v. IV e V. Rio de Janeiro: Imago, 1990.

    ______. (1919). O Estranho. Edição Standart Brasileira das Obras Psicológicas Completas, v. XVII. Rio de Janeiro: Imago, 1990.

    ______. (1920). Além do princípio do prazer. Edição Standart Brasileira das Obras Psicológicas Completas, v. XVIII. Rio de Janeiro: Imago, 1990.

    ______. (1926) Inibições, sintomas e ansiedade. Edição Standart Brasileira das Obras Psicológicas Completas, v. XX. Rio de Janeiro: Imago, 1990.

    POLLARD, Tom. Hollywood 9/11: Superheroes, Supervillains, and Super Disasters. London: Paradigm, 2011.

    THOMPSON, Kristin. Storytelling in the new Hollywood. Cambridge: Harvard University Press, 1999.

    WYATT, Justin. High Concept: movies and marketing in Hollywood. Austin: University of Texas Press, 1994.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Rio de Janeiro, 28 de janeiro de 2016.

 

Carta aberta ao Ministério da Educação e Ministério da Cultura

 

Assunto: Base Nacional Comum Curricular

 

 

A SOCINE (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual) tem acompanhado os esforços de construção da Base Nacional Comum Curricular. Nosso comentário aqui irá se ater à especificidade de nossa área e sua relação com as propostas apresentadas na BNCC.

Dentro do texto preliminar do BNCC o componente curricular ARTE parte de uma grande área chamada linguagens. Dentro desta área as artes foram divididas em quatro grandes eixos: “artes visuais, dança, teatro e música”, conforme as licenciaturas específicas em arte, desconsiderando a Licenciatura em Cinema e Audiovisual (Resolução do CNE n. 10, de 27 de junho de 2006) e excluindo completamente o cinema como uma arte específica.

Foi essa subdivisão que nos trouxe uma primeira preocupação. Junto à todos esses subcomponentes da área de artes nos parece fundamental que esteja também o cinema. Esta atenção e necessidade não existe apenas porque trabalhamos e pesquisamos cinema e estamos atentos aos seus destinos, mas porque o cinema está intensamente presente na escola e na sociedade e, no momento da construção de uma base nacional para o currículo do ensino infantil, médio e fundamental as questões, contribuições e potencias do cinema na escola não podem ser excluídos.

Diversos componentes curriculares lançam mão de filmes de ficção, seriados, documentários para abordarem temas transversais e específicos de diferentes naturezas. O debate teórico que investigamos apontam para uma necessária vivência no âmbito escolar dos dispositivos cinematográficos desde a tenra idade seja para desenvolver a imaginação na Educação Infantil, na elaboração de cenários para o faz de conta, seja para a construção de identidade pessoal e cultural, seja pela singularidade da experiência sensível que o cinema possibilita.

Vale notar alguns fatos que sustentam nossa preocupação. Primeiramente o cinema é hoje obrigatório na escola. Graças à lei 13006/14, há uma obrigação de exibição de pelo menos duas horas de filmes brasileiros nas escolas. Esta lei, em vias de regulamentação, também exigirá que espaços físicos e materiais sejam garantidos nas escolas para sua efetivação, além da necessidade de uma real inclusão do cinema nas questões que tocam o currículo como um todo, transcendendo mesmo as linguagens específicas. Além de oferecer uma ampla versatilidade de conteúdo, a leitura de filmes e a própria produção audiovisual – inclusive com dispositivos móveis de comunicação – permite a professores e estudantes olhar para a realidade para descobri-la e inventá-la – gestos essenciais na produção de conhecimento.

Como bem é lembrado na proposta de BNC, “a formação em Arte acontece em licenciaturas específicas (artes visuais, dança, teatro e música)”, pois, também em licenciaturas de cinema. Embora talvez se presuma que “artes visuais” inclua de algum modo ao cinema, ele tem uma especificidade na formação do professor. Desde 2012 a Universidade Federal Fluminense possui uma licenciatura em cinema e a mobilização de outras universidade no mesmo caminho é evidente. Devemos ainda atentar à intensa contribuição que diversos programas de pós-graduação vêm dando às relações entre cinema e educação, algo que se evidência nos próprios encontros da sociedade que representamos, onde a cada ano temos diversos trabalhos e comunicações dedicados às relações do cinema com a educação.

Além da materialidade legal, de formação e de pesquisa que evidencia a íntima relação entre o cinema e a escola, a Rede Kino: Rede Latinoamericana de Educação, Cinema e Audiovisual, formada por professores e pesquisadores que trabalham na interface entre cinema e educação, vem mapeando projetos e iniciativas que se dedicam à essa interface, desde 2008. Projetos que acontecem em todo o país e que mobilizam centenas de escolas. Por fim, sabemos que o cinema é amplamente presente nas escolas por conta da contribuição que ele traz em tantas áreas, conteúdos e debates, da matemática às ciências, passando pelas histórias, geografias e humanidades em geral. Por todos esses motivos, pela intensa força pedagógica do cinema na escola, nos preocupa que no momento de construção de uma Base Curricular tão pouca atenção tenho sido dada ao cinema.

No nosso entender, a BNC deveria incluir um eixo Cinema e Audiovisual dentro do componente curricular artes, só assim garantiremos uma formação consistente em uma área decisiva da cultura contemporânea, além de uma experiência e uma habilidade em uma dimensão central das linguagens no mundo atual.

 

Atenciosamente

 

 

Cezar Migliorin

Presidente da SOCINE

  1. Prazo de pagamento da anuidade: de 1 a 24 de março; 
  2. Prazo de submissão de propostas de trabalhos para apresentação [XXI Encontro]: de 5 a 31 de março;
  3. Divulgação de propostas aprovadas para apresentação [XXI SOCINE]: 9 de junho;
  4. Período de pagamento das inscrições [XXI SOCINE]:
      • PRIMEIRO PRAZO: 3 a 13 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
      • SEGUNDO PRAZO: 14 a 24 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
      • TERCEIRO PRAZO: 25 de julho a 1 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00
  5. Chamada de candidaturas [Eleições da SOCINE]: 21 de agosto a 22 de setembro;
  6. Inscrição de ouvintes [XXI SOCINE]: a partir de 11 de setembro;
  7. Divulgação da programação [XXI SOCINE]: 19 de setembro;
  8. Divulgação das candidaturas homologadas [Eleições da SOCINE]: 29 de setembro;
  9. XXI Encontro SOCINE, na UFPB, em João Pessoa: de 17 a 20 de outubro;
  10. Eleições da SOCINE: 18 e 19 de outubro;
  11. Assembleia e posse da nova diretoria: 20 de outubro;
  12. Prazo de envio de trabalhos para os Anais de Textos Completos [XXI SOCINE]: a definir.