Ficha do Proponente

Proponente

    Thalita Cruz Bastos (UFF)

Minicurrículo

    Doutora em Comunicação Social pela Universidade Federal Fluminense, pesquisa as relações entre afeto, corpo e cinema contemporâneo pela chave do realismo. Tem interesse pelo cinema europeu contemporâneo, especialmente cinema português e austríaco.

Ficha do Trabalho

Título

    Eventos de Afeto: a expressão pós-colonial em Paradise: Love

Resumo

    A possibilidade da expressão pós-colonial no cinema europeu contemporâneo através da relação entre os corpos e sua capacidade de produção de afetos se configura como um instrumento privilegiado para fazer sentir as contradições do momento pós-colonial. A análise do filme Paradise:Love, do diretor austríaco Ulrich Seidl será realizada a fim de compreender como a instauração de eventos afetivos expressivos no interior da narrativa propõe uma visão crítica à postura europeia perante o outro.

Resumo expandido

    Na produção audiovisual contemporânea observamos o surgimento de novas formas de engajar afetivamente o espectador através da estética realista. Os modos de produzir afeto dentro de uma obra audiovisual são múltiplos e estão relacionados tanto com as características da produção de um cineasta, mas também como as escolhas estéticas que são feitas e que direcionam o interesse do espectador pela obra para os aspectos sensoriais e afetivos que são estimulados no decorrer da obra audiovisual.

    O cinema europeu contemporâneo apresenta alguns diretores cujas decisões estéticas, temáticas e narrativas se aproximam do que chamamos de cinema pós-colonial na medida que produzem através de seus filmes não apenas um questionamento do lugar de fala do europeu e suas visões estereotipadas de mundo, como também o faz através do agenciamento da relação entre os corpos e a produção de afetos a partir dos encontros entre eles. As intensidades existentes numa narrativa onde predominam as questões do momento pós-colonial em que vivemos é dada a ver e a sentir através da instauração de eventos afetivos.

    O diretor austríaco Ulrich Seidl é destacado pois para além de seu interesse por abordar relações migratórias na contemporaneidade, seu método de filmagem bastante característico permite a tanto a expressão do corpo pós-colonial que ele escolhe apresentar, quanto a produção de afetos através da instauração de eventos afetivos expressivos no interior da narrativa. Além disso, Seidl propõe uma visão irônica e crítica perante a forma de olhar do europeu, propondo através do agenciamento dos corpos e cena uma outra forma de se ter a experiência do outro. É nesse sentido que a análise do primeiro filme da Paradise Trilogy, Paradise:Love, se justifica. Trata-se de um filme em que os conflitos do momento pós-colonial são visíveis e sensíveis através da relação entre os corpos dos atores e personagens.

    Para nos ajudar nessa análise será desenvolvido o diálogo com autores como Elena Del Río, para trabalhar o conceito de eventos afetivos-expressivos, Brian Massumi e sua compreensão de afeto como intensidade. Em contrapartida a autora Eugenie Brinkema e sua proposta de entender o afeto como forma e não apenas como intensidade, a fim de problematizar análises divergentes sobre o papel do afeto, mas se que aplicam à obra cinematográfica analisada. Além disso, as reflexões sobre corpo realizadas por Jean-Jacques Courtine, juntamente com a concepção de corpo pós-colonial advinda dos Estudos Culturais. Nossa proposta é reconfigurar o conceito de corpo pós-colonial, não limitando-o apenas a representação de gêneros e etnias, mas como aquele que permite expressar os conflitos do momento pós-colonial marcados na pele e que reverberam no encontro com outros corpos.

    O desafio desse texto é reunir pontos de vista paradoxais, quais sejam, o entendimento da potencialidade de afetação e expressão dos corpos através de eventos afetivos para além de sua representação num contexto de produção – o universo dos Estudos Culturais e os Estudos Pós-Coloniais – no qual as políticas de representação possuem um papel fundamental. Enfrentar esse paradoxo se justifica pelas demandas dos filmes da Paradise Trilogy, e nesse caso especificamente o primeiro filme, Paradise: Love. O filme apresenta em si o encontro desse paradoxo teórico, expressão e representação juntos, cada um cumprindo seu papel em engajar afetivamente o espectador.

Bibliografia

    ASHCROFT, Bill. GRIFFITHS, Gareth, TIFFIN, Helen. Post-colonial Studies. The key concepts. London and New York: Routledge Taylor and Francis Group, 2007.
    BRINKEMA, Eugenie. The Forms of Affects. Duhman and London: Duke University Press, 2014.
    COURTINE, Jean-Jacques. O corpo anormal. História e antropologia culturais da deformidade. In: _____. CORBIN, Alain. VIGARELLO, Georges. Histórias do corpo: As mutações do olhar: O século XX. Volume 3. Petrópolis: Editora Vozes, 2011. p. 253-340.
    DEL RÍO, Elena.The Body as Foundation of the Screen: Allegories of Technology in Atom Egoyan’s Speaking Parts. In: Camera Obscura, n. 38, 1996. p. 93–115.
    _____. Deleuze and the cinemas of performance. Powers of affection. Edinburg: Edinburg University Press, 2008.
    MASSUMI, Brian. Parables for the virtual. Movement, Affect, Sensation. Durham and London: Duke University Press, 2002.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Rio de Janeiro, 28 de janeiro de 2016.

 

Carta aberta ao Ministério da Educação e Ministério da Cultura

 

Assunto: Base Nacional Comum Curricular

 

 

A SOCINE (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual) tem acompanhado os esforços de construção da Base Nacional Comum Curricular. Nosso comentário aqui irá se ater à especificidade de nossa área e sua relação com as propostas apresentadas na BNCC.

Dentro do texto preliminar do BNCC o componente curricular ARTE parte de uma grande área chamada linguagens. Dentro desta área as artes foram divididas em quatro grandes eixos: “artes visuais, dança, teatro e música”, conforme as licenciaturas específicas em arte, desconsiderando a Licenciatura em Cinema e Audiovisual (Resolução do CNE n. 10, de 27 de junho de 2006) e excluindo completamente o cinema como uma arte específica.

Foi essa subdivisão que nos trouxe uma primeira preocupação. Junto à todos esses subcomponentes da área de artes nos parece fundamental que esteja também o cinema. Esta atenção e necessidade não existe apenas porque trabalhamos e pesquisamos cinema e estamos atentos aos seus destinos, mas porque o cinema está intensamente presente na escola e na sociedade e, no momento da construção de uma base nacional para o currículo do ensino infantil, médio e fundamental as questões, contribuições e potencias do cinema na escola não podem ser excluídos.

Diversos componentes curriculares lançam mão de filmes de ficção, seriados, documentários para abordarem temas transversais e específicos de diferentes naturezas. O debate teórico que investigamos apontam para uma necessária vivência no âmbito escolar dos dispositivos cinematográficos desde a tenra idade seja para desenvolver a imaginação na Educação Infantil, na elaboração de cenários para o faz de conta, seja para a construção de identidade pessoal e cultural, seja pela singularidade da experiência sensível que o cinema possibilita.

Vale notar alguns fatos que sustentam nossa preocupação. Primeiramente o cinema é hoje obrigatório na escola. Graças à lei 13006/14, há uma obrigação de exibição de pelo menos duas horas de filmes brasileiros nas escolas. Esta lei, em vias de regulamentação, também exigirá que espaços físicos e materiais sejam garantidos nas escolas para sua efetivação, além da necessidade de uma real inclusão do cinema nas questões que tocam o currículo como um todo, transcendendo mesmo as linguagens específicas. Além de oferecer uma ampla versatilidade de conteúdo, a leitura de filmes e a própria produção audiovisual – inclusive com dispositivos móveis de comunicação – permite a professores e estudantes olhar para a realidade para descobri-la e inventá-la – gestos essenciais na produção de conhecimento.

Como bem é lembrado na proposta de BNC, “a formação em Arte acontece em licenciaturas específicas (artes visuais, dança, teatro e música)”, pois, também em licenciaturas de cinema. Embora talvez se presuma que “artes visuais” inclua de algum modo ao cinema, ele tem uma especificidade na formação do professor. Desde 2012 a Universidade Federal Fluminense possui uma licenciatura em cinema e a mobilização de outras universidade no mesmo caminho é evidente. Devemos ainda atentar à intensa contribuição que diversos programas de pós-graduação vêm dando às relações entre cinema e educação, algo que se evidência nos próprios encontros da sociedade que representamos, onde a cada ano temos diversos trabalhos e comunicações dedicados às relações do cinema com a educação.

Além da materialidade legal, de formação e de pesquisa que evidencia a íntima relação entre o cinema e a escola, a Rede Kino: Rede Latinoamericana de Educação, Cinema e Audiovisual, formada por professores e pesquisadores que trabalham na interface entre cinema e educação, vem mapeando projetos e iniciativas que se dedicam à essa interface, desde 2008. Projetos que acontecem em todo o país e que mobilizam centenas de escolas. Por fim, sabemos que o cinema é amplamente presente nas escolas por conta da contribuição que ele traz em tantas áreas, conteúdos e debates, da matemática às ciências, passando pelas histórias, geografias e humanidades em geral. Por todos esses motivos, pela intensa força pedagógica do cinema na escola, nos preocupa que no momento de construção de uma Base Curricular tão pouca atenção tenho sido dada ao cinema.

No nosso entender, a BNC deveria incluir um eixo Cinema e Audiovisual dentro do componente curricular artes, só assim garantiremos uma formação consistente em uma área decisiva da cultura contemporânea, além de uma experiência e uma habilidade em uma dimensão central das linguagens no mundo atual.

 

Atenciosamente

 

 

Cezar Migliorin

Presidente da SOCINE

  1. Prazo de pagamento da anuidade: de 1 a 24 de março; 
  2. Prazo de submissão de propostas de trabalhos para apresentação [XXI Encontro]: de 5 a 31 de março;
  3. Divulgação de propostas aprovadas para apresentação [XXI SOCINE]: 9 de junho;
  4. Período de pagamento das inscrições [XXI SOCINE]:
      • PRIMEIRO PRAZO: 3 a 13 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
      • SEGUNDO PRAZO: 14 a 24 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
      • TERCEIRO PRAZO: 25 de julho a 1 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00
  5. Chamada de candidaturas [Eleições da SOCINE]: 21 de agosto a 22 de setembro;
  6. Inscrição de ouvintes [XXI SOCINE]: a partir de 11 de setembro;
  7. Divulgação da programação [XXI SOCINE]: 19 de setembro;
  8. Divulgação das candidaturas homologadas [Eleições da SOCINE]: 29 de setembro;
  9. XXI Encontro SOCINE, na UFPB, em João Pessoa: de 17 a 20 de outubro;
  10. Eleições da SOCINE: 18 e 19 de outubro;
  11. Assembleia e posse da nova diretoria: 20 de outubro;
  12. Prazo de envio de trabalhos para os Anais de Textos Completos [XXI SOCINE]: a definir.