Ficha do Proponente

Proponente

    Simone Maria Rocha (UFMG)

Minicurrículo

    É professora Associada do PPGCOM/UFMG onde realizou seu estágio pós-doutoral (2005). Doutora em Comunicação e Cultura pela UFRJ (2003), mestre em Sociologia pela UFMG (1999) e graduada em Sociologia por esta mesma instituição (1997). Graduada em Relações Públicas pela PUCMINAS (1994). Líder do Grupo de Pesquisa Comunicação e Cultura em Televisualidades (COMCULT) do PPGCOM/UFMG.

Ficha do Trabalho

Título

    Heróis/anti-heróis: crítica estilística em Escobar, el patrón del mal

Resumo

    Partindo da crítica de como o estilo evidencia elementos do contexto histórico, proponho compreender a importância de escolhas estilísticas da narcotelenovela Escobar, el patrón del mal na figuração do herói e do anti-herói das personagens de Luis Carlos Galán e Pablo Escobar. A partir de sequências de discursos de campanha de Galán e Escobar salientarei elementos formais que atuam na construção dos significados e evidenciarei como o estilo opera e conforma aspectos textuais e contextuais.

Resumo expandido

    A partir de uma análise que tem como fio condutor a abordagem metodológica do estilo televisivo (BUTLER, 2010) e de modo a evidenciar os elementos estilísticos escolhidos na narrativa, o objetivo deste trabalho é, a partir de uma visada crítica, demonstrar e compreender como se deu a figuração de heróis e anti-herói na produção colombiana Pablo Escobar, el patrón del mal, produzida e exibida pela TV Caracol, 2012. Argumentamos que uma leitura crítica do estilo adquire relevância tendo em vista duas razões.
    A primeira está relacionada à importância da televisão no contexto colombiano como explica o historiador e analista de meios Fabio López de la Roche (2014). Segundo ele um ponto central destas narrativas televisivas (ao menos no que diz respeito ao seu funcionamento dentro do contexto colombiano) é que, para as audiências massivas, ou seja, a maioria dos colombianos que não lêem jornais impressos diárias nem livros de história, nem pertencem ao mundo da cultura letrada, tais produtos constituem-se na única possibilidade de conhecimento da história recente do país. Essas construções narrativas ficcionais da história colombiana dos últimos 30 anos, nas quais a montagem televisiva superpõe materiais documentais com materiais ficcionais, devem merecer uma crítica sistemática. Tal fato nos aponta para a relevância das escolhas narrativas e estilísticas adotadas. Como a série explora a historia do narcotraficante Pablo Escobar Gaviria, que participou no assassinato de vários dirigentes políticos colombianos na década de 1980, houve uma preocupação, por parte dos realizadores em contar uma história que de algum modo evidenciasse a atuação firme e combativa desses dirigentes, que demonstrasse que, apesar de todo o horror espalhado pela Colômbia naqueles anos, houve quem lutasse contra esse império do mal, a ponto de dar suas vidas por uma causa comum como verdadeiros heróis.
    A segunda razão diz respeito ao crescente número de produções televisuais envolvendo o tema do narcotráfico, seu desdobramento, inserção, influência e dano na estrutura econômica e social das sociedades nas quais está presente. Muitas dessas narrativas nos sugerem compreender que a mercantilização da violência é o resultado direto de um governo frágil e do avanço da “lógica de mercado”, numa situação segundo a qual a existência humana e os direitos humanos dependem da posição que se ocupa na hierarquia econômica relegando parte da população, como os camponeses e colonos expulsos de suas terras (desplazados), os pobres, os migrantes, os dependentes de droga, os trabalhadores braçais, as prostitutas etc, à condição de “descartáveis”.
    Neste cenário surge o que alguns autores denominaram narco-cultura (RINCÓN, 2013, 2009) como sendo uma forma de autorrepresentação assumida pelos narcos que inclui uma estética ostentatória, um consumismo notório e a busca por status social. A cultura das drogas, ou narco-cultura, espalhou sua simbologia e seus modos de ser pelas sociedades latino-americanas. Se as formas de ascensão social por meio da educação, do trabalho ou da participação política são excludentes e injustas, a narco-cultura aparece com uma importância significativa, pois ela pode representar a entrada do povo, mesmo que de maneira desviada, na modernidade.
    Pablo Escobar, el patrón del mal, contempla vários desses aspectos e tem grande debate e controvérsia em torno de seus significados pretendidos. Para alguns, ela pode ser considerada uma narrativa espetacular e apologética ao crime e a uma imagem negativa da Colômbia. Sendo assim, o melhor seria esquecer ou ignorar o passado. Já outras posições defendem que o passado precisa ser conhecido, revisto e criticado, para que não se repita no presente.
    Diante das várias possibilidades apresentadas, o extrato que escolhemos para esta análise corresponde às sequências dos discursos políticos de Galán, pré-candidato à presidência, e de Escobar, que se apresentou como suplente do candidato Ravier Ortiz.

Bibliografia

    BUTLER, Jeremy. Television Style. New York: Routledge, 2010.
    LÓPEZ DE LA ROCHE, Fabio. Las ficciones del poder: patriotismo, médios de comunicación y reorientación afectiva de los colombianos bajo Uribe Vélez (2002-2010). Bogotá: IEPRI: Debate, 2014.
    RINCÓN, Omar. Todos temos um pouco do tráfico dentro de nós: um ensaio sobre o narcotráfico/cultura/novela como modo de entrada para a modernidade. MATRIZes. Ano 7 – No 2 jul./dez. 2013 – São Paulo – Brasil.
    RINCÓN, Omar. Narco.estética y narco.cultura en Narco.lombia. Nueva Sociedad #222, Jul.-Ago, 2009. pp. 147-163.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Rio de Janeiro, 28 de janeiro de 2016.

 

Carta aberta ao Ministério da Educação e Ministério da Cultura

 

Assunto: Base Nacional Comum Curricular

 

 

A SOCINE (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual) tem acompanhado os esforços de construção da Base Nacional Comum Curricular. Nosso comentário aqui irá se ater à especificidade de nossa área e sua relação com as propostas apresentadas na BNCC.

Dentro do texto preliminar do BNCC o componente curricular ARTE parte de uma grande área chamada linguagens. Dentro desta área as artes foram divididas em quatro grandes eixos: “artes visuais, dança, teatro e música”, conforme as licenciaturas específicas em arte, desconsiderando a Licenciatura em Cinema e Audiovisual (Resolução do CNE n. 10, de 27 de junho de 2006) e excluindo completamente o cinema como uma arte específica.

Foi essa subdivisão que nos trouxe uma primeira preocupação. Junto à todos esses subcomponentes da área de artes nos parece fundamental que esteja também o cinema. Esta atenção e necessidade não existe apenas porque trabalhamos e pesquisamos cinema e estamos atentos aos seus destinos, mas porque o cinema está intensamente presente na escola e na sociedade e, no momento da construção de uma base nacional para o currículo do ensino infantil, médio e fundamental as questões, contribuições e potencias do cinema na escola não podem ser excluídos.

Diversos componentes curriculares lançam mão de filmes de ficção, seriados, documentários para abordarem temas transversais e específicos de diferentes naturezas. O debate teórico que investigamos apontam para uma necessária vivência no âmbito escolar dos dispositivos cinematográficos desde a tenra idade seja para desenvolver a imaginação na Educação Infantil, na elaboração de cenários para o faz de conta, seja para a construção de identidade pessoal e cultural, seja pela singularidade da experiência sensível que o cinema possibilita.

Vale notar alguns fatos que sustentam nossa preocupação. Primeiramente o cinema é hoje obrigatório na escola. Graças à lei 13006/14, há uma obrigação de exibição de pelo menos duas horas de filmes brasileiros nas escolas. Esta lei, em vias de regulamentação, também exigirá que espaços físicos e materiais sejam garantidos nas escolas para sua efetivação, além da necessidade de uma real inclusão do cinema nas questões que tocam o currículo como um todo, transcendendo mesmo as linguagens específicas. Além de oferecer uma ampla versatilidade de conteúdo, a leitura de filmes e a própria produção audiovisual – inclusive com dispositivos móveis de comunicação – permite a professores e estudantes olhar para a realidade para descobri-la e inventá-la – gestos essenciais na produção de conhecimento.

Como bem é lembrado na proposta de BNC, “a formação em Arte acontece em licenciaturas específicas (artes visuais, dança, teatro e música)”, pois, também em licenciaturas de cinema. Embora talvez se presuma que “artes visuais” inclua de algum modo ao cinema, ele tem uma especificidade na formação do professor. Desde 2012 a Universidade Federal Fluminense possui uma licenciatura em cinema e a mobilização de outras universidade no mesmo caminho é evidente. Devemos ainda atentar à intensa contribuição que diversos programas de pós-graduação vêm dando às relações entre cinema e educação, algo que se evidência nos próprios encontros da sociedade que representamos, onde a cada ano temos diversos trabalhos e comunicações dedicados às relações do cinema com a educação.

Além da materialidade legal, de formação e de pesquisa que evidencia a íntima relação entre o cinema e a escola, a Rede Kino: Rede Latinoamericana de Educação, Cinema e Audiovisual, formada por professores e pesquisadores que trabalham na interface entre cinema e educação, vem mapeando projetos e iniciativas que se dedicam à essa interface, desde 2008. Projetos que acontecem em todo o país e que mobilizam centenas de escolas. Por fim, sabemos que o cinema é amplamente presente nas escolas por conta da contribuição que ele traz em tantas áreas, conteúdos e debates, da matemática às ciências, passando pelas histórias, geografias e humanidades em geral. Por todos esses motivos, pela intensa força pedagógica do cinema na escola, nos preocupa que no momento de construção de uma Base Curricular tão pouca atenção tenho sido dada ao cinema.

No nosso entender, a BNC deveria incluir um eixo Cinema e Audiovisual dentro do componente curricular artes, só assim garantiremos uma formação consistente em uma área decisiva da cultura contemporânea, além de uma experiência e uma habilidade em uma dimensão central das linguagens no mundo atual.

 

Atenciosamente

 

 

Cezar Migliorin

Presidente da SOCINE

  1. Prazo de pagamento da anuidade: de 1 a 24 de março; 
  2. Prazo de submissão de propostas de trabalhos para apresentação [XXI Encontro]: de 5 a 31 de março;
  3. Divulgação de propostas aprovadas para apresentação [XXI SOCINE]: 9 de junho;
  4. Período de pagamento das inscrições [XXI SOCINE]:
      • PRIMEIRO PRAZO: 3 a 13 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
      • SEGUNDO PRAZO: 14 a 24 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
      • TERCEIRO PRAZO: 25 de julho a 1 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00
  5. Chamada de candidaturas [Eleições da SOCINE]: 21 de agosto a 22 de setembro;
  6. Inscrição de ouvintes [XXI SOCINE]: a partir de 11 de setembro;
  7. Divulgação da programação [XXI SOCINE]: 19 de setembro;
  8. Divulgação das candidaturas homologadas [Eleições da SOCINE]: 29 de setembro;
  9. XXI Encontro SOCINE, na UFPB, em João Pessoa: de 17 a 20 de outubro;
  10. Eleições da SOCINE: 18 e 19 de outubro;
  11. Assembleia e posse da nova diretoria: 20 de outubro;
  12. Prazo de envio de trabalhos para os Anais de Textos Completos [XXI SOCINE]: a definir.