Ficha do Proponente

Proponente

    Wanderley de Mattos Teixeira Neto (UFBA)

Minicurrículo

    Mestre e doutorando em Comunicação e Cultura Contemporâneas na linha de pesquisa Análise de Produtos e Linguagens da Cultura Mediática pela Universidade Federal da Bahia com objeto de estudo na área de recepção e crítica cinematográfica. Graduado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Faculdade Social da Bahia e em Direito pela Faculdade Ruy Barbosa.

Ficha do Trabalho

Título

    Convergências entre crítica e cineasta na recepção de O Som ao Redor

Resumo

    A partir dos diálogos entre os discursos da crítica e do diretor Kleber Mendonça Filho ao longo da cobertura midiática de O Som ao Redor, o intuito é discutir como ambos valoraram a obra fílmica e os modelos de produção cujo debate ela incita. O discurso dos agentes dá ênfase ao apreço deles pelo uso aplicado da linguagem audiovisual, mas também evidencia preocupações do setor com a homogeneização do mercado no país ao considerar a obra em oposição às produções Globo Filmes.

Resumo expandido

    Os discursos dos sujeitos de um determinado espaço social a respeito das suas práticas trazem indícios dos processos coletivos de atribuição de valor a elas. Assim, uma análise das “falas” dos agentes que atuam no setor cinematográfico a respeito dos filmes pode nos levar às razões pelas quais determinados títulos e modelos de produção são valorizados em detrimento de outros. Tratam-se de avaliações distintivas feitas por representantes de grupos sociais que possuem preferências por determinadas práticas e, consequentemente, predisposições a certos julgamentos (BOURDIEU, 2011, 2013).

    Assim, tendo como premissa a compreensão de que, em seus discursos acerca dos filmes, críticos e diretores afirmam suas identidades sociais através da exposição de suas preferências (FRITH, 1996; MARTINO, 2010), o intuito dessa análise é compreender os posicionamentos dessas instâncias sobre o cenário cinematográfico brasileiro de início do século XXI a partir de um estudo de caso que envolve o longa-metragem O Som ao Redor (2012). O corpus de análise foi composto por críticas de três jornais de grande circulação no país (Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e O Globo) e depoimentos do diretor, extraídos de reportagens e entrevistas, que tiveram o longa-metragem como pauta e que foram divulgados nesses mesmos veículos, compreendendo um total de vinte textos.

    Com tal intuito, o trabalho adotou como norte analítico discussões teóricas sobre os critérios valorativos utilizados, com frequência, na avaliação das expressões criativas e fatores que influenciam suas formações. Entre elas, destacam-se: a) a percepção reiterada de uma valorização social do caráter artístico das coisas (BENJAMIN, 1994; VALVERDE, 2007); b) a delicada relação entre profissionais da área, sobretudo críticos, com as produções do seu próprio país, fazendo com que a recepção de uma obra nacional propicie posicionamentos sobre temas como as políticas de produção, distribuição e exibição (BERNARDET, 2011); e c) a noção de que os discursos sobre as obras são integrantes de um sistema de interações sociais sobre o cinema, no qual os sujeitos interagem a respeito das suas próprias leituras sobre os filmes através de recursos fornecidos pelos media, ou seja, um contexto de recepção marcado pela sociabilidade midiatizada (BRAGA, 2006).

    Na análise do corpus, percebe-se que, ao exporem suas percepções sobre O Som ao Redor através de uma valoração da obra, o diretor do filme e a crítica acabam colocando em destaque uma convergência de opiniões sobre o título e o seu contexto de realização cinematográfica. Os referidos agentes alçam a obra a categoria de representante máximo de um cinema autoral e de qualidade artística, distinguindo-o valorativamente do modelo estandardizado e de forte apelo popular da Globo Filmes representado na ocasião por títulos como De Pernas pro Ar 2 e Assalto ao Banco Central. Há, portanto, um cenário de consenso que confere valor a O Som ao Redor pois entende-se que, diferente das produções correntes no país, o longa estreita os seus vínculos com um modelo cinematográfico comumente valorizado pelas referidas instâncias discursivas.

    A análise em questão, portanto, põe em relevo um sistema de interações sobre a obra que expõe um cenário de convergência de opiniões entre vetores que, no caso, possuem entendimentos semelhantes sobre modos considerados por eles como os mais “certos” de se fazer cinema no Brasil. Todo esse movimento percebido ao longo da cobertura midiática de O Som ao Redor contribuiu para um processo de significação social da obra. A partir da referida análise, entendemos que disposições sociais acabam determinando o apreço ou a rejeição dos sujeitos discursivos por filmes e modelos de produção cinematográfica nos moldes ou opostos ao título, o cinema independente pernambucano e as produções populares de forte influência televisiva com o selo empresarial Globo Filmes, respectivamente.

Bibliografia

    BENJAMIN, Walter. A obra de arte na época da sua reprodutibilidade técnica. In: ______. Obras escolhidas: Magia e técnica, arte e política. 7 ed., São Paulo: Brasiliense, 1994
    BERNARDET, Jean-Claude.Trajetória crítica. São Paulo: Martins Fontes, 2011.
    BOURDIEU, Pierre. A distinção: crítica social do julgamento. Porto Alegre: Zouk, 2013.
    ____. Razões Práticas: Sobre a teoria da ação. Campinas: Papirus, 2011.
    BRAGA, José Luiz. A sociedade enfrenta sua mídia: Dispositivos sociais de crítica midiática. São Paulo: Paulus, 2006
    FRITH, Simon. The Value Problem in Cultural Studies. In: ______. Performing Rites: On the value of Popular Music. Cambridge: Harvard University Press, 1996
    MARTINO, Luís Mauro Sá. Comunicação e identidade: Quem você pensa que é?. São Paulo: Paulus, 2010.
    VALVERDE, Monclar. Estética da Comunicação: Sentido, forma e valor nas cenas da cultura. Salvador: Quarteto Editora, 2007.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Rio de Janeiro, 28 de janeiro de 2016.

 

Carta aberta ao Ministério da Educação e Ministério da Cultura

 

Assunto: Base Nacional Comum Curricular

 

 

A SOCINE (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual) tem acompanhado os esforços de construção da Base Nacional Comum Curricular. Nosso comentário aqui irá se ater à especificidade de nossa área e sua relação com as propostas apresentadas na BNCC.

Dentro do texto preliminar do BNCC o componente curricular ARTE parte de uma grande área chamada linguagens. Dentro desta área as artes foram divididas em quatro grandes eixos: “artes visuais, dança, teatro e música”, conforme as licenciaturas específicas em arte, desconsiderando a Licenciatura em Cinema e Audiovisual (Resolução do CNE n. 10, de 27 de junho de 2006) e excluindo completamente o cinema como uma arte específica.

Foi essa subdivisão que nos trouxe uma primeira preocupação. Junto à todos esses subcomponentes da área de artes nos parece fundamental que esteja também o cinema. Esta atenção e necessidade não existe apenas porque trabalhamos e pesquisamos cinema e estamos atentos aos seus destinos, mas porque o cinema está intensamente presente na escola e na sociedade e, no momento da construção de uma base nacional para o currículo do ensino infantil, médio e fundamental as questões, contribuições e potencias do cinema na escola não podem ser excluídos.

Diversos componentes curriculares lançam mão de filmes de ficção, seriados, documentários para abordarem temas transversais e específicos de diferentes naturezas. O debate teórico que investigamos apontam para uma necessária vivência no âmbito escolar dos dispositivos cinematográficos desde a tenra idade seja para desenvolver a imaginação na Educação Infantil, na elaboração de cenários para o faz de conta, seja para a construção de identidade pessoal e cultural, seja pela singularidade da experiência sensível que o cinema possibilita.

Vale notar alguns fatos que sustentam nossa preocupação. Primeiramente o cinema é hoje obrigatório na escola. Graças à lei 13006/14, há uma obrigação de exibição de pelo menos duas horas de filmes brasileiros nas escolas. Esta lei, em vias de regulamentação, também exigirá que espaços físicos e materiais sejam garantidos nas escolas para sua efetivação, além da necessidade de uma real inclusão do cinema nas questões que tocam o currículo como um todo, transcendendo mesmo as linguagens específicas. Além de oferecer uma ampla versatilidade de conteúdo, a leitura de filmes e a própria produção audiovisual – inclusive com dispositivos móveis de comunicação – permite a professores e estudantes olhar para a realidade para descobri-la e inventá-la – gestos essenciais na produção de conhecimento.

Como bem é lembrado na proposta de BNC, “a formação em Arte acontece em licenciaturas específicas (artes visuais, dança, teatro e música)”, pois, também em licenciaturas de cinema. Embora talvez se presuma que “artes visuais” inclua de algum modo ao cinema, ele tem uma especificidade na formação do professor. Desde 2012 a Universidade Federal Fluminense possui uma licenciatura em cinema e a mobilização de outras universidade no mesmo caminho é evidente. Devemos ainda atentar à intensa contribuição que diversos programas de pós-graduação vêm dando às relações entre cinema e educação, algo que se evidência nos próprios encontros da sociedade que representamos, onde a cada ano temos diversos trabalhos e comunicações dedicados às relações do cinema com a educação.

Além da materialidade legal, de formação e de pesquisa que evidencia a íntima relação entre o cinema e a escola, a Rede Kino: Rede Latinoamericana de Educação, Cinema e Audiovisual, formada por professores e pesquisadores que trabalham na interface entre cinema e educação, vem mapeando projetos e iniciativas que se dedicam à essa interface, desde 2008. Projetos que acontecem em todo o país e que mobilizam centenas de escolas. Por fim, sabemos que o cinema é amplamente presente nas escolas por conta da contribuição que ele traz em tantas áreas, conteúdos e debates, da matemática às ciências, passando pelas histórias, geografias e humanidades em geral. Por todos esses motivos, pela intensa força pedagógica do cinema na escola, nos preocupa que no momento de construção de uma Base Curricular tão pouca atenção tenho sido dada ao cinema.

No nosso entender, a BNC deveria incluir um eixo Cinema e Audiovisual dentro do componente curricular artes, só assim garantiremos uma formação consistente em uma área decisiva da cultura contemporânea, além de uma experiência e uma habilidade em uma dimensão central das linguagens no mundo atual.

 

Atenciosamente

 

 

Cezar Migliorin

Presidente da SOCINE

  1. Prazo de pagamento da anuidade: de 1 a 24 de março; 
  2. Prazo de submissão de propostas de trabalhos para apresentação [XXI Encontro]: de 5 a 31 de março;
  3. Divulgação de propostas aprovadas para apresentação [XXI SOCINE]: 9 de junho;
  4. Período de pagamento das inscrições [XXI SOCINE]:
      • PRIMEIRO PRAZO: 3 a 13 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
      • SEGUNDO PRAZO: 14 a 24 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
      • TERCEIRO PRAZO: 25 de julho a 1 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00
  5. Chamada de candidaturas [Eleições da SOCINE]: 21 de agosto a 22 de setembro;
  6. Inscrição de ouvintes [XXI SOCINE]: a partir de 11 de setembro;
  7. Divulgação da programação [XXI SOCINE]: 19 de setembro;
  8. Divulgação das candidaturas homologadas [Eleições da SOCINE]: 29 de setembro;
  9. XXI Encontro SOCINE, na UFPB, em João Pessoa: de 17 a 20 de outubro;
  10. Eleições da SOCINE: 18 e 19 de outubro;
  11. Assembleia e posse da nova diretoria: 20 de outubro;
  12. Prazo de envio de trabalhos para os Anais de Textos Completos [XXI SOCINE]: a definir.