Ficha do Proponente

Proponente

    Roberto Ribeiro Miranda Cotta (UFMG)

Minicurrículo

    Doutorando em Artes pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), na linha de pesquisa sobre Cinema, onde desenvolve a tese “A Trilogia do Pós-Guerra de R.W. Fassbinder: instabilidade e equilíbrio na composição das formas cinematográficas”. Realiza as atividades de pesquisa com bolsa concedida pela CAPES, sendo orientado pelo Prof. Dr. Luiz Roberto Pinto Nazario (EBA/UFMG).

Ficha do Trabalho

Título

    Instabilidade e equilíbrio na Trilogia do Pós-Guerra de Fassbinder

Resumo

    Esta pesquisa analisa as concepções estilísticas promovidas pelos filmes que compõem a Trilogia do Pós-Guerra de R. W. Fassbinder. Partindo da hipótese de que tais obras agregam formas estéticas, narrativas e dramatúrgicas esquadrinhadas no limiar entre a harmonia e o descontrole, a hierarquia e a entropia, o arranjo e a desordem, o objetivo deste estudo é investigar as maneiras como a convivência e o atrito entre polaridades tão distintas demarcam as bases estruturais dessas películas.

Resumo expandido

    O cineasta alemão Rainer Werner Fassbinder consolidou uma obra cinematográfica composta por mais de 40 filmes de longa e curta duração, lançados diretamente nas salas de cinema ou feitos sob encomenda para a televisão, realizados com orçamentos vastos ou reduzidos, além de ter escrito roteiros originais ou adaptados de obras literárias e teatrais, desempenhando diversas funções técnicas em grande parte de seus trabalhos. Apesar desse caráter autoral multifacetado, em apenas 16 anos de carreira construiu uma filmografia sólida e bastante prolífica, repleta de temas, abordagens e variações estilísticas concentrados, sobretudo, nas possibilidades de representação/reencenação da História da Alemanha no século XX, desvendando seus personagens (centrais e marginais), dramas e conflitos que permearam o imaginário do povo alemão durante a intensa gangorra política vivenciada pelo país.

    A presente proposta tem como fator primordial investigar os paradoxos de estruturação estilística engendrados em três filmes específicos de Fassbinder. Componentes da Trilogia do Pós-Guerra, “O casamento de Maria Braun” (1978), “Lola” (1981) e “O desespero de Veronika Voss” (1982) conseguem sintetizar e canalizar uma centelha de características essenciais que movem a filmografia do cineasta, constituída através da reunião de materialidades díspares, quase sempre fundamentadas no controle rigoroso das composições formais e na concatenação abrupta dos seus métodos de montagem, bem como nos regimes dissonantes de interpretação alinhavados por seus atores e atrizes e na configuração ruidosa agenciada pelas bandas sonoras de suas obras. Ambientados entre os anos 1940 e 1950 no território alemão repartido pelas Zonas de Ocupação ou na Alemanha Ocidental da Era Adenauer, tais filmes impulsionam uma articulação estética, narrativa e dramatúrgica perpassada pela organização estrutural da planificação das cenas e a desordem promovida pela forma como os acontecimentos narrados são evidenciados em gestos, ações, cortes e expressões que convivem em constante fricção. Sendo assim, este estudo focaliza as bases estruturais catapultadas por essas características afiguradas nos filmes, com o intuito de compreender as significações e as potencialidades estilísticas que podem emergir a partir de uma convivência conflituosa entre elas.

    Para tanto, o referencial teórico é conduzido por conceitos pertencentes à história do cinema e ao cinema moderno, enquanto a metodologia segue uma abordagem qualitativa atravessada por critérios visuais, sonoros, dramáticos e lógico-narrativos da análise fílmica. A questão do estilo e das formas de concepção estrutural promovidas por Fassbinder serão examinadas à luz de estudiosos como Elsaesser (1996), Hayman (1984), Lorenz (2000), Thomsen (1997), Watson (1996) e o próprio Fassbinder (1988) – dissecando seus procedimentos de criação cinematográfica. Por conseguinte, os pressupostos da análise fílmica serão averiguados à guisa dos critérios descritivos e analíticos desenvolvidos por Vanoyé & Golliot-Lété (2004) e Aumont & Marie (2009), trazendo-os para examinar os três filmes que compõem o corpus da pesquisa.

Bibliografia

    AUMONT, Jacques; MARIE, Michel. A análise do filme. Lisboa, Portugal: Texto & Grafia, 2009.
    BORDWELL, David. Figuras traçadas na luz: a encenação no cinema. Campinas: Papirus, 2008.
    ELSAESSER, Thomas. Fassbinder’s Germany: history, identity, subject. Amsterdam University Press: Amsterdam, Holanda, 1996.
    FASSBINDER, R.W. A anarquia da fantasia: ensaios, anotações de trabalho, conversas e entrevistas. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1988.
    HAYMAN, Ronald. Fassbinder film maker. Londres, Reino Unido: Weidenfeld & Nicolson, 1984.
    LORENZ, Juliane. Conversations about Rainer Werner Fassbinder. New York, EUA: Aplause Book, 2000.
    THOMSEN, Christian Braad. Fassbinder: the life and work of provocative genius. Londres: Faber and Faber, 1997.
    VANOYÉ, Francis; GOLLIOT-LETÉ, Anne. Ensaio sobre a análise fílmica. Campinas: Papirus, 2004.
    WATSON, Wallace Steadman. Understanding Rainer Wener Fassbinder: film as private and public art. Columbia/EUA: University of South Carolina Press, EUA, 1996.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Rio de Janeiro, 28 de janeiro de 2016.

 

Carta aberta ao Ministério da Educação e Ministério da Cultura

 

Assunto: Base Nacional Comum Curricular

 

 

A SOCINE (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual) tem acompanhado os esforços de construção da Base Nacional Comum Curricular. Nosso comentário aqui irá se ater à especificidade de nossa área e sua relação com as propostas apresentadas na BNCC.

Dentro do texto preliminar do BNCC o componente curricular ARTE parte de uma grande área chamada linguagens. Dentro desta área as artes foram divididas em quatro grandes eixos: “artes visuais, dança, teatro e música”, conforme as licenciaturas específicas em arte, desconsiderando a Licenciatura em Cinema e Audiovisual (Resolução do CNE n. 10, de 27 de junho de 2006) e excluindo completamente o cinema como uma arte específica.

Foi essa subdivisão que nos trouxe uma primeira preocupação. Junto à todos esses subcomponentes da área de artes nos parece fundamental que esteja também o cinema. Esta atenção e necessidade não existe apenas porque trabalhamos e pesquisamos cinema e estamos atentos aos seus destinos, mas porque o cinema está intensamente presente na escola e na sociedade e, no momento da construção de uma base nacional para o currículo do ensino infantil, médio e fundamental as questões, contribuições e potencias do cinema na escola não podem ser excluídos.

Diversos componentes curriculares lançam mão de filmes de ficção, seriados, documentários para abordarem temas transversais e específicos de diferentes naturezas. O debate teórico que investigamos apontam para uma necessária vivência no âmbito escolar dos dispositivos cinematográficos desde a tenra idade seja para desenvolver a imaginação na Educação Infantil, na elaboração de cenários para o faz de conta, seja para a construção de identidade pessoal e cultural, seja pela singularidade da experiência sensível que o cinema possibilita.

Vale notar alguns fatos que sustentam nossa preocupação. Primeiramente o cinema é hoje obrigatório na escola. Graças à lei 13006/14, há uma obrigação de exibição de pelo menos duas horas de filmes brasileiros nas escolas. Esta lei, em vias de regulamentação, também exigirá que espaços físicos e materiais sejam garantidos nas escolas para sua efetivação, além da necessidade de uma real inclusão do cinema nas questões que tocam o currículo como um todo, transcendendo mesmo as linguagens específicas. Além de oferecer uma ampla versatilidade de conteúdo, a leitura de filmes e a própria produção audiovisual – inclusive com dispositivos móveis de comunicação – permite a professores e estudantes olhar para a realidade para descobri-la e inventá-la – gestos essenciais na produção de conhecimento.

Como bem é lembrado na proposta de BNC, “a formação em Arte acontece em licenciaturas específicas (artes visuais, dança, teatro e música)”, pois, também em licenciaturas de cinema. Embora talvez se presuma que “artes visuais” inclua de algum modo ao cinema, ele tem uma especificidade na formação do professor. Desde 2012 a Universidade Federal Fluminense possui uma licenciatura em cinema e a mobilização de outras universidade no mesmo caminho é evidente. Devemos ainda atentar à intensa contribuição que diversos programas de pós-graduação vêm dando às relações entre cinema e educação, algo que se evidência nos próprios encontros da sociedade que representamos, onde a cada ano temos diversos trabalhos e comunicações dedicados às relações do cinema com a educação.

Além da materialidade legal, de formação e de pesquisa que evidencia a íntima relação entre o cinema e a escola, a Rede Kino: Rede Latinoamericana de Educação, Cinema e Audiovisual, formada por professores e pesquisadores que trabalham na interface entre cinema e educação, vem mapeando projetos e iniciativas que se dedicam à essa interface, desde 2008. Projetos que acontecem em todo o país e que mobilizam centenas de escolas. Por fim, sabemos que o cinema é amplamente presente nas escolas por conta da contribuição que ele traz em tantas áreas, conteúdos e debates, da matemática às ciências, passando pelas histórias, geografias e humanidades em geral. Por todos esses motivos, pela intensa força pedagógica do cinema na escola, nos preocupa que no momento de construção de uma Base Curricular tão pouca atenção tenho sido dada ao cinema.

No nosso entender, a BNC deveria incluir um eixo Cinema e Audiovisual dentro do componente curricular artes, só assim garantiremos uma formação consistente em uma área decisiva da cultura contemporânea, além de uma experiência e uma habilidade em uma dimensão central das linguagens no mundo atual.

 

Atenciosamente

 

 

Cezar Migliorin

Presidente da SOCINE

  1. Prazo de pagamento da anuidade: de 1 a 24 de março; 
  2. Prazo de submissão de propostas de trabalhos para apresentação [XXI Encontro]: de 5 a 31 de março;
  3. Divulgação de propostas aprovadas para apresentação [XXI SOCINE]: 9 de junho;
  4. Período de pagamento das inscrições [XXI SOCINE]:
      • PRIMEIRO PRAZO: 3 a 13 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
      • SEGUNDO PRAZO: 14 a 24 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
      • TERCEIRO PRAZO: 25 de julho a 1 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00
  5. Chamada de candidaturas [Eleições da SOCINE]: 21 de agosto a 22 de setembro;
  6. Inscrição de ouvintes [XXI SOCINE]: a partir de 11 de setembro;
  7. Divulgação da programação [XXI SOCINE]: 19 de setembro;
  8. Divulgação das candidaturas homologadas [Eleições da SOCINE]: 29 de setembro;
  9. XXI Encontro SOCINE, na UFPB, em João Pessoa: de 17 a 20 de outubro;
  10. Eleições da SOCINE: 18 e 19 de outubro;
  11. Assembleia e posse da nova diretoria: 20 de outubro;
  12. Prazo de envio de trabalhos para os Anais de Textos Completos [XXI SOCINE]: a definir.