Ficha do Proponente

Proponente

    India Mara Martins (UFF)

Minicurrículo

    India Mara Martins, mestre em Multimeios pela Unicamp, doutora em Design pela PUC-Rio, professora de Design Visual / Direção de Arte do Departamento de Cinema e Vídeo da Universidade Federal Fluminense desde 2009, coordenadora do grupo de Pesquisa Aesthesis. Atualmente desenvolve pesquisas sobre a representação do espaço no cinema, direção de arte, tecnologia e estética.

Ficha do Trabalho

Título

    A paisagem potencializando a atmosfera filmica no cinema brasileiro

Mesa

    As pesquisas em direção de arte no cinema contemporâneo

Resumo

    O objetivo deste artigo é refletir sobre a representação da paisagem no cinema contemporâneo brasileiro e sua capacidade de potencializar determinadas atmosferas. O cinema contemporâneo brasileiro, de ficção e/ou não ficção, tem apostado na representação de paisagens muito diversas, do sertão nordestino às grandes cidade. O que estes filmes têm em comum é a representação da paisagem como expressão de uma reivindicação política através das opções estéticas que valorizam e refletem sobre o espaço.

Resumo expandido

    A representação da paisagem é um dos aspectos fundamentais na criação de certos tipos de atmosfera fílmica. Neste sentido estamos aproximando o conceito de atmosfera da ideia de espaço psíquico. O psiquiatra suíço Ludwig Binswanger considera a atmosfera como um espaço que põe em causa a relação do homem com o mundo. A atmosfera é por natureza subjetiva, porque nasce a partir da realidade afetiva dos indivíduos que a projetam no seu espaço. Ludwig Binswanger foi um dos primeiros a se interessar pela compreensão da categoria atmosfera do ponto de vista fenomenológico. O espaço estaria diretamente ligado à noção de atmosfera porque é ai que ela se cria. O autor distingue dois tipos de espaço: o primeiro é um espaço concreto, medível e claramente percebido – é o espaço orientado. O segundo, ao contrário do primeiro, é um espaço que não é objetivável porque não tem uma estrutura determinada – é um espaço atmosférico ou thymique, que tem qualidades próprias ligadas a percepção afetiva. “Em fenomenologia, o espaço sempre é espaço tímico, ou seja, um espaço afetado por uma coloração afetiva fundamental. A tonalidade climática especifica uma forma de “presença à…”; ou seja, um modo de comunicação determinado com as coisas, num mundo que não está simplesmente diante de nós, mas que atravessa o pathos inerente à situação (CHAMOND, 2011).
    A representação do espaço no cinema é uma instância narrativa e também uma opção política e estética. É o projeto visual, num primeiro momento, que define como será a construção espacial de um filme. A paisagem, historicamente, é uma das formas de representação do espaço que possibilita o desenvolvimento de atmosferas. O objetivo deste artigo é refletir sobre a representação da paisagem no cinema contemporâneo brasileiro e sua capacidade de potencializar determinadas atmosferas. O cinema contemporâneo brasileiro, de ficção e/ou não ficção, tem apostado na representação de paisagens muito diversas. Para ficar apenas nos extremos pensamos em filmes que representam o nordeste do Brasil, assim como Viajo porque preciso, volto porque te amo (Marcelo Gomes, Karim Aïnouz, 2009), A história da eternidade (Camilo Cavalcante, 2014); e o sudeste O lobo atrás da Porta (Fernando Coimbra, 2013), em São Paulo e, Crônica da Demolição (Eduardo Ades, 2015), no Rio de Janeiro. O que eles têm em comum é a representação da paisagem que vai além do seu aspecto físico, material, se aproximando da representação de um espaço psíquico. Inês Gil diz que “pode-se definir a atmosfera como sendo um espaço mais ou menos energético, composto por forças visíveis ou invisíveis, que têm o poder de desencadear sensações e afetos nos receptores. É a natureza dessas forças, o seu ritmo e a sua relação que determinam o seu caráter” (GIL, 2005, p. 22). No cinema, mesmo tendo um certo nível de analogia com o espaço real, os espaços não correspondem no filme exatamente ao que são em sua estrutura física e material. Isto é, quando pensamos os cenários, não estamos preocupados com o resultado que eles apresentam aos nossos olhos. Eles são concebidos em função do rendimento a ser alcançado a partir dos enquadramentos, lentes e suporte de impressão a ser utilizado. Os lugares são construídos e organizados, portanto, para renderem uma determinada imagem. Por outro lado, temos uma série de filmes nos quais os lugares são constituídos pelos acasos, pela perambulação, pelos fluxos gerados pela própria cidade, estes filmes se diferenciam por representar a experiência espacial e revelar como ela modifica a natureza própria da imagem. São projetos cinematográficos distintos, mas que encontram na representação da paisagem diferentes possibilidades de criar e intensificar a atmosfera fílmica.

Bibliografia

    BINSWANGER, L. Le problème de l´espace em psychopathologie, Toulouse, Presses Universitaires du Mirail, 1998.
    CHAMOND, Jeanine. Fenomenologia e Psicopatologia do Espaço Vivido Segundo Ludwig Binswanger: uma Introdução. Revista da Abordagem Gestáltica – XVII(1): 3-7, jan-jun, 2011.
    FERRARA, Lucrécia. As mediações da paisagem. Líbero – São Paulo – v. 15, n. 29, p. 43-50, jun. de 2012.
    GARDIES, André. L’ Espace au Cinema, Paris: Méridiens Klincksieck, 1993.
    GIL, Inês. A Atmosfera no Cinema: o Caso de A Sombra do Caçador de Charles Laugthon entre o Onirismo e Realismo, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, Fundação para a Ciência e a Tecnologia, Ministério da Ciência e do Ensino Superior, 2005.
    SANTOS, Milton. A Natureza do Espaço: Técnica e Tempo. Razão e Emoção. 4. Ed 7a reimpr. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2012.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Rio de Janeiro, 28 de janeiro de 2016.

 

Carta aberta ao Ministério da Educação e Ministério da Cultura

 

Assunto: Base Nacional Comum Curricular

 

 

A SOCINE (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual) tem acompanhado os esforços de construção da Base Nacional Comum Curricular. Nosso comentário aqui irá se ater à especificidade de nossa área e sua relação com as propostas apresentadas na BNCC.

Dentro do texto preliminar do BNCC o componente curricular ARTE parte de uma grande área chamada linguagens. Dentro desta área as artes foram divididas em quatro grandes eixos: “artes visuais, dança, teatro e música”, conforme as licenciaturas específicas em arte, desconsiderando a Licenciatura em Cinema e Audiovisual (Resolução do CNE n. 10, de 27 de junho de 2006) e excluindo completamente o cinema como uma arte específica.

Foi essa subdivisão que nos trouxe uma primeira preocupação. Junto à todos esses subcomponentes da área de artes nos parece fundamental que esteja também o cinema. Esta atenção e necessidade não existe apenas porque trabalhamos e pesquisamos cinema e estamos atentos aos seus destinos, mas porque o cinema está intensamente presente na escola e na sociedade e, no momento da construção de uma base nacional para o currículo do ensino infantil, médio e fundamental as questões, contribuições e potencias do cinema na escola não podem ser excluídos.

Diversos componentes curriculares lançam mão de filmes de ficção, seriados, documentários para abordarem temas transversais e específicos de diferentes naturezas. O debate teórico que investigamos apontam para uma necessária vivência no âmbito escolar dos dispositivos cinematográficos desde a tenra idade seja para desenvolver a imaginação na Educação Infantil, na elaboração de cenários para o faz de conta, seja para a construção de identidade pessoal e cultural, seja pela singularidade da experiência sensível que o cinema possibilita.

Vale notar alguns fatos que sustentam nossa preocupação. Primeiramente o cinema é hoje obrigatório na escola. Graças à lei 13006/14, há uma obrigação de exibição de pelo menos duas horas de filmes brasileiros nas escolas. Esta lei, em vias de regulamentação, também exigirá que espaços físicos e materiais sejam garantidos nas escolas para sua efetivação, além da necessidade de uma real inclusão do cinema nas questões que tocam o currículo como um todo, transcendendo mesmo as linguagens específicas. Além de oferecer uma ampla versatilidade de conteúdo, a leitura de filmes e a própria produção audiovisual – inclusive com dispositivos móveis de comunicação – permite a professores e estudantes olhar para a realidade para descobri-la e inventá-la – gestos essenciais na produção de conhecimento.

Como bem é lembrado na proposta de BNC, “a formação em Arte acontece em licenciaturas específicas (artes visuais, dança, teatro e música)”, pois, também em licenciaturas de cinema. Embora talvez se presuma que “artes visuais” inclua de algum modo ao cinema, ele tem uma especificidade na formação do professor. Desde 2012 a Universidade Federal Fluminense possui uma licenciatura em cinema e a mobilização de outras universidade no mesmo caminho é evidente. Devemos ainda atentar à intensa contribuição que diversos programas de pós-graduação vêm dando às relações entre cinema e educação, algo que se evidência nos próprios encontros da sociedade que representamos, onde a cada ano temos diversos trabalhos e comunicações dedicados às relações do cinema com a educação.

Além da materialidade legal, de formação e de pesquisa que evidencia a íntima relação entre o cinema e a escola, a Rede Kino: Rede Latinoamericana de Educação, Cinema e Audiovisual, formada por professores e pesquisadores que trabalham na interface entre cinema e educação, vem mapeando projetos e iniciativas que se dedicam à essa interface, desde 2008. Projetos que acontecem em todo o país e que mobilizam centenas de escolas. Por fim, sabemos que o cinema é amplamente presente nas escolas por conta da contribuição que ele traz em tantas áreas, conteúdos e debates, da matemática às ciências, passando pelas histórias, geografias e humanidades em geral. Por todos esses motivos, pela intensa força pedagógica do cinema na escola, nos preocupa que no momento de construção de uma Base Curricular tão pouca atenção tenho sido dada ao cinema.

No nosso entender, a BNC deveria incluir um eixo Cinema e Audiovisual dentro do componente curricular artes, só assim garantiremos uma formação consistente em uma área decisiva da cultura contemporânea, além de uma experiência e uma habilidade em uma dimensão central das linguagens no mundo atual.

 

Atenciosamente

 

 

Cezar Migliorin

Presidente da SOCINE

  1. Prazo de pagamento da anuidade: de 1 a 24 de março; 
  2. Prazo de submissão de propostas de trabalhos para apresentação [XXI Encontro]: de 5 a 31 de março;
  3. Divulgação de propostas aprovadas para apresentação [XXI SOCINE]: 9 de junho;
  4. Período de pagamento das inscrições [XXI SOCINE]:
      • PRIMEIRO PRAZO: 3 a 13 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
      • SEGUNDO PRAZO: 14 a 24 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
      • TERCEIRO PRAZO: 25 de julho a 1 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00
  5. Chamada de candidaturas [Eleições da SOCINE]: 21 de agosto a 22 de setembro;
  6. Inscrição de ouvintes [XXI SOCINE]: a partir de 11 de setembro;
  7. Divulgação da programação [XXI SOCINE]: 19 de setembro;
  8. Divulgação das candidaturas homologadas [Eleições da SOCINE]: 29 de setembro;
  9. XXI Encontro SOCINE, na UFPB, em João Pessoa: de 17 a 20 de outubro;
  10. Eleições da SOCINE: 18 e 19 de outubro;
  11. Assembleia e posse da nova diretoria: 20 de outubro;
  12. Prazo de envio de trabalhos para os Anais de Textos Completos [XXI SOCINE]: a definir.