Ficha do Proponente

Proponente

    Fernanda Andrade Fava (UNICAMP)

Minicurrículo

    Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Multimeios da Unicamp, sob orientação do Prof. Dr. Alfredo Luiz Paes de Oliveira Suppia, Fernanda Andrade Fava investiga os cinemas experimentais e independentes do final dos anos 1960 no Brasil e na Argentina, com foco em narrativa, trabalho do ator e alegorias. Atua como programadora audiovisual no canal de televisão SescTV, onde trabalha principalmente com séries e documentários.

Ficha do Trabalho

Título

    Inventar os jogos: o ator no Cinema Marginal e no Grupo de los Cinco

Resumo

    O artigo propõe uma abordagem comparativa do trabalho dos atores do Cinema Marginal brasileiro e do Grupo de los Cinco argentino, tomando como base para isso os filmes Bang Bang (1971, Andrea Tonacci), no Brasil; e The Players versus Ángeles Caídos (1968, Alberto Fischerman), na Argentina. A análise fílmica busca investigar as relações entre eles em questão de autoria do ator, improvisação e corporalidade, levando em consideração registro e estilo de atuação, jogo gestual e o rosto no cinema.

Resumo expandido

    “Inventar los juegos”, ou inventar os jogos, é a última frase de The Players versus Ángeles Caídos e representa bem o espírito do trabalho atoral nos dois filmes analisados. No longa-metragem de Alberto Fischerman, inteiramente criado com inspiração no happening, a livre improvisação dos atores do Instituto Di Tella, de Buenos Aires, num velho estúdio abandonado, cria a dinâmica das cenas e do filme como um todo. Em Bang Bang, a dinâmica é semelhante: sem plot, o filme é um movimento orquestrado em torno de movimentos de câmera, planos-sequências e a interação dos atores. A presença marcante de cena e a persona de Paulo César Pereio, e também dos outros atores, é determinante na mise-en-scène.
    Nos dois filmes, não há a construção dos personagens no sentido clássico. Sem apresentação, evolução ou nuances psicológicas, os seres que habitam a tela são pura corporalidade, exterioridade, verborragia e gestual. A cada momento, eles podem alterar o registro de atuação, mudar de identidade e de personalidade, de acordo com a cena e sem motivação conhecida. Os diálogos e monólogos ressaltam muito mais a interpretação, a entonação, a encenação; não cumprem uma função narrativa, de desenvolvimento de um enredo. O rosto do ator explora a potência da expressão facial e é, ao mesmo tempo, uma tela em branco esperando ser preenchida, seja pela pintura do clown dos Players, seja pela máscara de macaco de Pereio, para provocar uma transformação também dos jogos. Em ambos filmes, é evidente na imagem o papel fundamental da participação dos atores, seus repertórios e suas personas, no processo criativo e determinando o resultado final.
    Sendo assim, é possível ativar diferentes teorias sobre o trabalho do ator de cinema que dialogam e oferecem ferramentas para a leitura do registro de atuação nos dois filmes – e, de maneira mais ampla, nos dois movimentos cinematográficos em questão. O ator como autor, a expressão usada por Patrick McGilligan (1975, p. 199), exprime a centralidade dos atores aqui estudados no processo: “um ator pode influenciar tanto quanto um roteirista, diretor ou produtor (…); e há alguns poucos e raros intérpretes cujas capacidades de atuação e persona na tela são tão poderosas que eles encarnam e definem a própria essência de seus filmes”.
    Com relação à materialidade e exterioridade do corpo do ator como uma proto experiência performática no cinema, podemos evocar a concepção de André Parente (2000, p. 106) a respeito de uma terceira tendência do experimental, a do “cinema do corpo”, que “introduz a duração nos corpos, fazendo-os sair do presente linear”, marcada por “teatralização cotidiana do corpo”, construída “gesto por gesto e palavra por palavra”. A representação corporal também pode ser analisada sob o viés do happening, como se dá a leitura de David Oubiña (2011) e que também tem a ver com o “ato corporal expressivo” de Oiticica.
    Em específico sobre as singularidades do rosto do ator no cinema, este trabalho retoma Mikhaïl Iampolski (1994, p. 28) e o mecanismo do rosto-máquina, em primeiro lugar, o dinamismo mecânico dos movimentos faciais e corporais, “com ausência total de motivação psicológica”. E, em segundo lugar, o rosto-máscara histérico, que “conserva todos os atributos da máscara privada de expressividade, sua imobilidade, seu vazio, aliada à pegada enérgica do movimento muscular mecânico do rosto-máquina” (IAMPOLSKI, 1994, p. 36).
    Este artigo dialoga com minha pesquisa de mestrado em andamento, na qual realizo um estudo comparativo entre Cinema Marginal, Grupo de los Cinco e Cine Subterráneo (também argentino), com foco na apreensão de tempo e espaço das narrativas, o trabalho dos atores e as alegorias. Os corpos performáticos e a exterioridade da atuação faz a ponte com singulares experiências temporais e espaciais nos filmes, que juntos se inserem no paradigma mais amplo das narrativas modernas após 1968, fornecendo pistas para enxergar nas obras potentes metáforas de um momento histórico.

Bibliografia

    AUMONT, Jacques. Du Visage Au Cinéma. Paris: Editions de l’Etoile/Cahiers du Cinéma, 1992.
    IAMPOLSKI, Mikhaïl. Visage-masque et visage-machine. In: ALBÉRA, F. (org.). Vers une théorie de l’acteur. Lausanne: L’Age d’Homme, 1994.
    MACIEL GUIMARAES, Pedro. O sexo e a palavra: Pereio, um ator-autor. In: Anais do XV Encontro SOCINE. São Paulo: Centro Universitário Senac, out/2012.
    McGILLIGAN, Patrick. Cagney, the Actor as Auteur. Londres: A.S Barnes, South Brunswick, Tantivity, 1975.
    OUBIÑA, David. El silencio y sus bordes: modos de lo extremo en la literatura y el cine. Buenos Aires: Fondo de Cultura Económica, 2011.
    PARENTE, André. Narrativa e modernidade: Os cinemas não-narrativos do pós-guerra. Campinas: Papirus, 2000.
    PEÑA, Fernando Martín (ed.). Generaciones 60/90. Cine argentino independiente. Buenos Aires: Fundación Eduardo F. Constantini, 2003.
    XAVIER, Ismail. Alegorias do subdesenvolvimento: Cinema Novo, Tropicalismo, Cinema Marginal. São Paulo: Brasiliense, 1993.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Rio de Janeiro, 28 de janeiro de 2016.

 

Carta aberta ao Ministério da Educação e Ministério da Cultura

 

Assunto: Base Nacional Comum Curricular

 

 

A SOCINE (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual) tem acompanhado os esforços de construção da Base Nacional Comum Curricular. Nosso comentário aqui irá se ater à especificidade de nossa área e sua relação com as propostas apresentadas na BNCC.

Dentro do texto preliminar do BNCC o componente curricular ARTE parte de uma grande área chamada linguagens. Dentro desta área as artes foram divididas em quatro grandes eixos: “artes visuais, dança, teatro e música”, conforme as licenciaturas específicas em arte, desconsiderando a Licenciatura em Cinema e Audiovisual (Resolução do CNE n. 10, de 27 de junho de 2006) e excluindo completamente o cinema como uma arte específica.

Foi essa subdivisão que nos trouxe uma primeira preocupação. Junto à todos esses subcomponentes da área de artes nos parece fundamental que esteja também o cinema. Esta atenção e necessidade não existe apenas porque trabalhamos e pesquisamos cinema e estamos atentos aos seus destinos, mas porque o cinema está intensamente presente na escola e na sociedade e, no momento da construção de uma base nacional para o currículo do ensino infantil, médio e fundamental as questões, contribuições e potencias do cinema na escola não podem ser excluídos.

Diversos componentes curriculares lançam mão de filmes de ficção, seriados, documentários para abordarem temas transversais e específicos de diferentes naturezas. O debate teórico que investigamos apontam para uma necessária vivência no âmbito escolar dos dispositivos cinematográficos desde a tenra idade seja para desenvolver a imaginação na Educação Infantil, na elaboração de cenários para o faz de conta, seja para a construção de identidade pessoal e cultural, seja pela singularidade da experiência sensível que o cinema possibilita.

Vale notar alguns fatos que sustentam nossa preocupação. Primeiramente o cinema é hoje obrigatório na escola. Graças à lei 13006/14, há uma obrigação de exibição de pelo menos duas horas de filmes brasileiros nas escolas. Esta lei, em vias de regulamentação, também exigirá que espaços físicos e materiais sejam garantidos nas escolas para sua efetivação, além da necessidade de uma real inclusão do cinema nas questões que tocam o currículo como um todo, transcendendo mesmo as linguagens específicas. Além de oferecer uma ampla versatilidade de conteúdo, a leitura de filmes e a própria produção audiovisual – inclusive com dispositivos móveis de comunicação – permite a professores e estudantes olhar para a realidade para descobri-la e inventá-la – gestos essenciais na produção de conhecimento.

Como bem é lembrado na proposta de BNC, “a formação em Arte acontece em licenciaturas específicas (artes visuais, dança, teatro e música)”, pois, também em licenciaturas de cinema. Embora talvez se presuma que “artes visuais” inclua de algum modo ao cinema, ele tem uma especificidade na formação do professor. Desde 2012 a Universidade Federal Fluminense possui uma licenciatura em cinema e a mobilização de outras universidade no mesmo caminho é evidente. Devemos ainda atentar à intensa contribuição que diversos programas de pós-graduação vêm dando às relações entre cinema e educação, algo que se evidência nos próprios encontros da sociedade que representamos, onde a cada ano temos diversos trabalhos e comunicações dedicados às relações do cinema com a educação.

Além da materialidade legal, de formação e de pesquisa que evidencia a íntima relação entre o cinema e a escola, a Rede Kino: Rede Latinoamericana de Educação, Cinema e Audiovisual, formada por professores e pesquisadores que trabalham na interface entre cinema e educação, vem mapeando projetos e iniciativas que se dedicam à essa interface, desde 2008. Projetos que acontecem em todo o país e que mobilizam centenas de escolas. Por fim, sabemos que o cinema é amplamente presente nas escolas por conta da contribuição que ele traz em tantas áreas, conteúdos e debates, da matemática às ciências, passando pelas histórias, geografias e humanidades em geral. Por todos esses motivos, pela intensa força pedagógica do cinema na escola, nos preocupa que no momento de construção de uma Base Curricular tão pouca atenção tenho sido dada ao cinema.

No nosso entender, a BNC deveria incluir um eixo Cinema e Audiovisual dentro do componente curricular artes, só assim garantiremos uma formação consistente em uma área decisiva da cultura contemporânea, além de uma experiência e uma habilidade em uma dimensão central das linguagens no mundo atual.

 

Atenciosamente

 

 

Cezar Migliorin

Presidente da SOCINE

  1. Prazo de pagamento da anuidade: de 1 a 24 de março; 
  2. Prazo de submissão de propostas de trabalhos para apresentação [XXI Encontro]: de 5 a 31 de março;
  3. Divulgação de propostas aprovadas para apresentação [XXI SOCINE]: 9 de junho;
  4. Período de pagamento das inscrições [XXI SOCINE]:
      • PRIMEIRO PRAZO: 3 a 13 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
      • SEGUNDO PRAZO: 14 a 24 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
      • TERCEIRO PRAZO: 25 de julho a 1 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00
  5. Chamada de candidaturas [Eleições da SOCINE]: 21 de agosto a 22 de setembro;
  6. Inscrição de ouvintes [XXI SOCINE]: a partir de 11 de setembro;
  7. Divulgação da programação [XXI SOCINE]: 19 de setembro;
  8. Divulgação das candidaturas homologadas [Eleições da SOCINE]: 29 de setembro;
  9. XXI Encontro SOCINE, na UFPB, em João Pessoa: de 17 a 20 de outubro;
  10. Eleições da SOCINE: 18 e 19 de outubro;
  11. Assembleia e posse da nova diretoria: 20 de outubro;
  12. Prazo de envio de trabalhos para os Anais de Textos Completos [XXI SOCINE]: a definir.