Ficha do Proponente

Proponente

    Carla Miguelote (UNIRIO)

Minicurrículo

    Professora Adjunta do Departamento de Letras da UNIRIO. Possui graduação em Comunicação Social (UFF), mestrado em Letras (UFF) e doutorado em Literatura Comparada (UFF). Atualmente desenvolve o projeto de pesquisa “Palavra e imagem na arte contemporânea: o vídeo, a grande parataxe e o arquivo sem fundo”.

Ficha do Trabalho

Título

    Escrever para a câmera: a videografia de Marilá Dardot

Seminário

    Cinema e literatura, palavra e imagem

Resumo

    Trata-se de compreender a produção videográfica da artista brasileira Marilá Dardot como uma homenagem aos diversos gestos de escrita, prestes a desaparecer, ou a se tornarem arcaicos, diante da primazia de novos códigos. A partir dos vídeos da artista, são levantadas questões acerca da temporalidade da escrita e da leitura quando inseridas no meio audiovisual, da plasticidade dos signos verbais para além da função de representação, e das diversas modalidades de inscrição e apagamento.

Resumo expandido

    Quase toda a obra da artista brasileira Marilá Dardot dialoga com a literatura, com textos e livros da tradição literária. Em seus vídeos, entretanto, o que parece estar em jogo é, mais do que o texto, o próprio gesto de escrever. Em sua produção videográfica, a artista não mais flerta com o texto literário, incorporado à tradição, mas performa a escrita, trazendo à cena a palavra das trocas cotidianas. Ao inserir o texto verbal no registro na imagem em movimento, Dardot problematiza o fluxo veloz de informações do mundo contemporâneo, colocando em questão a temporalidade da escrita e da leitura, a plasticidade dos signos verbais para além da função de representação, a inscrição e o apagamento, a memória e o esquecimento.
    Escrever (e apagar) verbos em uma lousa branca – Hic e nunc (2002) –, compor palavras com dados de letras – Entre nós (2006) –, datilografar cartas – Correspondência (2008) –, confeccionar cartazes com a tipografia artesanal típica das ofertas de supermercado – Quanto é? O que nos separa (2015) –, escrever com água num grande muro de concreto – Diário (2015) –: o conjunto de vídeos de Marilá Dardot aponta para um inventário das modalidades do escrever, dos suportes, técnicas e instrumentos da escrita.
    Não se trata, aqui, de escrever com a câmera (como anunciara, metaforicamente, Alexandre Astruc), mas de escrever para a câmera, literalmente. Escrever para a câmera: alinhar letras e sinais gráficos diante da câmera. É preciso especificá-lo, já que se tem afirmado, nos discursos sobre arte contemporânea, a concepção de uma escritura expandida, que não se restringe ao alfabeto, mas se compõe na articulação de imagens e objetos. No caso dos vídeos acima citados, estamos falando deste gesto fundante da consciência histórica e para o qual Vilém Flusser não vislumbra nenhum futuro: a organização, em linhas, de sinais do código alfanumérico. Tudo se passa como se a artista estivesse compondo sua singela homenagem aos diversos gestos de escrita, prestes a desaparecer, ou pelo menos a se tornarem arcaicos, diante da primazia de novos códigos.
    Os vídeos de Dardot remetem aos trabalhos La pluie – projet pour un texte (1969), de Marcel Broodthaers, e I will not make any more boring art (1971), de John Baldessari. Lembrar esses trabalhos pioneiros de escrita para a câmera nos ajuda a colocar em cena algumas questões que atravessam também os vídeos de Marilá Dardot. Em La pluie, Broodthaers tenta escrever um texto, ao ar livre, enquanto a água da chuva cai sobre o papel, apagando a tinta e borrando as palavras (que o espectador nunca consegue ler). De certo modo, o filme trata da instabilidade ou impermanência da escrita no meio audiovisual. Ou, para retomar as reflexões de Paul Virilio, encena-se a tensão ente a estética da aparição e a estética do desaparecimento. Já o vídeo de Baldessari, em que o artista escreve repetidamente, durante 32 minutos, a frase I will not make any more boring art, aponta para a escrita como castigo escolar, punição. Com uma imagem entediante, em função da repetição, o artista faz justamente aquilo que promete não fazer mais. Desmorona-se a oposição do senso comum entre o regime textual (entediante, que requer esforço e concentração) e o regime audiovisual (divertido, de consumo fácil).
    Por fim, sugerimos compreender os vídeos de Marila Dardot dentro da tradição da videoperformance. Vale lembrar que a consideração da escrita como performance teve seu lugar na décima terceira Documenta de Kassel, em 2012, quando escritores convidados deviam ocupar uma mesa do restaurante Dschingis Khan, para escrever diante do público. Sabe-se que, na videoperformance, da qual o público está ausente, o enfrentamento se dá com a câmera. Nos vídeos de Dardot, a escrita se constitui como performance e alcança sua intensidade na duração da imagem, na lentidão, na fixidez e na unicidade do plano-sequência, na presença enquadrada de um suporte e na continuidade intensiva do gesto de escrever.

Bibliografia

    ASTRUC, Alexandre. Naissance d’une nouvelle avant-garde, la camera-stylo. L’Écran français. Paris: 1948.

    COUTINHO, Mário Alves. Escrever com a câmera: a literatura cinematográfica de Jean-Luc Godard. Belo Horizonte: Crisálida, 2010.

    FLUSSER, Vilém. A escrita – Há futuro para a escrita? São Paulo: Annablume, 2010.

    KRAUSS, Rosalind. A voyage on the North Sea: art in the age of the post-medium condition. Londres: Thames & Hudson, 1999.

    LYOTARD, Jean-François. Discours, figure. Paris: Klincksieck, 1971.

    MACHADO, Arlindo (org.) Made in Brasil: três décadas do vídeo brasileiro. São Paulo: Itaú Cultural; Iluminuras, 2007.

    PATO, Ana. Literatura expandida: arquivo e citação na obra de Dominique Gonzales-Foester. São Paulo: Edições Sesc SP: Associação Cultural Videobrasil, 2012.

    VILA-MATAS, Enrique. Não há lugar para a lógica em Kassel. São Paulo: Cosac Naify, 2015.

    VIRILIO, Paul. O espaço crítico. Rio de Janeiro: Ed. 34, 1993.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Rio de Janeiro, 28 de janeiro de 2016.

 

Carta aberta ao Ministério da Educação e Ministério da Cultura

 

Assunto: Base Nacional Comum Curricular

 

 

A SOCINE (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual) tem acompanhado os esforços de construção da Base Nacional Comum Curricular. Nosso comentário aqui irá se ater à especificidade de nossa área e sua relação com as propostas apresentadas na BNCC.

Dentro do texto preliminar do BNCC o componente curricular ARTE parte de uma grande área chamada linguagens. Dentro desta área as artes foram divididas em quatro grandes eixos: “artes visuais, dança, teatro e música”, conforme as licenciaturas específicas em arte, desconsiderando a Licenciatura em Cinema e Audiovisual (Resolução do CNE n. 10, de 27 de junho de 2006) e excluindo completamente o cinema como uma arte específica.

Foi essa subdivisão que nos trouxe uma primeira preocupação. Junto à todos esses subcomponentes da área de artes nos parece fundamental que esteja também o cinema. Esta atenção e necessidade não existe apenas porque trabalhamos e pesquisamos cinema e estamos atentos aos seus destinos, mas porque o cinema está intensamente presente na escola e na sociedade e, no momento da construção de uma base nacional para o currículo do ensino infantil, médio e fundamental as questões, contribuições e potencias do cinema na escola não podem ser excluídos.

Diversos componentes curriculares lançam mão de filmes de ficção, seriados, documentários para abordarem temas transversais e específicos de diferentes naturezas. O debate teórico que investigamos apontam para uma necessária vivência no âmbito escolar dos dispositivos cinematográficos desde a tenra idade seja para desenvolver a imaginação na Educação Infantil, na elaboração de cenários para o faz de conta, seja para a construção de identidade pessoal e cultural, seja pela singularidade da experiência sensível que o cinema possibilita.

Vale notar alguns fatos que sustentam nossa preocupação. Primeiramente o cinema é hoje obrigatório na escola. Graças à lei 13006/14, há uma obrigação de exibição de pelo menos duas horas de filmes brasileiros nas escolas. Esta lei, em vias de regulamentação, também exigirá que espaços físicos e materiais sejam garantidos nas escolas para sua efetivação, além da necessidade de uma real inclusão do cinema nas questões que tocam o currículo como um todo, transcendendo mesmo as linguagens específicas. Além de oferecer uma ampla versatilidade de conteúdo, a leitura de filmes e a própria produção audiovisual – inclusive com dispositivos móveis de comunicação – permite a professores e estudantes olhar para a realidade para descobri-la e inventá-la – gestos essenciais na produção de conhecimento.

Como bem é lembrado na proposta de BNC, “a formação em Arte acontece em licenciaturas específicas (artes visuais, dança, teatro e música)”, pois, também em licenciaturas de cinema. Embora talvez se presuma que “artes visuais” inclua de algum modo ao cinema, ele tem uma especificidade na formação do professor. Desde 2012 a Universidade Federal Fluminense possui uma licenciatura em cinema e a mobilização de outras universidade no mesmo caminho é evidente. Devemos ainda atentar à intensa contribuição que diversos programas de pós-graduação vêm dando às relações entre cinema e educação, algo que se evidência nos próprios encontros da sociedade que representamos, onde a cada ano temos diversos trabalhos e comunicações dedicados às relações do cinema com a educação.

Além da materialidade legal, de formação e de pesquisa que evidencia a íntima relação entre o cinema e a escola, a Rede Kino: Rede Latinoamericana de Educação, Cinema e Audiovisual, formada por professores e pesquisadores que trabalham na interface entre cinema e educação, vem mapeando projetos e iniciativas que se dedicam à essa interface, desde 2008. Projetos que acontecem em todo o país e que mobilizam centenas de escolas. Por fim, sabemos que o cinema é amplamente presente nas escolas por conta da contribuição que ele traz em tantas áreas, conteúdos e debates, da matemática às ciências, passando pelas histórias, geografias e humanidades em geral. Por todos esses motivos, pela intensa força pedagógica do cinema na escola, nos preocupa que no momento de construção de uma Base Curricular tão pouca atenção tenho sido dada ao cinema.

No nosso entender, a BNC deveria incluir um eixo Cinema e Audiovisual dentro do componente curricular artes, só assim garantiremos uma formação consistente em uma área decisiva da cultura contemporânea, além de uma experiência e uma habilidade em uma dimensão central das linguagens no mundo atual.

 

Atenciosamente

 

 

Cezar Migliorin

Presidente da SOCINE

  1. Prazo de pagamento da anuidade: de 1 a 24 de março; 
  2. Prazo de submissão de propostas de trabalhos para apresentação [XXI Encontro]: de 5 a 31 de março;
  3. Divulgação de propostas aprovadas para apresentação [XXI SOCINE]: 9 de junho;
  4. Período de pagamento das inscrições [XXI SOCINE]:
      • PRIMEIRO PRAZO: 3 a 13 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
      • SEGUNDO PRAZO: 14 a 24 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
      • TERCEIRO PRAZO: 25 de julho a 1 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00
  5. Chamada de candidaturas [Eleições da SOCINE]: 21 de agosto a 22 de setembro;
  6. Inscrição de ouvintes [XXI SOCINE]: a partir de 11 de setembro;
  7. Divulgação da programação [XXI SOCINE]: 19 de setembro;
  8. Divulgação das candidaturas homologadas [Eleições da SOCINE]: 29 de setembro;
  9. XXI Encontro SOCINE, na UFPB, em João Pessoa: de 17 a 20 de outubro;
  10. Eleições da SOCINE: 18 e 19 de outubro;
  11. Assembleia e posse da nova diretoria: 20 de outubro;
  12. Prazo de envio de trabalhos para os Anais de Textos Completos [XXI SOCINE]: a definir.