Ficha do Proponente

Proponente

    Cristiane Passafaro Guzzi (UNESP/FCLAr)

Minicurrículo

    É Pós-Doutoranda, em Estudos Literários, pela UNESP/ FCLAr(2016). Realizou Estágio de Doutorado Sanduíche no exterior (CAPES-PDSE) na UCLA, Los Angeles (EUA), sob a supervisão do Prof. Dr. Randal Johnson. Obteve título de Doutora em Estudos Literários pela UNESP, em abril de 2015. Possui Graduação em Letras (Licenciatura e Bacharelado), pela mesma instituição. É pesquisadora do Grupo CASA desde 2007, do Grupo GEN – Grupo de Estudos da Narrativa, desde 2013. Colabora como pesquisadora do LABRFF.

Ficha do Trabalho

Título

    O ESTATUTO DO ROTEIRO EM MARÇAL AQUINO E LUIZ FERNANDO CARVALHO

Resumo

    Pretendemos cotejar o movimento apreendido pela poética do cineasta Luiz Fernando Carvalho, com o trabalho realizado pelo escritor e roteirista Marçal Aquino em suas parcerias fílmicas com diversos diretores. Nossa proposta busca estabelecer, entre ambos, relações quase antagônicas: Carvalho, cineasta, concebe o roteiro com características próximas ao texto literário, enquanto que Aquino, escritor, concebe o roteiro mais parecido com uma partitura cinematográfica.

Resumo expandido

    As constantes releituras de obras literárias para a televisão e o cinema estão inaugurando um espaço sólido na contemporaneidade ao construírem novos horizontes de expectativa e de leituras possíveis para os estudos discursivos em geral. O aumento considerável de releituras de textos consagrados ou de produções literárias já pensadas para serem traduzidas em suportes audiovisuais1 – fruto, talvez, de um fluxo intercambiável que vêm caracterizando o cenário da produção contemporânea – despertou a necessidade de um estudo rigoroso das especificidades discursivo-textuais que são retrabalhadas, refutadas, ou condensadas nessas traduções.
    Como uma espécie de registro final das especificidades trabalhadas nesse movimento de rearranjo das categorias narrativas da obra literária para outro meio, temos como objeto o roteiro que, apesar de constituir-se como gênero estabilizado, parece estar, há tempos, carecendo de uma revisão do seu próprio estatuto, dentro do campo dos Estudos Literários, pelo modo como vem explorando e incorporando especificidades da literatura em sua composição, deixando, em muitas produções autorais, de ser um mero registro técnico ou instrumental apenas para diretores ou profissionais do ramo. Vale lembrar, inclusive, a crescente quantidade de cursos sobre roteiro, disponíveis nos âmbitos antes dedicados apenas à literatura, assim como os espaços, cada vez maiores, que a discussão sobre roteiro vem ganhando nos festivais literários consagrados. É notório também as incursões teóricas dos screenwriting studies, campo de estudo já consolidado e de amplo alcance de estudiosos internacionais, bem como o interesse exponencial pelas publicações do Journal of Screenwriting.
    Levando tais apontamentos em consideração, Esta comunicação pretende cotejar o movimento apreendido pela poética do cineasta Luiz Fernando Carvalho, com o trabalho realizado pelo escritor e roteirista Marçal Aquino em suas parcerias fílmicas com os diretores Beto Brant e Heitor Dhalia. É importante ressaltar que Carvalho mobiliza procedimentos cinematográficos dentro da especificidade e dos recursos da televisão, apresentando-nos, em suas realizações finais, um produto que pode ser tratado e analisado a partir das teorias fílmicas. Dessa forma, nossa proposta busca estabelecer, entre ambos, relações quase antagônicas: Carvalho, que é cineasta, concebe o roteiro com características próximas ao texto literário, enquanto que Aquino, escritor, concebe o roteiro mais parecido com uma partitura cinematográfica. Dessa forma, interessa-nos examinar a maneira como, dentro da produção contemporânea, o objeto roteiro, por meio de uma configuração textual que se mostra intercambiável e passível de dialogar dentro do cânone literário, parece ganhar um novo estatuto. Para tanto, buscaremos problematizar e revisitar estudos existentes sobre as especificidades da literatura e do roteiro, a partir da contribuição do conceito de intermidialidade, tanto o que vem sendo estudado pela perspectiva da teoria semiótica francesa, como o que sustenta as reflexões sobre o tema nos estudos transmidiáticos, visando à compreensão do roteiro como gênero complementar para o estudo de obras literárias transpostas para outros meios.

Bibliografia

    ABREU, L.A.; CARVALHO, L. F. Hoje é dia de Maria. 1a e 2a jornadas. São Paulo: Globo, 2005.
    ______. CARVALHO, L. F. Roteiros inéditos A Pedra do Reino. São Paulo, 2007. Não publicado.
    AQUINO, M. O Invasor. São Paulo: Geração Editorial, 2002.
    ______. Entrevista disponível em . Consulta em
    24/05/15.
    BRADY, J. The Craft of the Screenwriter. Nova York: Simon and Schuster, 1982.
    CARRIÈRE, J.C. & BONITZER, P. Prática do roteiro cinematográfico. SP, JSN Edit., 1996.
    DINIZ, T. F. N. (Org.). Intermidialidades e estudos interartes. Belo Horizonte: Ed UFMG, 2012.
    GUZZI, C. P. Por uma Imagem da Literatura: a poética do escancaramento do diretor Luiz Fernando Carvalho. Tese (Doutorado em Estudos Literários). UNESP, Araraquara, 2015. 360f.
    MARAS, S. Screenwriting: history, theory and practice. Wallflower Press, Londo & New York, 2009.
    MULLER, A; SCAMPARINI, Julia. (Orgs). Muito além da adaptação. Literatura, cinema e outras artes. Rio de Janeiro: 7 Letra, 2013.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Rio de Janeiro, 28 de janeiro de 2016.

 

Carta aberta ao Ministério da Educação e Ministério da Cultura

 

Assunto: Base Nacional Comum Curricular

 

 

A SOCINE (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual) tem acompanhado os esforços de construção da Base Nacional Comum Curricular. Nosso comentário aqui irá se ater à especificidade de nossa área e sua relação com as propostas apresentadas na BNCC.

Dentro do texto preliminar do BNCC o componente curricular ARTE parte de uma grande área chamada linguagens. Dentro desta área as artes foram divididas em quatro grandes eixos: “artes visuais, dança, teatro e música”, conforme as licenciaturas específicas em arte, desconsiderando a Licenciatura em Cinema e Audiovisual (Resolução do CNE n. 10, de 27 de junho de 2006) e excluindo completamente o cinema como uma arte específica.

Foi essa subdivisão que nos trouxe uma primeira preocupação. Junto à todos esses subcomponentes da área de artes nos parece fundamental que esteja também o cinema. Esta atenção e necessidade não existe apenas porque trabalhamos e pesquisamos cinema e estamos atentos aos seus destinos, mas porque o cinema está intensamente presente na escola e na sociedade e, no momento da construção de uma base nacional para o currículo do ensino infantil, médio e fundamental as questões, contribuições e potencias do cinema na escola não podem ser excluídos.

Diversos componentes curriculares lançam mão de filmes de ficção, seriados, documentários para abordarem temas transversais e específicos de diferentes naturezas. O debate teórico que investigamos apontam para uma necessária vivência no âmbito escolar dos dispositivos cinematográficos desde a tenra idade seja para desenvolver a imaginação na Educação Infantil, na elaboração de cenários para o faz de conta, seja para a construção de identidade pessoal e cultural, seja pela singularidade da experiência sensível que o cinema possibilita.

Vale notar alguns fatos que sustentam nossa preocupação. Primeiramente o cinema é hoje obrigatório na escola. Graças à lei 13006/14, há uma obrigação de exibição de pelo menos duas horas de filmes brasileiros nas escolas. Esta lei, em vias de regulamentação, também exigirá que espaços físicos e materiais sejam garantidos nas escolas para sua efetivação, além da necessidade de uma real inclusão do cinema nas questões que tocam o currículo como um todo, transcendendo mesmo as linguagens específicas. Além de oferecer uma ampla versatilidade de conteúdo, a leitura de filmes e a própria produção audiovisual – inclusive com dispositivos móveis de comunicação – permite a professores e estudantes olhar para a realidade para descobri-la e inventá-la – gestos essenciais na produção de conhecimento.

Como bem é lembrado na proposta de BNC, “a formação em Arte acontece em licenciaturas específicas (artes visuais, dança, teatro e música)”, pois, também em licenciaturas de cinema. Embora talvez se presuma que “artes visuais” inclua de algum modo ao cinema, ele tem uma especificidade na formação do professor. Desde 2012 a Universidade Federal Fluminense possui uma licenciatura em cinema e a mobilização de outras universidade no mesmo caminho é evidente. Devemos ainda atentar à intensa contribuição que diversos programas de pós-graduação vêm dando às relações entre cinema e educação, algo que se evidência nos próprios encontros da sociedade que representamos, onde a cada ano temos diversos trabalhos e comunicações dedicados às relações do cinema com a educação.

Além da materialidade legal, de formação e de pesquisa que evidencia a íntima relação entre o cinema e a escola, a Rede Kino: Rede Latinoamericana de Educação, Cinema e Audiovisual, formada por professores e pesquisadores que trabalham na interface entre cinema e educação, vem mapeando projetos e iniciativas que se dedicam à essa interface, desde 2008. Projetos que acontecem em todo o país e que mobilizam centenas de escolas. Por fim, sabemos que o cinema é amplamente presente nas escolas por conta da contribuição que ele traz em tantas áreas, conteúdos e debates, da matemática às ciências, passando pelas histórias, geografias e humanidades em geral. Por todos esses motivos, pela intensa força pedagógica do cinema na escola, nos preocupa que no momento de construção de uma Base Curricular tão pouca atenção tenho sido dada ao cinema.

No nosso entender, a BNC deveria incluir um eixo Cinema e Audiovisual dentro do componente curricular artes, só assim garantiremos uma formação consistente em uma área decisiva da cultura contemporânea, além de uma experiência e uma habilidade em uma dimensão central das linguagens no mundo atual.

 

Atenciosamente

 

 

Cezar Migliorin

Presidente da SOCINE

  1. Prazo de pagamento da anuidade: de 1 a 24 de março; 
  2. Prazo de submissão de propostas de trabalhos para apresentação [XXI Encontro]: de 5 a 31 de março;
  3. Divulgação de propostas aprovadas para apresentação [XXI SOCINE]: 9 de junho;
  4. Período de pagamento das inscrições [XXI SOCINE]:
      • PRIMEIRO PRAZO: 3 a 13 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
      • SEGUNDO PRAZO: 14 a 24 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
      • TERCEIRO PRAZO: 25 de julho a 1 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00
  5. Chamada de candidaturas [Eleições da SOCINE]: 21 de agosto a 22 de setembro;
  6. Inscrição de ouvintes [XXI SOCINE]: a partir de 11 de setembro;
  7. Divulgação da programação [XXI SOCINE]: 19 de setembro;
  8. Divulgação das candidaturas homologadas [Eleições da SOCINE]: 29 de setembro;
  9. XXI Encontro SOCINE, na UFPB, em João Pessoa: de 17 a 20 de outubro;
  10. Eleições da SOCINE: 18 e 19 de outubro;
  11. Assembleia e posse da nova diretoria: 20 de outubro;
  12. Prazo de envio de trabalhos para os Anais de Textos Completos [XXI SOCINE]: a definir.