Ficha do Proponente

Proponente

    Margarida Maria Adamatti (ECA/USP)

Minicurrículo

    Margarida Maria Adamatti é doutora pela Escola de Comunicações e Artes (ECA-USP) e membro do comitê editorial da Revista Significação. Formada em Jornalismo pela Cásper Líbero, possui especialização em Jornalismo Cultural pela PUC-SP e mestrado em Ciência da Comunicação pela ECA-USP. Desenvolve pesquisa em torno da crítica cinematográfica e da historiografia do cinema brasileiro, com foco nas relações entre estética e política.

Ficha do Trabalho

Título

    Brasil em Tempo de Cinema como método da crítica de cinema engajada

Resumo

    Lançado em 1967, Brasil em Tempo de Cinema tornou-se a primeira obra de peso a analisar o Cinema Novo. Escrito sem recuo histórico, o livro de Jean-Claude Bernardet teve um papel pioneiro na crítica à cultura do nacional popular. Se muitos cineastas nos anos setenta ainda respondiam às indagações da obra em suas entrevistas, nossa proposta é avaliar em que medida Brasil em Tempo de Cinema mantinha-se como referência de análise do cinema brasileiro entre os críticos engajados.

Resumo expandido

    Então assistente de Paulo Emilio Salles Gomes na Universidade de Brasília, Jean-Claude Bernardet foi impedido de defender sua dissertação, quando os militares invadiram o campus em 1965. Dois anos depois, a obra foi publicada e se tornou a primeira análise de peso sobre o Cinema Novo, com um título tomado de empréstimo a Cacá Diegues. Brasil em Tempo de Cinema abriu uma polêmica no meio cinematográfico quando questionou a noção de cinema popular do Cinema Novo. Enquanto alguns realizadores ainda viam-se como intermediários autênticos da cultura do povo, Bernardet observava a inexistência de um cinema popular no Brasil e contestava o papel de vanguarda dos cineastas como representantes dessa cultura. Em síntese, Brasil em Tempo de Cinema foi obra pioneira de crítica à cultura do nacional popular (Xavier, 2009), muito tempo antes da consolidação desse debate no meio cultural.
    Sem discriminar a produção brasileira por um critério de gênero ou autoral, o livro de Bernardet examinou a filmografia nacional como um todo orgânico e como resultado de um trabalho coletivo. Longe de frisar a trajetória individual dos cineastas, a pesquisa estava em conjunção com a voga do estruturalismo (Dosse, 1993). Como método de trabalho, Bernardet utilizava formas de análise da literatura e da composição dos personagens para estabelecer comparações entre a estrutura fílmica e a social. Havia uma vontade de intervir no debate, que tem relação direta com o ambiente cultural daqueles anos. Vendo as obras como um produto da história, o interesse incidia não só na análise fílmica, mas também na recepção do público para revelar a ideologia objetiva dos filmes (Eagleton, 2011, Coutinho, 1968).
    A importância do livro mede-se também pela influência junto aos realizadores e aos críticos de cinema. Durante o Festival É tudo verdade, o cineasta Eduardo Coutinho contou que algumas características de Cabra marcado para morrer (1984) surgiram em resposta às questões colocadas pelos textos de Bernardet. Desde Brasil em Tempo de Cinema, os artigos do crítico o provocavam o tempo inteiro. Também Arnaldo Jabor em conversa reservada, comentou com Bernardet que ele havia visto aspectos despercebidos pelo próprio cineasta de Opinião Pública (1966). Essas declarações dão uma pequena dimensão do quanto Brasil em Tempo de Cinema tornou-se um importante parâmetro para os realizadores brasileiros.
    Em pouco tempo, o livro tornou-se peça importante na trajetória de uma geração de críticos. O escritor José Arrabal, famoso por inaugurar a crítica à cultura do nacional popular na cobertura teatral dos anos setenta, teve em Brasil em Tempo de Cinema sua inspiração enquanto método de análise. Em entrevista à autora, o jornalista e crítico Clóvis Marques considerou a obra uma peça fundamental não só para sua trajetória, mas como uma espécie de clarão para a crítica de cinema brasileira dessa época.
    Parte desse clarão vinha do diálogo e da articulação com a sociologia das visões de mundo e com a crítica materialista, a partir das quais Bernardet criava um método de estudo ao cinema brasileiro. Quase dez anos depois, o ápice desse trabalho era realizado no jornal alternativo Opinião, onde o crítico aprofundava seus parâmetros de análise. A proposta da comunicação é recompor a metodologia criada por Jean-Claude Bernardet e demonstrar como os demais articulistas utilizavam o livro em seus artigos.

Bibliografia

    BARTHES, Roland. Mitologias. Rio de Janeiro: Difel, 2003.
    BERNARDET, Jean-Claude. Brasil em tempo de cinema. São Paulo: Cia das Letras, 2007.
    BERNARDET, Jean-Claude; GALVÃO, Maria Rita. Cinema: repercussões em caixa de eco ideológica – as ideias de “nacional” e “popular” no pensamento cinematográfico brasileiro. São Paulo: Brasiliense, 1983.
    COUTINHO, Afrânio. Crítica e poética. Rio de Janeiro: Livraria Acadêmica, 1968.
    DOSSE, François. História do estruturalismo – campo do signo – 1945/1966. São Paulo: Ensaio; Campinas: Editora da Universidade Estadual de Campinas, 1993 [1991]. v. 1.
    EAGLETON, Terry. Marxismo e crítica literária. São Paulo: Unesp, 2011.
    NAPOLITANO, Marcos. Coração civil: arte, resistência e lutas culturais durante o regime militar brasileiro (1964-1980). Tese de Livre-Docência, FFLCH/USP, 2011.
    XAVIER, Ismail; MENDES, Adilson (org.). Ismail Xavier/Encontros. Rio de Janeiro: Beco do Azougue, 2009.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Rio de Janeiro, 28 de janeiro de 2016.

 

Carta aberta ao Ministério da Educação e Ministério da Cultura

 

Assunto: Base Nacional Comum Curricular

 

 

A SOCINE (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual) tem acompanhado os esforços de construção da Base Nacional Comum Curricular. Nosso comentário aqui irá se ater à especificidade de nossa área e sua relação com as propostas apresentadas na BNCC.

Dentro do texto preliminar do BNCC o componente curricular ARTE parte de uma grande área chamada linguagens. Dentro desta área as artes foram divididas em quatro grandes eixos: “artes visuais, dança, teatro e música”, conforme as licenciaturas específicas em arte, desconsiderando a Licenciatura em Cinema e Audiovisual (Resolução do CNE n. 10, de 27 de junho de 2006) e excluindo completamente o cinema como uma arte específica.

Foi essa subdivisão que nos trouxe uma primeira preocupação. Junto à todos esses subcomponentes da área de artes nos parece fundamental que esteja também o cinema. Esta atenção e necessidade não existe apenas porque trabalhamos e pesquisamos cinema e estamos atentos aos seus destinos, mas porque o cinema está intensamente presente na escola e na sociedade e, no momento da construção de uma base nacional para o currículo do ensino infantil, médio e fundamental as questões, contribuições e potencias do cinema na escola não podem ser excluídos.

Diversos componentes curriculares lançam mão de filmes de ficção, seriados, documentários para abordarem temas transversais e específicos de diferentes naturezas. O debate teórico que investigamos apontam para uma necessária vivência no âmbito escolar dos dispositivos cinematográficos desde a tenra idade seja para desenvolver a imaginação na Educação Infantil, na elaboração de cenários para o faz de conta, seja para a construção de identidade pessoal e cultural, seja pela singularidade da experiência sensível que o cinema possibilita.

Vale notar alguns fatos que sustentam nossa preocupação. Primeiramente o cinema é hoje obrigatório na escola. Graças à lei 13006/14, há uma obrigação de exibição de pelo menos duas horas de filmes brasileiros nas escolas. Esta lei, em vias de regulamentação, também exigirá que espaços físicos e materiais sejam garantidos nas escolas para sua efetivação, além da necessidade de uma real inclusão do cinema nas questões que tocam o currículo como um todo, transcendendo mesmo as linguagens específicas. Além de oferecer uma ampla versatilidade de conteúdo, a leitura de filmes e a própria produção audiovisual – inclusive com dispositivos móveis de comunicação – permite a professores e estudantes olhar para a realidade para descobri-la e inventá-la – gestos essenciais na produção de conhecimento.

Como bem é lembrado na proposta de BNC, “a formação em Arte acontece em licenciaturas específicas (artes visuais, dança, teatro e música)”, pois, também em licenciaturas de cinema. Embora talvez se presuma que “artes visuais” inclua de algum modo ao cinema, ele tem uma especificidade na formação do professor. Desde 2012 a Universidade Federal Fluminense possui uma licenciatura em cinema e a mobilização de outras universidade no mesmo caminho é evidente. Devemos ainda atentar à intensa contribuição que diversos programas de pós-graduação vêm dando às relações entre cinema e educação, algo que se evidência nos próprios encontros da sociedade que representamos, onde a cada ano temos diversos trabalhos e comunicações dedicados às relações do cinema com a educação.

Além da materialidade legal, de formação e de pesquisa que evidencia a íntima relação entre o cinema e a escola, a Rede Kino: Rede Latinoamericana de Educação, Cinema e Audiovisual, formada por professores e pesquisadores que trabalham na interface entre cinema e educação, vem mapeando projetos e iniciativas que se dedicam à essa interface, desde 2008. Projetos que acontecem em todo o país e que mobilizam centenas de escolas. Por fim, sabemos que o cinema é amplamente presente nas escolas por conta da contribuição que ele traz em tantas áreas, conteúdos e debates, da matemática às ciências, passando pelas histórias, geografias e humanidades em geral. Por todos esses motivos, pela intensa força pedagógica do cinema na escola, nos preocupa que no momento de construção de uma Base Curricular tão pouca atenção tenho sido dada ao cinema.

No nosso entender, a BNC deveria incluir um eixo Cinema e Audiovisual dentro do componente curricular artes, só assim garantiremos uma formação consistente em uma área decisiva da cultura contemporânea, além de uma experiência e uma habilidade em uma dimensão central das linguagens no mundo atual.

 

Atenciosamente

 

 

Cezar Migliorin

Presidente da SOCINE

  1. Prazo de pagamento da anuidade: de 1 a 24 de março; 
  2. Prazo de submissão de propostas de trabalhos para apresentação [XXI Encontro]: de 5 a 31 de março;
  3. Divulgação de propostas aprovadas para apresentação [XXI SOCINE]: 9 de junho;
  4. Período de pagamento das inscrições [XXI SOCINE]:
      • PRIMEIRO PRAZO: 3 a 13 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
      • SEGUNDO PRAZO: 14 a 24 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
      • TERCEIRO PRAZO: 25 de julho a 1 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00
  5. Chamada de candidaturas [Eleições da SOCINE]: 21 de agosto a 22 de setembro;
  6. Inscrição de ouvintes [XXI SOCINE]: a partir de 11 de setembro;
  7. Divulgação da programação [XXI SOCINE]: 19 de setembro;
  8. Divulgação das candidaturas homologadas [Eleições da SOCINE]: 29 de setembro;
  9. XXI Encontro SOCINE, na UFPB, em João Pessoa: de 17 a 20 de outubro;
  10. Eleições da SOCINE: 18 e 19 de outubro;
  11. Assembleia e posse da nova diretoria: 20 de outubro;
  12. Prazo de envio de trabalhos para os Anais de Textos Completos [XXI SOCINE]: a definir.