Ficha do Proponente

Proponente

    Ana Lucia Lobato de Azevedo (UFPA)

Minicurrículo

    Professora do Curso de Cinema e Audiovisual e professora colaboradora do Programa de Pós-graduação em Artes da UFPA. Publicou artigos e capítulos de livro sobre cinema, entre os quais “Da exibição dos filmes da Comissão Rondon” (Doc On-line, n. 18), “Líbero Luxardo e a produção de cinejornais no Pará nas décadas de 1940 e 1950”. (Significação, v. 42, n. 44). Coordena o projeto de pesquisa “A produção de cinejornais no Pará nas décadas de 1940, 1950 e 1960”, que conta com apoio do CNPq.

Ficha do Trabalho

Título

    A ESPACIALIDADE EM ÓRFÃOS DO ELDORADO

Resumo

    O objetivo deste trabalho é abordar a espacialidade no longa-metragem Órfãos do Eldorado (2015), dirigido por Guilherme Coelho. A análise se concentrará na forma como o espaço é construído, qual o significado de que se reveste, levando-se em conta suas dimensões visuais e sonoras, bem como a relação espaço/tempo. Será abordada a maneira como a dimensão espacial concorre para compor o perfil do protagonista, para expressar suas vivências e estado interior.

Resumo expandido

    A proposta deste trabalho é abordar a espacialidade no longa-metragem Órfãos do Eldorado (2015), dirigido por Guilherme Coelho. O filme, que enfoca a volta do filho à casa paterna, se passa no estado do Amazonas, em uma pequena cidade ribeirinha, tanto em suas ruas e espaços interiores – sobretudo aqueles da casa da família -, quanto em meio à natureza – entre o rio e a floresta -, em amplos espaços exteriores. A análise se concentrará na forma como a espacialidade é construída, qual o significado de que se reveste, levando-se em conta seus aspectos visuais e sonoros, o partido estilístico do filme, a fotografia, sua paleta de cores, a montagem, bem como a diversidade de sons que compõem a trilha sonora, aspecto este de extrema importância para a dimensão espacial do longa-metragem.
    O espaço é, sem dúvida, um aspecto central de uma produção fílmica, levando Henri Agel, em seu livro sobre o espaço cinematográfico, a afirmar, de forma “um tanto categórica”, no entender de Cristian Borges (BORGES, 2007:183), que “um filme é, antes de mais nada, definição de um espaço, inserção de personagens em um cenário natural ou reconstituído em estúdio” (AGEL, apud BORGES, 2007:183). Agel propõe duas categorias espaciais: espaço contraído e dilatado. O espaço contraído se caracteriza pela hostilidade, encerramento, reclusão, enquanto o espaço dilatado pode provocar uma desconstrução libertadora, um respiro, uma abertura (AGEL, apud BORGES, 2007:183-184).
    Em Órfãos do Eldorado, o espaço diegético é carregado de conotações afetivas, que reverberam o estado interior do personagem principal, Arminto Cordovil (Daniel Oliveira), suas vivências familiares, sua história de vida, sua constituição como indivíduo em meio àquele ambiente. Todos os lugares, sejam os ambientes privados – a casa da família -, sejam os ambientes naturais – as águas do rio, a praia, a floresta -, estão impregnados de forte tom emocional. Há uma espécie de paralisia no ar, uma sensação de sufocamento que se espraia pelos diversos locais; é como se tudo estivesse em suspensão, o ar se revela pesado, de forma quase tátil.
    Levando em conta as categorias propostas por Agel, minha hipótese, a ser desenvolvida no trabalho ora proposto, vai no sentido de considerar o espaço construído pelo filme como, fundamentalmente, da ordem do espaço contraído, forma como são apresentados, na maioria das situações, tanto os ambientes interiores quanto os vastos exteriores, constituindo-se em um dos veículos de expressão das emoções e sentimentos que o protagonista nutre por aquele território cultural e afetivo, com o qual se encontra irremediavelmente enredado. Arminto não vislumbra saída naquele espaço amazônico, mostra-se encurralado, os ecos de suas vivências ressoam por toda parte como uma fatalidade. Esse estado de coisas atravessa ambientes diversos, passa dos interiores aos exteriores, que muitas vezes figuram em planos contíguos, incluídos em uma mesma sequência. Este trabalho buscará entender como isso de dá, como tal atmosfera perpassa diferentes espaços, como opera a montagem em tais situações, bem como a edição de som.
    Os espaços são atravessados por temporalidades diversas, aqui e ali vêm à tona as memórias do protagonista, despontam marcas inscritas em seu ser. A dimensão temporal do filme e sua relação com o espaço será abordada recorrendo-se à noção de cronótopo, proposta por Mikhail Bakhtin (1997b), que diz respeito à interligação fundamental entre as categorias espaço e tempo.

Bibliografia

    AGEL, Henri. L’Espace cinématographique. Paris: Jean-Pierre Delarge, 1978.
    BAKHTIN, Mikhail. Estética da criação verbal. São Paulo: Martins Fontes, 1997b.
    __________. Forms of time and of the chronotope in the novel. In: BAKHTIN, M. The dialogic imagination: four essays. Trad. Caryl Emerson, Michael Holquist. Austin: University of Texas Press, [1975] 1988, p. 84 a 258.
    BORGES, Cristian. Vers un cinéma en fuite: le puzzle, la mosaïque et le labyrinthe comme clés de composition filmique. Tese de doutorado. Paris: Université Sorbonne Nouvelle – Paris 3, 2007.
    FLÔRES, Virginia Osorio. O cinema: uma arte sonora. São Paulo: Annablume, 2013.
    __________. “Identidade e alteridade no cinema: espaços significantes na poética sonora contemporânea”. Significação, São Paulo, v. 42 , n. 44, dez. 2015.
    OLIVEIRA, Luiz Carlos. A mise en scène no cinema – do clássico ao cinema do fluxo. Camppoinas (SP): Papirus, 2013.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Rio de Janeiro, 28 de janeiro de 2016.

 

Carta aberta ao Ministério da Educação e Ministério da Cultura

 

Assunto: Base Nacional Comum Curricular

 

 

A SOCINE (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual) tem acompanhado os esforços de construção da Base Nacional Comum Curricular. Nosso comentário aqui irá se ater à especificidade de nossa área e sua relação com as propostas apresentadas na BNCC.

Dentro do texto preliminar do BNCC o componente curricular ARTE parte de uma grande área chamada linguagens. Dentro desta área as artes foram divididas em quatro grandes eixos: “artes visuais, dança, teatro e música”, conforme as licenciaturas específicas em arte, desconsiderando a Licenciatura em Cinema e Audiovisual (Resolução do CNE n. 10, de 27 de junho de 2006) e excluindo completamente o cinema como uma arte específica.

Foi essa subdivisão que nos trouxe uma primeira preocupação. Junto à todos esses subcomponentes da área de artes nos parece fundamental que esteja também o cinema. Esta atenção e necessidade não existe apenas porque trabalhamos e pesquisamos cinema e estamos atentos aos seus destinos, mas porque o cinema está intensamente presente na escola e na sociedade e, no momento da construção de uma base nacional para o currículo do ensino infantil, médio e fundamental as questões, contribuições e potencias do cinema na escola não podem ser excluídos.

Diversos componentes curriculares lançam mão de filmes de ficção, seriados, documentários para abordarem temas transversais e específicos de diferentes naturezas. O debate teórico que investigamos apontam para uma necessária vivência no âmbito escolar dos dispositivos cinematográficos desde a tenra idade seja para desenvolver a imaginação na Educação Infantil, na elaboração de cenários para o faz de conta, seja para a construção de identidade pessoal e cultural, seja pela singularidade da experiência sensível que o cinema possibilita.

Vale notar alguns fatos que sustentam nossa preocupação. Primeiramente o cinema é hoje obrigatório na escola. Graças à lei 13006/14, há uma obrigação de exibição de pelo menos duas horas de filmes brasileiros nas escolas. Esta lei, em vias de regulamentação, também exigirá que espaços físicos e materiais sejam garantidos nas escolas para sua efetivação, além da necessidade de uma real inclusão do cinema nas questões que tocam o currículo como um todo, transcendendo mesmo as linguagens específicas. Além de oferecer uma ampla versatilidade de conteúdo, a leitura de filmes e a própria produção audiovisual – inclusive com dispositivos móveis de comunicação – permite a professores e estudantes olhar para a realidade para descobri-la e inventá-la – gestos essenciais na produção de conhecimento.

Como bem é lembrado na proposta de BNC, “a formação em Arte acontece em licenciaturas específicas (artes visuais, dança, teatro e música)”, pois, também em licenciaturas de cinema. Embora talvez se presuma que “artes visuais” inclua de algum modo ao cinema, ele tem uma especificidade na formação do professor. Desde 2012 a Universidade Federal Fluminense possui uma licenciatura em cinema e a mobilização de outras universidade no mesmo caminho é evidente. Devemos ainda atentar à intensa contribuição que diversos programas de pós-graduação vêm dando às relações entre cinema e educação, algo que se evidência nos próprios encontros da sociedade que representamos, onde a cada ano temos diversos trabalhos e comunicações dedicados às relações do cinema com a educação.

Além da materialidade legal, de formação e de pesquisa que evidencia a íntima relação entre o cinema e a escola, a Rede Kino: Rede Latinoamericana de Educação, Cinema e Audiovisual, formada por professores e pesquisadores que trabalham na interface entre cinema e educação, vem mapeando projetos e iniciativas que se dedicam à essa interface, desde 2008. Projetos que acontecem em todo o país e que mobilizam centenas de escolas. Por fim, sabemos que o cinema é amplamente presente nas escolas por conta da contribuição que ele traz em tantas áreas, conteúdos e debates, da matemática às ciências, passando pelas histórias, geografias e humanidades em geral. Por todos esses motivos, pela intensa força pedagógica do cinema na escola, nos preocupa que no momento de construção de uma Base Curricular tão pouca atenção tenho sido dada ao cinema.

No nosso entender, a BNC deveria incluir um eixo Cinema e Audiovisual dentro do componente curricular artes, só assim garantiremos uma formação consistente em uma área decisiva da cultura contemporânea, além de uma experiência e uma habilidade em uma dimensão central das linguagens no mundo atual.

 

Atenciosamente

 

 

Cezar Migliorin

Presidente da SOCINE

  1. Prazo de pagamento da anuidade: de 1 a 24 de março; 
  2. Prazo de submissão de propostas de trabalhos para apresentação [XXI Encontro]: de 5 a 31 de março;
  3. Divulgação de propostas aprovadas para apresentação [XXI SOCINE]: 9 de junho;
  4. Período de pagamento das inscrições [XXI SOCINE]:
      • PRIMEIRO PRAZO: 3 a 13 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
      • SEGUNDO PRAZO: 14 a 24 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
      • TERCEIRO PRAZO: 25 de julho a 1 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00
  5. Chamada de candidaturas [Eleições da SOCINE]: 21 de agosto a 22 de setembro;
  6. Inscrição de ouvintes [XXI SOCINE]: a partir de 11 de setembro;
  7. Divulgação da programação [XXI SOCINE]: 19 de setembro;
  8. Divulgação das candidaturas homologadas [Eleições da SOCINE]: 29 de setembro;
  9. XXI Encontro SOCINE, na UFPB, em João Pessoa: de 17 a 20 de outubro;
  10. Eleições da SOCINE: 18 e 19 de outubro;
  11. Assembleia e posse da nova diretoria: 20 de outubro;
  12. Prazo de envio de trabalhos para os Anais de Textos Completos [XXI SOCINE]: a definir.