Ficha do Proponente

Proponente

    Fabrício Basílio Pacheco da Silva (PPGCOM/UFF)

Minicurrículo

    Graduado em Cinema e Audiovisual pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e mestrando pelo Programa de Pós-graduação em Comunicação da Universidade Federal Fluminense (PPGCOM/UFF). Criador do Cineclube Rã Vermelha, dedicado ao cinema de horror nacional. Tem interesse nos seguintes temas: cinema fantástico, insólito ficcional, cinema nacional e gêneros cinematográficos.

Ficha do Trabalho

Título

    A construção do insólito ficcional em Trabalhar Cansa

Resumo

    O presente trabalho parte do filme brasileiro Trabalhar Cansa (2011) e objetiva investigar os aspectos insólitos empregados no filme. Para isso, ambiciona-se conectar estudos literários e cinematográficos, partindo da teoria de terror incidental proposta Laura Cánepa, da evidenciação de códigos do horror e da proposta temática social da obra, que se somaram aos estudos de Tzvetan Todorov e David Roas acerca do fantástico.

Resumo expandido

    O trabalho pretende situar-se em torno dos debates acerca do cinema brasileiro contemporâneo, no que tange a discussão de filmes que dedicam suas narrativas a elementos do insólito ficcional, conceito empregado aqui como uma categoria comum a vários gêneros de origem literária, conectados por uma herança em torno do sobrenatural. Como aponta Flávio García (2012) o insólito ficcional se revela como uma forma de nomear um macro-gênero, associado a uma “arquitetura sistêmica” que se opõe ao sistema “real-naturalista”.
    Para isso, o trabalho firma como objetivo a investigação dos elementos insólitos, tanto narrativos quanto estéticos, desenvolvidos no filme Trabalhar Cansa (2011), dirigido por Marco Dutra e Juliana Rojas, que hibridiza elementos do gênero cinematográfico do horror, com uma mise-en-scène essencialmente naturalista e uma narrativa voltada para a discussão de problemas sociais.
    Nesse sentido, Laura Cánepa (2013-14) aponta um fenômeno recente que surge em filmes voltados para outros gêneros, mas que apresentam “experiências limítrofes” com a linguagem cinematográfica do horror. Ampliando esse argumento a pesquisadora apresenta em seu artigo Terror incidental? (2013) uma teoria incompleta que abarca Trabalhar Cansa. Para Cánepa, por mais que alguns filmes contenham poucas sequências de violência explícita, existe uma identificação permanente entre espectador e personagem de que “algo terrível” possa ocorrer a qualquer momento, o que se configura como um ponto de intersecção com o horror. Para a autora esse “algo terrível” não é criado por elementos psicóticos ou sobrenaturais, mais sim por mazelas sociais brasileiras não resolvidas.
    Complementando esse argumento, Mariana Souto (2012) aponta que as maiores tensões em Trabalhar Cansa não se instauram na erupção dos elementos sobrenaturais, mas sim nas relações entre “empregador e empregado”, ou seja, na evidenciação da luta de classes.
    Diante desses aspectos o trabalho se volta para bibliografias oriundas da literatura. Neste processo dois teóricos se destacam. Em primeiro lugar nos colocamos ao lado dos estudos estruturalistas de Tzvetan Todorov sobre o fantástico. Para o autor, o fantástico pode ser definido como uma perturbação sobrenatural em um mundo natural/real. Assim, a inserção de um elemento fantástico precisa ter um mínimo de sustentabilidade real, capaz de deixar leitor e personagem em dúvida quanto ao acontecimento. Ou seja, o fantástico ocupa o tempo dessa incerteza e, dessa forma, depende da hesitação para sua existência. Assim que se define uma resposta deixa-se o terreno do fantástico para entrar em dois gêneros vizinhos: o estranho e o maravilhoso. No estranho a resolução da história revela que o acontecimento insólito possui explicação racional, ou seja, o “sobrenatural é reduzido a feitos conhecidos”, enquanto que no maravilhoso se faz necessário admitir novas leis da natureza, como ocorre nas fábulas infantis.
    Também lançamos mão de David Roas (2014), que interpreta o fantástico como a transgressão conflituosa da realidade. Essencial para este trabalho é a distinção que Roas faz em torno de dois tipos de medo emitidos pela narrativa insólita: o medo físico e emocional, e o medo metafisico ou intelectual. O medo físico e emocional está ligado a perturbação da integridade física, este tipo de medo é compartilhado em prevalência nas narrativas fantásticas e nos filmes de horror, associado ao nível das ações narrativas e transmitido aos personagens e ao leitor. Ao contrário disso, o medo metafísico ou intelectual, abole as noções de real, mas não para aterrorizar a integridade física dos personagens, mas sim para revelar a estes que a regras do mundo não funcionam do modo como se pensava, é a essa forma de medo a que filiamos Trabalhar Cansa.
    Buscando imbricar teorias cinematográficas e literárias, almeja-se evidenciar como a obra em questão, subverte elementos tradicionais do horror e do insólito em prol de uma singularidade narrativa.

Bibliografia

    CÁNEPA, Laura. Horrores do Brasil. Filmecultura 61, novembro 2013 – janeiro 2014, p. 33-37
    CANEPA, Laura. Terror Incidental? Revista Interlúdio, 2013. Disponível em: http://www.revistainterludio.com.br/?p=5160 . Acessado em: 15/ 05/ 2016
    GARCÍA, Flávio. Quando a manifestação do insólito importa para a crítica literária. In: Vertentes teóricas e ficcionais do Insólito. Rio de Janeiro: Editora Caetés, 2012.
    SOUTO, MARIANA. O que teme a classe média? Trabalhar cansa e o horror no cinema brasileiro contemporâneo. Contracampo, Niterói (RJ), no25, dez/2012.
    Disponível em: http://www.uff.br/contracampo/index.php/revista/article/view/293 Acessado em: 15/ 05/ 2016
    ROAS, David, A Ameaça do fantástico. São Paulo: Editora Unesp, 2014.
    TODOROV, Tzvetan, Introdução à Literatura Fantástica, São Paulo: Perspectiva, 2008.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Rio de Janeiro, 28 de janeiro de 2016.

 

Carta aberta ao Ministério da Educação e Ministério da Cultura

 

Assunto: Base Nacional Comum Curricular

 

 

A SOCINE (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual) tem acompanhado os esforços de construção da Base Nacional Comum Curricular. Nosso comentário aqui irá se ater à especificidade de nossa área e sua relação com as propostas apresentadas na BNCC.

Dentro do texto preliminar do BNCC o componente curricular ARTE parte de uma grande área chamada linguagens. Dentro desta área as artes foram divididas em quatro grandes eixos: “artes visuais, dança, teatro e música”, conforme as licenciaturas específicas em arte, desconsiderando a Licenciatura em Cinema e Audiovisual (Resolução do CNE n. 10, de 27 de junho de 2006) e excluindo completamente o cinema como uma arte específica.

Foi essa subdivisão que nos trouxe uma primeira preocupação. Junto à todos esses subcomponentes da área de artes nos parece fundamental que esteja também o cinema. Esta atenção e necessidade não existe apenas porque trabalhamos e pesquisamos cinema e estamos atentos aos seus destinos, mas porque o cinema está intensamente presente na escola e na sociedade e, no momento da construção de uma base nacional para o currículo do ensino infantil, médio e fundamental as questões, contribuições e potencias do cinema na escola não podem ser excluídos.

Diversos componentes curriculares lançam mão de filmes de ficção, seriados, documentários para abordarem temas transversais e específicos de diferentes naturezas. O debate teórico que investigamos apontam para uma necessária vivência no âmbito escolar dos dispositivos cinematográficos desde a tenra idade seja para desenvolver a imaginação na Educação Infantil, na elaboração de cenários para o faz de conta, seja para a construção de identidade pessoal e cultural, seja pela singularidade da experiência sensível que o cinema possibilita.

Vale notar alguns fatos que sustentam nossa preocupação. Primeiramente o cinema é hoje obrigatório na escola. Graças à lei 13006/14, há uma obrigação de exibição de pelo menos duas horas de filmes brasileiros nas escolas. Esta lei, em vias de regulamentação, também exigirá que espaços físicos e materiais sejam garantidos nas escolas para sua efetivação, além da necessidade de uma real inclusão do cinema nas questões que tocam o currículo como um todo, transcendendo mesmo as linguagens específicas. Além de oferecer uma ampla versatilidade de conteúdo, a leitura de filmes e a própria produção audiovisual – inclusive com dispositivos móveis de comunicação – permite a professores e estudantes olhar para a realidade para descobri-la e inventá-la – gestos essenciais na produção de conhecimento.

Como bem é lembrado na proposta de BNC, “a formação em Arte acontece em licenciaturas específicas (artes visuais, dança, teatro e música)”, pois, também em licenciaturas de cinema. Embora talvez se presuma que “artes visuais” inclua de algum modo ao cinema, ele tem uma especificidade na formação do professor. Desde 2012 a Universidade Federal Fluminense possui uma licenciatura em cinema e a mobilização de outras universidade no mesmo caminho é evidente. Devemos ainda atentar à intensa contribuição que diversos programas de pós-graduação vêm dando às relações entre cinema e educação, algo que se evidência nos próprios encontros da sociedade que representamos, onde a cada ano temos diversos trabalhos e comunicações dedicados às relações do cinema com a educação.

Além da materialidade legal, de formação e de pesquisa que evidencia a íntima relação entre o cinema e a escola, a Rede Kino: Rede Latinoamericana de Educação, Cinema e Audiovisual, formada por professores e pesquisadores que trabalham na interface entre cinema e educação, vem mapeando projetos e iniciativas que se dedicam à essa interface, desde 2008. Projetos que acontecem em todo o país e que mobilizam centenas de escolas. Por fim, sabemos que o cinema é amplamente presente nas escolas por conta da contribuição que ele traz em tantas áreas, conteúdos e debates, da matemática às ciências, passando pelas histórias, geografias e humanidades em geral. Por todos esses motivos, pela intensa força pedagógica do cinema na escola, nos preocupa que no momento de construção de uma Base Curricular tão pouca atenção tenho sido dada ao cinema.

No nosso entender, a BNC deveria incluir um eixo Cinema e Audiovisual dentro do componente curricular artes, só assim garantiremos uma formação consistente em uma área decisiva da cultura contemporânea, além de uma experiência e uma habilidade em uma dimensão central das linguagens no mundo atual.

 

Atenciosamente

 

 

Cezar Migliorin

Presidente da SOCINE

  1. Prazo de pagamento da anuidade: de 1 a 24 de março; 
  2. Prazo de submissão de propostas de trabalhos para apresentação [XXI Encontro]: de 5 a 31 de março;
  3. Divulgação de propostas aprovadas para apresentação [XXI SOCINE]: 9 de junho;
  4. Período de pagamento das inscrições [XXI SOCINE]:
      • PRIMEIRO PRAZO: 3 a 13 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
      • SEGUNDO PRAZO: 14 a 24 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
      • TERCEIRO PRAZO: 25 de julho a 1 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00
  5. Chamada de candidaturas [Eleições da SOCINE]: 21 de agosto a 22 de setembro;
  6. Inscrição de ouvintes [XXI SOCINE]: a partir de 11 de setembro;
  7. Divulgação da programação [XXI SOCINE]: 19 de setembro;
  8. Divulgação das candidaturas homologadas [Eleições da SOCINE]: 29 de setembro;
  9. XXI Encontro SOCINE, na UFPB, em João Pessoa: de 17 a 20 de outubro;
  10. Eleições da SOCINE: 18 e 19 de outubro;
  11. Assembleia e posse da nova diretoria: 20 de outubro;
  12. Prazo de envio de trabalhos para os Anais de Textos Completos [XXI SOCINE]: a definir.