Ficha do Proponente

Proponente

    Guilherme Maia de Jesus (UFBA)

Minicurrículo

    Doutor em Comunicação (PósCom-UFBA), Mestre em Música (PPGM-UNIRIO), Guilherme Maia é professor da Facom e do PósCom (UFBA). Líder do núcleo de ficção do Laboratório de Análise Fílmica. No ensino e na pesquisa, trabalha com questões relacionadas ao som e à música no audiovisual. Em 2015, publicou os livros “Elementos para uma poética da música dos filmes” e “Ouvir o Documentário: vozes, música, ruídos”, este último como co-organizador.

Coautor

    Leandro Afonso Guimarães (UFBA)

Ficha do Trabalho

Título

    Os sons da encenação em Sur, uma película político-tanguera.

Seminário

    Teoria e Estética do Som no Audiovisual

Resumo

    Como mais um passo na jornada investigativa sobre o cinema musical latino-americano, realizada no âmbito do Laboratório de Análise Fílmica, propomos trazer a este Seminário um número musical do filme Sur (Fernando Solanas, 1988), uma película político-tanguera, com o objetivo de discutir os resultados de uma análise de mise en scène que, ao contrário do que usualmente acontece no campo dos estudos fílmicos, inclui os elementos sonoros no jogo da encenação.

Resumo expandido

    Via de regra, quando convocados no âmbito dos estudos sobre o cinema, conceitos como mise en scène, staging, puesta en cena e encenação, se referem a uma matéria expressiva essencialmente visual. Aumont (2008, p. 68) diz que encenar é “exercer o olhar sobre o que se filma, distinguindo-lhe o essencial e tornando-o visível”. Bordwell (2008, p.36) considera que “o essencial sentido técnico do termo denota cenário, iluminação, figurino, maquiagem e atuação dos atores dentro do quadro.” Para ele “a imagem da mise-en-scène por excelência é um plano-sequência com grande profundidade de campo.” Para Bonitzer (1999), mise-en-scène designa uma inteligência artística no agenciamento dos planos, incluindo a montagem e os movimentos de câmera no rol dos elementos constitutivos da encenação.

    No Dicionário de Teatro de Patrice Pavis (1996, p. 122), no entanto, Veinstein (1955), fixando a gênese do conceito de mise en scène na segunda metade do século XIX, propõe duas definições de encenação. “Numa ampla acepção, o termo encenação designa o conjunto dos meios de interpretação cênica: cenário, iluminação, música e atuação.” Em um sentido mais restrito, encenação designaria “a atividade que consiste no arranjo num certo tempo e num certo espaço de atuação, dos diferentes elementos de interpretação cênica de uma obra dramática.” Ora, na primeira definição, a música tem explícito direito de pertencimento ao conceito. Na segunda, quando fala em “diferentes elementos da interpretação cênica de uma obra dramática”, não confere nenhuma ênfase aos elementos visuais. Vozes, música e ruídos, portanto, nestas definições fundadoras, fazem parte do jogo da puesta en cena.

    Ao migrar para o campo dos estudos fílmicos, todavia, o conceito de encenação parecer ter, em grande medida, se “descolado” dos elementos sonoros. Hoje fala-se muito em “paisagem sonora”, é bem verdade, e esse conceito pode ser entendido como um equivalente ao de mise-en-scéne aplicado à imagem – a posta dos sons em cena. Observemos, contudo, que são conceitos que costumam transitar em territórios distintos, como se som e imagem, no cinema, não formassem um objeto íntegro, trazendo de volta a este Seminário uma questão interessante: o campo dos estudos de som no cinema decerto cresceu de forma imponente nestas últimas décadas, mas até que ponto teve força suficiente para ocupar espaços importantes no campo dos estudos cinematográficos, de um modo geral?

    Como mais um passo na nossa jornada investigativa sobre o cinema musical latino-americano, que teve algumas de suas ações apresentadas nos nossos dois últimos encontros, desta vez trazemos aqui o musical Sur (Fernando Solanas, 1988) para propor uma análise de mise en scène que inclua os elementos sonoros, tomando como objeto um número musical do filme, no qual o agora e o ontem, a vida e a morte, a memória e o delírio, a prisão e a liberdade, o desencaixe e o encaixe amoroso se fundem em um belo espetáculo minimalista de encenação audiovisual, sintetizando a dor difusa e tão “argentina” que é o prato principal do cardápio sensorial e sentimental do filme.

    Unindo duas importantes tradições do cinema argentino: as películas tangueras e o cinema político, Sur foi contemplado com o prêmio de melhor direção na edição de 1988 do Festival de Cannes. Decerto o sofisticado tecido político da camada cognitiva do filme em muito contribuiu para esse reconhecimento, mas, da mesma forma, não devemos temer afirmar que o sabor específico deste filme, assim como sua consagração em uma das mais importantes instâncias do campo, paga altos tributos ao modo como os números musicais de Sur são postos em cena, especialmente os tangos interpretados por Roberto Goyeneche, “El Polaco”, cantante famoso pela astúcia na ornamentação das frases em rubato.

Bibliografia

    AUMONT, Jacques. O cinema e a encenação. Trad. Pedro Elói Duarte. Lisboa, Texto e Grafia, 2008.

    BONITZER, Pascal. Qu’est-ce qu’un plan? em Le Champ Auvegle, Essais sur le réalisme au cinema. Paris, Petite Bibliothèque des Cahiers du Cinéma, 1999.

    BORDWELL, David. Figuras traçadas na luz – A encenação no cinema. Trad. Maria Luiza Machado Jatobá. Campinas, Papirus Editora, 2008.

    FARKAS, Guilherme. Som e mise-en-scène. https://revistausina.com/2015/05/15/som-e-mise-en-scene/. Maio, 2015.

    OLIVEIRA JR., Luiz Carlos. A mise en scène no cinema – do clássico ao cinema de fluxo. Campinas, Papirus, 2013.

    CONSTANTINI, Gustavo; RAPAN, Eleonora. Sonido e inmersión en la trilogía salteña de Lucrecia Martel. Imagofagia, n.º 13, 2016.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Rio de Janeiro, 28 de janeiro de 2016.

 

Carta aberta ao Ministério da Educação e Ministério da Cultura

 

Assunto: Base Nacional Comum Curricular

 

 

A SOCINE (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual) tem acompanhado os esforços de construção da Base Nacional Comum Curricular. Nosso comentário aqui irá se ater à especificidade de nossa área e sua relação com as propostas apresentadas na BNCC.

Dentro do texto preliminar do BNCC o componente curricular ARTE parte de uma grande área chamada linguagens. Dentro desta área as artes foram divididas em quatro grandes eixos: “artes visuais, dança, teatro e música”, conforme as licenciaturas específicas em arte, desconsiderando a Licenciatura em Cinema e Audiovisual (Resolução do CNE n. 10, de 27 de junho de 2006) e excluindo completamente o cinema como uma arte específica.

Foi essa subdivisão que nos trouxe uma primeira preocupação. Junto à todos esses subcomponentes da área de artes nos parece fundamental que esteja também o cinema. Esta atenção e necessidade não existe apenas porque trabalhamos e pesquisamos cinema e estamos atentos aos seus destinos, mas porque o cinema está intensamente presente na escola e na sociedade e, no momento da construção de uma base nacional para o currículo do ensino infantil, médio e fundamental as questões, contribuições e potencias do cinema na escola não podem ser excluídos.

Diversos componentes curriculares lançam mão de filmes de ficção, seriados, documentários para abordarem temas transversais e específicos de diferentes naturezas. O debate teórico que investigamos apontam para uma necessária vivência no âmbito escolar dos dispositivos cinematográficos desde a tenra idade seja para desenvolver a imaginação na Educação Infantil, na elaboração de cenários para o faz de conta, seja para a construção de identidade pessoal e cultural, seja pela singularidade da experiência sensível que o cinema possibilita.

Vale notar alguns fatos que sustentam nossa preocupação. Primeiramente o cinema é hoje obrigatório na escola. Graças à lei 13006/14, há uma obrigação de exibição de pelo menos duas horas de filmes brasileiros nas escolas. Esta lei, em vias de regulamentação, também exigirá que espaços físicos e materiais sejam garantidos nas escolas para sua efetivação, além da necessidade de uma real inclusão do cinema nas questões que tocam o currículo como um todo, transcendendo mesmo as linguagens específicas. Além de oferecer uma ampla versatilidade de conteúdo, a leitura de filmes e a própria produção audiovisual – inclusive com dispositivos móveis de comunicação – permite a professores e estudantes olhar para a realidade para descobri-la e inventá-la – gestos essenciais na produção de conhecimento.

Como bem é lembrado na proposta de BNC, “a formação em Arte acontece em licenciaturas específicas (artes visuais, dança, teatro e música)”, pois, também em licenciaturas de cinema. Embora talvez se presuma que “artes visuais” inclua de algum modo ao cinema, ele tem uma especificidade na formação do professor. Desde 2012 a Universidade Federal Fluminense possui uma licenciatura em cinema e a mobilização de outras universidade no mesmo caminho é evidente. Devemos ainda atentar à intensa contribuição que diversos programas de pós-graduação vêm dando às relações entre cinema e educação, algo que se evidência nos próprios encontros da sociedade que representamos, onde a cada ano temos diversos trabalhos e comunicações dedicados às relações do cinema com a educação.

Além da materialidade legal, de formação e de pesquisa que evidencia a íntima relação entre o cinema e a escola, a Rede Kino: Rede Latinoamericana de Educação, Cinema e Audiovisual, formada por professores e pesquisadores que trabalham na interface entre cinema e educação, vem mapeando projetos e iniciativas que se dedicam à essa interface, desde 2008. Projetos que acontecem em todo o país e que mobilizam centenas de escolas. Por fim, sabemos que o cinema é amplamente presente nas escolas por conta da contribuição que ele traz em tantas áreas, conteúdos e debates, da matemática às ciências, passando pelas histórias, geografias e humanidades em geral. Por todos esses motivos, pela intensa força pedagógica do cinema na escola, nos preocupa que no momento de construção de uma Base Curricular tão pouca atenção tenho sido dada ao cinema.

No nosso entender, a BNC deveria incluir um eixo Cinema e Audiovisual dentro do componente curricular artes, só assim garantiremos uma formação consistente em uma área decisiva da cultura contemporânea, além de uma experiência e uma habilidade em uma dimensão central das linguagens no mundo atual.

 

Atenciosamente

 

 

Cezar Migliorin

Presidente da SOCINE

  1. Prazo de pagamento da anuidade: de 1 a 24 de março; 
  2. Prazo de submissão de propostas de trabalhos para apresentação [XXI Encontro]: de 5 a 31 de março;
  3. Divulgação de propostas aprovadas para apresentação [XXI SOCINE]: 9 de junho;
  4. Período de pagamento das inscrições [XXI SOCINE]:
      • PRIMEIRO PRAZO: 3 a 13 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
      • SEGUNDO PRAZO: 14 a 24 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
      • TERCEIRO PRAZO: 25 de julho a 1 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00
  5. Chamada de candidaturas [Eleições da SOCINE]: 21 de agosto a 22 de setembro;
  6. Inscrição de ouvintes [XXI SOCINE]: a partir de 11 de setembro;
  7. Divulgação da programação [XXI SOCINE]: 19 de setembro;
  8. Divulgação das candidaturas homologadas [Eleições da SOCINE]: 29 de setembro;
  9. XXI Encontro SOCINE, na UFPB, em João Pessoa: de 17 a 20 de outubro;
  10. Eleições da SOCINE: 18 e 19 de outubro;
  11. Assembleia e posse da nova diretoria: 20 de outubro;
  12. Prazo de envio de trabalhos para os Anais de Textos Completos [XXI SOCINE]: a definir.